segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Ministro Paulo Bernardo foge de revista que quer saber uma coisa simples sobre suas viagens

INSTITUTO AME CIDADE, 22 de agosto de 2011


A revista Época desta semana informa que espera há mais de 40 dias uma resposta do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, para uma questão muito simples. A revista perguntou a 30 ministros da presidente Dilma se eles já viajaram em algum jato particular desde que assumiram seus cargos.

28 ministros responderam prontamente que não. O ministro das Cidades, Mario Negromonte, disse que já viajou, mas com o pagamento do fretamento do avião por sua conta.

Já Paulo Bernardo nada respondeu, mesmo a revista tendo insistido com a pergunta por quatro vezes nos últimos 40 dias. Época perguntou ao ministro de Dilma sobre suas eventuais viagens em um avião particular quando exercia o cargo de ministro do Planejamento no governo Lula.

É claro que a questão não vem à toa. A revista tem a informação de que o ministro paranaense embarcou no ano passado em um avião da construtora Sanches Tripoloni em um terminal de Brasília, usado por empresas particulares. Foi um parlamentar da base aliada de Dilma que viu Bernardo embarcando.

E um parlamentar da oposição contou aos jornalistas da Época que a chefe da Casa Civil da Presidência da República, a ministra Gleisi Hoffmann, mulher de Paulo Bernardo, usou o avião da Construtora Sanches Tripoloni em sua pré-campanha ao Senado Federal pelo Paraná.

A revista explica que, na ocasião, Gleisi era presidente regional do PT e não ocupava cargo público. Mas o ministro era o responsável pelo Orçamento da União e por definir verbas públicas.

A Construtora Sanches Tripoloni é responsável pela Construção do Contorno Norte de Maringá, uma obra que já está famosa em todo o Paraná não pelos benefícios que pode trazer à cidade, mas pela impressionante demora. A obra já está custando o dobro de seu preço original.

Na reportagem, Época diz que como ministro do Planejamento de Lula, Paulo Bernardo “mostrou um empenho especial na construção do Contorno Norte”, conseguindo liberar verbas por meio de emendas parlamentares ao Orçamento da União.

Mesmo depois do Tribunal de Contas da União (TCU) encontrar problemas graves na obra, como superfaturamento de preços pela construtora Sanches Tripoloni, Bernardo conseguiu incluir a obra no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que livrou o empreendimento da dependência de emendas parlamentares, sempre sujeitas a contingenciamentos e cortes orçamentários.

O TCU também declarou a construtora Sanches Tripoloni como “inidônea” em 2009 por causa de outra obra no Paraná, também um contorno rodoviário, este em Foz do Iguaçu. Porém, mesmo assim a empreiteira não deixou de receber dinheiro público

Mas a atenção de Bernardo foi ainda mais especial com o Contorno Norte de Maringá. Graças a seus diligentes esforços, a obra entrou num regime especial no PAC que assegura transferências obrigatórias de dinheiro público para o empreendimento.

Hoje a construtora Sanches Tripoloni é uma das empreiteiras que mais recebem verbas públicas. Segundo Época, no ano passado, ela recebeu R$ 267 milhões do governo federal. É uma empresa muito bem capitalizada, bem diferente da sua má situação em 2006, quando seus sócios chegaram a registrar uma redução de capital.

A Sanches Tripoloni foi também uma grande doadora do PT na campanha eleitoral de 2010. Eles doaram R$ 510 mil para a campanha de Gleisi Hoffmann ao Senado. Também doaram dinheiro para a campanha do deputado estadual Ênio Verri, que foi chefe de gabinete de Paulo Bernardo no Ministério do Planejamento, e pretende disputar a prefeitura de Maringá no ano que vem.

A viagem de Paulo Bernardo nos jatinhos da Sanches Tripoloni pode configurar um grave conflito de interesses, parecido com o que já fez cair membros do alto escalão do governo Dilma. A revista destaca na reportagem que um dos motivos da demissão do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, foi a divulgação de que ele viajou em um jatinho de uma empresa beneficiada por decisões do ministério.

Época também avisa que nos próximos dias será encaminhado à Mesa da Câmara um pedido de informação sobre quem viajou no avião PR-AJT desde que ele foi comprado pela empreiteira, em abril de 2009. O pedido será feito por parlamentares da oposição.

Enquanto isso, fica no ar a pergunta da qual o ministro Paulo Bernardo foge há mais de 40 dias. Ele já viajou em algum jato particular nesses mais de oito anos que está no governo federal? A revista também perguntou para a ministra Gleisi Hoffmann se ela viajou no avião da Sanches Tripoloni nos últimos três anos. O casal de ministros se mantém no mais rigoroso silêncio.

sábado, 20 de agosto de 2011

Cassado o prefeito de Campinas; vice do PT assume a prefeitura já com processo de cassação em vista

INSTITUTO AME CIDADE, 20 de agosto de 2011


O prefeito de Campinas, Hélio Oliveira Santos (PDT), o Dr. Hélio, teve o mandato cassado na madrugada deste sábado pela Câmara Municipal. A sessão de julgamento levou quase 44 horas ininterruptas e o prefeito foi cassado por 32 votos a um. O único voto contrário foi do vereador Sérgio Benassi (PCdoB).

O relatório final da Comissão Processante apontava as seguintes acusações contra o Dr. Hélio: omissão em relação às infrações político-administrativas e atos de corrupção praticados por integrantes do primeiro escalão da administração na Sanasa (empresa municipal de saneamento), irresponsabilidade legal e política de Santos na defesa de bens no caso de parcelamento de solo e comportamento incompatível com a dignidade e decoro de seu cargo ao ignorar tráfico de influência na liberação de alvarás para instalação de antenas de celulares

O prefeito cassado foi eleito duas vezes com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é seu amigo. Com a queda do Dr. Hélio quem assume é o vice-prefeito, Demétrio Vilagra, que é do PT. Acusado de fraude em contratos públicos pelo Ministério Público, Vilagra chegou a ser preso em maio deste ano. Além da ação do MP, já existe o pedido da instalação de um processo contra ele na Câmara.

São muito fortes as relações do prefeito cassado Dr. Hélio com a cúpula nacional do PT. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em junho ele chegou a citar a presidente Dilma Rousseff, afirmando que teria o apoio da presidente da República na crise política que enfrentava em Campinas. Segundo o Estadão, Dr. Hélio recebeu a reportagem cercado de advogados especialistas em causas criminais e direito eleitoral e administrativo, entre eles José Roberto Batochio, que foi presidente da OAB entre 1993 a 1995. Batochio é advogado de Paulo Maluf e também do ex-ministro Antonio Palocci.

Na entrevista, considerada por analistas políticos como um recado aos líderes petistas de que não admitiria ser abandonado, Dr. Hélio disse o seguinte: "O presidente Lula está comigo, ele passou por situação assemelhada. A Dilma também está comigo. O Zé (José Dirceu) me telefonou”. Dois dias depois ele foi defendido por Lula e pelo ex-ministro e deputado cassado José Dirceu. Na ocasião, Lula fez um discurso inflamado em defesa do então prefeito, acusando a oposição de “achincalhar” o PT e seus aliados.

Em Campinas, a mulher do Dr. Hélio, Roseli Nassim dos Santos, é apontada como a cabeça da suposta organização criminosa desmantelada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A ex-primeira-dama era também chefe de gabinete do prefeito.

Em junho ela teve a prisão preventiva decretada junto com mais sete pessoas ligadas à administração municipal. Entre os acusados, que acabaram sendo presos, estava o vice-prefeito Demétrio Vilagra, do PT. Além da primeira-dama e do vice-prefeito, tiveram a prisão decretada o ex-secretário de Comunicação Francisco de Lagos e dois ex-diretores de órgãos municipais.

O petista que assume a prefeitura de Campinas já tem protocolado na Câmara o pedido de uma Comissão Processante (CP) para a cassação também de seu mandato.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Prefeitura de Cornélio Procópio confirma: SAMU vai ficar em prédio de família de vereador aliado do prefeito

INSTITUTO AME CIDADE, 18 de agosto de 2011


Está confirmado: a prefeitura de Cornélio Procópio já alugou o prédio que pertence à esposa de um vereador aliado do prefeito Amin Hannouche (PP) para a instalação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A informação foi transmitida pela assessoria de imprensa do prefeito e está disponível no site da prefeitura.

A secretária municipal de Saúde, Alexsandra Mariucci, afirma que o SAMU vai ficar no prédio da família do vereador Helvécio Alves Badaró (PTB) até ficar pronto o prédio próprio previsto para ser construído ao lado do Tiro de Guerra. Segundo a notícia do site da prefeitura, "as obras do SAMU estão em fase de licitação" e devem "estar prontas em 8 ou 10 meses". Esta incrível imprecisão no prazo é bem própria do estilo administrativo do prefeito Hannouche, com sua notória dificuldade em tocar obras.

Informa ainda a Prefeitura que para ser usado pelo SAMU o prédio da família do vereador do grupo do prefeito Hannouche ainda precisa ser vistoriado pelo Ministério da Saúde.


Ambulâncias foram usadas
na cidade até para desfile
em período de eleição
A instalação do SAMU em Cornélio Procópio é mais uma história que vem se arrastando há bastante tempo na cidade, cuja população sofre demais com a incapacidade administrativa do prefeito. O SAMU também foi objeto de vergonhosa exploração eleitoral nas eleições passadas.

No ano passado, pouco antes das eleições, as ambulâncias do SAMU desfilaram pelas ruas de Cornélio Procópio, com candidatos acompanhando o prefeito Hannouche na parada eleitoreira. Veja ao lado uma foto desta eleição, com o prefeito Hannouche e vereadores acompanhando o candidato a deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (PMDB). Hannouche está à direita, Romanelli no centro e o vereador Badaró é o primeiro à esquerda.


Entrega do serviço de saúde
segue a agenda de atrasos de
tantas obras do prefeito
Além de promessa usada eleitoralmente, o SAMU também tem sido alvo das constantes mudanças de prazo que sofrem as promessas feitas pelo prefeito. São várias as obras desta administração que mudam de prazo de conclusão o tempo todo. Isso sem falar naquelas que são prometidas e nem começam a ser feitas.

É um estilo político: muitas promessas são deixadas para trás e as que começam levam muito tempo para serem terminadas. Um exemplo deste lamentável estilo administrativo é o Calçadão da cidade, que teve seu prazo de conclusão mudado muitas vezes e infernizou a vida na cidade, tornando-se um símbolo da inoperância desta administração.

O Calçadão começou a ser construído em agosto de 2009 e o próprio prefeito Hannouche anunciou que a obra estaria pronta para o uso da população em três meses. Pois o Calçadão só foi inaugurado em junho de 2010 e mesmo assim com a falta de muitos acabamentos, que foram sendo feitos depois de cortada a fita inaugural. E isso não aconteceu só com esta obra: ainda hoje a cidade espera a conclusão de obras prometidas nas eleições passadas e que vem sendo tocadas há mais de dois anos.

E toda a atrapalhação na instalação do SAMU segue a mesma toada da incapacidade administrativa que o procopense está cansado de suportar. Em outubro do ano passado, poucos dias antes da eleição, o prefeito Hannouche anunciou que o atendimento seria iniciado em 90 dias. Já estamos em agosto de 2011 e agora vem o anúncio de que o atendimento começará em setembro. O prazo se alongou para onze meses — mais de 300 dias e não os 90 dias da promessa.

E o local escolhido para sediar o serviço médico é o prédio da família de um vereador próximo do prefeito, o que fere qualquer preceito moral e atenta até contra a Constituição.

E mesmo se excluirmos a grave questão moral do local escolhido para a instalação do SAMU, é difícil acreditar que em setembro o prédio já estará pronto para um atendimento com a mínima qualidade exigida por este tipo de serviço. As fotos que publicamos aqui no blog do Instituto Ame Cidade revelam que mesmo que não fosse uma escolha discutível moralmente, o prédio escolhido é inadequado para o SAMU.

Em Londrina, CEI da Câmara Municipal confirma o uso de notas frias em esquema denunciado na secretaria de saúde

INSTITUTO AME CIDADE, 18 de agosto de 2011


A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga os contratos entre a prefeitura de Londrina e os Institutos Gálatas e Atlântico ouviu ontem dois empresários que prestavam serviços na área de saúde da cidade. Um dos empresários confirmou o fornecimento de notas frias e superfaturadas a pedido do Instituto Atlântico, que prestava serviços para a prefeitura.

A CEI na Câmara de Londrina foi instalada depois da investigação da Polícia Federal que encontrou um esquema de corrupção no setor municipal de saúde. A PF concluiu que o Centro Integrado de Apoio Profissional (CIAP) teria desviado R$ 300 milhões de verbas federais ligadas a área da saúde. O CIAP gerenciava em Londrina quatro contratos: Samu, Programa Saúde da Família, Policlínicas e Agentes de Endemias.

Em junho do ano passado o presidente, diretores e funcionários da entidade foram presos. 21 pessoas foram denunciadas criminalmente por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro.

Após a conclusão da CEI, os vereadores de Londrina podem pedir a abertura de uma uma Comissão Processante contra o prefeito Barbosa Neto (PDT).

O uso de notas frias para encobrir desvios de dinheiro público tem sido comum em irregularidades encontradas em vários municípios pelo país afora. O problema é que em certas cidades os vereadores não se preocupam nem um pouco em cumprir o dever constitucional de fiscalizar com rigor os gastos públicos efetuados pelo prefeito.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Em Cornélio Procópio, emenda coletiva propõe aumentar número de vagas na Câmara

INSTITUTO AME CIDADE, 16 de agosto de 2011


Será apresentado na sessão de hoje da Câmara Municipal de Cornélio Procópio um projeto de emenda coletiva à lei orgânica do município propondo um aumento do número de vereadores. A emenda eleva de nove para treze o número de vereadores.

A emenda coletiva é apresentada por sete vereadores, o que na prática garante sua aprovação. Assinam a proposta os vereadores Emerson Carazzai Fonseca (PRB), Edimar Gomes Filho (PPS), Sebastião Angelino Ramos (PTB), Vanildo Felipe Sotero (PR), Helvécio Alves Badaró (PTB), Sebastião Cristóvão da Silva (PP) e Ricardo Leite Ribeiro (PPS).

Os únicos vereadores que não assinam a emenda são Reinaldo Carazzai Filho (PP) e Aurora Fumie Doi (PMDB).

A alteração do número de vagas nas câmaras municipais nasceu da chamada “PEC dos vereadores”, uma emenda nascida de um lobby poderoso feito por vereadores e suplentes junto ao Congresso Nacional. A emenda à Constituição foi aprovada em 2009 como uma reação à decisão do Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) que havia cortado cerca de oito mil vagas de vereadores em 2004 a partir de uma interpretação da Constituição.

A volta deste assunto à pauta política se deve ao fato de que as Câmaras Municipais têm até setembro desse ano para definir o número de vagas, para que a decisão tenha validade na eleição do ano que vem.

Os defensores do aumento das vagas costumam esconder parte da história da “PEC dos vereadores”, tratando o assunto apenas como se fosse um direito constitucional, sem relatar o lobby que foi feito para afrontar uma decisão do TSE.


Aumento de vagas se apóia
em falsas justificativas que
escondem os reais interesses
A argumentação favorável procura também convencer que com este aumento haveria um aumento de qualidade na representatividade, sem explicar de forma convincente qual seria a diferença de qualidade de uma Câmara, como no caso de Cornélio Procópio, ter treze e não nove vereadores.

Na exposição de motivos da emenda dos vereadores de Cornélio Procópio colocaram como justificativa até um evidente exagero, quando se afirma que “politicamente, a justificativa da mudança para aumentar de nove para treze o número de cadeiras é o aperfeiçoamento da própria democracia”. Não faz sentido algum este entendimento numérico do aperfeiçoamento da democracia em qualquer município. O que faz diferença de fato numa democracia é transparência e respeito ao dinheiro público, o que em cidade alguma do Brasil se resolve com mais vereadores.

Os vereadores apelam até para um argumento que não resiste a uma análise séria. Eles dizem que o aumento de vagas "garante a pluralidade e a representatividade das camadas mais humildes da cidade no parlamento". Por que colocar mais vereadores daria mais "representatividade aos mais humildes" não é explicado em nenhuma parte da exposição de motivos.

Outro argumento enganoso é o de que não haverá aumento de gastos nos municípios, já que o repasse de recursos às Câmaras permanecerá em 7%.

Ocorre que existe um entendimento bastante amplo no Brasil de que este percentual é alto. Uma parcela bem grande dos brasileiros é de opinião de que o legislativo em todas suas instâncias custa demais aos cofres públicos, o que é corroborado com a comparação até com os países mais ricos do mundo.

Na situação econômica em que vivem nossos municípios, com carências terríveis até em setores básicos como o da educação e saúde, este argumento contrário ao aumento de vagas tem ainda maior peso. Seria melhor baixar este percentual de gasto (os tais 7%) do que passar a considerá-lo de forma cínica como uma realidade justa e estável.

Um exemplo de como este argumento é falacioso é o recente aumento de salário aprovado por este mesmo grupo que propõe o aumento de vagas. Com o aumento salarial dos nove vereadores atuais o Município vai gastar mais 50 mil reais por ano. De algum lugar este dinheiro tem que sair. Numa cidade de orçamento apertado, é verba que vai faltar com certeza na saúde ou na educação.


Cornélio Procópio pode ter
mais vereadores que cidades
com o dobro de sua população
Uma decisão favorável ao aumento de vagas de vereadores em Cornélio Procópio também criaria uma contradição política e econômica bastante desconfortável, em razão da decisão de cidades como Cambé e Apucarana. Em Cambé, a Câmara já aprovou em primeira votação o número de vagas naquela cidade fique em dez vereadores e em Apucarana uma emenda coletiva propõe que a cidade tenha onze vereadores, o mesmo número atual.

Já apontamos essa possível incompatibilidade dias atrás aqui no blog do Instituto Ame Cidade. Ocorre que hoje a população de Cambé é de 96.427 e Apucarana tem 119.159 habitantes. Caso os vereadores aliados ao prefeito resolvam pelo aumento de vagas, Cornélio Procópio, que tem hoje 46.852 habitantes, ficará com mais vereadores que duas cidades com o dobro de população.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Pouco trabalho e muita ambição pessoal na Câmara Municipal de Cornélio Procópio

INSTITUTO AME CIDADE, 15 de agosto de 2011


Na semana passada a Câmara Municipal de Cornélio Procópio bateu um recorde que até faz merecer a presença de Jack Palance, o ator americano que apresentava casos absurdos no antigo programa de televisão "Acredite se quiser". O recorde é mais um dos despropósitos criados pela bancada aliada do prefeito Amin Hannouche (PP), um grupo de vereadores que mantém o legislativo municipal submisso aos interesses do prefeito.

Nesta terça-feira passada a Câmara teve uma sessão ordinária que durou exatos quatro minutos e trinta e quatro segundos. Isso mesmo: uma sessão de trabalhos da Câmara que durou menos de cinco minutos.

Mesmo que Cornélio Procópio fosse uma cidade sem problemas não se justificaria algo assim. E a cidade vive hoje uma realidade que nada tem de tranqüila: os problemas se acumulam, até pela evidente dificuldade técnica que o prefeito Amin Hannouche (PP) demonstra ter para tocar a administração do município.

Cornélio Procópio vive hoje uma situação difícil, tanto no aspecto moral quanto na questão técnica. Os problemas da cidade são muitos: obras emperradas, com algumas delas atrasadas em mais de um ano além dos prazos de execução; ruas esburacadas, de tal forma que o próprio prefeito já confessou que o conserto disso custaria quase todo o orçamento do município; problemas na limpeza pública, com um desleixo tão grande que em alguns locais existe risco até para a saúde pública e a segurança do cidadão; dificuldades graves de administração da área municipal da saúde, o que fica claro na denúncia recente de que o prefeito pretende instalar o SAMU na propriedade da família de um vereador aliado; insegurança tomando conta da cidade, o que fica constatado em estatística do próprio governo estadual, que coloca a cidade no topo em questão de falta de segurança...

Enfim, não faltam na cidade assuntos que exigem a atenção de seus vereadores. A lista de problemas é grande e todo cidadão procopense sabe disso. Que os vereadores dediquem menos de cinco minutos de trabalho para trabalhar pela cidade é mais um dos inacreditáveis absurdos gerados por esta Câmara.

Com atitudes como essa, os vereadores ligados ao prefeito Amin Hannouche lançam o legislativo municipal num descrédito inédito na história de Cornélio Procópio. E não é a primeira vez que fazem isso. É sempre pouquíssimo trabalho pelo interesse público e muita ambição pessoal.

No âmbito do município a até mesmo da própria Câmara muitos são os assuntos que exigiriam sérias discussões e um aplicado empenho no trabalho, questões que pedem muito mais tempo que os menos de cinco minutos de trabalho que os vereadores concederam na última terça-feira para a cidade que os elegeu.


domingo, 14 de agosto de 2011

Prefeito de Cornélio Procópio vai instalar SAMU em propriedade de esposa de vereador aliado

INSTITUTO AME CIDADE, 14 de agosto de 2011


O estranhíssimo caso da ambulância estacionada nos fundos da propriedade de um vereador de Cornélio Procópio (veja na foto) caminha para seu desfecho: o prefeito Amin Hannnouche (PP) pretende instalar ali mesmo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Foi o que disse a secretária Municipal de Saúde, Alessandra Mariucci, em entrevista ao programa do jornalista Odair Matias, na Rádio Cornélio.

A ambulância do SAMU foi encontrada na propriedade da mulher do vereador Helvécio Badaró (PTB), um dos aliados mais próximos do prefeito da cidade e um dos líderes do grupo que hoje mantém o legislativo municipal sob as ordens da Prefeitura.

Badaró responde na Justiça a uma ação do Ministério Público que o acusa de improbidade administrativa no caso das diárias irregulares de viagens pagas a vereadores. Na época em que as diárias foram instituídas, Badaró era o presidente da Câmara.

Durante a investigação, a promotoria pública descobriu que Badaró e seu grupo tentaram até manipular a regulamentação das diárias quando souberam que o MP havia aceitado a denúncia que originalmente foi feita pelo Instituto Ame Cidade.

Além de Badaró, mais cinco vereadores e um suplente foram denunciados pelo MP por improbidade administrativa, inclusive o presidente atual da Casa, que foi eleito depois do escandaloso fato, que é chamado pelos procopenses de "Farra das Diárias".

Na Câmara Municipal, o vereador Badaró atua liderando o grupo de aliados do prefeito para manter o legislativo municipal totalmente sob o poder do Executivo, impedindo que seja exercida qualquer fiscalização sobre a Prefeitura. Os vereadores do prefeito barram até requerimentos de informações básicas, votando em bloco contra qualquer tentativa de atuar pela transparência na administração pública. Ao lado, um grupo de vereadores em ação nos bairros, fazendo política junto com o prefeito, numa atitude totalmente contrária à independência do Legislativo. Badaró é o segundo da esquerda para a direita; o prefeito está de braços cruzados.


Local escolhido para instalar
o SAMU vai contra moralidade
e a Constituição Brasileira
A promessa da instalação do SAMU em Cornélio Procópio vem desde o ano passado, quando aconteceu até desfile de ambulâncias pelas ruas da cidade. Como todos se lembram, era um ano de eleição. Candidatos ligados ao prefeito Hannouche participaram dessa parada eleitoreira.

O procedimento é bastante conhecido: primeiro eles sucateam os serviços essenciais, por meio uma mistura de má-fé e incompetência. E depois usam a necessidade desesperada dos cidadãos para arrancar votos principalmente dos mais pobres e dos menos informados.

Em outubro, o mesmo mês em que aconteciam as eleições, o prefeito Hannouche prometia que o SAMU estaria funcionando em 90 dias.

Agora, na entrevista que a secretária da Saúde deu ao programa de Odair Matias, o funcionamento do SAMU ficou para o mês que vem. Ela garantiu que em setembro o serviço de atendimento de urgência estará à disposição dos procopenses.

O problema é o local escolhido para sediar o SAMU: a propriedade da esposa de um vereador que é um aliado próximo e que atua como um homem de confiança do prefeito. Isso evidentemente atenta contra princípios morais básicos e é também um caminho que todos sabemos onde mais uma vez vai dar: na ineficiência.

A intenção do prefeito de alugar uma propriedade da família de um vereador aliado para instalar o SAMU também atenta contra dispositivos claros da Constituição Brasileira, além de evidentemente ser uma atitude contrária a um valor básico da administração púbica: a honestidade.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Enquanto em algumas cidades prevalece o bom senso, Cornélio Procópio teme um aumento do número de vereadores

INSTITUTO AME CIDADE, 11 de agosto de 2011


Enquanto algumas cidades sofrem com a ameaça do aumento do número de cadeiras em suas câmaras municipais, noutras o bom senso de vereadores vem prevalecendo com a definição de um número mais equilibrado, até em conformidade com o enxugamento de gastos exigidos hoje em dia.

Em Cambé os vereadores decidiram na última segunda-feira pela manutenção do atual número de cadeiras na Câmara, que é de 10 vereadores. Pelas regras da “PEC dos vereadores”, promulgada pelo Congresso em 2009, a cidade poderia ter 17 vereadores. Cambé tem hoje 96.427.

A votação da emenda à lei orgânica do município estabelecendo o número de 10 vereadores teve a aprovação unânime na Câmara Municipal e terá sua votação final no próximo dia 22.

Já em Apucarana uma emenda coletiva assinada por seis entre os 11 vereadores atuais começou a tramitar nesta quarta-feira na Câmara Municipal para manter em 11 o número de vagas no legislativo. Para tramitar o projeto precisava de apenas quatro assinaturas e para ser aprovado é necessário um terço dos votos, ou seja, 8 dos 11 vereadores.

Apucarana, que está hoje com 119.159 habitantes, poderia ter até 19 vereadores. No entanto, a proposta do aumento de vagas vem sendo combatida de forma bem forte entre a população. Uma pesquisa feita em Apucarana pelo Instituto Alvorada mostrou que 77% dos entrevistados são pela manutenção das 11 cadeiras.

A pesquisa foi contratada pela própria Câmara Municipal de Apucarana. Segundo Coutinho Mendes, diretor da Alvorada, a opinião contrária ao aumento de vagas observada em Apucarana repetem a média verificada em outras cidades.

Enquanto isso, em Cornélio Procópio a base aliada do prefeito Amin Hannouche (PP), hoje com sete entre os nove vereadores que compõem a Câmara Municipal, demonstra a intenção de aumentar o número de vereadores para 13, a quantia prevista pela “PEC dos vereadores”, aprovada pelo Congresso Nacional.

No entanto, com a decisão dos vereadores de Cambé de manter em 10 o número de vagas na Câmara, um aumento do número de vereadores em Cornélio Procópio criaria uma estranhíssima contradição na região, em razão da desproporção numérica entre a população de Cambé (96.427 habitantes) e de Cornélio Procópio (46.852).

Aumentando a população por conta própria

INSTITUTO AME CIDADE, 11 de agosto de 2011


Já faz um tempo que o prefeito Amin Hannouche (PP) vem encaixando em seus discursos ou falas ocasionais que Cornélio Procópio tem “50 mil habitantes”. O que o prefeito diz não é confirmado pelo número oficial fornecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O prefeito arredonda os números para cima. Segundo o último censo do IBGE, hoje Cornélio Procópio está com 46.852 habitantes, praticamente a mesma população de 2000, que era de 46.861 habitantes.

A comparação que o IBGE faz entre os números de 2000 com os do ano 2000 mostra que o número de habitantes na cidade. Desta fase analisada pelo IBGE, seis anos são da administração de Hannouche, um período em que a cidade não progrediu. No aspecto administrativo até regrediu, o que pode ser visto pela baixa qualidade dos serviços oferecidos à população e a progressiva destruição do patrimônio público causada pelo desleixo e a incompetência na gestão do município.

A informação que Hannouche procura passar em suas falas não é verdadeira, mas, no entanto, além do aspecto eleitoreiro existe outro risco ainda maior nesta “inexatidão” do prefeito em relação ao verdadeiro número de habitantes de Cornélio Procópio.

É que pelas novas regras da chamada “PEC dos vereadores” promulgada pelo Congresso Nacional, na condição de município com até 50 mil habitantes Cornélio Procópio poderia ter 13 vereadores. Mas se passar dos 50 mil, a cidade entra na faixa dos municípios que podem aumentar para 15 o número de vereadores.

As falas do prefeito de Cornélio Procópio parecem até combinadas com o desejo dos vereadores da base aliada de aumentar o número de cadeiras na Câmara.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Em Apucarana, ex-presidente da Câmara Municipal é processado pelo Ministério Público e investigado por comissão processante

INSTITUTO AME CIDADE, 10 de agosto de 2011


Em Apucarana, a Câmara Municipal decidiu nesta segunda-feira pela instalação de uma Comissão processante para a apuração de irregularidades na gestão do ex-presidente Mauro Bertoli (PTB). O pedido havia sido protocolado por um cidadão, Jeferson Marques, tendo como base a ação civil pública proposta pelo promotor Eduardo Augusto Cabrini, da Promotoria de Proteção do Patrimônio Público de Apucarana.

A CP vai apurar também se houve participação nas irregularidades do servidor da Câmara, Júlio César Ravazzi Santos, e se na administração de Bertoli ocorreram outras ilegalidades.

Bertoli, que ainda é vereador, é acusado de promoção pessoal num caso até curioso. Ele incluiu em placas de veículos da Câmara as iniciais de seu nome e números que utiliza em suas campanhas eleitorais.

Na ação proposta na última quinta-feira, o Ministério Público do Paraná requer, liminarmente, também a substituição das placas dos veículos oficiais que fazem referência ao vereador. A condenação por ato de improbidade pode levar a sanções como perda da função pública e a devolução aos cofres municipais dos gastos indevidos.

Durante a sessão da Câmara que decidiu pela CP contra o ex-presidente Bertoli, vereadores da base de apoio à administração do prefeito João Carlos de Oliveira (PMDB) saíram em defesa do vereador acusado de promoção pessoal. O prefeito de Apucarana também responde a uma ação do MP por improbidade pessoal. Oliveira é acusado de contratação irregular de uma empresa do de propriedade do ex-prefeito Valter Pegorer. Oliveira é do mesmo grupo político de Pegorer. O vice-prefeito atual é o mesmo Antônio Waldemar Garcia, que foi vice de Pegorer.De acordo com o MP, em 10 anos os gastos foram de R$ 5 milhões.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Entre os espantos políticos de Cornélio Procópio, surge até ambulância do SAMU na propriedade de família de vereador

INSTITUTO AME CIDADE, 9 de agosto de 2011


O grupo de vereadores de apoio ao prefeito Amin Hannouche (PP) que tomou conta da Câmara Municipal de Cornélio Procópio tem provocado tantos absurdos na cidade que nada mais surpreende os cidadãos de bem. Mas por essa ninguém esperava: hoje surgiu a notícia de que uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)permanece estacionada em uma propriedade da esposa do ex-presidente da Câmara, o vereador Helvécio Alves Badaró (PTB). Veja ao lado a foto que comprova a denúncia. O assunto já movimenta a opinião pública procopense.

Atualmente a Câmara Municipal de Cornélio Procópio está em um nível baixíssimo de credibilidade, em razão do domínio do grupo de vereadores ligados ao prefeito Hannouche, que transformou o legislativo procopense num instrumento do Executivo. Esses vereadores seguem rigidamente as ordens do prefeito e não permitem nenhuma fiscalização sobre sua administração. Até pedidos de informações básicas sobre a administração Hannouche são negados por seus vereadores na Câmara, que além de votar em bloco contra qualquer tentativa de transparência, ainda atacam qualquer um que peça atenção ao dever constitucional de todo vereador, que é o de fiscalizar.

A Câmara procopense também está envolvida em pagamentos de diárias de viagem feitas de modo irregular, no caso que a população chama de “Farra das Diárias”. O assunto é alvo de uma ação do Ministério Público que já foi acatada pela Justiça. A barreira contra a transparência criada pelos vereadores do prefeito dificulta hoje qualquer ação efetiva da Câmara, de tal modo que a vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB) foi obrigada a entrar com uma ação popular na Justiça para sustar a doação irregular feita pela Prefeitura de um terreno público. Os vereadores ligados ao prefeito Hannouche haviam autorizado a doação, mas tiveram que voltar atrás.

E como se não bastassem tantas questões problemáticas que atingem de forma negativa a credibilidade da Câmara, aparece mais esta denúncia contra Helvécio Alves Badaró (PTB), um dos vereadores mais próximos ao prefeito Hannouche. Ao lado, à esquerda na foto, Badaró fazendo campanha no ano passado para o então deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (PMDB).

O jornalista Odair Matias, que tem um programa diário de grande audiência na Rádio Cornélio, descobriu estacionada uma ambulância do SAMU nos fundos de um prédio que, segundo informações postadas em seu blog na internet, é de propriedade da esposa do vereador Badaró.

Ninguém sabe o motivo da ambulância do SAMU estar estacionada ali, mas, de qualquer forma, é algo muito suspeito e sem dúvida irregular. O jornalista apresenta fotos que comprovam que o veículo público mantido em propriedade particular teria muita dificuldade de fazer qualquer “atendimento móvel de urgência”, pois segundo o testemunho de vizinhos foi com dificuldade e cantando os pneus que a ambulância subiu a rampa íngreme que leva até os fundos da propriedade da mulher do vereador Badaró. Confira ao lado a ambulância vista nos fundos, bem acima da rampa de entrada do prédio.

O vereador foi presidente da Câmara na gestão passada, quando foram criadas de forma irregular as diárias de viagem que são objeto hoje da uma ação do Ministério Público. Badaró e mais seis vereadores são acusado de improbidade administrativa pelo MP, que pede também o ressarcimento dos danos ao patrimônio público causados pelas diárias irregulares. Até abril deste ano, o valor a ser restituído aos cofres públicos era de mais de cem mil reais.

Iniciado a partir de denúncia feita pelo Instituto Ame Cidade, o inquérito realizado pelo MP descobriu que houve até uma tentativa de esconder a falta de regulamentação das diárias, feita sob a chefia de Badaró. A responsabilidade do vereador nas diárias acusadas de serem irregular pelo MP é tanta que no bloqueio dos bens dos acusados a indisponibilidade de bens de Badaró está na quantia total definida pelo MP.

E agora aparece esse estranho caso da ambulância do SAMU estacionada em uma propriedade de alguém de sua família. Em seu blog na internet, o jornalista Odair Matias informa que descobriu também outro fato estranho sobre a propriedade que abriga o veículo público.

Vizinhos do prédio informaram que a secretária de Saúde do município, Alessandra Mariucci, esteve no local vistoriando a área para a instalação do programa do SAMU. A Prefeitura estaria com o interesse de alugar o prédio da esposa do vereador Badaró, o que atenta contra um princípio constitucional e até da moral comum, que condenam que haja negócios entre o poder público e parentes de um parlamentar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Teresópolis: o terceiro prefeito que assume o cargo em um período de menos de uma semana tem encrencas com a Justiça

INSTITUTO AME CIDADE, 8 de agosto de 2011


A cidade de Teresópolis, no Rio de Janeiro, vem vivendo uma sucessão de problemas que demonstram como a desonestidade prejudica gravemente a vida nos municípios brasileiros. Afetada pelas chuvas de janeiro, na tragédia ocorrida na região serrana do Rio, quando morreram mais de 900 pessoas, na última semana Teresópolis teve afastado o prefeito Jorge Mario Sedlacek, acusado de desviar verbas destinadas à recuperação da cidade. Na quarta-feira passada escrevemos sobre o assunto aqui no blog.

A Controladoria Geral da União (CGU), em Brasília, encontrou indícios de uma ação criminosa dentro da prefeitura de Teresópolis, envolvendo a aplicação dos R$ 7 milhões enviados pelo governo federal para socorrer as vítimas da tragédia de janeiro.

Com o afastamento de Sedlaceck, o vice Roberto Pinto assumiu o cargo na última sexta-feira, mas morreu no sábado, após sofrer um infarto. Com sua morte, assumiu o cargo Arlei de Oliveira Rosa (PMDB), presidente da Câmara de Vereadores.

Oliveira Rosa é o terceiro prefeito da cidade em um período de menos de uma semana, mas já começam a ser reveladas encrencas em sua vida. Ele é alvo de dois processos cíveis.

Desde agosto de 2008, ele é processado por ter vendido um Chevette com dívidas de IPTU e multas. A última publicação do Tribunal de Justiça, de quarta-feira, atestava penhora de bens "frustrada", pois ele não possuía bens em seu nome. E desde novembro o atual prefeito de Teresópolis enfrenta também uma ação exigindo a reintegração de posse de parte do terreno ocupado pelo anexo de uma loja. A Justiça já determinou ao prefeito a devolução do terreno apropriado indevidamente.

Abalada por uma grande tragédia e agora pela morte de seu prefeito, Teresópolis tem dificuldade de se recompor por causa dessa grande desgraça das cidades brasileiras, a desonestidade dos dirigentes públicos.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Coisa rara na impunidade brasileira: em cidade mineira todos os vereadores estão presos

INSTITUTO AME CIDADE, 5 de agosto de 2011


A cidade mineira de Fronteira, a cerca de 600 quilômetros de Belo Horizonte, experimenta uma situação rara nesses tempos de impunidade que vivemos no Brasil. Todos seus nove vereadores estão presos. Um deles foi cassado na madrugada desta quinta-feira, numa concorrida sessão que teve até telão instalado em frente à Câmara para a população acompanhar o julgamento.

Os vereadores de Fronteira estão presos no presídio da vizinha Frutal, onde são tratados como presos comuns, outro fato inusitado num país em que os políticos mantêm privilégios mesmo nas raras ocasiões em que são presos.

O vereadores de Frutal que estão presos tomam banho frio e os homens tiveram as cabeças raspadas com máquina dois. Não deixa de ser uma oportunidade para os políticos verificarem in loco as condições dos presos comuns nos presídios brasileiros: o de Frutal tem capacidade para 60 presos, mas abriga 116.

A prisão dos vereadores foi pedida pelo Ministério Público, sob a acusação de que eles estariam desviando recursos públicos. O MP afirma que eles estavam praticando reincidência no crime do desvio de verbas indenizatórias, um benefício que inclui inclusive o pagamento de diárias de viagem.

As irregularidades dos vereadores de Frutal foram observadas pelo MP entre observadas entre janeiro de 2009 e dezembro de 2010. Os vereadores foram processados em fevereiro deste ano, acusados de formação de quadrilha e peculato, além de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e dano ao erário. Ainda em fevereiro, os bens dos vereadores foram bloqueados e todos foram afastados de seus cargos, ainda em fevereiro. Os suplentes assumiram.

Em março deste ano os promotores públicos descobriram que os vereadores estariam contratando uma empresa para manipular a prestação de contas referentes às notas de verbas indenizatórias.

O vereador cassado é Daniel dos Reis Linhares Pontes (PMN). Ele gastou R$ 36 mil em verba indenizatória para pagar inclusive diárias de viagens. A verba indenizatória mensal da Câmara Municipal de Fronteira tem um teto de R$ 3 mil mensais. A cidade tem cerca de 10 mil eleitores e um orçamento bem modesto.

O cassado continua preso com seus oito colegas. Entre os presos está a presidente da Câmara, Sileide Nunes do Nascimento Faitaroni (PP), além de Maurílio Carlos de Toledo (PSDB), Raidar Mamed (PSDC), João Veraldi Júnior (PDT), Nildomar Lázaro da Silva (PR), José Marcelo Soares dos Santos (PDT), Eduardo Florêncio de Souza (PMDB), Daniel dos Reis Linhares Pontes (PMN) e Samer Saroute (PMN).

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Vergonha nacional: prefeitos corruptos metem a mão em dinheiro de ajuda a cidades afetadas pelas chuvas

INSTITUTO AME CIDADE, 3 de agosto de 2011


A roubalheira que destrói as finanças e a infra-estrutura de vários municípios brasileiros parece não ter barreira moral alguma. Ontem o prefeito de Teresópolis, Jorge Mário Sedlaceck, foi afastado por corrupção do cargo por 90 dias pela Câmara da cidade. Neste período o prefeito, que foi eleito pelo PT e hoje está sem partido, responderá a uma comissão processante que dificilmente não decidirá pela cassação de seu mandato.

Sedlaceck é acusado do desvio de recursos destinados à reconstrução de Teresópolis após as enxurradas que destruíram várias cidades da região serrana do Rio de Janeiro. As fortes chuvas que atingiram aquela região no início do ano causaram tragédias em várias cidades. O sofrimento das pessoas com enchentes, deslizamentos de terra e desabamentos comoveu o país. Morreram mais de 900 pessoas na região. Em Petrópolis o temporal causou muitos estragos. Em abril a prefeitura informava que foram registrados na cidade 389 mortos e 187 desaparecidos.

O prefeito de Petrópolis já era alvo de uma CPI aberta pela Câmara em março para apurar o desvio de recursos destinados à recuperação da cidade após a tragédia, mas o prazo da CPI acabou sem que fossem concluídos os trabalhos. Mas os vereadores reabriram a comissão depois do jornal O Globo publicar uma série de reportagens revelando o desvio de recursos para uma empresa, a RW construtora.

Em troca de perdão judicial, o dono da construtora contou ao Ministério Público Federal como era o esquema de desvio dos recursos. Na semana da tragédia, empresários e secretários municipais se reuniram no gabinete da prefeitura, administrada pelo PT, para dividir os contratos sem licitação pagos com os recursos federais, num total de R$ 7 milhões.

Em abril, o prefeito Sedlaceck informava à imprensa que a cidade já havia recebido R$ 7 milhões do governo federal e cerca de R$ 4 milhões do governo do Estado.

Outro prefeito da região também é suspeito do desvio de recursos da União repassados para a reconstrução das cidades atingidas pelas chuvas. Na vizinha Nova Friburgo, onde morreram 391 pessoas, já foi aberta uma CPI que começou seus trabalhos hoje. É esperado também o afastamento do prefeito Dermeval Barboza Moreira Neto (PMDB), de Nova Friburgo.

O governo federal encaminhou para a região serrana um total de R$ 100 milhões. Nova Friburgo ficou com R$ 10 milhões. Por causa da falta de prestação de contas sobre as verbas federais o prefeito friburguense Moreira Neto já sofria uma ação de improbidade movida pelo MPF, que havia pedido seu afastamento à Justiça, mas o pedido foi indeferido. Em Nova Friburgo, o prefeito se negava a fornecer documentos pedidos pelos promotores públicos, que tiveram que ser apreendidos na prefeitura pela Polícia Federal.

Já se sabe que a corrupção em uma cidade acaba sempre afetando de forma grave serviços vitais para o bem estar da população, como a saúde ou a educação. Por isso, sem dúvida, o desvio de recursos públicos é um dos crimes mais detestáveis, pois acaba sempre afetando a vida da comunidade.

Mas a cada vez mais desavergonhada imoralidade política que toma conta dos nossos municípios já não está respeitando nem o dinheiro reservado para reconstruir cidades destruídas por tragédias climáticas.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Vereadores que se cuidem: o eleitor não quer aumento de cadeiras nas Câmaras Municipais

INSTITUTO AME CIDADE, 1 de agosto de 2011


O jornal O Diário, de Maringá, trouxe em sua edição de ontem uma pesquisa que pode servir como um aviso a todos os vereadores paranaenses que estão com a intenção de aumentar o a quantidade de vagas nas câmaras municipais. O levantamento encomendado pelo jornal à Alvorada Pesquisas revela que 85% dos eleitores maringaenses são contra o aumento do número de vereadores na cidade.

É provável que se pesquisa semelhante for feita em qualquer outra cidade do Paraná a porcentagem de eleitores contrários ao aumento das câmaras municipais seja bem próxima dos números divulgados pelo jornal maringaense ou até mesmo maior. Hoje em dia é muito difícil encontrar um cidadão que queira mais vereadores em sua cidade.

Os legislativos municipais andam com a credibilidade tão baixa que a própria necessidade da existência de vereadores tem sido colocada em dúvida por uma parcela cada vez maior de pessoas. Isso é um risco grave para a qualidade da administração pública hoje no Brasil, mas de qualquer forma manifesta um protesto pela baixa qualidade dos nossos vereadores.

Em Maringá, o levantamento feito pela Alvorada Pesquisas encontrou uma parcela bem grande de eleitores que acham até que deve haver um corte no número atual da Câmara, que é de 15 vereadores. 49,8% acham que o ideal seria um enxugamento para nove vereadores.

Na questão da representatividade fica também muito claro que os maringaenses não apóiam o aumento de vagas. 82% disseram que não se sentiriam melhor representados com mais vereadores.


Proposta não atende ao
interesse público e só
beneficia vereadores
A alteração do número de vagas nas câmaras municipais vem de uma decisão recente do Congresso Nacional, que concedeu aos vereadores de cada cidade o poder de aumentar o número de vagas no legislativo. Para ter efeito nas próximas eleições, a alteração precisa ser feita até o final de setembro.

A decisão do Congresso ocorreu sob a pressão de um imenso lobby de vereadores e suplentes que forçou a votação de uma emenda constitucional para rever a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que havia reduzido o número de vereadores em todo o país. A emenda ficou conhecida com “PEC dos Vereadores”. Na época da votação da PEC, Brasília foi tomada por caravanas de vereadores vindas de diversas cidades do país. Muito desses vereadores com certeza foram à capital do país exercer esta pressão política com os custos pagos pelos cofres públicos.

O aumento do número de vagas nas câmaras atende apenas ao interesse dos políticos, especialmente dos vereadores que disputarão a reeleição. De forma alguma o interesse público pode ter algum ganho com isso. A questão de real importância nas câmaras municipais hoje indiscutivelmente é mais de qualidade que de quantidade.


População rejeita a idéia
de aumentar as vagas e
já começa a protestar
Em Cornélio Procópio, a bancada de vereadores aliados ao prefeito Amin Hannouche (PP) se mostra animada com a possibilidade do aumento do número de vereadores na cidade. Pelo critério da “PEC dos Vereadores”, a cidade pode aumentar de nove para treze o número de integrantes da Câmara.

Este aumento não tem nenhuma simpatia entre a população, até porque a Câmara Municipal de Cornélio Procópio chegou a seu mais baixo nível histórico de credibilidade, em razão da pouca atenção da maioria dos vereadores com o interesse público.

A rejeição dos procopenses pode ser sentida na própria ventilação da idéia do aumento, que ocorreu nesses dias e que deve ter sido uma forma dos políticos favoráveis sondarem os riscos da proposta. A rejeição foi tamanha que surgiram até grupos de pessoas dispostas a mobilizarem uma campanha contra isso.

Atualmente o que se pode perceber na opinião da população é que existe uma preferência maior pela qualificação política de cada vereador, que hoje em sua maioria deixam muito a desejar, do que no aumento do número de vereadores. É perceptível que a preocupação da população é mais centrada na necessidade da retomada do papel fiscalizador de cada vereador.

Hoje o legislativo municipal procopense tem o domínio de um grupo de vereadores que reduziram a Câmara Municipal a um mero instrumento que obedece apenas ao interesse pessoa do vereador e as ordens do prefeito. Esses vereadores agem sempre contra a transparência, de tal forma que, num episódio recente, chegaram a ameaçar de cassação de mandato a vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB) apenas pelo fato dela ter pedido aos colegas, em discurso em plenário, que a Câmara agisse de forma transparente no caso da denúncia de gastos irregulares de diárias de viagem feitas por vereadores, no escândalo que passou a ser conhecido como “Farra das Diárias”.

Como a bancada do prefeito eliminou a independência do Legislativo em relação ao Executivo, a Câmara tem falhado de forma grave na exigência constitucional de agir como órgão fiscalizador. A situação é desonrosa de tal forma para o Legislativo que os vereadores governistas atuam hoje apenas para barrar qualquer espécie de transparência e até atacar quem pede atenção à ética e ao respeito ao interesse público, como já aconteceu várias vezes com o Instituto Ame Cidade, que é atacado de forma até grosseira por vereadores próximos ao prefeito.

A bancada dos vereadores do prefeito tem votos suficientes para aumentar o número de vereadores em Cornélio Procópio, mas a pesquisa do jornal O Diário traz números que podem servir de alerta para o vereador que estiver com a intenção de votar por este aumento. Alguém duvida que se fosse feita uma pesquisa semelhante em Cornélio Procópio não se repetiria a rejeição vista em Maringá?


Tendência do eleitor é
não votar em vereador
favorável ao aumento
Na pesquisa feita em Maringá, quando perguntados se votariam em um vereador que ajudou a manter o número de vagas na Câmara (ou seja, vereadores contrários ao aumento), 58.5% dos maringaenses entrevistados disseram que sim. Ou seja, uma parcela grande de eleitores não votará em quem optar pelo aumento. Outra questão define ainda melhor a rejeição dos eleitores ao aumento de cadeiras na Câmara. Quando perguntados se votariam em um vereador que ajudou a diminuir o número de vereadores, o sim veio de 78,8% dos entrevistados. Neste caso, além de não querer o aumento, uma parcela ainda maior de eleitores prefere até que se tenha menos vereadores.

A rejeição ao aumento do número de vereadores é grande. E isso porque essa discussão ainda não alcançou o período eleitoral, quando os candidatos à reeleição como vereadores terão de responder ao que fizeram em seus mandatos. Caso ocorra o aumento de cadeiras na Câmara, certamente esses vereadores serão cobrados e até correrão listas com o nome dos que foram favoráveis a mais este abuso contra os cofres públicos.