quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Beto Richa prega 'reengenharia' nas contas do Estado para cumprir promessas

FOLHA DE LONDRINA, 7 de outubro de 2010

Governador eleito pretende ainda iniciar interiorização do governo no primeiro semestre de 2011 e implantar administrações regionais


O governador eleito Beto Richa (PSDB) tem pressa. Quando questionado sobre como e quando vai implantar cada um de seus compromissos de campanha, costuma responder: ''O mais rápido possível''. Nesta entrevista à FOLHA, ele admite, no entanto, que muitas promessas dependem de investimentos, e que só conseguirá definir os recursos disponíveis quando o Estado passar por uma ''reengenharia'' que irá adequar despesas e receitas para melhorar o gasto público. Trabalho este que deve tomar os primeiros meses de sua gestão frente ao Governo do Estado.

Fazer um governo mais presente no interior do Paraná é um de seu objetivos. ''Quero fazer um governo democrático, estar presente no interior e trabalhar em todas as regiões'', diz ele, que ainda não sabe precisar quando deverá iniciar, por exemplo, um dos carros-chefe de sua campanha no interior, a realização de audiências públicas, a exemplo das realizadas em Curitiba em sua gestão. A ideia é realizar reuniões em cidades-polo, com a presença de lideranças políticas, do comércio, de sindicatos, religiosos, representantes da entidades civil, enfim, abertas a toda população, para que a comunidade apresente suas reivindicações.

''Em uma comunidade - e isso serve numa visão de Estado também - uns queriam um espaço de lazer, outra precisava de vaga em creche, a outra pedia mais asfalto. Nas regiões é a mesma coisa. Uma precisa de mais acessos da rodovia para a cidade, como detectei em vários lugares no Noroeste, onde ocorrem acidentes quase diários. Outras precisam de ajuda para pavimentação urbana, outras têm problema de saúde, as grandes cidades têm problemas de segurança publica. O importante é dabater as prioridades de cada região, e fazer um planejamento de atendimento porque não tem dinheiro para atender tudo de uma vez só'', afirma.

Se o novo governador seguir à risca o que prevê seu Programa de Governo, no primeiro semestre de governo será implementado em âmbito estadual outra iniciativa já testada em Curitiba, onde a cidade foi dividida em Administrações Regionais. Serão criadas cerca de 20 Regiões de Desenvolvimento do Paraná (Redes), com abrangência semelhante a das Associações de Municípios, coordenadas a partir de Administrações Regionais localizadas nos municípios polo.

Cada Rede terá um Conselho Regional de Desenvolvimento (Conrede), que vai definir suas prioridades e ações, que depois serão levadas para decisão final do governador. Os conselhos serão formados pelos prefeitos, presidentes de câmaras e representantes da sociedade dos municípios integrantes da região, pelo respectivo administrador, pelos coordenadores de núcleos do Governo (Educação, Saúde, Agricultura, Obras e outros) e por representantes das polícias Civil e Militar.

As reuniões dos conselhos serão itinerantes nos municípios da região e abertas à comunidade onde todos terão voz. O governador, por sua vez, participará periodicamente destas reuniões, realizando as audiências públicas regionais, além de atender os prefeitos e despachar com toda a sua equipe. Segundo o Programa, as Redes não acarretarão em mais estrutura para o Estado, pois funcionará com funcionários, edificações e outros recursos já existentes.

Na sede das Redes, o novo governo também pretende implantar as ''Centrais de Serviços Tudo Aqui Paraná'', que reunirá num único espaço vários órgãos e entidades prestadores de serviços públicos. O ''Tudo Aqui'' foi idealizado nos moldes do programa paulista ''Poupa Tempo'', e a ideia é permitir que a população encontre, no mesmo local, serviços diversos, como a emissão de atestado de antecedentes criminais, emissão de passaporte, correio, emissão de CPF, Juizado Especial, consulta a processos, entre outros.

Sobre seus planos para o interior do Estado, Beto Richa diz que em termos gerais sua principal prioridade é a saúde pública que, segundo ele, está precária. ''Alguns hospitais até foram inaugurados, mas não funcionam. Em Ponta Grossa está parado, com 380 funcionários contratados e que estão em outra áreas porque não têm o que fazer no hospital, que não tem equipamentos'', diz.

Além de contratar médicos e comprar equipamentos, de acordo com ele, o Governo do Estado precisa cumprir a legislação, que prevê a aplicação de 12% das receitas líquidas do Estado em Saúde. Ainda na área da sáude, Beto cita a extensão do programa Mãe Curitiba para todo o Estado, com o nome ''Mãe Paranaense'' e a criação de centros de especialidades médicas no interior. ''Com o Mãe Curitibama diminuímos a taxa de mortalidade materna para a menor na história de Curitiba e a menor do Brasil entre capitais e Estados do mesmo porte. Já a procura por exames e consultas especializadas é um gargalo que existe em todo Brasil'', afirma.

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