terça-feira, 7 de junho de 2011

Romanelli, o nome mais citado por vereadores para viajar para Curitiba com diárias pagas pela Câmara Municipal de Cornélio Procópio

INSTITUTO AME CIDADE, 7 de junho de 2011


A análise dos documentos transcritos pelo Ministério Público e anexados como prova na Ação Civil Pública que acusa vereadores da Câmara Municipal de Cornélio Procópio de uso irregular de diárias de viagens revela que Luiz Cláudio Romanelli é um recordista em visitas feitas por vereadores procopenses ao seu gabinete em Curitiba.

No ano de 2009, quando era deputado estadual e líder do governo de Roberto Requião (PMDB) na Assembleia Legislativa, Romanelli foi citado por vários vereadores e também por funcionários da Câmara como justificativa para viagens a Curitiba. E não foram viagens baratas. Numa dessas idas a Curitiba em que foi incluída uma visita ao deputado, um vereador recebeu R$ 1.100 de uma só vez em diárias.

Romanelli é deputado estadual reeleito e atualmente está licenciado e ocupando o cargo de secretário do Trabalho do governo Beto Richa. Mesmo tendo sido líder do governo anterior, que foi um período de troca de críticas agressivas entre o então governador Requião e Beto Richa (PSDB), ele aderiu ao tucano assim que o nome de Richa começou a mostrar força eleitoral nas pesquisas. Com a vitória do tucano, que até hoje é adversário de Requião, Romanelli foi escolhido para ser o secretário do Trabalho.

O político tem Cornélio Procópio como um de seus alvos eleitorais, que atinge em conjunto com o prefeito Amin Hannouche (PP) e o grupo de vereadores que domina a Câmara Municipal. Na foto, Romanelli (ao centro) faz campanha na cidade para a reeleição como deputado, acompanhado do prefeito Hannouche e o vereador Helvécio Alves Badaró (à esquerda), presidente da Câmara no período em que foram pagas as diárias denunciadas como irregulares pelo Ministério Público.

O fato mais marcante da carreira de Romanelli foi quando ele virou notícia nacional em 2008 depois de passar sem pagar por três pedágios em estradas paranaenses, até ser parado por um policial rodoviário. A atitude repercutiu muito mal, mesmo levando em conta as pendengas de Requião com empresas que exploram os pedágios no Paraná.

Na ocasião, Romanelli bravateou para a imprensa que iria “continuar” furando pedágios, mas na verdade nunca mais teve essa atitude, que soou apenas como uma autopromoção para o aproveitamento político da polêmica dos pedágios no estado.

No entanto, jornalistas que cobriram o fato acabaram descobrindo que o carro que o atual secretário do Trabalho usou para cometer a transgressão já havia sido multado 10 vezes, tendo recebido notificação em seis delas. O veículo estava no nome da empresa Generali Comércio e Transporte Internacional Ltda, cujos donos são Romanelli e o irmão Ricardo Romanelli Filho.

Quatro dessas multas eram por transitar em alta velocidade, todas aplicadas em Curitiba e algumas durante a madrugada. Quando foi questionado sobre as multas, Romanelli respondeu o seguinte: “O que? 10 multas? Os meus assessores e motoristas devem estar andando com esse carro".


Uma passadinha no gabinete
de Romanelli era a alegação
de muitos para justificar
diárias de viagens a Curitiba


No caso das diárias irregulares na Câmara procopense, conhecido entre a população como “Farra das Diárias”, a justificativa campeã para o recebimento de diárias é o encontro em Curitiba com Romanelli.

Em 2009, quando o Instituto Ame Cidade encontrou indícios de irregularidade na análise de documentos da Câmara, já era possível detectar o nome de Romanelli em grande parte dos recibos de diárias. Ainda em 2009 o Instituto Ame Cidade encaminhou uma representação ao Ministério Público que abriu uma investigação. Na semana passada uma ação por improbidade contra seis vereadores e um suplente foi acatada pela Justiça. Funcionários da Câmara também são acusados pelo uso indevido do dinheiro público. Na ação, o MP define a justificativa para o recebimento do pagamento de diárias como "fantasiosas viagens". Entre os acusados estão o atual presidente da Câmara, Vanildo Felipe Sotero (PP), e o anterior, Helvécio Alves Badaró (PTB).

Nos documentos aos quais o Instituto Ame Cidade teve acesso de início, as visitas a Romanelli já eram um destaque entre as justificativas de diárias, mas com a documentação mais farta tornadas públicas pelo MP, os supostos encontros com o então líder de Requião adquiriram um volume que salta à vista. Nos documentos anexados à ação do MP as visitas a Romanelli consomem quase 20 mil reais em diárias. E isso sem contar as rubricas genéricas que falam apenas em “viagem à Assembleia Legislativa”, que pode ser também para encontros com Romanelli, já que não é citado o nome de nenhum outro deputado.


Quase 20 mil reais para
encontros em Curitiba com um
deputado que estava sempre
passando por Cornélio Procópio


A série de encontros de vereadores e funcionários com Romanelli em Curitiba já seria de estranhar em razão até de uma lógica administrativa que exigiria um ordenamento dessas reuniões, já que todos os que alegam terem viajado para a capital são de um mesmo grupo político na Câmara. Porém, ainda mais esquisito é o fato de todos irem até Curitiba se encontrar com um deputado que está sempre em Cornélio Procópio, o que é o caso de Romanelli.

Algumas dessas viagens são exatamente numa sequência em que um ou mais vereadores voltam do gabinete de Romanelli e outros partem de Cornélio Procópio com o mesmo destino.

Na foto acima, o deputado Romanelli, que é do PMDB, faz campanha em Cornélio Procópio acompanhado do prefeito Amin Hannouche (PP) e de dois vereadores apontados na ação do MP. À frente, à esquerda, está o vereador Helvécio Alves Badaró, do PTB. Logo atrás de Badaró está o vereador Ricardo Leite Ribeiro, que é do PPS. Leite Ribeiro sofreu um processo por infidelidade partidária no Conselho de Ética de seu partido.

A ligação de Romanelli com o prefeito Hannouche e seu grupo de vereadores é muito forte. Existe até uma viagem feita entre 27 e 29 de maio com uma justificativa muito curiosa, quando foram para Curitiba dois vereadores, Edimar Gomes Filho e o então presidente da Câmara, Helvécio Alves Badaró. Conforme pode ser lido na justificativa, ambos foram até lá “para acompanhar o prefeito ao Gabinete do Líder do Governo [Requião]”, que era o Romanelli, é claro. Para a viagem, cada um recebeu 800 reais em diárias.


O deputado que mais recebeu
visitas de vereadores procopenses
deve manter o título de campeão
também como secretário do Trabalho


Os primeiros meses de 2009 dão a impressão de que o deputado Romanelli não fez outra coisa em Curitiba senão receber vereadores de Cornélio Procópio. No dia 20 de janeiro o então presidente da Câmara, Helvécio Badaró, partiu para Curitiba às 7 da manhã, com a volta programada para o dia seguinte às 12 horas. Foi visitar o deputado Romanelli.

No mesmo dia em que Badaró voltava para Cornélio Procópio, partia para Curitiba o vereador Edimar Gomes Filho. Ele saiu às 18 horas para retornar às 19 horas do dia 22. Também se encontrou com o deputado Romanelli.

Três dias depois foi a vez do vereador Ricardo Leite Ribeiro ir a Curitiba atrás do deputado Romanelli. Ele saiu da cidade às 10 horas da manhã e voltou de Curitiba no dia 27, às 19 horas.

Em fevereiro as visitas recomeçaram cedo, quando foi a vez do vereador Sebastião Angelino Ramos visitar o deputado em Curitiba. Ele foi de Cornélio Procópio para a capital no dia 4 às 16 horas e voltou no dia 6 às 19 horas.

Do dia da visita de Sebastião Angelino Ramos até o dia 15, Romanelli recebeu também três funcionários da Câmara de Cornélio Procópio. E no dia 15 três vereadores (Badaró, Gomes Filho e Sebastião Angelino Ramos) foram para Curitiba para novamente ver o deputado. Os três saíram no dia 15 e voltaram no dia 17.

Estes são apenas alguns exemplos, entre muitas das alegadas visitas a Curitiba que tornam o nome de Romanelli imbatível nas justificativas de pagamentos de diárias.

Na ação do MP tem certas viagens que são até bem curiosas, como a de 27 ao dia 29 de maio de 2009, quando foram para Curitiba dois vereadores, Edimar Gomes Filho e Helvécio Alves Badaró. Conforme pode ser lido na justificativa, ambos foram à Curitiba “para acompanhar o prefeito ao Gabinete do Líder do Governo [Requião]”, que era o Romanelli, é claro.

O então líder de Requião foi muito citado durante todo o ano de 2009 e até em 2010. E mesmo agora em 2011, com a gastança em diárias sendo mantida a todo o vapor, a justificativa ainda parece ser a preferida na Câmara. No mês passado um vereador pediu quatro diárias para visitar Romanelli, agora na secretaria do Trabalho.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Justiça determina a indisponibilidade de bens de acusados no caso das diárias da Câmara de Cornélio Procópio

INSTITUTO AME CIDADE, 6 de junho de 2011


A Ação Civil Pública do Ministério Público Estadual sobre as diárias irregulares da Câmara Municipal de Cornélio Procópio, no caso que hoje é chamado pelos procopenses de “Farra das Diárias”, acusa de improbidade administrativa seis vereadores e um suplente, todos eles integrantes do grupo de vereadores que desde a legislatura passada domina a Câmara Municipal, mantendo o legislativo municipal numa posição de submissão aos interesses do prefeito Amin Hannouche (PP). Onze funcionários da Câmara também são acusados na ação.

O Ministério Público deu início ao inquérito civil a partir de uma representação do Instituto Ame Cidade em 2009, que naquele ano encontrou indícios de irregularidades em documentos relativos às diárias de viagens pagas a vereadores.

Na semana passada a Justiça acatou a ação do MP e determinou a indisponibilidade de recursos de todos os acusados.

A investigação do MP abrange apenas o período de janeiro de 2009 a março de 2010. Já noticiamos aqui no blog que os vereadores continuam fazendo enormes gastos em diárias, sendo que, nos primeiro quatro meses de 2011 já foram gastos mais da metade de todo o orçamento anual para diárias, que é de 70 mil reais.

A vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB), integrante da Câmara que nunca recebeu diária alguma porque é contra esse tipo de pagamento aos vereadores, também revelou de forma oficial em pronunciamento diante dos colegas sua discordância com estes novos gastos.

Entre os funcionários que fazem parte do processo, dois tem posição de destaque no que o MP chama de “complexo esquema de desvios dos recursos públicos”. Marcos Amin é o procurador jurídico e Madison Luiz das Silva Guilherme o contador da Casa. Ambos têm ligações fortes com o prefeito Hannouche, sendo que o último foi seu Secretário Municipal de Administração na gestão passada.

Na ação o MP faz menção a problemas que envolvem diretamente a contabilidade da Câmara e que tocam diretamente em aspectos jurídicos. Em um trecho da ação os promotores públicos afirmam que os vereadores "eram sabedores da ilegalidade perpretada" no que, ainda conforme diz a ação, é definido como "malfadado ato administrativo" baixado pela presidência da Câmara.

Outro trecho da ação: “Realmente, a tentativa dos nobres edis procopenses em legitimar uma situação pretérita irregular revela verdadeiro desvio do poder legislativo [grifo do MP]”. Neste mesmo trecho, os promotores afirmam que o ato normativo foi feito e editado “desprezando os mais comezinhos princípios jurídicos e lógicos da Administração Público”, acrescentado também que isso teve como objetivo “corrigir ou convalidar ilegais pagamentos” anteriores.

O MP descreve aqui um ato da presidência da Câmara editado depois que os promotores públicos descobriram que o pagamento das diárias vinha sendo feito sem tivesse havido a regulamentação exigida por lei.

O MP também deixa claro que os problemas encontrados na prestação de contas dos pagamentos de diárias “não se deu por mero descuido do legislativo” de Cornélio Procópio. Na realidade, acusam os promotores, estes atos foram realizados pela presidência da Casa com o propósito único de “dissimular a locupletação indevida de todos os requeridos, vereadores e servidores”.

Abaixo, publicamos a lista de nomes dos denunciados na Ação Civil Pública, com os montantes gastos em diárias em valores corrigidos. O vereador Helvécio Alves Badaró (PTB) é responsabilizado pelo total de gastos no período porque foi o presidente da Câmara na época em que ocorreram as irregularidades.


VEREADORES

Helvécio Alves Badaró (PTB) ______________ R$ 103.098,04

Edimar Gomes Filho (PPS) ________________ R$ 13.102,99

Emerson Carazzai Fonseca (PRB) __________ R$6.310,01

Márcia Cristina Cafieiro Cunha (PP) ________ R$ 779,25

Ricardo Leite Ribeiro (PPS) _______________ R$ 9.624,19

Sebastião Angelino Ramos (PP) ____________ R$ 18.511,62

Vanildo Felipe Sotero (PP) _______________ R$ 6.361,09



FUNCIONÁRIOS DA CÂMARA

Adejacir Batista Moreira _________________ R$ 9.266,19

Claudinei José Teixeira __________________ R$ 2.141,98

Carlos Henrique Carnieto ________________ R$ 1.399,74

Cleverson Ricardo Goes __________________ R$ 2.809,72

Dayane Costa Del Rovere ________________ R$ 2.611,62

Elizabeth Veloso, Laís Auriglietti ___________ R$ 21.730,68

Márcia Quero __________________________ R$ 4.600,75

Marcos Vinicius Ali Amin _________________ R$ 3.724,85

Valéria Nunes Simão ____________________ R$ 814, 24

Madison Luiz da Silva Guilherme ___________ R$ 2.223,68


sábado, 4 de junho de 2011

Na história das diárias irregulares em Cornélio Procópio, muita pressão da Câmara contra quem sempre lutou pela transparência

INSTITUTO AME CIDADE, 4 de junho de 2011


A história das diárias de viagens pagas a vereadores da Câmara Municipal de Cornélio Procópio tem um enredo de muitas pressões feitas na tentativa de evitar a transparência sobre um assunto que toca em gasto de dinheiro público. E estas pressões vieram exatamente de onde deveria existir um compromisso com a defesa do interesse público.

As pressões vieram de vereadores que dominam hoje a Câmara Municipal e a transformaram num mero instrumento do Executivo. Sob o mando do prefeito, esses vereadores impedem que se desenvolva na Câmara qualquer ação fiscalizadora, barrando pedidos básicos de informações e também fechando o acesso da população a documentos que até por lei devem ser públicos.

Os vereadores governistas fizeram de tudo para dificultar o trabalho cívico do Instituto Ame Cidade e hoje, depois da ação do Ministério Público Estadual ter sido acatada pela Justiça de Cornélio Procópio, sabe-se que tentaram enganar até os auditores do MP durante o inquérito civil instaurado em novembro de 2009 para esclarecer os fatos.

O caso das diárias irregulares, que a população procopense passou a chamar de “Farra das Diárias”, começou com a análise de documentação da Câmara feita pela assessoria jurídica do Instituto Ame Cidade, tendo à frente a advogada Claudia Eli Martins Anselmo.

Entre as notas de gastos de estadias em outras cidades, no que hoje o MP chama de "fantasiosas viagens", surgiram situações em que vereadores afirmavam de próprio punho que estavam em Curitiba na mesma data em que participavam de reunião oficial na Câmara de Cornélio Procópio. Relatando essas graves suspeitas de irregularidades, o Instituto Ame Cidade entrou com uma representação junto ao MP pedindo investigação.

Depois de cerca de um ano de investigação, nesta semana a Justiça acatou a Ação Civil Pública dos promotores públicos com a acusação de improbidade administrativa atingindo quase todos os vereadores de Cornélio Procópio.

Numa Câmara composta por nove integrantes, foram seis os vereadores acusados na ação, além de um suplente. São eles Helvécio Alves Badaró (PTB), Ricardo Leite Ribeiro (PPS), Edimar Gomes Filho (PPS), Emerson Carazzai Fonseca (PRB), Sebastião Angelino Ramos (PTB), Vanildo Felipe Sotero (PP), e a suplente Márcia Cunha (PP).

Apenas os vereadores Sebastião Cristóvão da Silva (PP), Reinaldo Carazzai Filho (PP) e a vereadora do PMDB, Aurora Fumie Doi, não sofreram acusação alguma do MP. A parlamentar peemedebista é contra esse tipo de pagamento aos vereadores e pediu várias vezes em plenário que houvesse um esclarecimento exemplar da Câmara para a população.

Na ação do MP, os promotores públicos afirmam que encontraram na Câmara Municipal de Cornélio Procópio “um complexo esquema de desvios dos recursos públicos, consubstanciado em dispêndios sistemático de diárias a servidores e Vereadores visando ao custeio de fantasiosas viagens”.

Pois na carrada de empecilhos que os vereadores ligados ao prefeito arrumaram para tentar impedir a transparência, como a proibição do acesso do Instituto Ame Cidade a qualquer documento depois que foram levantadas as primeiras suspeitas, houve até ameaça de cassação ao mandato da vereadora Aurora.

O processo partiu de uma ação do Partido Progressista, o conhecido PP, que nunca é demais lembrar que é capitaneado nacionalmente pelo deputado Paulo Maluf, um político procurado pela Interpol e que não pode viajar para fora do país senão será preso em 181 países quando desembarcar. Clique aqui para ver a ficha criminal do chefe pepista na Interpol.

No Paraná, outra figura que simboliza muito bem o PP é o ex-prefeito de Londrina, Antonio Belinati, cassado pela Câmara por corrupção em junho de 2000 e impedido de se candidatar nas últimas eleições por ser ficha-suja. O líder regional do partido na região que engloba Cornélio Procópio é o prefeito Amin Hannouche.

A ação do PP pedindo a cassação de Aurora, a única vereadora que jamais recebeu uma diária de qualquer espécie, foi acatada pelos vereadores do prefeito, que iniciaram uma forte pressão contra a parlamentar. O relator do lamentável processo de cassação foi o vereador Ricardo Leite Ribeiro (PPS), que agora com a conclusão do inquérito do MP sabe-se que foi um dos que mais gastou em diárias em 2009. Em valores atualizados, ele gastou R$ 9.624,19.

Os vereadores ligados ao prefeito tiveram que voltar atrás na ameaça de cassação da vereadora Aurora em razão da repulsa que esta farsa causou na população. Uma cassação feita como o PP queria também não teria vida longa na forma jurídica, pois o que Aurora fez foi emitir uma opinião no exercício do mandato, um direito que a Constituição Brasileira confere ao vereador.


Para barrar a transparência,
a presidência da Câmara
tentou até uma queixa-crime
contra o Instituto Ame Cidade

Outras tentativas de pressão vindas da Câmara foram contra o Instituto Ame Cidade. Entre tantos ataques, inclusive em falas em plenário de alguns vereadores que faziam referências grosseiras e insultuosas, em fevereiro do ano passado a Câmara Municipal entrou na Justiça com uma queixa-crime contra o Instituto Ame Cidade.

A queixa-crime crime foi rejeitada em todas as instâncias, apesar da presidência da Câmara ter pelejado com o processo até em Curitiba, o que não deve ter custado barato para a Casa.

Entre os absurdos criados pela presidência da Câmara este foi um dos mais inusitados. Algo assim pode ser inédito no Paraná, talvez nunca tenha acontecido em outra cidade brasileira, mas, de qualquer modo, um processo desses é uma bizarrice política na inter-relação entre uma Câmara Municipal e a sociedade civil.

Outro estranhamento nesta questão que já traz em si tanta anormalidade foi o fato da queixa-crime ter sido feita por um advogado que não é da Câmara. A Câmara tem um procurador jurídico, o advogado Marcos Amin, que por sinal também é denunciado por gastos de diárias de forma irregular na ação do MP.

No entanto, o advogado da queixa-crime contra o Instituto Ame Cidade foi Antonio Carlos Viana. Resta saber quanto custou seu serviço, já que Vianna é um dos advogados mais bem pagos do Paraná. Ele é advogado do ex-prefeito Antonio Belinati, que, como já dissemos, foi cassado em Londrina pela Câmara por corrupção em junho de 2000. Belinati, que responde a dezenas de processo na Justiça, é amigo bem próximo do prefeito Hannouche.

Vianna também é advogado de Arnoldo Marty Júnior, ex-vice-prefeito de Cornélio Procópio preso pelo Gaeco no final de 2009 e acusado de formação de quadrilha e roubo de máquinas agrícolas. Arnoldo Marty Júnior foi vice do prefeito Amin Hannouche na sua gestão anterior. Na foto acima extraída do site da Prefeitura, Hannouche, à esquerda, abraça o companheiro de gestão.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

As diárias de viagem de vereadores em Cornélio Procópio e a exigência de decência para restaurar a dignidade da Câmara Municipal

INSTITUTO AME CIDADE, 3 de junho de 2011


Os vereadores que dominam a Câmara Municipal de Cornélio Procópio e agem em consórcio com o prefeito Amin Hannouche (PP) para fazer do Legislativo uma mera extensão do poder Executivo, como se fosse uma secretaria municipal menor que apenas atende ordens do prefeito, estão cometendo um lamentável atentado moral a uma instituição essencial para as boas práticas da administração pública.

A Câmara tem hoje nove vereadores e apenas dois não estão sob o mando do prefeito pepista. São Emerson Carazzai Fonseca (PRB) e a vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB), sendo Aurora a parlamentar mais determinante na exigência de que seja restaurada a dignidade do Legislativo procopense.

Na ação do Ministério Público Estadual que trata das diárias irregulares pagas pela Câmara aos vereadores Aurora é a única vereadora que não tem nada a responder à Justiça, pois nunca em sua vida política recebeu diária alguma da Câmara. Ela é contrária à existência desse tipo de pagamento a vereadores.

A ação do Ministério Público foi acatada pela Justiça esta semana e os vereadores deveriam estar dando satisfações para a população sobre esta situação desonrosa em que meteram o Legislativo. No entanto, a bancada do prefeito tem seguido na mesma toada de ataques e tentativa de intimidação contra qualquer um que peça transparência.


Em vez de trabalhar
pela transparência,
vereadores do prefeito
atacam quem pede ética

Em plenário, são grosseiros os ataques contra Aurora, que é uma pessoa conhecida pela cordialidade e a boa educação. Chegaram até ao absurdo de ameaçar cassar seu seu mandato (na imagem, procopenses manifestam apoio à vereadora na galeria da Câmara nessa época). Mas ela não se intimida. Outra qualidade da vereadora reconhecida pelos procopenses é a firmeza de personalidade, que fica muito clara no seu trabalho incontestável para trazer transparência aos negócios públicos em Cornélio Procópio.

No cotidiano do trabalho parlamentar os vereadores barram qualquer tentativa de colher por meio da Câmara informações que possa subsidiar o necessário trabalho de fiscalização do Executivo pelo Legislativo. Até pedidos de informações básicas são barrados em votação pela bancada do prefeito. Nesses dias uma Comissão Especial de Investigação feita por Aurora para investigar notas fiscais suspeitas encontradas na Prefeitura foi negado pelo voto da maioria dos vereadores.

No caso referente à suspeita de irregularidades em diárias de viagens pagas a vereadores, um acontecimento que os procopenses chamam de “Farra das Diárias”, a vereadora sofreu ataques absurdos só porque pediu que a Câmara tivesse transparência neste assunto.

Por pedir transparência aos colegas, Aurora sofreu até ameaça de cassação feita pelo Partido Progressista, o PP de notória fama, que tem como símbolo máximo o deputado Paulo Maluf, um político que não pode viajar para o exterior, pois pode ser preso. Veja imagem ao lado, extraída do site da Interpol e clique aqui para ver a ficha criminal do chefe pepista. Maluf está no nível “difusão vermelha”, instância máxima de alerta da Interpol. Acusado de fraude e roubo, este líder nacional do PP é procurado em 181 países onde será preso se desembarcar.

Tentaram cassar Aurora apenas por ela ter emitido uma opinião no exercício do mandato. O PP entrou na Câmara com o pedido de cassação, que foi acatado pelos vereadores aliados do prefeito Hannouche, que é líder regional do PP e sofre uma ação de improbidade administrativa por parte do Ministério Público. No entanto, os vereadores do prefeito voltaram atrás quando os procopenses se revoltaram com a farsa e talvez até porque a cassação feita dessa forma seria inconstitucional, informação que poderia ser dada por qualquer advogado de porta de cadeia.

Com o andamento da investigação pelo Ministério Público, a vereadora prosseguiu na exigência de atenção ao problema, mas o que se viu da bancada governista foi o desprezo de sempre pela transparência que deveria ser zelada pela Câmara. Esta semana a ação do MP deu entrada na Justiça, que acatou a denúncia.

Numa das últimas sessões da Câmara (que se reúne semanalmente na terça-feira) Aurora trouxe o assunto das diárias novamente ao plenário durante os trabalhos oficiais da instituição.

Na sua fala, a vereadora lamentou que este tipo de pagamento aos vereadores tenha tido continuidade neste ano, apesar da clara manifestação de repúdio da população quando o Instituto Ame Cidade encaminhou ao Ministério Público em 2009 a denúncia de possíveis irregularidades no pagamento de diárias.
O orçamento da Câmara para diárias é de R$ 70 mil reais e nesses quatro meses iniciais de 2011 já foram gastos exatos 40 mil reais, ou mais da metade de todo o orçamento.

“Eu fiquei espantada, pois é um valor absurdo”, disse Aurora aos colegas reunidos em plenário. A vereadora fez também uma interessante conta desses gastos.


Numa conta simples a revelação
de que, em quatro meses, para
cada vereador caberia em diárias
quase um salário inteiro

Como entre os nove vereadores apenas a vereadora Aurora jamais recebeu diária alguma, já que é contra este tipo de gasto, a divisão em oito do gasto desses quatro meses daria uma média de dois mil reais por mês para cada vereador. Os vereadores da Câmara recebem mensalmente R$ 2.900 reais de subsídio.

“Se nós recebemos 2.900 mensais e em diárias pode ser superior a 2 mil reais, então imaginem quanto um vereador ganha nesta casa. E pra mim isso é um tanto quanto imoral”, disse Aurora, explicando também este volume de dinheiro poderia ser muito melhor aplicado. “Não quero citar ninguém, pois não tenho provas disso, só estou comentando as planilhas que me foram apresentadas hoje dos primeiro quatro meses, num gasto mensal em torno de 15.725 reais, um gasto absurdo que poderíamos estar utilizando para outras ações que tivessem abrangência, impacto na sociedade”.

O que a vereadora pede é muito simples. Sendo Cornélio Procópio uma cidade com um orçamento apertado é preciso haver contenção nos gastos e a Câmara deve dar o exemplo, além dos vereadores terem de trabalhar para que os gastos do Executivo sejam aplicados com eficiência. E, claro, cada vereador deveria cumprir seu dever de fiscalizador, para que não aconteçam desvios de dinheiro.


Que cada vereador cumpra
com sua obrigação fiscalizando
o Executivo e exigindo qualidade
na administração pública

A regra é simples e muita clara. Está na Constituição Brasileira. A Câmara Municipal tem função “legislativa e fiscalizadora”. As aspas registram o texto exato da Constituição. A função do vereador também é definida na Constituição de forma exata: “A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo municipal”.

Não é atribuição do vereador sair junto com o prefeito em comitivas de visitas a obras para o uso em propaganda. O que um vereador tem que fazer em relação a uma obra ou qualquer outro tipo de serviço é acompanhar com atenção todo o processo, do projeto a execução. Observando se há lisura na licitação, fiscalizando se de fato estão sendo usados os materiais adequados ou se o serviço está sendo prestado em conformidade com o prometido. E cobrando de Executivo o cumprimento de prazos e a qualidade do serviço.


Vereador tem que fiscalizar,
o resto é justificativa e fuga
dos que se furtam a esta
obrigação essencial do Legislativo

Vereador não é eleito para buscar recursos fora da cidade, pois não tem competência e nem autoridade para isso. Esta é uma função dos deputados estaduais e federais. E até do prefeito. Nesta questão de orçamento, a atribuição de um vereador é tão bem definida que eles não podem, em hipótese alguma, apresentar leis e projetos que impliquem em custos ao Orçamento Municipal.

E é claro que o contribuinte não deve ter o suado dinheiro de impostos para pagar diárias para vereadores freqüentarem cursos muito questionáveis e “congressos” também duvidosos.

Essa história de vereador que “trouxe” esta ou aquela emenda para o Município é um auto-elogio sem nenhuma substância. Pela própria fala de vereadores ligados ao prefeito, também dá a impressão de que eles confundem o cargo com alguma profissão, que exige aprimoramento técnico pago pelo contribuinte.

Na sessão em que a vereadora Aurora pediu a atenção de seus colegas para a necessidade de economizar o dinheiro do contribuinte, um vereador ligado ao prefeito teve liberado o pagamento de três diárias. A justificativa: uma reunião com o secretário do Trabalho, Luiz Claudio Romanelli, e um curso numa empresa de nome Unipública.

O nome Unipública pode criar uma confusão (que nos parece um artifício comercial deliberado) fazendo crer que se trata de uma universidade, mas não é nada disso. A Unipública é uma empresa de assessoria e eventos sediada em apenas duas salas em Curitiba.

Nada contra que alguém busque aperfeiçoar seus conhecimentos, porém, não é correto que uma Câmara Municipal pague para vereador fazer curso algum. O justo é que o vereador que sente essa necessidade de aperfeiçoamento procure instrução às suas próprias custas.

E se uma pessoa quer se preparar para a carreira pública, que o faça antes de ser eleito e evidentemente usando dinheiro do próprio bolso.

A Câmara Municipal não é curso de graduação e muito menos de pós-graduação, até porque nenhum vereador se elege dizendo ao eleitor que vai fazer cursos para ser um bom vereador. Na eleição, o candidato oferece um programa (ou pelo menos deveria ter a obrigação de assim fazer) que pretende realizar se eleito. Ou seja, o vereador já é eleito a partir de qualificações que o eleitor considera relativamente ideais para representá-lo.

Ninguém é eleito para fazer cursos de aprimoramento. Chega a ser cômico se imaginarmos um candidato a vereador prometendo durante a eleição que, se eleito, vai fazer muitos cursos fora da cidade para poder ser um bom vereador. Mas na prática é isso que os vereadores do prefeito fazem.


Para justificar diárias
de viagens vereador
explora até o petróleo de
Dubai, nos Emirados Árabes

Outro exemplo usado pelo vereador para o uso de diárias da Câmara foi uma suposta interferência que vereadores poderiam ter na distribuição dos recursos do petróleo entre os municípios brasileiros. Ele falava de uma viagem feita à Brasília com diárias pagas pelo contribuinte procopense. Sem querer fazer piada, é bom lembrar que Cornélio Procópio está bem distante do mar, onde fica a maioria dos poços de petróleo brasileiros e infelizmente a cidade também não teve descoberta de petróleo em nenhuma de suas belas colinas.

E evidentemente este debate será resolvido no Congresso Nacional e não numa votação em Câmara alguma. Na sua fala, feita de forma óbvia para desviar do assunto das diárias, o vereador trouxe até a informação sobre os benefícios do petróleo para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o oitavo maior produtor mundial de petróleo.


O caminho é o indicado
pela lei maior da nossa
Constituição: o vereador
é eleito para fiscalizar

Conhecimento nunca é demais. Ninguém pode ser contra que vereadores estudem bastante até em cursos fora da cidade, desde que os custos não sejam bancados pelo contribuinte. Mas, em relação ao que deve fazer um bom vereador basta apenas uma leitura que pode ser feita em Cornélio Procópio mesmo. Para que o político compreenda qual é o seu dever e sua responsabilidade a lição bem curta está na Constituição Brasileira, que é muito clara neste assunto.

“A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo municipal”, é isso que a Constituição exige de todo vereador e a maioria da Câmara de Cornélio Procópio não cumpre, pois os vereadores governistas agem de uma forma que desmoraliza o Legislativo municipal, diminuindo um mandato eletivo e independente ao nível de um cargo de confiança do prefeito.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Justiça aceita ação do Ministério Público contra as diárias na Câmara de Cornélio Procópio

INSTITUTO AME CIDADE, 1 de junho de 2011


A Justiça aceitou a ação do Ministério Público Estadual em relação às diárias da Câmara Municipal de Cornélio Procópio. O documento foi protocolado na Vara Cível de Cornélio Procópio que dará prosseguimento ao caso, com a devida responsabilização dos autores dos danos ao patrimônio público.

A apuração das diárias de viagens feitas por vereadores procopenses com gastos pagos pela Câmara vem desde 2009, quando o Instituto Ame Cidade entrou com uma representação junto ao Ministério Público da Comarca de Cornélio Procópio, informando sobre a existência de indício de irregularidades com diárias de alguns vereadores.

A ação do Ministério Público foi desencadeada por esta representação do Instituto Ame Cidade que pedia uma investigação sobre suspeitas de irregularidades nas diárias. Porém, na seqüência das investigações o MP descobriu que o pagamento dessas diárias sequer havia sido regulamentado, o que torna ilegal todas as diárias pagas pela Câmara até agora.

O Instituto Ame Cidade ainda não teve o acesso à ação do Ministério Público, que estaremos divulgando assim que tomarmos conhecimento de todo seu conteúdo.

O que se sabe é que não foi feita pela Câmara a regulamentação da Lei, o que torna irregulares todas as diárias pagas até agora, mesmo as usadas pelos funcionários da Casa. Mas é evidente que não deve pesar sobre os funcionários qualquer condenação por terem utilizado diárias em razão de trabalho cotidiano. Estas diárias entram no processo como uma condição meramente formal.

Entre todos os políticos integrantes da Casa, a única que não está relacionada na ação do MP é a vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB). A vereadora Aurora nunca recebeu diária da Câmara, pois é contra a existência desse tipo de pagamento aos vereadores.

A responsabilidade direta cabe aos vereadores e aos presidentes de duas legislaturas da Câmara, responsáveis por não ter sido feita a regulamentação, o que pode ter ocorrido pela afoiteza em ter de imediato o acesso ao pagamento de diárias de viagens. Mas, com certeza foi um erro crasso de técnica jurídica.

A representação que deu início ao trabalho do MP trazia de início as divergências entre datas de viagens de vereadores com suas presenças em sessões da Câmara. O Instituto Ame Cidade não pôde aprofundar a análise do assunto porque teve fechado o acesso a qualquer documento público da Câmara.

O controle da Câmara de Cornélio Procópio, que tem nove integrantes, hoje é de sete vereadores que obedecem ao comando do prefeito. Só os vereadores Emerson Carazzai Fonseca (PRB) e a vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB) estão fora desse jogo de submissão do Legislativo ao Executivo.

Em paralelo, houve todo um trabalho de pressão sobre o Instituto Ame Cidade e também sobre a única parlamentar que levantou na Câmara o assunto das diárias, a vereadora Aurora. Na pressão entrou até o Partido Progressista, que tem o prefeito Amin Hannouche como seu chefe regional.

O PP entrou com ação na Câmara pedindo a cassação de Aurora. Outro fato político inusitado foi que a Câmara Municipal entrou com uma queixa-crime contra o Instituto Ame Cidade. Em relação à Aurora, os vereadores ligados ao prefeito aceitaram e deram prosseguimento à ação do partido, mas tiveram que voltar atrás depois que os procopenses se revoltaram com a farsa. Quanto à absurda queixa-crime feita pela Câmara contra o Instituto Ame Cidade, a presidência da Casa tentou vários recursos jurídicos, mas perdeu todos, inclusive na capital do estado.

Para buscar evitar o esclarecimento sobre o pagamento das diárias foram tentadas manipulações até mesmo contra o trabalho do Ministério Público.

Na análise que foi possível fazer na relação parcial de documentos cedidos pela Câmara, foram encontradas incompatibilidades entre viagens feitas em dias em que os vereadores que assinavam as notas de despesas pagas estavam em Cornélio Procópio em sessão oficial da Câmara. Essas divergências entre datas, que seria aceitável apenas se o vereador pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo, surgiram em diárias pagas aos vereadores Sebastião Angelino Ramos (PTB), Edimar Gomes Filho (PPS) Vanildo Felipe Sotero (PR), este último vereador é hoje o presidente da Câmara.

Os três vereadores são da bancada do prefeito Amin Hannouche, que exerce um domínio com mão-de-ferro sobre a Câmara. Vanildo Felipe Sotero, o atual presidente da Casa, é também do partido do prefeito, o PP, conhecido nacionalmente pelo envolvimento em escândalos de corrupção e que tem à frente o deputado Paulo Maluf. Maluf hoje está impedido de viajar ao exterior, pois tem a prisão pedida pela Interpol.

Para entender todo o desenvolvimento do caso das diárias, ou a “Farra das Diárias” como o caso ficou conhecido na voz popular, veja um resumo abaixo com o material publicado neste blog do Instituto Ame Cidade. A documentação do caso pode ser acessada aqui.




Instituto Ame Cidade denuncia ao Ministério Público suspeita de irregularidades no pagamento de diárias para vereadores de Cornélio Procópio

Viagens de vereadores de Cornélio Procópio pagas com o dinheiro do contribuinte são excessivas e fora de propósito

Diárias de vereadores causam revolta. Pedidos de viagem eram para reuniões na Assembleia com o deputado Romanelli

No caso das diárias, Câmara Municipal de Cornélio Procópio aceita processo contra vereadora que zela por transparência

Ataques à ética e a transparência vindos de cima e de baixo

Sobre democracia e o respeito à participação da sociedade civil

Além de punir vereadora que pediu transparência, querem aplicar mordaça em ouvintes de rádio

Convenção da ONU contra a corrupção dá razão ao Instituto Ame Cidade e ao trabalho parlamentar da vereadora Aurora

Vereadora que pediu transparência recebe advertência da Câmara Municipal de Cornélio Procópio

Dia mundial de combate à corrupção vem lembrar que na Câmara Municipal de Cornélio Procópio ética é uma palavra que ofende

Ontem, hoje e sempre na defesa da cidadania

Caso das diárias e ameaça à vereadora que pediu transparência são marcas da Câmara Municipal de Cornélio Procópio em 2009



Senadores paranaenses tomam posição no caso Palocci: Álvaro Dias e Requião exigem esclarecimentos, Gleisi Hoffmann trabalha para blindar o ministro

INSTITUTO AME CIDADE, 1 de junho de 2011


Na primeira grande crise do governo de Dilma Rousseff os senadores do Paraná tomaram posição. Álvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB) querem que o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, explique seu impressionante enriquecimento. Já a senadora Gleisi Hoffmann se pôs à frente de uma tropa de choque política para blindar o ministro e ajudá-lo a se safar da crise sem dar satisfações aos brasileiros.

Palocci ganhou 20 milhões de reais nos últimos quatro anos, sendo metade desta fortuna em apenas dois meses e exatamente no período entre a eleição e a posse de Dilma, governo em que durante a campanha já estava claro que ele seria muito poderoso. Além disso, nesse período Palocci fazia parte da equipe de transição de Dilma e tinha poder para acessar dados reservados e planos de investimentos do governo federal.

Entre 2006 e 2010, quando foi deputado federal eleito pelo PT de São Paulo, ele ampliou em 20 vezes seu patrimônio. O jornal Folha de S.Paulo descobriu que o ministro petista comprou um apartamento e um escritório em São paulo no valor de mais de 7 milhões de reais pagos em apenas duas parcelas.

Outra revelação sobre a forma que Palocci juntou tamanha fortuna foi que ele também recebeu R$ 1 milhão para assessorar um processo de fusão de empresas que necessita de aval de órgãos do governo.

O ministro é do apartamento caríssimo descoberto pela Folha, mas na capital paulista mora em outro lugar. A revista Veja desta semana informa que o apartamento onde ele se hospeda fica próximo ao Parque do Ibirapuera e tem 640 metros quadrados e quatro suítes, com valor de mercado de R$ 4 milhões. Procurada pela revista, a assessoria do ministro informou que ele paga aluguel. Como a locação alcança R$ 15 mil mensais e o condomínio e o IPTU somam outros R$ 6,9 mil mensais, a despesa total do ministro com seu apartamento de São Paulo seria de R$ 21,9 mil ao mês. Isso equivale a 83% do salário do ministro.

Palocci está envolvido até em repasses de muito dinheiro para uma Fundação em Ribeirão Preto, cidade onde tem sua base eleitoral. A Fundação tem como vice-presidente uma cunhada do ministro, mulher de seu irmão. Entre 2008 e 2010 a Fundação, que tem a cunhada à frente, recebeu do governo federal R$ 1 milhão.

Do total repassado, R$ 550 mil vieram de convênios cujos recursos foram garantidos por meio de duas emendas apresentadas pelo então deputado federal Antônio Palocci (PT-SP) em 2008 e 2009.

Para os paranaenses, neste escândalo que abalou o governo Dilma e revoltou a população a imagem que deve ficar da senadora Gleisi Hoffmann é a da participação no esquema para blindar Palocci, numa ação contra a transparência e a ética. A senadora petista acredita que a população não merece explicação alguma do ministro que faturou milhões de maneira assombrosa em poucos anos.

Na semana passada os senadores do PT se juntaram ao ex-presidente Lula em um almoço na casa da senadora paranaense e seu marido, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Gleisi e Bernardo fizeram carreira em Londrina, inclusive com cargos importantes no governo de Nedson Micheleti, mas depois mudaram seus domicílios eleitorais para Curitiba.

Com certeza a comilança saiu cara. O buffet contratado para o almoço é o Renata La Porta, o mesmo que fez o banquete do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama

Na saída da reunião liderada por Lula para livrar o ministro de ter de dar qualquer explicação, os senadores e o ex-presidente posaram uma foto histórica desta crise. O objetivo do jantar foi a discussão de meios de proteger o sigilo dos formidáveis ganhos em dinheiro obtidos por Palocci em tão pouco tempo. Apesar da gravidade do caso, na foto todos riem bastante. Espera-se que não seja do contribuinte brasileiro.

Na saída do almoço da articulação para a blindagem de Palocci, Gleisi deu também uma opinião sobre a situação do ministro: “O Palocci está firme no governo”. Os acontecimentos indicam que errou inclusive nisso.

Alvaro propõe CPI, Requião assina, e Gleisi Hoffmann se enfileira na tropa de choque do PT contra a transparência


A Agência Senado distribuiu a foto feita ontem do momento em que o senador Roberto Requião (PMDB) assinava o requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado para investigar as denúncias de irregularidades no fantástico enriquecimento do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. O senador Alvaro Dias foi quem levou o requerimento da CPI para o colega do Paraná assinar.

Dessa forma, os dois senadores paranaenses se posicionam pela transparência no caso Palocci. Já a senadora Gleisi Hoffmann está em outra foto (veja e leia acima), batalhando na organização da tropa de choque criada pelos senadores petistas para blindar o ministro Palocci para que ele não precise dar explicações aos brasileiros sobre seu impressionante enriquecimento em pouquíssimo tempo.





segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cornélio Procópio, a cidade do prefeito licenciado que não deixa o vice assumir de fato o cargo de prefeito

INSTITUTO AME CIDADE, 30 de maio de 2011


Cornélio Procópio assiste atualmente a uma situação muito esquisita que é a repetição do que já aconteceu em 2009. Naquele ano, no mês de outubro, o prefeito Amin Hannouche (PP) se licenciou e passou o cargo para o vice-prefeito, o petista João Carlos Lima. O mesmo aconteceu no mês passado. Hoje o vice João Carlos Lima está no exercício do cargo de prefeito pela segunda vez.

Mas, o que acontece de esquisito é que o prefeito licenciado não sai de cena. Desta vez sua alegação para a licença de 60 dias foi a necessidade de fazer um tratamento de saúde. No entanto, Hannouche continua dando ordens na prefeitura, participando de eventos oficiais, e falando a imprensa como se nunca tivesse saído do cargo.

Nem se pode falar em duplicidade de comando, pois o prefeito que se licenciou não procura nem manter a aparência de que legalmente o prefeito da cidade é o petista João Carlos Lima. Num evento ocorrido há três dias e tratado de forma oficial no site da Prefeitura, por exemplo, Lima nem esteve presente.

O departamento de imprensa e propaganda da Prefeitura distribuiu quatro fotos. Em duas está o prefeito licenciado. O prefeito em exercício não aparece em nenhuma imagem e nem poderia aparecer, pois a assessoria de imprensa e propaganda parece fazer questão de deixar claro quem é o chefe.

Leiam o trecho inicial do texto de divulgação. Os grifos são nossos: “Ultimando os preparativos para a inauguração do Centro, o Pastor Sindulfo Costa Filho, do Instituto Superar, recebeu uma equipe de assessores da prefeitura e vereadores, liderada pelo prefeito licenciado de Cornélio Procópio, Amin Hannouche, na manhã de sexta-feira (20) e aproveitou para agradecer a confiança do prefeito em seu trabalho”.

Isso tem sido usual desde que João Carlos Lima assumiu o cargo no mês passado. Hannouche mantém-se à frente de tudo, inclusive ordenando como os eventos devem ser divulgados pela assessoria ou, como diz o release da assessoria, “liderando” os assessores da prefeitura.

Cada um escolhe as companhias que quer, mas essa forma de agir é até um desrespeito pessoal ao companheiro de administração. É o tipo de circunstância que faz voltar também toda uma situação de pesar que os procopenses acabam sentindo com relação ao constrangimento público do vice.

Hannouche trata o cargo de vice-prefeito como se fosse um cargo de confiança do prefeito e não é nada disso o que reza inclusive a Constituição Brasileira. O vice tem um mandato eletivo e não tem o prefeito como chefe. O prefeito, aliás, pela lei não exerce nenhum poder sobre o vice. O mandato de ambos termina no mesmo dia e mesmo que haja discordâncias graves entre os dois, o vice não pode ser demitido como o prefeito pode fazer com qualquer cargo de confiança.

E é claro que, por lei, enquanto estiver no cargo o prefeito por direito é João Carlos Lima e não Hannouche. Tanto isso é verdade que numa das ocasiões criadas por Hannouche para aparecer na imprensa e numa rara situação em que o prefeito em exercício esteve presente quem teve que assinar o documento oficial foi Lima.

O que faz os procopenses se lembrarem da outra licença tirada pelo prefeito em 2009, na primeira vez que o vice assumiu a Prefeitura. Na época, Hannouche também andava pela cidade dando ordens em assuntos da Prefeitura e falando à imprensa como se, ao menos de direito, não houvesse um prefeito em exercício na cidade.

E naquela vez em que ele esteve licenciado ocorreu um fato deveras interessante e que, por suas conseqüências, pode servir de alerta para que o prefeito em exercício tome bastante cuidado com o que assina.

Naquele período, Hannouche também se intrometeu em tudo quando é assunto dos quais deveria se distanciar, ao menos em respeito pessoal pelo prefeito em exercício. Mas ele fazia do mesmo jeito que faz agora.

Porém, quando foi para assinar o contrato sem licitação com a empresa Ibrama, ele deixou a tarefa para o prefeito em exercício, João Carlos Lima. O que se seguiu os procopenses já sabem. A contratação sem licitação da Ibrama era ilegal. Tanto que assim que o Instituto Ame Cidade demonstrou sua discordância o prefeito voltou atrás e desfez o negócio.

O Instituto Ame Cidade apresentou uma denúncia ao Ministério Público Estadual, que entrou com uma Ação Civil Pública contra o prefeito e seu vice, além de outras três pessoas. Além da acusação de improbidade moral, na ação o MP pede também o ressarcimento a Cornélio Procópio por danos morais cometido pelos acusados contra a cidade.

E o prefeito em exercício João Carlos Lima é um dos acusados exatamente por ter assinado a contratação. Lima não governou e teve que suportar o constrangimento de ver sua autoridade desrespeitada o tempo todo em que esteve no cargo de prefeito. E no final ainda ficou com este pepino.

Moinho Pacífico se instalará em Cornélio Procópio quando o Brasil estiver bem em"questões econômicas, políticas e tributárias"

INSTITUTO AME CIDADE, 30 de maio de 2011

Foi em um evento com a presença do diretor da empresa Moinho Pacífico que o prefeito em exercício João Carlos Lima teve que assinar um documento oficial — pois afinal ele é o prefeito da cidade, mesmo que o prefeito licenciado Amin Hannouche não reconheça isso de fato em público. Na foto ao lado, os três (Hara, Lima e Amin Hannouche).

A reunião com Roberto Hara, diretor do Moinho Pacífico, foi para a assinatura de uma minuta de contrato de permuta de um terreno entre a empresa e a Prefeitura. E o próprio release da assessoria de imprensa e propaganda da Prefeitura deixou escapar o que os procopenses já suspeitam de há muito: o Moinho Pacífico não virá para Cornélio Procópio.

Hara disse que a instalação da empresa na cidade seria “uma questão de tempo”, mas a justificativa que deu para a empresa não ter vindo até agora deixa claro que até o final do mandato de Hannouche isso não acontecerá.

O diretor da empresa afirmou que a instalação não aconteceu até agora “em função de questões econômicas, políticas e tributárias".

Aqui cabe bem o ditado que diz que meia palavra é suficiente para um bom entendedor. Se até agora o Moinho Pacífico não se instalou em Cornélio Procópio em razão de “questões econômicas” dificilmente isso poderá ocorrer pelo menos até o final do ano que vem, um período que até economistas do PT confirmam que, no mínimo, será de muitas incertezas.

Além do mais, uma empresa da dimensão do Moinho Pacífico não tem possibilidade de tomar uma decisão de tal importância em questão de meses. Que ninguém se engane: o talvez do diretor do Moinho Pacífico é uma maneira diplomática de dizer não.

A instalação dessa empresa na cidade foi uma promessa de campanha de Hannouche e evidentemente puxou muitos votos para ele. Lembramos isso somente porque foi o próprio Hannouche que trouxe o fato de volta, ele que não desce do palanque há pelo menos sete anos.


Logo que foi reeleito, o prefeito recebeu o mesmo Roberto Hara que, segundo a assessoria de imprensa e propaganda de Hannouche, “veio para cumprimentá-lo pela vitória nas urnas”. Isso foi em outubro de 2008 e Hannouche estava acompanhado por Arnoldo Marty Júnior, seu vice que então era o prefeito em exercício. Marty Júnior foi posteriormente acusado de roubo de trator e preso pelo Gaeco. Veja os três (Hannouche, Hara e Marty Júnior) na foto ao lado.

Nesta reunião de 2008 Hannouche disse o seguinte: “É a prova de que não estávamos mentindo, como insinuaram nossos adversários na campanha. A instalação da indústria aqui é só uma questão de tempo”.

Pelo visto, quase três anos depois a definição da vinda também é “uma questão de tempo”, como o assunto foi tratado pelo diretor Hara na semana passada. O representante do Moinho Pacífico justificou a demora alegando “questões econômicas, políticas e tributárias”.

Hara sabe do que está falando. Em reportagem do jornal Valor Econômico há menos de duas semanas o próprio dono e presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih, definiu o ano de 2010 de forma bem forte: “foi medíocre”, ele disse. O setor está com sérios problemas com a alta dos preços internacionais do trigo no mercado internacional, sem ter como repassar toda alta ao valor do produto final, a farinha de trigo. Além do moinho, os negócios do grupo Moinho Pacífico também se estendem ao setor imobiliário.

Mas, voltando às promessas de campanha, já que o prefeito trouxe de volta o assunto, nesta reunião em outubro de 2008 anunciaram que a previsão era que no ano seguinte (ou seja, já em 2009) começaria a construção da unidade da empresa em Cornélio Procópio.


Acertem ao menos
o nome dos parceiros
que pretendem conquistar

Uma ajuda aos assessores de imprensa e propaganda do prefeito Amin Hannouche (PP). Tentem ao menos grafar direito o nome de parceiros de quem o prefeito precisa tanto. É até uma questão de dever profissional, mas no aspecto político também pode ser um atrapalho escrever errado o nome de empresários tão conhecidos como o dono e presidente do Moinho Pacífico.

O nome de Lawrence Pih foi trazido também pelo prefeito Hannouche, em outra retórica de palanque. Só que os negociadores tem dificuldade para escrever direito o nome do empresário. O certo é Lawrence Pih, como escrevemos aqui no blog do Instituto Ame Cidade, e não "Lawrence Pee", como escrevem no site da Prefeitura.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A corrupção está acabando com os municípios brasileiros

INSTITUTO AME CIDADE, 27 de maio de 2011

O jornal O Globo publicou anteontem um editorial que faz uma análise de um fenômeno da maior gravidade que ocorre em atualmente em nosso país e que merece a atenção de quem acredita que a honestidade é que deve ser o guia essencial da administração pública no Brasil.

O editorial já revela no título esta questão: “A municipalização da corrupção”. Publicamos o editorial de O Globo em nosso clipping no mesmo dia em que ele saiu.

O texto do jornal alerta que hoje em dia a corrupção parece constituir uma epidemia nos municípios brasileiros e isso é um fato que está à nossa frente todos os dias. Na busca de notícias referentes à administração pública para o nosso clipping, encontramos em todo o território nacional uma porção de notícias referentes à corrupção municipal.

Por uma questão de espaço temos que nos concentrar nos fatos mais importantes e por isso somos forçados a deixar de lado muitas dessas notícias de lado, porém, mesmo assim publicamos uma grande quantidade delas. No clipping imediatamente abaixo podemos ver cinco desses assuntos desonrosos.

Uma notícia trata de denúncia de corrupção que envolve diretamente o prefeito de Londrina, outra é sobre a corrupção na Saúde da mesma cidade, já outra é sobre a prisão do vice-prefeito de Campinas, mais uma é sobre o processo de cassação do prefeito da cidade paranaense de Campo Magro e, finalmente, temos uma notícia sobre um ex-prefeito de Bauru que foi preso pela terceira vez.

A corrupção nos municípios afeta setores fundamentais para a vida da população, colocando em risco até sua integridade física. A corrupção em Londrina, por exemplo, inclui desvios na área da segurança, afetando a recém-instalada Guarda Municipal, e também na Saúde.

As empresas terceirizadas flagradas em corrupção pelo MP estavam com a responsabilidade inclusive do combate à dengue no município. E em vez de combater o mosquito e atuar na prevenção dessa perigosa doença, os responsáveis por este encargo repassado pela Prefeitura desviavam dinheiro público.

Hoje Londrina é a primeira cidade do estado na proliferação da dengue. Cornélio Procópio é a segunda.

O nível de criminalidade nos municípios brasileiros chega a ser assustador. Na raiz da corrupção que envolve altos dirigentes do PT e levou dezenas deles ao papel de réus no inquérito do mensalão que está no STF está o assassinato de um amigo íntimo do ex-presidente Lula, o ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel.

Cornélio Procópio teve até um vice-prefeito acusado de roubo de trator e preso pelo Grupo de Atuação de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco. Arnoldo Marty Júnior foi vice do atual prefeito Amin Hannouche (PP) na gestão passada e também foi seu secretário de Saúde, além de ter ocupado o cargo de prefeito por longo período.

O próprio Amin Hannouche sofre uma ação civil pública do Ministério Público por improbidade administrativa. O MP pede também uma indenização moral ao município. Junto com Hannouche, são acusados o procurador da Prefeitura, Alfredo José de Carvalho Filho, e Cláudio Roberto Nunes Golgo, advogado responsável pela Ibrama, empresa contratada pelo Município sem licitação. Responde também a ação o atual vice-prefeito, João Carlos Lima — que atualmente é o prefeito em exercício.


Corrupção destrói o
patrimônio público e impede
que as cidades sejam beneficiadas
pelo imposto que todos pagam

Na análise que faz da corrupção, o jornal carioca se concentra na questão do desvio do dinheiro. Mas nós, do Instituto Ame Cidade, sabemos por experiência que a municipalização da corrupção está destruindo a estrutura administrativa no Brasil pela base, que são as cidades brasileiras. Os municípios podem ser a raiz de muitos avanços para a Nação. Com a corrupção, puxam o Brasil para trás.

O exemplo de Londrina, onde uma epidemia de dengue avança já com muitas mortes, mostra o perigo que traz a corrupção. Empresas foram contratadas e pagas para trabalhar na Saúde, inclusive no combate á dengue. É claro que quem está ocupado em desviar o dinheiro público não vai usar as verbas para fazer um serviço bem feito, competente e honesto, criando estruturas administrativas sólidas. Corrupção só pode dar no que deu: o avanço da dengue e a precarização ainda maior da Saúde.

A corrupção nos municípios tem contribuído para destruir o patrimônio público construído em décadas. Além disso, essa distribuição ilícita do dinheiro do contribuinte para empresas não-capacitadas afasta o empresário honesto, que poderia prestar serviços de qualidade. E o dinheiro dos impostos que deveria fortalecer as economias locais vai para os bolsos de criminosos.

Com o tempo foi-se criando uma situação de incapacidade técnica e falta de tecnologia em todos os setores, com as prefeituras perdendo a infra-estrutura que já existia e deixando de construir novas estruturas.

A corrupção também age nos municípios como destruidora da democracia, na medida que desmoraliza a atividade política, que é o meio de organizar, fiscalizar e acompanhar a administração pública em um Estado democrático.


Quando a imprensa e o
legislativo municipal não
são independentes
a corrupção avança


O editorial de O Globo destaca que o governo federal tem um alto nível de exposição do governo federal e isso o deixa mais vulnerável à necessária vigilância da sociedade, seja por organizações não governamentais, partidos políticos de oposição e a própria imprensa profissional, independente, no que concordamos.

Mas só que o mesmo não ocorre nos municípios. E esta é a única ressalva que temos ao editorial, que no restante é irretocável.

Na maioria dos municípios brasileiros o Executivo tem exercido um peso enorme no encobrimento da corrupção e para isso concorrem inclusive deputados, senadores e ministros, que agem em conjunto com prefeitos e vereadores para impedir que haja transparência e ajudam — ou chefiam em muitos casos — até na pressão sobre a sociedade civil para impedir que haja qualquer fiscalização sobre as prefeituras.

Deputados e ministros agem inclusive usando verbas federais, que permitem aos prefeitos mascarar com obras propagandísticas o que fazem às escondidas.
Nos municípios também é bem menor a atuação independente da imprensa. Jornais, rádios e televisões trabalham geralmente em conformidade com a vontade de prefeitos. São raros os que escapam dessa submissão. A maioria tem o silêncio comprado por verbas publicitárias ou até pela propina.

Na cidade de Londrina, por exemplo, durante o combate à corrupção na cidade, que foi especialmente ativo no final da década de 90, o movimento “Pé Vermelho! Mãos Limpas!” tinha mínimos espaços na imprensa local. Em alguns veículos não só não davam nenhuma notícia sobre o trabalho do movimento, como divulgavam o tempo todo notícias favoráveis ao então prefeito Antonio Belinati (PP), que acabou sendo cassado por corrupção em junho de 2000.

É claro que a imposição deste silêncio vinha da Prefeitura, onde o então prefeito Belinati (que, aliás, é amigo próximo do prefeito de Cornélio Procópio) agia para tapar a boca da imprensa. Na investigação feita pelo Ministério Público descobriu-se depois até cheques da prefeitura na conta do diretor de jornalismo em Londrina da então TV Coroados (hoje RPC) e que levou à Rede Globo a intervir no Paraná demitindo Marcos Batista, diretor estadual de jornalismo, e Milton Cassitas, o diretor local que teve o cheque de pagamento descoberto pelo MP.


Na cidade de Cornélio
Procópio só um
veículo não tem a voz
comandada pelo prefeito


Em Cornélio Procópio apenas um veículo de comunicação não obedece ao mando do prefeito. É a Rádio Cornélio, que busca fazer um jornalismo independente e isento. Com isso, esta rádio acabou ganhando a maior audiência na cidade, além de hoje ser a única que tem credibilidade junto à população.


Na Câmara Municipal
a maioria dos vereadores
não cumpre seu dever e só
faz o que o prefeito manda


Outra instituição que não cumpre com o objetivo essencial de sua existência é o Poder Legislativo dos municípios. Em Cornélio Procópio a situação já chegou ao nível do acinte, pois os vereadores ligados ao prefeito Amin Hannouche (PP) agem deliberadamente para evitar qualquer fiscalização sobre o executivo.

Hannouche comanda com mão-de-ferro a maioria dos vereadores procopenses. A Câmara da cidade virou um braço a mais do Executivo, como se fosse uma secretaria menor que apenas atende ordens do prefeito.

São nove os vereadores da cidade e apenas dois deles divergem dessa falta de atenção ao dever principal da Câmara, tão essencial que está inscrito até na Constituição Brasileira: o de fiscalizar. Esses dois são Emerson Carazzai Fonseca (PRB) e a vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB).

Os vereadores que não dão um passo sem que o prefeito ordene para onde suas pernas devem ir são: Vanildo Felipe Sotero (PP), Reinaldo Carazzai Filho (PP), Helvécio Alves Badaró (PTB), Sebastião Angelino Ramos (PTB), Sebastião Cristóvão da Silva (PP), Edimar Gomes Filho (PPS), Ricardo Leite Ribeiro (PPS).

Em relação à ética e a transparência, a bancada dominada pelo prefeito age apenas no sentido de atacar e tentar intimidar os que exigem que a Câmara cumpra seu papel constitucional. E toda a bancada governista se furta ao dever escrito na Constituição Brasileira.


Até vereadores do PPS,
partido que no plano
nacional atua pela ética,
agem contra a transparência


E é especialmente estranho que dois vereadores do PPS (Edimar Gomes Filho e Ricardo Leite Ribeiro) atuem no município em flagrante oposição às determinações de seu partido no plano nacional, que tem feito um produtivo trabalho de fiscalização, tendo a frente o deputado paranaense Rubens Bueno, presidente estadual do partido e integrante do diretório nacional, e o presidente nacional, Roberto Freire, de participação histórica nas lutas pelo estabelecimento do respeito à moralidade pública no país.

O vereador Edimar Gomes Filho inclusive é um dos implicados no caso das diárias pagas pela Câmara em que o Instituto Ame Cidade encontrou incorreções como viagens pagas em datas em que vereadores participaram de reuniões oficiais da Câmara. Os procopenses acabaram dando o nome ao caso de "Farra das Diárias". O assunto foi encaminhado pelo Instituto Ame Cidade ao Ministério Público e está sob investigação.

Em Cornélio Procópio esses vereadores agem em contradição com o que vem fazendo o PPS historicamente desde sua criação, o que pode trazer problemas bem graves para a imagem do partido.


Na luta pela transparência
e pela ética batalham
organizações como o
Instituto Ame Cidade


O que resta então no combate à corrupção em muitos municípios brasileiros é a atuação do Ministério Público e de organizações não governamentais. Cornélio Procópio ainda conta com um veículo de imprensa que trabalha com independência, que é a Rádio Cornélio, noutros municípios não existe nenhum. E como a proliferação da corrupção nos municípios deixa o MP assoberbado de trabalho, em Cornélio Procópio é o Instituto Ame Cidade que acaba tomando para si esta fiscalização.

O Ministério Público tem atuado de forma exemplar e seus integrantes têm feito muito para punir e conter a roubalheira que se instalou nas cidades brasileiras. O que se sabe é que eles têm trabalho demais, o que dá para se ver pelo noticiário diário. E cidades como Cornélio Procópio acabam ficando desguardadas de um olhar mais atento da Justiça.

As notícias têm vindo de muitas cidades paranaenses, como é o caso de Londrina, onde na administração do prefeito Barbosa Neto (PDT) surge a todo o momento escândalos de corrupção depois de levantadas pelo Ministério Público, com prisões feitas pelo Gaeco.

Esta sobrecarga de trabalho sobre o MP e o Gaeco é causada em boa parte pela ineficiência de duas instituições essenciais no combate à corrupção e o zelo pela ética e a transparência, sobre as quais já falamos. Os prefeitos compram e silenciam a imprensa. E as Câmaras de Vereadores acabam se aliando ao Executivo em troca de favores e até de propinas.

Observem que a descoberta de ilegalidades na região parte quase sempre do Ministério Público. Nunca saem das Câmaras Municipais, que tem o dever constitucional de fiscalizar. E a imprensa do interior falha muito na cobertura jornalística das nossas prefeituras.

Ao contrário da chamada imprensa nacional com seus veículos concentrados no Rio ou em São Paulo, os jornalistas desta vasta região que vai de Cornélio à Maringá, pouco se ocupam de assuntos relacionados com a ética e transparência. A roubalheira só entra em pauta depois do MP agir. Nas redações parece não haver interesse na investigação jornalística de gastos de prefeituras. E evidentemente nenhuma descoberta de ilícito vem a público antes que o MP se ocupe do fato ou que alguma organização como o Instituto Ame Cidade toque no assunto.