quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Patrimônio de parlamentares é, em média, de R$ 2,4 milhões

ESTADÃO ONLINE, 6 de outubro de 2010


As declarações de bens entregues à Justiça Eleitoral pelos 513 deputados federais eleitos no domingo mostram que o parlamentar brasileiro tem, em média, um patrimônio de R$ 2,4 milhões. A fortuna acumulada pelos representantes do povo na Câmara soma R$ 1,23 bilhão.

Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela ainda que 194 deputados têm patrimônio superior a R$ 1 milhão. A bancada dos milionários representa 37,8% do total da Câmara e é superior à soma das cadeiras obtidas pelo PT (88) e o PMDB (79), os partidos com a maior representação no parlamento.

Levando-se em consideração que o rendimento médio do trabalhador brasileiro é de R$ 1.472,10, de acordo com a última Pesquisa Mensal de Emprego divulgada no dia 23 pelo Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística (IBGE), seriam necessários mais de 125 anos para que um assalariado conseguisse somar recursos suficientes para se equiparar à fortuna média dos parlamentares - isso se não gastasse nada de seu salário ao longo desse tempo.

A maior parte dos 513 deputados registrou atividades políticas como principal ocupação ao fazer o registro de candidatura na Justiça Eleitoral. São 271 deputados, 12 vereadores e três senadores. Ou seja, os políticos profissionais representam 55,7% do parlamento. O total de empresários eleitos chega a 36. Advogados são 24 e médicos, 22. E há representantes, na Câmara, de outras 34 atividades profissionais.

O deputado federal mais rico, de acordo com os dados do TSE, é o usineiro João Lyra (PTB-AL). Seu patrimônio declarado é de R$ 240,4 milhões. Apenas a sua Usina Laginha Agroindustrial é avaliada em R$ 196 milhões. Em segundo lugar, bem distante, está o industrial Alfredo Kaefer (PSDB-PR), com R$ 95,7 milhões. O pódio dos milionários é completado pelo veterano político e empresário mineiro Newton Cardoso (PMDB-MG), com R$ 77,9 milhões.

Lula determina guinada na campanha de Dilma, que vai explorar privatizações

FOLHA DE S. PAULO, 6 de outubro de 2010


O presidente Lula e os governadores eleitos cobraram ajustes na estratégia de campanha de Dilma Rousseff (PT) no segundo turno. Uma delas é explorar o tema privatizações nos programas de TV, numa reedição do que foi feito em 2006.

Outra orientação foi tirar a agenda religiosa, incluindo a polêmica do aborto, imediatamente do foco da campanha, e usar os programas de TV para comparar os projetos de governo petista e tucano.

Acatando críticas dos governadores eleitos, Lula determinou que Dilma se aproxime mais das pessoas e da imprensa, acabando com o tom cerimonial e com o cerco de segurança de suas viagens e entrevistas.

Durante reunião com governadores eleitos, ontem no Alvorada, Lula disse que a campanha de Dilma tem de enfrentar a polêmica do aborto, mas não pode deixar que o tema domine o segundo turno, fazendo o jogo que interessa a José Serra.

"FROUXIDÃO MORAL"

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) foi anunciando como um dos novos coordenadores da campanha, para a região Nordeste.

Logo na estreia, Ciro fez críticas indiretas aos recentes escândalos de irregularidades no governo, como a demissão de Erenice Guerra e a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB.

Ele disse que os eleitores que apoiaram Marina Silva (PV) no primeiro turno estão preocupados com a "frouxidão moral" demonstrada "aqui e ali" e que a ida de Dilma ao segundo turno foi uma "lição de humildade".

O deputado teve sua pré-candidatura abortada pelo PSB no início do ano, por pressão de Lula. Na ocasião, ele disse que Serra era mais preparado do que Dilma e chamou o PMDB de "ajuntamento de assaltantes".

Outras mudanças foram notadas na entrevista de Dilma. A candidata inaugurou a prática de falar em meio à aglomeração dos repórteres. O objetivo é passar para as TVs imagem menos formal.

Outra foi o tom de sua fala. Disse que o governo Lula também atendeu à classe média e frisou que sua campanha irá explorar as comparações na área social e o viés privatizante do PSDB.

"Nosso objetivo principal é deixar cada vez mais claro que se trata do confronto entre dois projetos. Um projeto é necessariamente uma volta ao passado", afirmou.

"Sem dúvida a gente tem que comparar a questão das privatizações. E o tratamento que eles deram à Petrobras, quando tiraram até o que é mais brasileiros, que é o 'bras', e tentaram colocar o 'brax'", disse, se referindo a ideia de 2000 de trocar o nome para "PetroBrax".

Dilma falou rapidamente sobre a polêmica em torno do aborto. Limitou-se apenas a dizer que defende a vida.

"Passei por uma experiência espiritual muito forte, que foi o nascimento do meu neto."

Programa coordenado por Dilma não atinge meta e é prorrogado

FOLHA DE S. PAULO, 6 de outubro de 2010


Coordenado pela então ministra de Minas e Energia, hoje candidata à sucessão presidencial pelo PT, Dilma Rousseff, o programa Luz Para Todos foi prorrogado nesta quarta-feira, por decreto, por não ter atingido sua meta, conforme a Folha antecipou em março.

O Luz Para Todos foi criado em 2003 com a promessa de universalizar o acesso à luz elétrica nas comunidades rurais. O cronograma original era que o programa duraria de 2003 a 2015. Mas logo depois do lançamento, o governo antecipou a meta para 2008. Não conseguiu cumpri-la. O prazo então foi esticado para 2010 e, mais uma vez, precisou ser prorrogado.

No Diário Oficial das União desta quarta-feira, o governo justifica que o prazo passou para 31 de dezembro de 2011 "com o objetivo de garantir a finalização das ligações destinadas ao atendimento em energia elétrica que tenham sido contratadas ou estejam em processo de contratação até 30 de outubro de 2010."

Quando teve a ideia de lançar Dilma sua candidata à sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a chamá-la país afora de "mãe" do programa, assim como o faz em relação ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

PV definirá em 17 de outubro apoio no segundo turno

G1, 6 de outubro de 2010


Movimento Marina Silva, intelectuais e religiosos terão direito a voto.
Candidata teve 19% dos votos no 1º turno. Apoio é disputado por PT e PSDB.



O PV divulgou nesta quarta-feira (6), em São Paulo, que fará uma convenção no dia 17 de outubro, a duas semanas da votação do segundo turno, para deliberar sobre a posição do partido na disputa presidencial: se apoia Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB).

A convenção será em São Paulo, em local ainda não definido. De acordo com o coordenador da campanha de Marina, João Paulo Capobianco, a decisão será tomada por cerca de 90 delegados com direito a voto na convenção.

O grupo dos delegados será formado por 15 pessoas de fora do partido (Movimento Marina Silva, intelectuais e religiosos), por toda a executiva nacional (composta por cerca de 40 dirigentes), por candidatos ao Senado e ao governo pelo PV (mesmo os que não conseguiram vaga) e também por deputados federais eleitos.

Segundo o coordenador da campanha de Marina, o nome de todos os delegados, incluindo as pessoas de fora do partido, ainda serão divulgados. Questionado se todas as religiões teriam representantes, o presidente nacional da legenda e deputado federal eleito por São Paulo, José Luiz Penna, afirmou: "Terá evangélicos, católicos (...). Temos uma política clara contra intolerância religiosa. Temos a espiritualidade como postura", disse.

Nesta quarta (6), o PV convidou jornalistas para explicar como será definido o apoio no segundo turno. Além de Penna e Capobianco, participou também o vereador e deputado federal eleito pelo Rio, Alfredo Sirkis, que coordenou a campanha de Marina antes da oficialização da candidatura.

De acordo com Sirkis, há três posições que podem ser definidas na convenção: apoio à ex-ministra Dilma, apoio ao ex-governador Serra ou a "não participação no processo eleitoral".

"No primeiro turno, você vota no seu candidato do coração. No segundo turno, escolhe por exclusão. Pode haver, com razão, a decisão de não escolher nenhum dos dois", disse.

"Participar do segundo turno não significa aderir a um lado ou outro. Nós podemos chegar a um resultado sem nenhuma aliança. Aliança com um projeto e não com um candidato", completou Capobianco.'

Os dirigentes, no entanto, rejeitaram a palavra neutralidade. "Voto neutro jamais defendemos, podemos dizer voto independente. (...) A participação será ativa. Apoiando programa e defendendo que explicitem as propostas aos 20 milhões que votaram em Marina", disse Capobianco. Questionado se a rejeição à palavra neutralidade era apenas semântica, ele completou: "será uma postura independente. Pode se elogiar um candidato pelo programa sem aderir. Apoio gera apoio formal", disse.

Penna explicou que será possível que militantes e dirigentes discordem da posição adotada na convenção. No entanto, não poderão usar símbolos do partido ao se manifestar e terão de deixar claro que se trata de opinião pessoal.

Marina Silva disse nesta quarta, em entrevista à rádio Jovem Pan, que a decisão do PV sobre qual candidato apoiar não será unânime. "Em um partido como o PV não tem como imaginar, até pela diversidade que temos, ter um processo unânime, único", disse.

Ela obteve 19.636.359 votos no primeiro turno, o equivalente a 19,33% dos votos válidos, e ficou em terceiro lugar na disputa. Já foi procurada por PT e PSDB, que consideram importante um eventual apoio da candidata do PV.

Propostas - Alfredo Sirkis afirmou que, antes de definição do apoio, o PV pedirá que os candidatos a presidente incorporem as propostas de Marina, mas não haverá exigência de que se incorpore tudo. "Não é ame-o ou deixe-o. Não é faca no pescoço. (...) Evidentemente que vão ter que incorporar grande parte do programa e julgaremos o teor das discussões."

Ele disse que os dois candidatos do segundo turno "não têm programa de governo", em referência ao fato de Serra ter protocolado discursos no lugar do programa e de Dilma ter apresentado um documento do PT e depois substituído o documento por outro sem os pontos polêmicos.

Penna disse que o objetivo é que haja um aproveitamento das propostas. "Fizemos 36 [deputados] estaduais, 15 [deputados] federais. É um momento maravilhoso. Queremos aproveitar o prestígio das urnas no futuro programa de governo dos candidatos."

'Incoerência' - Questionado se será uma incoerência caso o PV apoie um dos dois candidatos, já que Marina disse durante a campanha do primeiro turno que os dois eram iguais, o presidente nacional da legenda respondeu: "Não é só no Brasil. Internacionalmente, também buscamos alianças no campo da social-democracia e [PT e PSDB] são dois campos da social-democracia. [Definir por um ou por outro] não causaria estranheza. (...) Marina reconheceu publicamente os avanços dos 16 anos da social-democracia, tanto do governo FHC quanto do governo Lula."

Os dirigentes também não quiseram responder se terão cargos em um eventual governo, caso decidam pelo apoio a um dos dois candiatos. "Discussão de governo é posterior ao segundo turno. Somos políticos, não futurólogos", disse Sirkis. Ele também evitou dizer se o PV espera que Marina volte a se candidatar em 2014: "2014? A nossa capacidade de especular não vai tão longe."


O Congresso de 2011

O ESTADO DE S. PAULO, 6 de outubro de 2010


O presidente Lula impediu o seu partido de apresentar candidatos próprios a governos estaduais - Minas Gerais foi o exemplo mais notório - onde isso dificultaria a construção de alianças em torno da candidatura Dilma Rousseff. Mas, no cômputo geral, a restrição não afetou o desempenho da legenda nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado. No primeiro caso, ao conquistar 88 cadeiras e com o PMDB perdendo 10, o PT terá a partir de 2011 a maior bancada da Casa. No segundo, em que estavam em jogo 2/3 das 81 vagas, a sua representação passou de 8 para 15 membros.

Os ganhos petistas se inscrevem numa contabilidade ainda mais favorável para o lulismo. Se Dilma se eleger, terá no Congresso uma formidável maioria. Se o eleito for Serra, terá de comer pelas bordas esse contingente, com os talheres de sempre, a fim de neutralizar a inevitável tentativa do PT de impedi-lo de governar. Os números impressionam. Na Câmara, onde se registrou o menor índice de renovação desde 1998, a frente lulista integrada por 10 agremiações somará 311 cadeiras em 513. Para a aprovação de reformas constitucionais são necessários 308 votos.

Já os votos amealhados pelos 6 partidos da coligação serrista se traduzirão em não mais de 136 lugares. As siglas dos 66 restantes não apoiaram nenhum dos finalistas da corrida ao Planalto. Para se ter ideia do baque sofrido pela oposição, PSDB, DEM e PPS perderam ao todo 45 cadeiras. A rigor, as urnas de domingo não criaram uma nova relação de forças na Câmara: acentuaram o quadro existente. Já a qualidade do novo corpo legislativo pode ser medida pela chegada do palhaço Tiririca, com seu 1,3 milhão de votos, e a saída de políticos como os tucanos Arnaldo Madeira e Ricardo Montoro e o petista José Genoino.

A mudança mais significativa se deu no Senado - onde a presença oposicionista funciona como contrapeso ao controle absoluto do Congresso pelo governo. Ali caiu o projeto de prorrogação da CPMF e ali decerto teria caído, caso se materializasse, a emenda constitucional para propiciar a Lula um terceiro mandato. Mas a nova conformação da Casa dará a uma eventual presidente Dilma a supremacia com que o seu criador apenas podia sonhar. Os partidos da base lulista ficaram com 40 das 54 vagas em disputa, ao passo que o bloco PSDB-DEM perdeu 11 das 28 cadeiras que detinha no início da atual legislatura. Na próxima, com 73% dos lugares - índice igual ao da nova Câmara -, o Planalto será o dono do jogo no Senado, na hipótese de vitória de Dilma.

A captura do Senado terá tido para Lula um sabor quase tão adocicado quanto o da vingança bem-sucedida contra os seus mais acerbos adversários ali - os tucanos Tasso Jereissati, do Ceará, e Arthur Virgílio, do Amazonas. Um foi presidente do PSDB. O outro era líder da legenda na Casa. Lula nunca escondeu que o seu grande desejo, na frente legislativa da batalha eleitoral, era vê-los decapitados. Juntamente com eles, saem os demistas Heráclito Fortes, do Piauí, e Marco Maciel, de Pernambuco - este último provavelmente a maior perda singular sofrida pelo Congresso. De todo modo, o Senado passará a contar, de ambos os lados do corredor, com uma leva de políticos experientes, conhecidos antes pela moderação do que pela beligerância.

O primeiro deles, evidentemente, é o ex-governador mineiro Aécio Neves, do PSDB, o grande vitorioso do 3 de outubro na esfera estadual - elegeu sucessor o seu vice Antonio Anastasia e, para o Senado, o ex-presidente Itamar Franco. Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aécio poderá ocupar o mesmo cargo no Senado. Já a principal voz da oposição dificilmente deixará de ser a do tucano Aloysio Nunes Ferreira, em quem votaram 11,2 milhões de paulistas - um recorde no Estado - contrariando as pesquisas que o situavam em terceiro lugar, depois de Marta Suplicy e Netinho de Paula. Aloysio se distinguiu também por ser o único candidato que não teve medo de exibir no horário eleitoral o apoio do ex-presidente Fernando Henrique.

O Senado renovou-se mais do que a Câmara - uma boa notícia, considerando o retrospecto. O perigo é, se eleita, Dilma valer-se de sua maioria para aplastar a oposição nas duas Casas.

Sem intervalo

O GLOBO, Merval Pereira, 6 de agosto de 2010


Há duas informações contraditórias no noticiário sobre a campanha do segundo turno da candidata Dilma Rousseff: ou bem o tom "Paz e amor" vai prevalecer ou bem o deputado Ciro Gomes vai fazer parte da coordenação política da campanha. As duas coisas não combinam.

O mais provável é que nenhuma das duas aconteça. A maioria dos governadores quer que Lula participe da campanha, mas tire o dedo do gatilho da metralhadora giratória, onde ele o repousou no último mês de campanha.

Querem a volta da criação imortal de Duda Mendonça, que levou Lula à Presidência da República e à qual ele retorna sempre que vê escapando uma vitória pressentida ou que se mete em uma enrascada pelo rancor que guarda no peito.

Apesar de todas as glórias, locais e internacionais, Lula não se sente confortável neste mundo que não lhe dá uma aprovação unânime.

Talvez seja o caso para um psicanalista, mas o fato é que ele não se contenta com menos do que a unanimidade burra identificada por Nelson Rodrigues.

Foi assim também em 2006, quando foi para o segundo turno contra o tucano Geraldo Alckmin. Ficou nada menos que 15 horas desaparecido, curtindo sua mágoa, imprecando contra os seus "aloprados" e também contra o "picolé de chuchu" que ousou enfrentá-lo quase de igual para igual.

Quando se acalmou, reassumiu o papel de "Lulinha Paz e Amor" e fez uma campanha de segundo turno irretocável, colocando no corner seu adversário.

É claro que Dilma não é Lula, e Serra não é Alckmin, e o país é outro hoje em dia. Ficará mais difícil levar a campanha do segundo turno para o campo ideológico, como querem alguns dentro da campanha.

A polêmica sobre o aborto, que retirou de Dilma boa parcela de votos, é uma demonstração de que a nova classe média criada no governo Lula, conservadora como já havia registrado o cientista político André Singer, ex-porta-voz de Lula, não gosta de marolas.

O interessante é que Mangabeira Unger, o professor de Harvard que já foi ministro do governo Lula e foi o estopim para a saída de Marina Silva do Ministério, ao receber de Lula e Dilma a incumbência de cuidar das questões ambientais na Amazônia com um olhar desenvolvimentista, desenvolveu a tese de que os evangélicos brasileiros tinham semelhança com os pioneiros que fundaram os Estados Unidos e tinham o espírito empreendedor que faria a diferença para o desenvolvimento do Brasil.

Esse grupo, e mais os católicos, ao que tudo indica reagiu contra posições ambíguas da candidata Dilma sobre a legalização do aborto, e o debate continua pela internet.

Outras contradições da candidata oficial serão exploradas durante este segundo turno da campanha. Mas uma coisa é inegável: mais uma vez a campanha do PT saiu na frente em organização.

Um exemplo claro disso foi o aproveitamento que Dilma Rousseff fez do bloco de reportagens do programa "Fantástico", da Rede Globo, marcando seu pronunciamento para um horário em que pôde entrar ao vivo na maior audiência do domingo.

O candidato Serra simplesmente não foi encontrado e só foi fazer seu pronunciamento perto da meia-noite.

Outra demonstração de organização foi a convocação dos governadores eleitos e demais aliados para uma reunião em Brasília, já levando em consideração os programas eleitorais do segundo turno, que começam na sexta-feira.

Serra só reunirá seus aliados hoje.

Uma coisa houve de bom para a campanha de Serra. Ele não repetiu o erro de Alckmin, que suspendeu a campanha entre o primeiro e o segundo turno por uma semana, freando todo o embalo que o levou a ter 42% dos votos no primeiro turno.

E, em vez de receber o apoio de Garotinho em primeiro lugar, como fez Alckmin em 2006, Serra desta vez recebeu o apoio de Fernando Gabeira, o que faz toda a diferença.

As duas campanhas estão se movimentando nos bastidores para conseguir o apoio de Marina Silva e de seu Partido Verde, e a missão é tão importante que os principais líderes do PT e do PSDB estão capitaneando os esforços de aproximação.

O presidente Lula e seu principal adversário, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, estão mais uma vez disputando esse lance político, numa demonstração de que a candidatura de Marina Silva teve o condão de quebrar a polarização entre os dois partidos.

Embora sejam eles que disputam o segundo turno, o protagonismo está com Marina Silva, mais do que com o Partido Verde.

Ninguém sabe exatamente a composição desses quase 20 milhões de brasileiros que escolheram Marina mesmo sabendo que ela não tinha chance de chegar ao segundo turno.

Foram eleitores que quiseram demonstrar sua insatisfação com a dualidade proposta, como sempre Marina salientou nos debates.

Como terão que decidir quem escolher no segundo turno, não é provável que aguardem uma orientação de Marina, nem que ela pretenda ser a guia genial desses eleitores.

As motivações do voto em Marina parecem ser bastante variadas, e cada grupo escolherá o candidato(a) que sobrou, ou escolherá não escolher, de maneira mais independente do que normalmente acontece.

Os petistas desiludidos provavelmente voltarão ao seio do partido, mas eles ao que tudo indica são a menor parte desse contingente, que, também pelas primeiras análises, não é nada parecido com os eleitores que em 2006 escolheram Cristovam Buarque e Heloisa Helena no primeiro turno e depois desembarcaram na candidatura de Lula em peso.

Os eleitores de Marina parecem ser menos ideológicos, assim como ela. Compromissos com uma visão mais abrangente da questão do meio ambiente dentro do projeto de desenvolvimento do país devem ser mais eficazes para uma boa parte desses eleitores.

O que esperar de Dilma e Serra

VALOR ECONÔMICO, Eliana Cardoso, 6 de agosto de 2010


A campanha presidencial foi marcada, até agora, pela ausência de debate em torno de questões concretas. Os candidatos temem se posicionar sobre temas considerados impopulares, como reforma da Previdência, privatizações e controle de gastos. Parte desse temor resulta da falsa ideia de que defender essas bandeiras tira voto. Na disputa do segundo turno, a tendência é que Dilma Rousseff e José Serra sejam confrontados com assuntos que passaram ao largo da campanha.

Como os dois candidatos não expuseram claramente o que pretendem fazer a partir de 1º de janeiro, resta aos observadores avaliar o que eles disseram sobre os vários temas no passado. Melhor ainda é ver o que fizeram.

No primeiro mandato do presidente Lula, Dilma disputou o modelo macroeconômico baseado na geração de superávits primários nas contas públicas, no regime de metas para inflação e no sistema de câmbio flutuante. Em 2003, chegou a sugerir a adoção de um rumo alternativo, mas, provocada por Lula, nunca apresentou uma proposta. Ascendendo ao posto de ministra da Casa Civil em 2005, tornou-se mais pragmática, passando a conviver melhor com o modelo vigente. Mesmo em conversas reservadas, quando pôde expor com mais liberdade suas opiniões, defendeu o tripé de política econômica, inclusive, a autonomia operacional do Banco Central (BC).

Seja quem vencer, política fiscal deve voltar a ser a âncora

Questionada certa vez sobre as inamovíveis críticas do PT ao tripé, a então ministra concedeu: "O partido tem o direito de criticar". Foi o reconhecimento de que, apesar do sucesso do governo Lula, seu partido jamais vai se conciliar com o ideário econômico herdado de Fernando Henrique Cardoso.

Há na sociedade, entretanto, dúvidas quanto ao compromisso firme da candidata com o modelo consagrado por Lula. Não se deve nunca descartar a possibilidade de um presidente eleito, com todo o poder que o cargo encerra no regime presidencialista brasileiro, escolher as políticas que considera mais adequadas para seu governo. Os sinais dados por Dilma não autorizam, porém, a expectativa de ruptura.

Antes mesmo do início da campanha oficial, a candidata anunciou que, se for eleita, reduzirá a dívida líquida do setor público para 30% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2014 - em agosto, essa dívida estava em 41,4% do PIB. Dilma acredita que, se fazer isso, criará as condições para a taxa de juros brasileira convergir para padrões internacionais.

Para atingir a meta anunciada, União, Estados e municípios terão que apertar o cinto, produzindo, nos próximos quatro anos, superávit primário em torno de 3,3% a 3,5% do PIB ao ano. O compromisso com redução da dívida, em vez de com uma meta de superávit primário, é politicamente mais palatável, embora, na prática, produza o mesmo resultado. Para chegar lá, o governo terá que segurar os gastos correntes, principalmente, as despesas com pessoal, que saíram do controle no segundo mandato de Lula.

Há razões para acreditar na promessa de Dilma? Novamente, é preciso recorrer aos sinais, mais do que ao discurso. Quando se observa o núcleo da campanha petista, o que se vê é um triunvirato de políticos da ala moderada do PT - Antônio Palocci, José Eduardo Dutra e José Eduardo Cardozo. Palocci dispensa apresentações; Dutra é uma liderança de fora de São Paulo que, quando passou pelo Senado, se notabilizou pela moderação; Cardozo é um expoente da tendência "Mensagem ao Partido", que, depois do mensalão, chegou a defender a refundação do PT.

O candidato José Serra critica desde sempre não o tripé da política econômica, mas a sua execução, particularmente, no governo Lula. Acha que o BC erra para cima na condução da política de juros e que isso ajuda a distorcer o câmbio, valorizando excessivamente o real, o que, por sua vez, prejudica a competitividade da indústria nacional. É um crítico ácido também da gastança promovida em Brasília, outro elemento que, em última instância, leva a juros altos e câmbio apreciado.

A exemplo do PT, Serra defende, portanto, a mudança do tripé de política econômica? Não se pode fazer essa afirmação. Sua trajetória em São Paulo mostra que ele é um gestor austero. Em seus três anos de gestão, controlou a evolução dos gastos correntes, liberando recursos para aumentar a capacidade de investimento em infraestrutura - num dado momento, São Paulo, quando comparados apenas os orçamentos fiscais (sem incluir a estatais), investiu mais do que o governo federal com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O segredo de Serra pode estar justamente na área fiscal. O tripé prescinde do equilíbrio entre as políticas. Uma política fiscal mais restrita cria espaço para a queda dos juros e a desvalorização do real. O candidato tucano reiterou que manterá o modelo, logo, a mudança real que ele pretende fazer está na área fiscal. Se produzir um ajuste além do que vem sugerindo sua oponente na disputa presidencial, Serra teria condições de colocar juros e câmbio nos lugares certos. É esta a expectativa de seus apoiadores.

Na campanha, no entanto, Serra tem feito promessas, como o aumento do salário mínimo para R$ 600, o reajuste de 10% para aposentados, a restauração da aposentadoria integral dos funcionários e a concessão de 13º salário aos beneficiários do Bolsa Família, que, ao fim e ao cabo, arruinariam as contas públicas de uma vez por todas. Essas promessas foram feitas no calor da campanha e contradizem tudo o que o candidato sempre defendeu. Só podem ser entendidas nesse contexto.

FHC entrou pela frente, Dirceu pelos fundos

O GLOBO, Elio Gaspari, 6 de outubro de 2010


No dia em que Marina Silva, uma pobre menina do Acre, nascida no seringal Bagaço, teve 19,6 milhões de votos, José Dirceu, o engenheiro da máquina petista na eleição vitoriosa de 2002, chegou cedinho para votar num colégio de Moema, em São Paulo. Entrou por uma porta lateral e saiu protegido por seguranças.


Há quatro anos, nesse mesmo local, ouviu gritos de ladrão. Na mesma manhã de domingo, Fernando Henrique Cardoso percorreu a pé uns poucos quarteirões e votou no Colégio Sion, o prédio onde, em 1980, um grupo de sindicalistas fundou o Par tido dos Trabalhadores.

Algo está acontecendo debaixo dos olhos do comissariado petista.

Mais: os resultados trouxeram sinais de que algo está acontecendo debaixo dos olhos do eleitorado. Com 255 mil votos, o deputado federal mais votado do PT de São Paulo foi João Paulo Cunha, réu do processo do mensalão.

Numa bancada que já teve Florestan Fernandes e Hélio Bicudo, o líder do PT na Câmara, Candido Vaccarezza, chegará à Câmara numa coligação beneficiada pelos 1,4 milhões de votos dados ao palhaço Tiririca, pior do que está, não fica.

Em Boa Vista, um colaborador de Romero Jucá (PMDB), líder do governo no Senado, ao ver a Polícia Federal, jogou um pacote com R$ 100 pela janela do carro.

Quando Marina Silva se juntou aos movimentos da igreja e ao PT nas causas do andar de baixo do Acre, Erenice Guerra, a filha de um pedreiro, militava nas bases cristãs e no jovem PT. Uma chegou ao Senado, a outra à Chefia da Casa Civil.

Uma saiu do PT e festejou 19,6 milhões de votos, a outra tem os filhos depondo na polícia por conta de maracutaias urdidas no Planalto e na Anac.

O comissariado menosprezou Marina Silva. Esse tipo de erro é neutro. Resulta da impossibilidade de se prever o desempenho de um adversário. O comissariado menosprezou também a descoberta do Ereniçário, um factoide, segundo Dilma Rousseff.

Aí não se tratou de um erro neutro, mas de um produto da soberba petista.

Pode-se supor que Marina Silva recebeu 10 milhões de votos sem culpa, movidos a emoção. Foram eleitores que usufruíram o direito de ficar longe de argumentos extremados como os do mensalão petista e da privataria tucana. Na infância, o PT foi alimentado por esse tipo de voto, daqueles que não queriam trato com os náufragos da ditadura, nem com políticos que formavam aquilo que supunham ter sido uma oposição consentida. (Tremenda injustiça com Tancredo Neves, Franco Montoro e Ulysses Guimarães.) Acreditar que um apoio formal de Marina afrouxe o cadeado aritmético dos 47,6 milhões de Dilma Rousseff é uma aposta arriscada.

Os votos sem culpa não formam um curral. Eles são o contrário disso.

Votos evangélicos saídos da fé podem ir para qualquer lado. Votos evangélicos produzidos por pastores e bispos eletrônicos possivelmente serão devolvidos a Dilma.

O que levará eleitores sem culpa a escolher entre Dilma e Serra será um processo complexo e imprevisível, ligado ao simbolismo que os candidatos constroem em torno de suas figuras. Foi isso que Marina conseguiu.

Por falar em simbolismos, na noite da vitória de 2002 José Dirceu teve um piti porque não foi levado ao pódio de Lula no palanque da festa, na Avenida Paulista. Passados oito anos, foi votar pelos fundos, enquanto FHC entrou pela porta da frente.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

TSE proclama resultado do primeiro turno das eleições

G1, 5 de outubro de 2010

Proclamação provisória foi feita para permitir início da propaganda eleitoral.
TSE oficializou segundo turno entre Dilma Rousseff, do PT, e José Serra, do PSDB


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, fez nesta terça-feira (5) a proclamação provisória do resultado do primeiro turno das eleições 2010. Com isso, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão será retomada em 48 horas a contar da meia-noite desta terça, ou seja, a partir de sexta-feira (8).

Ao proclamar o resultado, o ministro fez a indicação oficial de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) para a disputa da Presidência da República em segundo turno.

A petista recebeu 47.651.434 votos, o equivalente a 46,91% dos votos válidos (que exclui brancos e nulos). Serra obteve 33.132.283 votos (32,61% dos votos válidos). Marina Silva (PV) foi a terceira, com 19.636.359 votos (19,33%).

Na sequência , Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) teve 0,87% dos votos válidos, José Maria Eymael (PSDC), 0,09%, Zé Maria (PSTU), 0,08%, Levy Fidelix (PRTB), 0,06%, Ivan Pinheiro (PCB), 0,04% e Rui Costa Pimenta (PCO), 0,01%.

Os números do TSE indicam que a abstenção foi de 18,12%. Foram 24.610.296 de eleitores que não compareceram para votar em todo o país, do total de 135.804.043. O número de eleitores que votou em branco na eleição para presidente foi de 3.479.340, o equivalente a 3,13% do total. Os que anularam seus votos foram 6.124.254, representando 5,51% do total de eleitores que foram às urnas.

A proclamação foi feita provisoriamente para permitir mais rapidamente o início da propaganda eleitoral. A proclamação definitiva depende de um processo mais demorado, que inclui a aprovação, no plenário do TSE, de relatórios elaborados por ministros indicados para acompanhar o processo eleitoral em cada região. Além disso, esse material precisa ser revisado pela Procuradoria-Geral Eleitoral.

Segundo Lewandowski, como não há dúvidas, impugnações ou recursos que possam alterar as condições dos candidatos mais votados, que disputarão o segundo turno, a proclamação provisória pode ser feita.

“Ausência de ações tanto nos TREs, quanto perante o TSE demonstra a confiança que a população e a democracia depositam nesta Justiça especializada. É um ato extraordinário em termos mundiais, o que deve ser ressaltado e nos encher de orgulho”, afirmou o ministro.


Saiba como será a propaganda eleitoral no segundo turno
No segundo turno, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou o início da propaganda a partir desta sexta-feira (8), mas a retomada dos programas eleitorais fica a cirtério dos partidos. A propaganda eleitoral no rádio e na televisão vai até dia 29 de outubro, dois dias antes das eleições marcadas para o dia 31 deste mês.

Nessa fase das eleições, o horário eleitoral gratuito será dividido em dois blocos diários de 20 minutos para os candidatos à Presidência e outros dois para os políticos que concorrem aos governos estaduais. No rádio, a propaganda será veiculada às 7h e às 12h e na televisão, às 13h e às 20h30.

Para presidente, cada candidato terá 10 minutos em cada período. Antes da retomada do horário eleitoral, o TSE fará novo sorteio para definir a ordem em que Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) vão aparecer no horário eleitoral. Ainda não há data marcada para essa definição.

Câmara de Londrina estuda abrir Comissão Processante contra vereador por quebra de decoro

FOLHA DE LONDRINA, 5 de outubro de 2010

Medida defendida pela Corregedoria da Casa é referente à condenação do vereador pela Justiça por ficar com parte de salários de assessores


O corregedor da Câmara Municipal de Londrina, vereador Rony Alves (PTB), entregou ontem ao presidente da Casa, José Roque Neto (PTB), uma representação contra o vereador Paulo Arildo (PSDB) por o ato de incompatibilidade com o decoro parlamentar. No início da sessão de hoje o documento será encaminhado à Procuradoria Jurídica da Câmara, que vai analisar se o pedido se enquadra dentro das questões legais de representação. Arildo foi recentemente condenado por improbidade administrativa, em primeira instância, pelo juiz da 10 Vara Cível, Álvaro Rodrigues Júnior, por ficar com parte dos salários de assessores.

O autor da representação afirmou que ''as oitivas que foram entregues na Corregedoria dão prova de que realmente a denúncia contra o vereador é verdadeira''. ''Nós entendemos que o vereador recebeu de seus assessores, em tempos diferentes, valores, que seriam parte dos seus salários, para continuarem trabalhando no gabinete. Aquilo que comumente se chama 'racha de salário'. Nos baseamos primeiro na Constituição Federal, depois no Código de Ética Parlamentar da Câmara, que afirmam que ao homem público é vedado esse tipo de ação'', explica Rony.

Caso a representação seja aceita, será aberta uma Comissão Processante (CP) pela Casa, que vai analisar o pedido. A pena para esse tipo de ato é a cassação do mandato de vereador. ''Vamos dar mais uma chance para o Paulo Arildo se defender diante da Casa e apresentar provas. Apesar de que mais de uma vez ele teve a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos e não o fez.'' Rony se refere a canhotos de cheques e comprovantes que o vereador afirma ter que comprovariam que os repasses seriam o pagamento de dívidas que seus assessores tinham para com ele.

O advogado de Paulo Arildo, Dely Dias Neves, afirma que já estava sabendo que o corregedor faria um pedido de representação. ''Estamos esperando esse pedido faz um mês. Por enquanto, vamos esperar a decisão da Mesa Executiva'', explica. ''As provas já foram apresentadas. Se a Mesa não se importar, porque isso não depende só de nós, vamos juntar nossa defesa no processo da Câmara. Mas, a defesa é a mesma apresentada na 10 Vara Cível. Vamos demonstrar que existe uma situação de acusação destoante dos fatos que ocorreram.''

Quanto ao processo cível, o advogado afirma que não espera mais a intimação. ''Já me considerei intimado e estou preparando a defesa, que será enviada ao TJ (Tribunal de Justiça) nos próximos dias.''

Richa anuncia auditoria nas contas do governo do estado

GAZETA DO POVO, 5 de outubro de 2010

Governador eleito afirma que quer conhecer a situação de cada área; equipes de Richa e do atual governador, Pessuti, começam transição nesta quinta


Uma das primeiras medidas práticas tomadas pelo governador eleito do Paraná, Beto Richa (PSDB), no Palácio Iguaçu será fazer uma auditoria nas contas do governo. A intenção do tucano seria fazer uma reengenharia nas contas estaduais para poder ganhar capacidade de investimento e assim concretizar as propostas de governo assumidas no período eleitoral. Ontem, em entrevista à RPC TV, Richa disse que esta reengenharia vai permitir o corte de gastos desnecessários e melhorar os gastos públicos com um choque de gestão.

“Quero fazer uma auditoria, passar o Paraná a limpo. Quero mostrar ao cidadão paranaense de que forma estou recebendo o estado em todas as áreas”, disse. “O primeiro passo é fazer uma reengenharia para que possamos identificar alguns ralos que podem ser eliminados, fechar as torneiras do desperdício”, completou.

Apesar de assumir só em janeiro de 2011, o trabalho de transição do governo de Orlando Pessuti (PMDB) para o do tucano Beto Richa começa na próxima quinta-feira. Richa conversou ontem com Pessuti e os dois decidiram montar uma equipe de transição. “Isso com muita tranquilidade porque conheço o Pessuti e acho que vai dar para fazer um bom trabalho entre estas duas equipes, para conseguir promover a transição de governo”, disse.

A reportagem da Gazeta do Povo apurou que o governador Pessuti nomeou o chefe da Casa Civil, Ney Caldas Ferreira, para comandar a transição no Palácio Iguaçu. Já a equipe de Beto Richa será formada por cinco pessoas: Carlos Homero Giacomini, Deonilson Roldo, Luiz Eduardo Sebastiani, Ivan Bonilha e Norberto Ortigara.

A primeira reunião de transição entre os governos deve acontecer já nesta quinta-feira no próprio Palácio das Araucárias – sede provisória do governo paranaense, durante a reforma do Palácio Iguaçu.

Com relação às prioridades no governo, Richa disse que a primeira delas será “botar a casa em ordem”, com atenção especial nas áreas de saúde, segurança pública e educação. Segundo o governador eleito, o Paraná é o 18.º estado em volume de recursos para investimento. Após um “choque de gestão”, ele pretende melhorar o índice e transformar o Paraná num “canteiro de obras”.

Coligação - Apesar da dificuldade de montar uma equipe de governo que atenda aos 14 partidos que participaram da coligação, Beto Richa afirmou que irá conseguir fazer um governo técnico. Ele afirmou que, na disputa pela reeleição para a prefeitura de Curitiba, em 2008, fez uma coligação semelhante, com 11 partidos. “Todos os partidos têm bons quadros a oferecer”, justificou.

O tucano disse que irá ouvir as sugestões de nomes dos partidos e irá decidir em comum acordo, mas adiantou que quem não cumprir o plano de metas estabelecido por ele será desligado da equipe.

“Os secretários vão assinar compromisso de metas e objetivos. Caso eles não sejam alcançados, o responsável pela pasta vai ser desligado das atividades, fortalecendo o profissionalismo da gestão pública”, disse Richa.


Arns quer sistema de avaliação permanente
Flávio Arns, vice-governador eleito pelo PSDB, é por enquanto o único nome confirmado no secretariado do governo de Beto Richa (PSDB). Arns, que irá assumir a Secretaria de Estado da Educação, disse ontem que pretende implantar um sistema estadual de avaliação, diminuir a evasão escolar, valorizar os profissionais e promover a articulação com municípios e outras secretarias.

Arns disse que o Paraná tem várias dificuldades na educação e que é preciso melhorar a classificação do estado em índices nacionais de avaliação. Um dos gargalos, na opinião do futuro secretário, é a inexistência de um sistema estadual de avaliação permanente. “Vamos implantá-lo e acompanhá-lo. Temos que ter metas e objetivos e ver se estamos alcançando”, disse.

Para melhorar os índices, Arns afirmou que é preciso investir no sistema municipal de educação. Também pretende valorizar os profissionais da educação. Durante a campanha, Richa assumiu o compromisso de equiparar o salário dos professores com o dos agentes profissionais.

Outro desafio, de acordo com o Arns, é ampliar o número de matrículas no ensino médio e evitar a evasão. Apenas metade dos alunos que ingressam no antigo segundo grau chega ao terceiro ano no Brasil.

O Paraná ocupa a terceira posição no ranking nacional de educação, de acordo com o índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). No ensino médio, o estado ocupa a primeira posição.

Anunciados oficialmente nomes da equipe de transição de Beto Richa

GAZETA DO POVO, 5 de outubro de 2010

Na equipe que vai representar o atual governo, o único nome citado até agora é o do chefe da Casa Civil, Ney Caldas

O governador eleito do Paraná, Beto Richa (PSDB), anunciou oficialmente, na tarde desta terça-feira (5), o nome dos cinco integrantes da equipe que cuidará da transição de governo. Carlos Homero Giacomini, secretário municipal de Planejamento de Curitiba, será o coordenador do grupo.

Também integram o grupo Ivan Bonilha, ex-procurador geral do município, Deonilson Roldo, ex-chefe de gabinete da prefeitura, Norberto Ortigara, ex-secretário de Abastecimento, e o atual secretário de Finanças, Luiz Eduardo Sebastiani.
A equipe que vai representar o atual governo também deve ser composta por cinco integrnates. O único nome citado até agora pelo governador Orlando Pessuti (PMDB) foi o do secretário chefe da Casa Civil, Ney Caldas.

Em entrevista coletiva na segunda-feira (5), Beto Richa afirmou que o processo de transição entre os governos já começou. O tucano disse ainda que as primeiras ações no início do mandato serão dar atenção à dois problemas crônicos que foram relatados pela população, durante à campanha. “Vamos dar um choque de gestão, melhorar o gasto público e enxugar a máquina, a fim de conferir verbas para saúde e segurança”, contou.

O governador eleito repetiu também a promessa de interiorizar o governo estadual, através da realização de audiências públicas. “Quero interiorizar o governo e promover audiências públicas como fiz na capital, montando um governo próximo das pessoas e de valorização da opinião delas”, afirmou. Na agenda de Beto já estão planejadas viagens por Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Pato Branco, Guarapuava e Ponta Grossa até quarta-feira (6).

PPS quer punição de Lula por encontro político no Alvorada

VEJAONLINE, 5 de outubro de 2010


O PPS vai entrar com uma representação na Justiça Eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que usou o Palácio da Alvorada para um encontro político com governadores e senadores aliados (veja matéria abaixo), nesta terça-feira. Os próprios participantes da reunião disseram que estavam lá para discutir estratégias de apoio à candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.

O evento constava na agenda oficial, e ocorreu no meio da manhã – quando, em tese, Lula deveria estar trabalhando. Alguns senadores usaram carros oficiais para se deslocar até o palácio.

Para o deputado federal Raul Jungmann (PPS), Lula cometeu um crime eleitoral. “Os limites já foram ultrapassados há muito tempo. Temos um presidente da República que funciona muito mais como um chefe de partido”. Na representação, o PPS também indaga se a viagem dos senadores e governadores a Brasília foi bancada com dinheiro público.

A ação do partido baseia-se no artigo 17 do Código Eleitoral, que proíbe o ato de “ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos estados, do Distrito Federal, dos territórios e dos municípios”. Nestes casos, a legislação estabelece uma multa de 5 mil a 100 mil reais.

A Presidência da República ainda não se pronunciou sobre a queixa do PPS.


Lula reúne aliados no Alvorada e pede empenho por Dilma
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou nesta terça-feira governadores e senadores recém-eleitos para pedir empenho dos aliados na campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. Lula cobrou que a militância política continue em atividade, mesmo em estados como Pernambuco e Rio Grande do Sul, onde não haverá segundo turno na disputa ao governo.

A reunião ocorreu no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente, e durou cerca de uma hora e meia. Normalmente, Lula assume seu lado cabo eleitoral apenas à noite, após o horário do expediente, e nos fins de semana. Desta vez, no entanto, a reunião, declaradamente com fins eleitorais, ocorreu no horário que o presidente normalmente usa para despachar. Alguns senadores, como Cristovam Buarque (PDT), usaram veículos oficiais para se dirigirem ao encontro.

A atitude do presidente é um sinal de que ele pretende aumentar ainda mais sua atuação para tentar eleger Dilma Rousseff. Lula deve, inclusive, aumentar as viagens pelo país. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, confirma: “Ele vai se dedicar integralmente à campanha”. O ministro negou, no entanto, que o presidente vá se licenciar do cargo.

O governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), classificou o a ida de Dilma ao segundo turno como “uma lição” dada pelos eleitores de Marina Silva (PV) à campanha petista. “Uma lição para que a gente pudesse ter mais debate”, afirmou.

Ofensiva sobre Marina já começou – Padilha também afirmou que o contato da campanha de Dilma com Marina Silva já está em andamento. As apostas recaem principalmente sobre o senador petista Tião Viana e o governador Binho Marques (PT), que são aliados de Marina Silva no Acre.

Ao mesmo tempo, sem esperar a decisão da senadora verde, a campanha de Dilma Rousseff deve ir atrás do eleitor de Marina. Para isso, os petistas devem dar mais espaço ao discurso ambiental. E reforçar o contato com o público evangélico.

Quem também esteve no encontro com Lula foi o deputado federal Ciro Gomes (PSB). Ele acredita que a candidata verde não apoiará nem Dilma nem Serra no segundo turno: “Se eu bem conheço a Marina, ela vai adotar uma postura de neutralidade”.


Marina diz ter sido procurada por Dilma e Serra após primeiro turno

G1, 5 de outubro de 2010

Ela afirmou que não sinalizou apoio durante as conversas.
Candidata do PV teve 19,6 milhões de votos, quase 20% do total.


Um dia após a confirmação de que haverá segundo turno na eleição para presidente, a senadora Marina Silva (PV) disse ter sido procurada pelos candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) para discutir seu apoio na disputa.

A candidata do PV teve 19.636.359 votos, o equivalente a 19,33% dos votos válidos, com 99,99% dos votos apurados. “Ambos me telefonaram para parabenizar pela contribuição que demos ao país, pelas propostas que apresentamos e ambos, muito rapidamente, manifestaram desejo de ter uma oportunidade de conversar, caso eu ache isso oportuno, e no momento adequado” relatou.

Marina afirmou ainda, durante entrevista coletiva em São Paulo, que a decisão do seu apoio e do partido será tomada em uma convenção que, segundo estimou, deverá ocorrer em até 15 dias.

Ela disse não ter sinalizado apoio a nenhum dos dois durante as conversas. “Respondi que iria viver um processo que seria iniciado a partir de agora e depois que eu iria me pronunciar”, relatou Marina referindo-se à convenção.

Ao ser questionada sobre o apoio a Serra de Fernando Gabeira (PV), candidato derrotado ao governo do Rio, ela respondeu: “Ele disse que é a manifestação pessoal dele. Eu vou preferir fazer a minha manifestação na instância partidária após ouvir os segmentos da sociedade com os quais fiz aliança”.

Entre os setores que pretende ouvir estão o "Movimento Marina Silva", representantes de juventude, do empresariado e de movimentos sociais. Marina ressaltou que irá firmar um posicionamento na convenção. "Não tenho aqui ainda uma posição a priori", disse. A discussão dentro do partido passará ainda pela definição de "prioridades estratégicas" da plataforma do PV.

O posicionamento da legenda, frisou a senadora, não se dará em função de interesses puramente partidários.

"Há uma expectativa muito grande em relação à atitude política que vamos ter nesse momento. E ela tem que ser completamente diferente da velha política que se mobiliza pensando em alguma vantagem em termos de futuro."

Com a voz rouca, Marina concedeu uma coletiva rápida. Membros do PV que estavam no local evitaram indicar um possível posicionamento do partido. Eles foram questionados sobre o tempo previsto para a realização da convenção - 15 dias - tomar boa parte do tempo da campanha do segundo turno. A votação será no dia 31 de outubro. "Quem tem pressa agora são eles", respondeu o presidente do PV em São Paulo, Maurício Brusadin.

Serra reúne vitoriosos do 1º turno e prega ‘política de soma’

G1, 5 de outubro de 2010

Tucano discute estratégias para o segundo turno das eleições.
PSDB e aliados fazem encontro ampliado nesta quarta-feira em Brasília.


Dois dias após o primeiro turno da eleição, o candidato do PSDB, à Presidência José Serra, se reuniu com aliados que saíram vitoriosos das eleições e com as principais lideranças de sua coligação para discutir a estratégia da campanha até o dia 31 de outubro, quando será realizado o segundo turno entre ele e a candidata do PT, Dilma Rousseff.

Serra pregou o otimismo e disse querer ampliar seu arco de apoio, recebendo “políticos de bem" que queiram estar com ele no segundo turno. Reforçou que irá, se eleito, formar “um governo de maioria” em torno de “propostas e projetos”.

“Não há desenvolvimento nacional sem que juntamente se desenvolvam todas as regiões do Brasil. A nossa política também vai estar baseada nisso. É uma política de soma, não de divisão entre os brasileiros e brasileiras”, disse.

Na tarde e noite desta terça, o tucano reuniu, no comitê de campanha em São Paulo, o grupo catarinense formado pela chamada “tríplice aliança” – PSDB, DEM e PMDB –, que obteve vitória expressiva em Santa Catarina: o governador eleito Raimundo Colombo (DEM), o ex-governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), eleito senador, e Paulo Bauer (PMDB), também eleito senador pelo estado.

Segundo Silveira, a "tríplice aliança" elegeu 25 dos 40 deputados estaduais e 10 deputados federais, entre as 16 vagas existentes.

Geraldo Alckmin (PSDB), que venceu as eleições no maior colégio eleitoral do país para o governo de São Paulo, também participava da reunião ao lado do vice-governador eleito, Guilherme Afif Domingos (DEM). Antes, ele acompanhou Serra no primeiro evento da campanha neste segundo turno: a visita a uma obra do governo estadual em São Paulo.

O tucano Aloysio Nunes, ex-secretário de Serra e senador eleito por São Paulo com o maior número de votos, também estava presente na reunião, que contava ainda com o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e outras lideranças do DEM, como Jorge e Paulo Bornhausen.

O grupo vai se reunir num encontro ampliado nesta quarta (6) em Brasília para fazer análises do primeiro turno e traçar a estratégia para o segundo. Serra disse estar otimista e, sem citar nomes, afirmou é fácil perceber quando alguém está pessimista e finge otimismo.

“O que vejo é muito otimismo em toda parte. Esse é um dado de realidade. Tenho experiência em política. Eu sei quando um político está pessimista e está fingindo ser otimista. A gente percebe na hora. O Jorge Bornhausen que é mais antigo do que eu sabe disso. A gente saca na hora. Agora eu tenho visto os políticos autenticamente otimistas”, afirmou.

Durante a campanha do primeiro turno, institutos de pesquisas chegaram a apontar uma possível vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno. Nas últimas semanas, no entanto, ela passou a oscilar e, no domingo, obteve 46,9% dos votos válidos.

Marina e apoios - O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse nesta terça-feira (5) que ligou para a senadora Marina Silva (PV) terceira colocada na disputa presidencial, com cerca de 20 milhões de votos, para tratar de apoio da senadora no segundo turno.

“Claro que nós queremos o apoio [de Marina e do PV], mas não queremos criar nenhum constrangimento.” A senadora já foi procurada por Serra e por Dilma. Ele disse que parabenizou Marina pela “belíssima votação” e pela “contribuição ao processo político, discutindo temas de relevância”.

Alckmin afirmou que é preciso intensificar as ações de campanha neste segundo turno e disse que já começou as articulações políticas.O governador eleito declarou ter ligado nesta terça-feira para lideranças do Piauí, Pará, Acre, Santa Catarina, Sergipe, Mato Grosso e Maranhão.