quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ex-deputado estadual é preso por atirar em PM no Paraná

TERRA, 16 de junho de 2010


O ex-deputado estadual Nilton Servo (PRB) foi preso na madrugada desta quarta-feira em Ponta Grossa, a 110 Km de Curitiba (PR), suspeito de atirar três vezes contra um policial militar que estava de folga. O PM não foi atingido pelos tiros. Servo nega a acusação. Com ele foram encontradas uma arma e uma garrafa com gasolina, segundo a Polícia Civil da cidade.

O ex-parlamentar é suspeito de ser dono de casas de bingos ilegais em Ponta Grossa. Ele teria mandado um funcionário atear fogo em uma das sedes de um grupo concorrente. Na fuga, o funcionário foi acudido pelo policial militar, sem saber o motivo do incêndio. O ex-deputado teria aparecido, provavelmente para resgatar o funcionário, e atirado contra o PM.

Servo foi deputado estadual no Paraná entre 1991 e 1995. Ele foi preso há três anos pela Polícia Federal em Uberlândia (Minas Gerais) por comandar a máfia de caça-níqueis no Brasil.

Veja aqui no Paraná TV, da RPC, uma reportagem sobre a prisão do ex-deputado

Polícia Federal prende quadrilha que fraudava concursos

ESTADÃO ONLINE, 16 de junho de 2010


A Polícia Federal (PF) desencadeou na manhã desta quarta-feira (16) a Operação Tormenta, que tem por objetivo desarticular uma quadrilha que fraudava concursos públicos em todo o País. Estão sendo cumpridos 34 mandados de busca e apreensão, sendo 21 na Grande São Paulo, 1 no Rio de Janeiro, 3 na região de Campinas e os demais na Baixada Santista, além de 12 mandados de prisão temporária.

A PF iniciou as investigações por meio de informações obtidas durante a investigação social realizada no âmbito do concurso para Agente de Polícia Federal de 2009, fase do concurso que faz parte do sistema de proteção adotado pela instituição no recrutamento de novos policiais. A partir daí, identificou que a quadrilha atuava em todo o País, mediante acesso aos cadernos de questões, antes da data de aplicação das provas.

As investigações revelaram que, além do concurso da PF, o grupo teve acesso privilegiado às provas do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB (2ª fase/2010) e do concurso da Receita Federal (Auditor-Fiscal/1994). Foram identificados 53 candidatos que tiveram acesso à prova de agente federal, pelo menos 26 candidatos que tiveram acesso à prova da OAB e há indícios de que 41 candidatos tenham tido acesso à prova da Receita Federal.

Mesmo após a notícia do vazamento da prova da OAB pela imprensa, e sabendo que o fato seria investigado pela PF, a organização criminosa se articulou para fraudar, sem sucesso, concursos da Caixa Econômica Federal, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do INSS - Perito Médico, da Advocacia Geral da União (AGU), da Santa Casa de Santos - Residência Médica, de Defensor Público da União e da Faculdade de Medicina de Ouro Preto.

Segundo nota divulgada pela PF, foram também constatados indícios de fraudes em outros concursos. Para o órgão, existe no País um esquema de fraudes sistêmicas em concursos públicos.

"Voto bem informado é um voto de qualidade", diz Dora Kramer

GAZETA DO POVO, 16 de junho de 2010

Para a jornalista, que esteve em Curitiba na terça-feira, a democracia no país está amadurecendo


A democracia brasileira está amadurecendo, apesar de tentativas de infantilizar o eleitorado e de alguns fatos que ainda surpreendem os olhares mais experientes no campo da política. Essa é uma das conclusões da jornalista e colunista especializada em política Dora Kramer, que esteve em Curitiba na terça-feira (15) para um palestra sobre ética na política, proferida no jantar em comemoração aos 93 anos do Instituto dos Advogados do Paraná (IAP). Como uma das vozes mais influentes do país no ramo, Dora afirma que o ficha limpa é a prova desse amadurecimento, pois ele atesta o poder do cidadão. “É muito importante para mostrar para a sociedade que os governantes podem muito, mas não podem tudo”, alerta a jornalista.

No bate-papo por telefone com a Gazeta do Povo, também defende a colocação voto obrigatório em debate e o papel crítico da imprensa em relação ao poder público.

Saldo comercial do Paraná é o pior em oito anos

GAZETA DO POVO, 16 de junho de 2010

Ritmo de expansão das importações, de 52% no ano, é o triplo do registrado pelas exportações do estado


O saldo da balança comercial do Paraná é o mais fraco dos últimos oito anos. De janeiro a maio, a diferença entre o que o estado vende ao exterior e o que ele compra de outros países ficou em US$ 535 milhões, valor 60% inferior ao de igual período de 2009 e o pior desde 2002. Determinado pelo explosivo crescimento das importações, esse desempenho reflete o descompasso que existe entre o comportamento da economia brasileira e o de seus principais clientes lá fora.

Embora tenham avançado 18% nos cinco primeiros meses do ano, para um total de US$ 5,2 bilhões, as exportações do Paraná demoram mais a superar os traumas da crise internacional: seu atual nível ainda é 15% inferior ao recorde atingido em 2008, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As importações também não alcançam a marca de dois anos atrás – estão 10% abaixo –, mas seu ritmo de crescimento é bem mais veloz, e vem se acelerando. No primeiro trimestre do ano, as compras de importados eram 46% maiores que em igual período de 2009; no acumulado dos primeiros cinco meses, quando as importações somaram US$ 4,7 bilhões, o índice de expansão subiu para 52%. Ou seja, o triplo do registrado pelas exportações.

Apetite da indústria - Os números do MDIC revelam que esse movimento vem sendo alimentado por todas as categorias de produtos. Mas o principal destaque vai para as importações feitas pela indústria, em especial de mercadorias enquadradas como “bens intermediários”, usados para a produção de outros produtos, cuja fatia na pauta paranaense passou de 43% para 45% entre 2009 e 2010. A compra de matérias-primas industriais cresceu 50% até maio, para US$ 1,3 bilhão. A importação de “peças e acessórios de equipamentos de transporte” – componentes para veículos, por exemplo – mais que dobrou, atingindo quase US$ 600 milhões.

O apetite da indústria explica por que as compras de determinados itens já atingem recordes históricos, superando até mesmo os números de 2008. É o caso de aparelhos e materiais elétricos (circuitos integrados, interruptores e outros), cujas vendas superam em 42% os volumes de dois anos atrás, e também de componentes eletrônicos. Das 40 maiores importadoras do estado, 10 são compradoras de tais materiais e componentes, com destaque para a Positivo Informática e a Nokia Siemens Networks. Também bateram recordes as compras de plásticos (12%), borrachas (inclusive pneus, com 61% de alta) e até laminados de ferro e aço, cujas importações triplicaram em relação a 2008.

Risco de substituição - Os bens intermediários abastecem uma indústria em franco crescimento. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial paranaense, que de janeiro a abril cresceu 12% sobre o mesmo período do ano passado, já atingiu patamar 1,6% superior ao de setembro de 2008, tido como último mês do pré-crise. No entanto, um avanço tão acentuado das importações levanta a suspeita de que mercadorias do exterior, eventualmente mais baratas por causa do câmbio, possam estar substituindo equivalentes paranaenses ou brasileiras, risco apontado há vários anos por empresários e economistas críticos da valorização do real.

Também crescem a importação de petróleo e derivados (58% a mais que em 2009) e de bens de consumo (54%) – produtos prontos para a venda ao consumidor e que atendem ao constante crescimento do varejo, que, no caso paranaense, foi de 15% no primeiro trimestre, segundo o dado mais recente do IBGE. A categoria com menor crescimento das importações foi a de bens de capital, ou seja, máquinas e equipamentos adquiridos pela indústria para elevar a produtividade – segmento que, ainda assim, registrou considerável avanço de 41% nos primeiros cinco meses do ano.