domingo, 7 de março de 2010

A casa caiu

O Ministério Público quebra sigilo da Bancoop e descobre que dirigentes da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo lesaram milhares de associados, para montar um esquema de desvio de dinheiro que abasteceu a campanha de Lula em 2002 e encheu os bolsos de dirigentes do PT. Eles sacaram ao menos 31 milhões de reais na boca do caixa



REVISTA VEJA, edição 2155 - 6 de março de 2010


Depois de quase três anos de investigação, o Ministério Público de São Paulo finalmente conseguiu pôr as mãos na caixa-preta que promete desvendar um dos mais espantosos esquemas de desvio de dinheiro perpetrados pelo núcleo duro do Partido dos Trabalhadores: o esquema Bancoop.

Desde 2005, a sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo virou um pesadelo para milhares de associados. Criada com a promessa de entregar imóveis 40% mais baratos que os de mercado, ela deixou, no lugar dos apartamentos, um rastro de escombros.

Pelo menos 400 famílias movem processos contra a cooperativa, alegando que, mesmo tendo quitado o valor integral dos imóveis, não só deixaram de recebê-los como passaram a ver as prestações se multiplicar a ponto de levá-las à ruína. Agora, começa-se a entender por quê.

Na semana passada, chegaram às mãos do promotor José Carlos Blat mais de 8 000 páginas de registros de transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008.

O que elas revelam é que, nas mãos de dirigentes petistas, a cooperativa se transformou num manancial de dinheiro destinado a encher os bolsos de seus diretores e a abastecer campanhas eleitorais do partido.

"A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002."

Na sexta-feira, o promotor pediu à Justiça o bloqueio das contas da Bancoop e a quebra de sigilo bancário daquele que ele considera ser o principal responsável pelo esquema de desvio de dinheiro da cooperativa, seu ex-diretor financeiro e ex-presidente João Vaccari Neto (na foto acima).

Vaccari acaba de ser nomeado o novo tesoureiro do PT e, como tal, deve cuidar das finanças da campanha eleitoral de Dilma Rousseff à Presidência.

Um dos dados mais estarrecedores que emergem dos extratos bancários analisados pelo MP é o milionário volume de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma ou para seu banco: 31 milhões de reais só na pequena amostragem analisada.

O uso de cheques como esses é uma estratégia comum nos casos em que não se quer revelar o destino do dinheiro. Até agora, o MP conseguiu esquadrinhar um terço das ordens de pagamento do lote de trinta volumes recebidos.

Metade desses documentos obedecia ao padrão destinado a permitir saques anônimos. Já outros cheques encontrados, totalizando 10 milhões de reais e compreendidos no período de 2003 a 2005, tiveram destino bem explícito: o bolso de quatro dirigentes da cooperativa, o ex-presidente Luiz Eduardo Malheiro e os ex-diretores Alessandro Robson Bernardino, Marcelo Rinaldo e Tomas Edson Botelho Fraga – os três primeiros mortos em um acidente de carro em 2004 em Petrolina (PE).

Eles eram donos da Germany Empreiteira, cujo único cliente conhecido era a própria Bancoop. Segundo o engenheiro Ricardo Luiz do Carmo, que foi responsável por todas as construções da cooperativa, as notas emitidas pela Germany para a Bancoop eram superfaturadas em 20%.

A favor da empreiteira, no entanto, pode-se dizer que ela ao menos existia de fato. De acordo com a mesma testemunha, não era o caso da empresa de "consultoria contábil" Mizu, por exemplo, pertencente aos mesmos dirigentes da Bancoop e em cuja contabilidade o MP encontrou, até o momento, seis saídas de dinheiro referentes ao ano de 2002 com a rubrica "doação PT", no valor total de 43 200 reais. Até setembro do ano passado, a lei não autorizava cooperativas a fazer doações eleitorais.

Outro frequente agraciado com cheques da Bancoop tornou-se nacionalmente conhecido na esteira de um dos últimos escândalos que envolveram o partido.

Freud "Aloprado" Godoy – ex-segurança das campanhas do presidente Lula, homem "da cozinha" do PT e um dos pivôs do caso da compra do falso dossiê contra tucanos na campanha de 2006 – recebeu, por meio da empresa que dirigia até o ano passado, onze cheques totalizando 1,5 milhão de reais, datados entre 2005 e 2006.

Nesse período, a Caso Sistemas de Segurança, nome da sua empresa, funcionava no número 89 da Rua Alberto Frediani, em Santana do Parnaíba, segundo registro da Junta Comercial.

Vizinhos dizem que, além da placa com o nome da firma, nada indicava que houvesse qualquer atividade por lá. O único funcionário visível da Caso era um rapaz que vinha semanalmente recolher as correspondências num carro popular azul. Hoje, a Caso se transferiu para uma casa no município de Santo André, na região do ABC.

Depoimentos colhidos pelo MP ao longo dos últimos dois anos já atestavam que o dinheiro da Bancoop havia servido para abastecer a campanha petista de 2002 que levou Lula à Presidência da República .

VEJA ouviu uma das testemunhas, Andy Roberto, que trabalhou como segurança da Bancoop e de Luiz Malheiro entre 2001 e 2005.

Em depoimento ao MP, Roberto afirmou que Malheiro, o ex-presidente morto da Bancoop, entregava envelopes de dinheiro diretamente a Vaccari, então presidente do Sindicato dos Bancários e indicado como o responsável pelo recolhimento da caixinha de campanha de Lula.

Em entrevista a VEJA, Roberto não repetiu a afirmação categoricamente, mas disse estar convicto de que isso ocorria e relatou como, mesmo depois da eleição de Lula, entre 2003 e 2004, quantias semanais de dinheiro continuaram saindo de uma agência Bradesco do Viaduto do Chá, centro de São Paulo, supostamente para o Sindicato dos Bancários, então presidido por Vaccari.

"A gente ia no banco e buscava pacotes, duas pessoas escoltando uma terceira." Os pacotes, afirmou, eram entregues à secretária de Luiz Malheiro, que os entregava ao chefe. "Quando essas operações aconteciam, com certeza, em algum horário daquele dia, o Malheiro ia até o Sindicato dos Bancários. Ou, então, se encontrava com o Vaccari em algum lugar."

Os depoimentos colhidos pelo MP indicam que o esquema de desvio de dinheiro da Bancoop obedeceu a uma trajetória que já se tornou um clássico petista.

Começou para abastecer campanhas eleitorais do partido e acabou servindo para atender a interesses particulares de petistas. Entre os cheques em poder do MP, por exemplo, está um em que a empresa Mizu, de "consultoria contábil", doa 7 000 reais a um certo Centro Espírita Redenção, em 2003.

Muitas vezes, dirigentes da Bancoop nem se preocuparam em usar as empresas "prestadoras de serviços" que montaram com o objetivo de sugar a cooperativa para esconder sua ganância.

O MP encontrou quatro cheques da Bancoop, totalizando 35 000 reais, para uma ONG de Luiz Malheiro em São Vicente dedicada a deficientes auditivos – curiosamente, o mesmo endereço do centro espírita. Os cheques foram emitidos entre novembro de 2003 e março de 2005.

Tanta lambança, aliada a uma gestão ruinosa, fez com que a Bancoop mergulhasse num estado de pré-liquidação. Em 2004, com Lula já eleito, Luiz Malheiro foi pedir ao "chefe" Berzoini, então ministro do Trabalho, "ajuda" para reerguer a cooperativa.

Quem relatou o episódio ao MP foi seu irmão, Hélio Malheiro. Em 2008, dizendo-se sob ameaça de morte, Hélio Malheiro ingressou no Programa de Proteção à Testemunhas da secretaria estadual de justiça de São Paulo, no qual se encontra até hoje.

Em dezembro de 2004, depois que Luiz Malheiro já havia morrido, a "ajuda" chegou à Bancoop. Com apoio de Berzoini e corretagem da Planner (investigada pela CPI dos Correios sob a acusação de ter causado um prejuízo de 4 milhões de reais ao fundo de pensão da Serpro), a cooperativa associou-se a um Fundo de Investimentos em Direito Creditórios (FIDC), entidade que negocia recebíveis, e captou 43 milhões de reais no mercado – 85% dos papéis foram adquiridos por fundos de pensão de estatais controlados por petistas ligados ao grupo de Berzoini e Vaccari.

O investimento resultou na abertura de um inquérito pela Polícia Federal por suspeita de que os fundos de pensão teriam sido prejudicados para favorecer a Bancoop.

João Vaccari Neto é do tipo que se orgulha de ser chamado de "um petista histórico", o que, no jargão do partido, significa, entre outras coisas, que ganhou boa parte da vida dirigindo entidades de classe e do partido. Aos 19 anos, começou a trabalhar como escriturário do Banespa.

Ficou lá apenas dois anos. Depois disso, entrou no sindicato de sua categoria e nunca mais pegou no pesado. Participou de três diretorias da Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi secretário de relações internacionais da entidade e presidiu o Dieese.

Atuou sempre como braço de apoio de Berzoini, a quem sucedeu na presidência do Sindicato dos Bancários de São Paulo em 1998. Apesar de não ter a projeção política do amigo, Vaccari conquistou a amizade de Lula, coisa que Berzoini jamais conseguiu obter.

Vaccari, como mostra agora a investigação do MP, tem mais em comum com seu antecessor, Delúbio Soares, do que a barba grisalha. E, como Freud Godoy, está mergulhado até os últimos e ralos fios de cabelo no escândalo dos aloprados.

Há duas semanas, um juiz de primeira instância contrariou decisão do Tribunal Superior Eleitoral e determinou a cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, por suposto recebimento ilegal de doação de campanha.

A sentença, que colocou em risco a segurança jurídica, foi suspensa. Na semana passada, o TSE divulgou as regras que vão orientar as eleições deste ano.

São medidas moralizadoras, que incluem a obrigatoriedade da divulgação de quaisquer processos ou acusações criminais que pesem sobre o candidato e que dificultam manobras de doadores que tenham por finalidade esconder a origem do dinheiro.

Tudo isso mostra quanto o país está interessado em aprimorar seu sistema de financiamento eleitoral e proteger-se dos efeitos tão deletérios como conhecidos que sua distorção pode causar.

Ao indicar pessoalmente alguém com o prontuário de João Vaccari para tomar conta das finanças do PT e da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o presidente Lula sinaliza que, ao contrário do resto do Brasil, não está nem um pouco empenhado em colaborar na faxina.

VEJA TAMBÉM
Quadro: O esquema Bancoop



Uma pergunta que continua no ar

Quem deu o dinheiro para o dossiê dos aloprados? Entre os envolvidos, Vaccari era o único sentado numa montanha de reais

João Vaccari Neto e Freud Godoy, envolvidos agora no esquema Bancoop, já atuaram juntos em passado recente. Pelo menos é o que sugere o registro dos telefonemas trocados pela dupla às vésperas do estouro do escândalo dos "aloprados" – como ficaram conhecidos os petistas apontados pela Polícia Federal como integrantes da quadrilha que tentou comprar um dossiê supostamente comprometedor para tucanos durante a campanha presidencial de 2006.

No caso de Vaccari, então presidente da Bancoop, os vestígios de participação no caso guardam cheiro de tinta fresca. Foi para ele que Hamilton Lacerda – na ocasião coordenador de comunicação da campanha do senador Aloizio Mercadante – telefonou uma hora antes de fazer a entrega de parte do 1,7 milhão de reais que seria usado para comprar o dossiê.

O episódio teve início quando a família de Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas, ofereceu a petistas documentos que supostamente comprometeriam tucanos. Deles, faria parte uma entrevista em que os Vedoin acusariam o candidato do PSDB, José Serra, de envolvimento na máfia que distribuía dinheiro a políticos em troca de emendas ao Orçamento para compras de ambulância.

Ricardo Berzoini, então presidente do PT, foi acusado de ter dado a autorização para a compra do dossiê. Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso, e Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-policial federal, seriam os encarregados de pagar os Vedoin com o dinheiro levado por Hamilton Lacerda.

Valdebran e Gedimar foram presos pela PF num hotel Íbis, em São Paulo, depois de terem recebido o dinheiro de Lacerda e antes de entregá-lo aos Vedoin.

Jorge Lorenzetti, churrasqueiro do presidente Lula, e Oswaldo Bargas, ex-secretário de Berzoini no Ministério do Trabalho, também estiveram envolvidos no episódio. Eles tentaram negociar com a revista Época uma entrevista em que os Vedoin fariam falsas acusações de corrupção contra Serra. A entrevista acabou sendo publicada pela revista Istoé.

Nas investigações que se seguiram à prisão de Valdebran e Gedimar, a PF identificou uma intensa troca de telefonemas entre os envolvidos, incluindo diversas ligações de Berzoini para a empresa Caso Sistemas de Segurança, hoje em nome da mulher de Freud Godoy.

Godoy seria o contato de Gedimar no alto escalão do PT. Quanto a Vaccari, bem, até onde se sabe, era o único dos aloprados que estava sentado sobre uma montanha de dinheiro, a Bancoop.

O fato de Hamilton Lacerda ter ligado para ele logo depois de ter cumprido a sua missão faz fervilhar a imaginação dos que até hoje se perguntam: de onde, afinal, veio o dinheiro dos aloprados?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Prefeito de Cornélio Procópio rompe com empresa e foge da responsabilidade por atrasos e defeitos em obras municipais

INSTITUTO AME CIDADE, 3 de fevereiro de 2010

Foi anunciada ontem na sessão da Câmara Municipal de Cornélio Procópio a notícia que a cidade já esperava há muito tempo e que já vinha sendo antecipada por manobras da base aliada do prefeito Amin Hannouche (PP). A prefeitura decidiu enfim suspender em caráter definitivo o contrato com a ILB Construções, empresa responsável por quatro grandes obras no município, algumas delas com grande atraso de execução, outras totalmente paradas e todas de má qualidade.

A decisão oficial da suspensão foi anunciada pelo líder da situação, vereador Ricardo Leite Ribeiro (PPS), mas outros vereadores ligados ao prefeito já vinham tendo atitudes que demonstravam que já estava em andamento a ruptura entre o prefeito Amin Hannouche e a empresa, que até há bem pouco tempo era defendida em bloco e de forma acalorada pelo prefeito, seus secretários e os vereadores da situação.

Nos últimos dias a empresa passou a ser atacada pelos vereadores da situação em entrevistas e conversas com cidadão procopenses. Até na sessão da Câmara o assunto também já havia sido levantado dessa forma.

Na última sessão da Câmara do mês passado o vereador Edimar Gomes Filho (PPS) fez um agressivo discurso contra a empresa ILB e falou inclusive da rescisão do contrato. Gomes Filho é um dos implicados no caso das diárias da Câmara.

Como a manobra da base aliada do prefeito é uma coisa velha em política e até foi executada de forma desajeitada, logo os procopenses passaram a logo a comentar que a intenção era a de aliviar politicamente a situação do prefeito Amin Hannouche e colocar toda a culpa pelos problemas unicamente na empresa.

A LDB foi responsável até agora pela execução de quatro grandes obras que juntas tem um orçamento de cerca de 3 milhões de reais. A empresa era encarregada até o momento da revitalização da Praça Brasil e da construção do Frigorífico do Peixe, do Clube do Povo e do Calçadão.

O Calçadão, localizado no centro da cidade, simboliza bem este conjunto de trapalhadas da administração de Amin Hannouche. Sua construção teve várias datas de conclusão, anunciadas espaçadamente para acalmar comerciantes e transeuntes que criticavam a morosidade da obra, até que finalmente garantiu que tudo estaria pronto para as festas de final de ano. A verdade é que nem para a Páscoa o Calçadão estará definitivamente pronto. A obra ainda exige acabamento e já apresenta vários problemas.

E não foi por falta de aviso. Por várias vezes comerciantes e populares alertaram o prefeito e seus secretários não só sobre a morosidade das obras mas também da evidente dificuldade técnica da empresa. Até manifestações públicas foram feitas para chamar a atenção das autoridades municipais, mas os apelos da população foram sempre recebidos com descaso e até agressividade.

Outra construção que ficou inacabada foi o Clube do Povo. E além de estar parada, a obra ficou abandonada de tal forma pela empresa e a prefeitura que chegou a virar ponto de tráfico de drogas e prostituição, conforme foi apurado pelo jornalismo da Rádio Cornélio, emissora de maior audiência da cidade.

A incapacidade da empresa contratada pela Prefeitura foi sentida em todas as áreas. Até no pagamento de seus trabalhadores houve falha. Nos últimos dias salários foram pagos com cheques sem fundo, deixando operários sem condições financeiras de honrar compromisso básicos. A Rádio Cornélio colocou no ar depoimentos comoventes de trabalhadores sem condições de comprar alimentos ou de pagar aluguel porque não conseguiam descontar os cheques da empresa.

Dessa forma, empreendimentos que deveriam trazer para a cidade uma boa movimentação econômica no comércio, dando tranquilidade financeira para trabalhadores e comerciantes, acabaram criando graves dramas humanos e muita insegurança. Até agora os trabalhadores não sabem qual será seu destino e como serão resolvidos os problemas dos salários.

E o mais intrigante nesta questão é que a ILB vinha sendo defendida pelo prefeito Amin Hannouche há menos de uma semana antes de seu líder no Legislativo Municipal anunciar a rescisão. No dia 26 de fevereiro, na ocasião da visita do ministro da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin, feita ao Frigorífico do Peixe, outra das obras paradas, o prefeito Hannouche usou as chuvas para justificar o atraso, para depois afirmar o seguinte: “Estivemos reunidos com os dirigentes da construtora e obtivemos deles a garantia de que as obras vão ganhar um novo ritmo daqui para frente, com chuva ou sem chuva”.

Quatro dias depois veio o anúncio da ruptura. O roteiro perseguido pelos vereadores da bancada do prefeito Amin Hannouche e que decerto foi traçado na Prefeitura é o mais óbvio. A intenção é demonizar a empresa ILB e isentar de responsabilidade o prefeito e seu secretariado.

Aliás, conforme o que já vem sendo feito por vereadores, alguns secretários até podem ser culpabilizados para abrandar o mal-estar criado entre a população, mas o prefeito teria que ter sua imagem blindada com esta manobra política.

Acontece que a origem desses problemas é clara para a população: vem do Gabinete do Prefeito, de onde nada tem saído de sério e bem planejado. É obrigação do prefeito e de seu secretariado não só conduzir licitações corretas, como também acompanhar a execução das obras e cobrar procedimentos e prazos.

Quando não há conhecimento técnico e competência administrativa para isso, o resultado é esse que se vê: construções inacabadas, obras paradas e com muitos defeitos de projeto e execução. Enfim, um serviço malfeito que prejudica a população e que ainda vai dar muito prejuízo para a cidade.

terça-feira, 2 de março de 2010

Prefeito de Sarandi é cassado por unanimidade

JORNAL DE MARINGÁ, 2 de março de 2010

Vereadores decidiram, por dez votos a zero, que ele deveria perder o cargo, após acusações de mau uso do dinheiro público. Vice-prefeito assume o cargo nesta tarde


Milton Martini (PP) não é mais o prefeito de Sarandi, na região metropolitana de Maringá. Acusado de mau uso do dinheiro público, ele foi cassado por unanimidade, na madrugada desta terça-feira (2), na Câmara de Vereadores, que no ano passado instalou uma Comissão Processante (CP) para investigá-lo. O vice-prefeito, Carlos Alberto de Paula Junior, será empossado às 16h desta tarde.

Os dez parlamentares da cidade votaram pela cassação de Martini, acusado de comprar produtos agrícolas, sem licitação, na loja de familiares do então chefe de gabinete da Prefeitura, Ailson Donizete de Carvalho. Martini alegou que não sabia que a loja era do funcionário e que já devolveu o dinheiro ao município. Carvalho se demitiu.

A sessão em que o pedido de cassação foi analisado durou quase 20 horas e foi bastante tumultuada. Os trabalhos começaram às 9h30 de segunda (1º) e terminaram perto das 4h30 de terça (2). A demora se deveu à leitura integral do processo, de 544 páginas, o que foi exigido pela defesa do prefeito. O curioso é que os advogados não acompanharam a sessão, pois se revoltaram após os vereadores negaram o adiamento do julgamento e decidiram abandonar o plenário. O prefeito não compareceu ao julgamento.

Assim, sequer utilizaram as duas horas a que tinham direito para defender seu cliente. Para que Martini fosse cassado, eram necessários ao menos sete votos, o que equivale a dois terços do total de vereadores. Grupos de oposição ao acusado, contudo, exigiam que a saída dele do cargo fosse determinada em decisão unânime.

Tecnicamente, o pedido de cassação foi dividido em duas acusações: "omitir-se ou negligenciar na defesa de bens, rendas, direitos ou interesses do Município sujeito à administração da Prefeitura" e "proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo". Ambas as votações foram unânimes, em favor da cassação. Martini perderia o cargo mesmo se fosse considerado culpado em apenas uma delas.

O público que assitiu à sessão - definido por sorteio, já que havia mais interessados do que lugares na Câmara - comemorou a decisão, aplaudindo em pé os vereadores, após a conclusão do jugalmento. Do lado de fora do plenário, muitos estudantes empunhavam faixas e proferiam gritos exigindo a cassação do prefeito.

O vice-prefeito, Carlos Alberto de Paula Junior (PDT), rompeu os laços políticos com Milton Martini (PP), ainda em 2009, antes mesmo da instalação da Comissão Processante (CP). Ele era secretário de Planejamento, função que abandonou em novembro - as investigações na Câmara começaram em dezembro.


Entenda o caso

Milton Martini foi acusado de comprar, sem licitação, produtos agropecuários na loja do então chefe de gabinete da Prefeitura, Ailson Donizete de Carvalho, que se demitiu. São dez bombas para passar veneno e 150 litros de herbicida, que somam R$ 7,7 mil. Martini diz que não sabia que a loja era do funcionário e que já devolveu o dinheiro ao município.

Martini é investigado também na Justiça, acusado de outras irregularidades a frente da Prefeitura. Em dezembro, ele chegou a ser afastado do cargo pela Justiça, por supostamente estar coagindo funcionários públicos que são testemunhas dos processos. Dias depois, a decisão foi revertida e Martini retornou ao cargo.

Para investigar a denúncia, os vereadores de Sarandi montaram, no fim do ano passado, uma Comissão Processante (CP), que ouviu testemunhas e então elaborou um relatório, pedindo a cassação. Entre as testemunhas estiveram o próprio prefeito e também o deputado Reinhold Stephanes Júnior (PMDB), que o defendeu.

Martini pediu à justiça que dissolvesse a Comissão Processante (CP), mas o juiz da comarca de Sarandi, Loril Leocadio Bueno Júnior, negou o pedido.

O relatório pedindo a cassação foi levado a plenário na segunda-feira (1º). O pedido foi aprovado por unanimidade pelos vereadores. Martini perdeu o cargo e será substituído pelo vice, Carlos Alberto de Paula.

Saiba tudo sobre a sessão que cassou o prefeito

Veja no site do jornal O Diário de Maringá toda sessão da Cãmara de Vereadores que cassou o mandato do prefeito Milton Martini, do PP. A sessão, que durou mais de 20 horas, foi acompanhada pelo O Diário Online em tempo real no site e no Twitter.

PARA LER, CLIQUE AQUI.

Acompanhe o histórico do caso que culminou na cassação do prefeito Milton Martini

O DIÁRIO DE MARINGÁ, 2 de março de 2010

29 de novembro
Com a manchete “Sarandi / MP abre um inquérito por semana contra prefeitura”, O Diário apresenta, com exclusividade, as provas da compra ilegal de equipamentos na loja do então chefe de Gabinete, Ailson de Carvalho, e informa que o Ministério Público (MP) investiga a administração de Milton Martini.

30 de novembro
A Câmara de Vereadores abre uma Comissão Processante (CP) para julgar Martini. Os vereadores iriam abrir uma comissão de investigação, mas os documentos apresentados pela reportagem permitiram pular essa fase do processo.

1º de dezembro
Em entrevista coletiva, Martini admite a compra irregular na loja do ex-secretário. No mesmo dia, os vereadores da CP fazem a primeira reunião para discutir como serão os trabalhos.

2 de dezembro
O vice-prefeito de Sarandi, Carlos Alberto de Paula Junior (PDT), diz não compactuar com a administração de Martini e pede exoneração do cargo de secretário de Planejamento. O prefeito manda esvaziar a sala do vice e leva os móveis para o seu Gabinete.

3 de dezembro
Integrantes de partidos políticos que fazem parte da administração Martini pedem exoneração dos cargos.

5 de dezembro
O secretário do Meio Ambiente de Sarandi e presidente do Democratas (DEM), José Luiz de Almeida, pede demissão por causa das denúncias contra a administração.

8 de dezembro
CP faz a primeira tentativa para notificar Martini, dando início ao processo.

15 de dezembro
O secretário de Fazenda de Sarandi, Carlos Roberto Falaschi, pede demissão do cargo. Um dia antes a procuradora jurídica, Cláudia Vanessa Cardoso Camacho, também havia se demitido.

16 de dezembro
Moradores de Sarandi fazem a lavagem da calçada da prefeitura. Segundo os organizadores, a lavagem simboliza “a limpeza da sujeira e da corrupção”.

17 de dezembro
O juiz Loril Leocádio Bueno Júnior, da Vara Cível de Sarandi, determina o afastamento do prefeito atendendo a pedido do Ministério Público. Martini é acusado de tentar obstruir as investigações. No mesmo dia o vice assume.

19 de dezembro
Martini entra com recurso no Tribunal de Justiça do Paraná.

21 de dezembro
CP rejeita defesa prévia de Martini, alegando que ele não se defendeu nem negou que tenha autorizado a compra dos equipamentos na loja do ex-chefe de Gabinete.

22 de dezembro
O MP ajuiza ação de improbidade administrativa contra o prefeito afastado e mais nove pessoas, entre elas a primeira-dama Helga Fuchs Martini, os ex-secretários Gilson Barbiero e Ailson Carvalho e a ex-procuradora jurídica Claudia Vanessa Cardoso Camacho.

23 de dezembro
TJ derruba liminar que o afastou o prefeito e Martini reassume.

7 de janeiro
Martini vai a Curitiba tentar, no TJ destituir a CP.

8 de janeiro
CP começa a ouvir testemunhas arroladas no processo.

12 de janeiro
A desembargadora Maria Aparecida Blanco de Lima, do TJ nega o pedido de liminar do prefeito contra a CP.

13 de janeiro
Vereadores tentam intimar prefeito para testemunhar na Câmara

15 de janeiro
CP marca para o dia 26 o depoimento do prefeito.

17 de janeiro
CP começa as oitivas das testemunhas do processo

18 de janeiro
Defesa de Martini tenta manobras para obstruir processo no primeiro dia de oitivas

20 de janeiro
O vereador Aparecido Biancho, do PT, relator da CP, registra queixa na Delegacia de Polícia, pela segunda vez, por estar sendo ameaçado.

21 de janeiro
O ex-chefe de Gabinete depõe na Câmara e anexa ação civil pública, proposta pelo MP contra Martini, com acusações de fraudes em licitações. A CP recebe os documentos, mas decide se ater ao tema principal dos depoimentos.

25 de janeiro
Para evitar as manifestações que estavam marcadas para o dia seguinte, o prefeito de Sarandi antecipa seu depoimento à CP. Em sua defesa, Martini diz que não sabia que a empresa pertencia a seu secretário e que, ao ser informado, exonerou Ailson e devolveu o dinheiro à prefeitura.

10 de fevereiro
A Comissão Processante conclui a fase das oitivas.

20 de fevereiro
Populares fazem manifestação pelas ruas de Sarandi pedindo a cassação do prefeito.

22 de fevereiro
CP diz que provas são consistentes e entrega o relatório final recomendando a cassação.

23 de fevereiro
Presidente da Câmara, Silas Morais, marca para a segunda-feira, dia 1º de março o julgamento do prefeito.

segunda-feira, 1 de março de 2010

José Dirceu, o maior lobista do país

REVISTA VEJA, Edição 2154 - 3 de março de 2010

José Dirceu, o "consultor" mais quente da República, aparece no meio de uma bilionária operação que pretende botar em pé uma empresa estatal de internet e, claro, fazer a fortuna de alguns bons companheiros



De tempos em tempos, o governo Lula se vê obrigado a explicar ne-gócios obscuros, lobbies bilionários, maletas de dinheiro voadoras e beneficiamento a grupos privados. Já é uma espécie de tradição petista. E o que une todos esses casos explosivos? José Dirceu, o ex-militante de esquerda e ex-ministro-chefe da Casa Civil que se transformou no maior lobista da República. Onde quer que brote um caso suspeito incluindo gente do PT e dinheiro alto, cedo ou tarde o nome de Dirceu aparecerá. Ele tem se esgueirado nas sombras, como intermediador de negócios entre a iniciativa privada e o governo desde 2005, quando foi expurgado do cargo de ministro por causa do escândalo do mensalão. Sem emprego, argumentou que precisava ganhar a vida e se reinventou como "consultor", o eterno eufemismo para "lobista". Passou a oferecer, então, duas mercadorias: informação (dos tempos de Casa Civil, guarda os planos do governo para os mais diversos setores da economia) e influência (como o próprio Dirceu adora dizer, quando ele dá um telefonema para o governo, "é O telefonema"). Em ambos os casos, cobra bem caro por seus serviços.

Na semana passada, um dos serviços do "consultor" José Dirceu causou um terremoto em Brasília. Os jornalistas Marcio Aith e Julio Wiziack revelaram que ele está metido até a raiz dos cabelos implantados em uma operação bilionária para criar a maior operadora de internet em banda larga do país. O negócio está sendo coordenado pelo governo desde 2003 e vai custar uma montanha de dinheiro público – fala-se em até 15 bilhões de reais. Deverá fazer a alegria de um grupo de investidores privados que, ao que tudo indica, tiveram acesso a informações privilegiadas e esperam aproveitar as ações do governo para embolsar uma fortuna. O Plano Nacional de Banda Larga – nome oficial do projeto sob suspeita – começou a ser gestado no início do governo Lula, quando Dirceu ainda era ministro. A ideia era criar uma estatal para oferecer internet em alta velocidade a preços subsidiados em todo o país – uma espécie de "Bolsa Família da web".

Dirceu passou a defender a ideia de que a nova empresa fosse erguida a partir de outras duas, já existentes, mas que estavam em frangalhos: a Telebrás, que depois da privatização do sistema de telefonia, em 1998, ficou sem função, e a Eletronet, dona de uma rede de fibra óptica que cobre dezoito estados. A Eletronet era uma parceria da Eletrobrás e da americana AES, mas, por ser deficitária, estava em processo de falência. O projeto de Dirceu era capitalizar as duas companhias e fazer com que a Telebrás oferecesse internet em alta velocidade usando a rede da Eletronet. O presidente Lula aprovou a proposta – afinal, não é todo dia que se antevê uma estatal inteira, pronta para ser aparelhada. Apesar de o projeto ter sido desenhado em 2003, só começou a se tornar público em 2007. E este foi o pulo do gato: quem ficou sabendo dos planos oficiais com antecedência teve a chance de investir nas ações das duas empresas e, agora, poderá ganhar um bom dinheiro com o desenlace do plano.

O maior beneficiário em potencial atende pelo nome de Nelson dos Santos – lobista, como Dirceu, mas de menor calibre. Em 2004, Santos (ainda não se sabe por qual canal) tomou conhecimento da intenção do governo de usar a Eletronet para viabilizar o sistema de banda larga. A maior parte do capital da Eletronet (51%) estava nas mãos da AES. Santos conhecia bem a companhia: em 2003, havia feito lobby para renegociar uma dívida de 1,3 bilhão de dólares da AES com o BNDES, e teve sucesso. Quando descobriu que a falida Eletronet poderia virar ouro, convenceu a direção da AES a lhe repassar suas ações na empresa pelo valor simbólico de 1 real. A AES topou. Achou que estava se livrando de um problemão, pois a Eletronet acumulava dívidas de 800 milhões de reais. Na reta final do negócio, Santos foi surpreendido por três outros grupos que também se interessaram pela compra – o GP Investimentos, a Cemig e a Companhia Docas, do empresário Nelson Tanure –, mas o lobista venceu a disputa. Por orientação dele, as ações da AES na Eletronet foram transferidas à Contem Canada. VEJA descobriu que a Contem de Canadá só tem o nome. Ela é uma offshore controlada por brasileiros que investem no setor de energia. Como está fora do país, ninguém sabe ao certo quem são seus cotistas. Posteriormente, metade dessas ações foi repassada à Star Overseas, outra offshore, das Ilhas Virgens Britânicas, pertencente a Santos. Offshore é a praia de Dirceu.

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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Requião acusa ministro Paulo Bernardo de superfaturamento

BRASIL LIMPEZA, 26 de fevereiro de 2010

Lula planeja palanques duplos, triplos, infindáveis palanques país afora. Os petistas agem como de costume: fazem o que sempre criticaram nos outros. Neste aspecto são bem parecidos com os bolcheviques, que protestaram bastante contra os crimes do Czar para depois, no poder, fazer até pior.

Mas voltando aos palanques lulo-petistas, no Paraná eles terão dificuldade para construir palanques. O mais importante aliado no estado, o governador Roberto Requião (PMDB), dificilmente subirá em palanque com o PT. Esta semana o governador fez acusações graves contra o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Requião acusou Bernardo de tentar superfaturar um projeto de um ramal ferroviário no Estado. É caixa alto: o governador paranaense disse que a obra sairia por R$ 150 milhões e ficou espantado quando o ministro de Lula levou a ele o custo de R$ 550 milhões. A denúncia faz pensar que este governo está ficando cada vez mais caro. É um superfaturamento de cerca de R$ 400 milhões.

Requião fez as declarações na última segunda-feira na reunião semanal de seu secretariado, que é transmitida pela televisão do governo.

O governador disse o seguinte: "O que você está me propondo é o seguinte, Paulo Bernardo: eles [ALL, empresa privada que detém concessões de ramais no Estado] recebem R$ 550 milhões e o governo federal abre mão das prestações. Então, ministro, anote aí: eu não concordo. Se isso for feito, eu denuncio imediatamente".

E denunciou. Paulo Bernardo respondeu imediatamente em nota oficial e piorou as coisas. Chamou Requião de mentiroso e disse que ele, ministro, agiu por determinação do presidente Lula. Bem, aí fica difícil para o cara dizer que não sabia de nada.

Requião, que é de dar boiadas tanto para entrar como para não sair de briga, respondeu de bate-pronto. Desmentiu todas as alegações do ministro e afirmou que não poderia acreditar que Lula tenha montado “a absurda proposta que o ministro me trouxe”.

Na nota, Requião ainda destacou as nada republicanas ligações entre servidores públicos nomeados e os interesses da iniciativa privada que costumam acontecer no governo Lula. Segundo Requião, na reunião com Paulo Bernardo estava presente Bernardo Figueiredo, “àquela época assessor da Casa Civil da Presidência da República e hoje diretor da ANTT”, a Agência Nacional de Transportes Terrestres, órgão do governo federal que centraliza um plano nacional de reativação do transporte ferroviário no país. É coisa para a imprensa ficar de olho.

Segundo Requião, além de trazer o superfaturamento extraordinário da obra, pela proposta do ministro a ALL, empresa privada do setor, ainda receberia de presente o trecho ferroviário Guarapuava-Ipiranga, deixando de pagar pela concessão da antiga Rede Ferroviária Federal a quantia de R$ 52 milhões por ano.

Nesta quinta-feira a direção estadual do PT também se manifestou a favor do ministro. Bernardo é o chefão do PT no estado e tem pretensões caudilhescas, para isso contando com o domínio praticamente total do partido. O ministro é altamente prestigiado por Lula, na condição de um faz-tudo palaciano que não discute ordens. E é claro que os quase oito anos no ministério dão um cacife danado à ele e seu grupo, que avançam sobre municípios do interior para aumentar suas chances eleitorais.

A briga entre o Paulo Bernardo e Requião vem desta tentativa petista de dominar a política estadual no âmbito da esquerda, área que sempre esteve nas mãos do governador.

Para concretizar seu plano, é claro que Paulo Bernardo não pode colocar a conhecida carranca, de pouca eficiência eleitoral, por isso é sua mulher, Gleisi Hoffmann, a estrela de campanhas eleitorais onde rola muito dinheiro. A campanha dela para a prefeitura de Curitiba (com 1.179.223 eleitores) foi mais cara até do que a de Marta Suplicy, que disputava a prefeitura de São Paulo, cidade com um total de eleitores de 8.198.282.

É sempre grana alta, mas até agora não tem dado resultado. A mulher do ministro perdeu no primeiro turno para o tucano Beto Richa, que teve mais de 70% dos votos. Mas pelo que se vê o projeto deste ano para colocar Gleisi Hoffmann no Senado está bem “azeitado”. Um ano antes da eleição a candidata já forra o estado de outdoors e distribui nas cidades farto material gráfico de alta sofisticação e custo.

A última nota do PT estadual chama Requião de mentiroso e divisionista. A briga é boa e não vai pela cabeça de nenhum paranaense a idéia de apartar. Requião é firme no confronto e o PT não goza de simpatia entre os paranaenses. Além perder feio na capital, o partido também levou uma sova nas cidades mais importantes do interior.

Em Londrina, maior colégio eleitoral do interior, o candidato petista a prefeito só não ficou em último lugar porque o PSOL tinha um candidato para evitar que o vexame fosse total. O deputado federal André Vargas, muito próximo do ministro, quase teve menos votos que o vereador mais votado do município.

Os palanques sonhados para Dilma Rousseff estão, portanto, neste pesadelo no Paraná. Com esta briga política, que dificilmente terá um fim próximo, não deve sobrar estrutura para Lula montar palanque algum.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Brasil não é isso

INSTITUTO AME CIDADE, 24 de fevereiro de 2010


Brasília completa neste ano seu cinqüentenário. A inauguração da capital brasileira foi no dia 21 de abril de 1960 e representou à época uma esperança de avanço social para o País.

No entanto esta data redonda, tão ao gosto dos simbolismos oficiais e que deveria ser comemorada com grandes festividades, representa este ano a carga histórica de corrupção que tem minado os cofres públicos brasileiros e que faz o país patinar e muitas vezes andar para trás em áreas determinantes na construção de qualquer nação: vamos mal na saúde; nossa educação capenga em todos os níveis, do ensino básico às universidades; perdemos capacidade industrial e tecnológica, com efeitos negativos na capacitação profissional e na qualidade científica brasileira; o meio ambiente se degrada, com conseqüências destrutivas sobre grande porção da fauna e da flora brasileira e que que já começa a atingir a agricultura e a pecuária; a insegurança toma conta do país, com a ausência do Estado na proteção dos cidadãos e o domínio cada vez maior do crime organizado sobre a vida das pessoas.

Hoje Brasília não tem governante. O governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) está preso. O vice Paulo Octávio (DEM) renunciou ao cargo ontem. Ambos são acusados de corrupção, sendo que além disso Arruda está preso por constranger testemunhas e atrapalhar investigações.

O esquema de corrupção descoberto no governo distrital de Brasília acabou sendo chamado de “Mensalão do DEM”, apelido que vem do Mensalão do governo Lula, ou “Mensalão do PT”, o esquema de suborno de parlamentares para facilitar votações governistas no Congresso Nacional. O mensalão do PT foi o maior escândalo ocorrido até hoje no País. E o fato de um partido oposicionista, o DEM, estar envolvido em outro escândalo que recebe apelido parecido serve muito bem para demonstrar que hoje a corrupção tem ramos espalhados por toda a sociedade brasileira, da oposição à situação e até em órgãos que têm o dever da vigilância e punição.

O escândalo que estragou a festa da nossa capital é apenas um elemento da enormidade de atos de corrupção que envolvem dirigentes políticos em todas as esferas públicas, afetando a economia de municípios, de estados e de todo o país e que engloba Câmaras Municipais, Prefeituras, Governos Estaduais, Assembléias Legislativas, Judiciário e o Governo Federal e o Congresso Nacional.

É lamentável que o cinqüentenário da cidade que surgiu para lançar o país em um espaço futuro de modernidade tecnológica e política tenha tal cenário. Mas também é um bom momento para que o país se aperceba que a corrupção já avançou além do suportável e começa a agredir a própria governabilidade em todas as instâncias políticas.

Esta falta de ética que enfrentamos por vezes chega a desanimar os brasileiros de bem, já que o imenso contágio da corrupção faz parecer que não há mais o que fazer quando tudo parece estar tomado pela roubalheira.

Dessa forma, até apelos contra a corrupção trazem argumentos mais pesarosos que incentivadores da consciência cívica e da honestidade. Sobre o assunto, corre sempre pela internet uma famosa frase de Rui Barbosa (1849-1923) que diz o seguinte: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

É uma daquelas constatações sábias de Rui Barbosa, intelectual e homem público que ocupa um espaço permanente na memória brasileira, mas não é com este pensamento que enfrentaremos a corrupção.

Todos que lemos a famosa máxima imediatamente nos identificamos com o sujeito da frase que se empenha em ser honesto, mesmo que aparentemente esta não seja exatamente a atitude mais elogiada no tempo de Rui Barbosa ou mesmo hoje em dia.

E não é à toa que acontece esta identificação. O corrupto não gosta do que vê no espelho todas as manhãs, pois a consciência coletiva jamais acolhe o mal como algo suportável. É o bem que alimenta positivamente nossa estrutura psicológica, sendo a corrupção o pior crime que pode ser cometido contra o próximo.

Nós ficamos com Rui Barbosa, mas não este Rui quase pessimista. O motivo que nos move é a consciência de que a maioria dos brasileiros trabalha com esforço e honestidade e que estes ladrões do dinheiro público são uma minoria e devem ser expelidos, condenados e presos.

O próprio Rui Barbosa dizia isto em um discurso feito no Senado Brasileiro no início do século passado e que localizamos recentemente. O discurso foi proferido em março de 1919, já no final da vida de Rui Barbosa e nele este grande homem público deixou este manifesto em prol da ética e que agora passamos para vocês.


“O Brasil não é isso! O Brasil não é sócio do clube de jogo e da pândega que se apoderaram de sua fortuna, e o querem tratar como a libertinagem trata as companheiras momentâneas de sua luxúria.

Não! O Brasil não é esse ajuntamento coletivo de criaturas taradas, sobre que possa correr, sem a menor impressão, e sopro das aspirações que nesta hora agitam a humanidade.

Não! O Brasil não é essa nacionalidade fria, deliqüescente, cadaverizada, que recebe na testa, sem estremecer, o carimbo de uma armadilha, como a messalina, recebe no braço a tatuagem do amante, como o calceta, no dorso, a flor-de-lis do verdugo.

O Brasil não aceita a cova que estão cavando os cavadores do Tesouro. Não são os comensais do erário, o Brasil. Não são os sanguessugas de riqueza pública, o Brasil; não são os compradores de jornais, o Brasil, não são os corruptores do sistema republicano, o Brasil. Não são os publicistas de aluguel. Não são os estadistas de impostura.”


Discurso de Rui Barbosa, em 20 de março de 1919

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Cornélio Procópio no lado certo: o da ética e da transparência

INSTITUTO AME CIDADE, 22 de fevereiro de 2010


Em nenhum dos documentos que enviou à Comissão Processante da Câmara Muncipal de Cornélio Procópio atendendo a formalidades do caso, a vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB) “reconheceu que errou”, como diz o líder do prefeito na Câmara, Ricardo Leite (PPS). Isso também não foi feito em nenhum pronunciamento oficial ou informal da vereadora. Até porque a vereadora não incorreu em nenhum erro. Não há lógica alguma em sua fala na Rádio Cornélio, que publicamos na nota abaixo. A não ser que para o vereador da situação seja um erro zelar pela transparência no Legislativo municipal.

E quanto a “representar bem a população”, está bem claro há uns bons anos na atuação da vereadora Aurora que em sua vida política esta função não se conjuga no futuro. No mandato passado a vereadora teve conduta exemplar e agora na entrada do segundo ano do mandato atual já se revela a vereadora mais atuante na Câmara de Cornélio Procópio.

A capacidade de trabalho de Aurora tem evitado inclusive vexames para a administração municipal, como ocorreu no final do ano passado quando o prefeito mandou à Câmara o Plano Plurianual (PPA) uma absurda previsão para ser aplicada no município de Londrina. O erro crasso, que havia passado despercebido inclusive do líder do prefeito, acabou sendo anulado depois de ser apontado pela vereadora oposicionista.

A vereadora Aurora sai deste caso do mesmo modo que entrou: de cabeça erguida e cercada de respeito da população. Os apoios vindo de pessoas com as mais variadas posições políticas mostraram que os procopenses têm um lado: é o lado da ética e da transparência.

E pela reação de apreço e solidariedade que recebeu da população em razão deste ataque a seu mandato tramado pelo Partido Progressista, o notório PP envolvido no mensalão, tornou-se visível seu alto prestígio político. Hoje, seguramente, Aurora uma das personalidades mais respeitadas na política da região.

O processo organizado pelo PP nunca teve cabimento algum e, se levado adiante, iria detonar um processo de discussão que poderia ser alçado ao plano nacional. O ineditismo de cassar um parlamentar que exerce o dever de zelar pela transparência teria sem dúvida conseqüências bem graves para o grupo do prefeito Amin Hannouche (PP). Foi um erro que atentou até contra os interesses pepistas e que, mais cedo ou mais tarde, levaria a um puxão de orelhas dado por autoridades partidárias de maior poder.

O pedido de cassação do PP não tinha base nem sequer no motivo alegado, já que em momento algum Aurora pediu mais que transparência aos colegas. O discurso da vereadora que serviu de base ao ataque pepista pode ser conferido aqui. Conforme pode ser visto nesta sua fala, que acabou se tornando um documento histórico da luta pela ética em nossa cidade, a alegação de desrespeito feita pelo PP só pode ser levada à sério acreditando-se que o partido de Janene, Paulo Maluf, Severino Cavalcanti e outros menos notórios acredita que ética e transparência no Legislativo são matérias desrespeitosas.

O que se pergunta é qual a voz maior que mandou parar o processo contra Aurora. O que se sabe em Cornélio Procópio é que o problema já causava muita preocupação às altas instâncias partidárias, entre elas o ex-deputado José Janene, chefe federal da sigla e de grande ascendência sobre o prefeito Amin Hannouche. É óbvio que esta ascendência é grande também sobre a bancada da situação na Câmara.

De qualquer forma, o processo foi muito útil até no sentido de firmar a posição antidemocrática da atual administração e de seus apoiadores. Ficou clara a intenção de calar o Legislativo e transformá-lo em mero apêndice do Executivo municipal. O ataque ao mandato da vereadora Aurora foi também importante para demonstrar que os procopenses não aceitam de forma alguma ataques aos que estão do lado da ética e da transparência.

Vereadora que pediu transparência recebe advertência da Câmara Municipal de Cornélio Procópio

AGORA CORNÉLIO E RÁDIO CORNÉLIO, 19 de fevereiro de 2010

Na última sessão da Câmara de Vereadores de Cornélio Procópio, houve consenso entre situação e oposição no caso da falta de decoro parlamentar envolvendo a vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB) que denunciou no final de 2009 a "farra das diárias" no Legislativo local. A denúncia causou revolta na situação porque envolvia diretamente três vereadores da base aliada do prefeito Amin Hannouche: Vanildo Felipe Sotero (PP); Sebastião Angelino Ramos (PTB) e Edmar Gomes Filho (PPS).

Em entrevista concedida ao Fala Cidade, da Rádio Cornélio, o vereador Ricardo Leite Ribeiro (PPS), que presidiu a última sessão e que foi o relator do processo contra Aurora, disse que não era caso para cassação de mandato como foi cogitado anteriormente. "Entendo que houve sim falta de decoro parlamentar e, portanto, tem que haver uma penalidade e acabei optando pela pena mais branda de todas que é uma advertência verbal da vereadora", explicou Ricardo, acrescentando que o relatório foi aprovado por unanimidade. A cassação de mandato da vereadora Aurora Fumie Doi por falta de decoro parlamentar foi pedida pelo presidente do Partido Progressista (PP), Luiz Carlos Amâncio.

O vereador, que também é líder do prefeito Amin Hannouche, afirmou que Aurora Fumie Doi reconheceu que errou e que tudo fará para representar bem a população, já que a sua situação recebeu um "sentimento de solidariedade" por parte de muitos procopenses. Ricardo Leite Ribeiro lembrou que conhece perfeitamente o histórico de honestidade, de bom comportamento e de boa conduta da vereadora do PMDB, embora reconheça que ela tenha recebido influência política para denunciar os colegas de casa.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Ameaçada pelo crime, a população de Cornélio Procópio espera as ações da Prefeitura

INSTITUTO AME CIDADE, 2 de fevereiro de 2010


A polícia de Cornélio Procópio prendeu em Londrina dois suspeitos da morte do professor Benedito Fernandes Torres. Os acusados, Jonathan Pereira dos Santos, de 25 anos, e Pedro Henrique Pereira dos Santos, 20, aparecem nas gravações feitas pelo sistema de segurança da casa da vítima e, segundo a polícia, um deles já confessou sua participação no crime.

O corpo do professor foi encontrado em sua casa no último dia 14, com indícios de que sua morte teria ocorrido dias antes da descoberta do crime. O professor Benedito, de 63 anos, era uma pessoa bastante respeitada em razão de sua dedicação à educação. Ele foi professor do Colégio Castro Alves, um dos mais tradicionais de Cornélio Procópio e atualmente atuava no Núcleo Regional de Ensino (NRE).

A morte do professor foi um dos crimes que chocaram a cidade, que teve nos últimos meses um crescimento impressionante de atos criminosos como assaltos à mão armada, roubos de residências e até de homicídios, que hoje alcançam uma taxa que nunca se viu na região. Nos últimos 40 dias já foram mortas sete pessoas. A insegurança atinge também a área rural, com o roubo de tratores e outros maquinários agrícolas.

A população tem cobrado da Prefeitura mais ação na proteção do patrimônio e da vida dos procopenses e também de medidas preventivas para conter a violência, mas pelo que se vê, até em outras áreas o desempenho desta administração tem é agravado a insegurança no município.

Nesta semana, o jornalismo da Rádio Cornélio, a emissora de maior audiência na cidade, apurou que uma das obras inacabadas da Prefeitura já começa a atrair criminosos. Segundo a emissora procopense, o “Clube do Povo”, obra iniciada no ano passado pelo prefeito Amin Hannouche e que segue em ritmo bastante lento, tornou-se um ponto de tráfico de drogas e prostituição.

Por graves dificuldades de gestão, a atual administração não tem conseguido cumprir prazo algum em várias construções que seguem em ritmo lento ou acabam ficando paradas, dando à cidade em várias regiões um ar de abandono. O problema ocorre inclusive na região central do município. O exemplo mais destacado da falta de capacidade administrativa é a construção do novo Calçadão, que infernizou a vida de comerciantes e da população durante meses e até agora não foi finalizado.

Também a falta de manutenção em diversos bens públicos tem contribuído para aumentar a insegurança urbana, atingindo até locais que já foram um cartão postal da cidade, como a antiga Estação Ferroviária, que há alguns anos foi totalmente restaurada e transformada em museu. Hoje este patrimônio histórico tornou-se um lugar inseguro, principalmente no horário noturno.

Em novembro do ano passado o prefeito Amin Hannouche prometeu em reportagens que saíram em vários veículos que já no início de janeiro a cidade contaria com uma “Secretaria Antidrogas”.

Na ocasião, falando ao jornal Folha de Londrina, Amin Hannouche afirmou que Cornélio Procópio "é uma das cidades mais seguras do Paraná" e que a Prefeitura mantinha "um trabalho preventivo". Nesta reportagem, o prefeito garantiu que em janeiro a nova secretaria dedicada à segurança pública já estaria pronta.

No entanto, até o momento não existe nem sequer esboço do Projeto de Lei que é obrigatório para a criação deste novo órgão.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Crimes em excesso preocupam procopenses

AGORA CORNÉLIO, RÁDIO CORNÉLIO, 30 de janeiro de 2010

Assassinato ocorrido na última sexta-feira é o sétimo em menos de quarenta dias. Até agora apenas um dos casos teve um suspeito preso, por isso a população cobra mais eficiência da polícia. Uma das obras inacabadas da administração Amin Hannouche virou ponto de tráfico de drogas e prostituição


Mais um menor (14 anos), foi morto ontem, Leonardo Rodrigues de Oliveira, que foi baleado na Rua Avelino Nunes da Costa, próximo as dependências do "Clube do Povo" no Conjunto Florêncio Rebolho.

Segundo informações, dois homens em uma motocicleta o alvejaram com três disparos de arma de fogo (costas, ombro e nuca).

O rapaz foi levado por familiares até a Casa de Misericórdia de Cornélio Procópio, onde entrou em óbito. A Polícia Civil está em diligências para elucidar mais esse caso.

O "Clube do Povo" segundo já foi apurado por nossa reportagem e confirmado pelos moradores do bairro, é um local onde acontecem práticas de tráfico de drogas e prostituição, antes mesmo do término da obra.

Até quando?
A população tem cobrado, principalmente nos orgãos de imprensa, uma solução desses crimes por parte da polícia, mas até agora dos sete assassinatos ocorridos em Cornélio Procópio, um somente teve suspeito preso.

Operação
A Polícia Militar desencadeou na segunda quinzena de janeiro a Operação Ano Novo. Foram várias diligências e abordagens, mas, até agora, a população não sentiu os resultados, as mortes continuam acontecendo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

De volta oficialmente os chefes do mensalão

INSTITUTO AME CIDADE, 28 janeiro de 2010

Entramos em um ano político de extrema importância, quando teremos, além da eleição presidencial, a renovação da Câmara Federal e de parte do Senado brasileiro. Pois exatamente neste período tão especial, quando os partidos políticos deveriam estimular o apreço pela política e o envolvimento cívico dos brasileiros, o PT anuncia que voltam à direção do partido seus membros envolvidos com o mensalão, o escandaloso esquema de compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional. Veja abaixo a notícia completa.

O PT oficializou a medida no último sábado. José Dirceu, João Paulo Cunha e José Genoíno irão compor o novo Diretório Nacional. A justificativa do presidente do partido, José Eduardo Dutra, para a volta dos mensaleiros parece até ironia. “Não tem sentido prescindir da experiência desses companheiros num momento tão importante como este”, ele disse, referindo-se à pré-campanha da ministra Dilma Rousseff à presidência da República.

Também na campanha de Dilma, o setor responsável pela arrecadação e gestão dos recursos será composto pelo grupo que comandou a reeleição de Lula em 2006 e de onde surgiram os “aloprados”, apelido dado pelo próprio Lula a seus companheiros encarregados da compra de um dossiê contra seu então adversário José Serra. Este foi outro escândalo que envolveu o PT e que está inscrito na história política brasileira como uma grande sujeira eleitoral.

José Dirceu, que acabou sendo cassado por falta de decoro, e José Genoíno, que teve que renunciar à presidência do PT, são acusados pelo Ministério Público de compor o “núcleo principal da quadrilha” do mensalão. O escândalo gerou a maior crise dos dois mandatos de Lula. Seu círculo mais próximo de colaboradores chegou até a cogitar de sua renúncia ao cargo de presidente da República.

Na denúncia do Procurador-Geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, que tornou réus no Supremo Tribunal Federal (STF) os três dirigentes do PT, a experiência deles é definida como criminosa. Segundo o procurador, José Dirceu, que integrava o governo Lula e a cúpula do PT, foi o principal articulador da engrenagem criminosa do mensalão, pois detinha a decisão final sobre a indicação de cargos e funções estratégicas na administração federal, o que garantia a “habitualidade e o sucesso” do esquema.

“Dirceu inegavelmente era a segunda pessoa mais poderosa do Estado brasileiro, estando abaixo apenas do Presidente da República”, escreveu o procurador. Os colegas do então deputado levaram à sério a denúncia do Ministério Público e cassaram o mandato do líder petista por falta de decoro. Na denúncia da Procuradoria-Geral da República, que está para ser julgada no STF, Dirceu é apontado como chefe da quadrilha do mensalão.

PT resgata seus mensaleiros em novo Diretório Nacional

FOLHA DE S. PAULO, 24 de janeiro de 2010

O PT oficializou ontem (23) a volta de nomes envolvidos no escândalo do mensalão à direção do partido. Conforme indicação da corrente majoritária da legenda, a CNB (Construindo um Novo Brasil), José Dirceu, João Paulo Cunha e José Genoino irão compor o novo Diretório Nacional, que tomará posse no mês que vem.

A campanha da candidata do partido à Presidência, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), promoverá outra reedição: a do grupo de sindicalistas bancários que originou os "aloprados" e desempenhará funções estratégicas, como a centralização da captação de recursos.

"Não tem sentido prescindir da experiência desses companheiros num momento tão importante como este [pré-campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência]", disse o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra (SE), à frente da CNB. As indicações foram aclamadas em plenário no congresso da chapa que venceu as eleições em novembro de 2009.

Outras duas correntes, Novo Rumo e PT de Lutas e de Massas, participaram do evento, em São Roque (SP), e apoiaram as indicações da CNB. Dirceu, Genoino e João Paulo foram afastados das instâncias partidárias no final de 2005, ano em que o caso do mensalão veio à tona.

Dirceu, ex-ministro da Casa Civil que deixou o cargo no ápice do escândalo, e os deputados federais Genoino e João Paulo são réus no processo do Supremo Tribunal Federal que julgará o mensalão --transferência de verbas supostamente públicas para congressistas da base aliada ao presidente Lula no Congresso. Eles negam a participação no esquema.

"Primeiro, para mim, não existe esse termo, mensaleiros. Depois, é um orgulho fazer parte da chapa ao lado de Dirceu, Genoino e João Paulo", disse Dutra. Na próxima terça, as três correntes, que formaram uma só chapa, apresentarão ao atual comando do partido seus 45 indicados ao Diretório Nacional.

Nem as demais correntes nem o atual comando têm direito de vetar as indicações se os militantes estiverem em dia com suas obrigações estatutárias. Assim, é praticamente certo que Dirceu, Genoino e João Paulo terão direito a voto entre os 81 membros do Diretório.

Serão apresentados também os nomes do deputado federal José Nobre Guimarães (CE), que teve um ex-assessor detido com US$ 100 mil na cueca em 2005, e de Mônica Valente, mulher do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, pivô do mensalão e hoje afastado do partido.

Dilma
Já na campanha de Dilma, o núcleo responsável pela arrecadação e gestão dos recursos será formado por petistas egressos do sindicalismo bancário. Foi esse o grupo que comandou a reeleição de Lula em 2006 e originou os chamados "aloprados" --encarregados da compra de um dossiê contra José Serra, então postulante ao governo paulista e provável adversário da ministra agora.

Saíram do sindicalismo bancário os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e José Pimentel (Previdência), os presidentes dos dois maiores fundos de pensão do país, Sérgio Rosa (Previ) e Wagner Oliveira (Petros), o atual presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o provável tesoureiro da sigla, João Vaccari Neto, entre outros.

Berzoini coordenou a reeleição de Lula até ser afastado, após o escândalo dos "aloprados". Jorge Lorenzetti, o "centralizador" da negociação do material em favor da campanha do então candidato Aloizio Mercadante, reportava-se ao atual presidente do PT.

Berzoini e Vaccari, também investigado pela Polícia Federal no inquérito dos "aloprados", terão papel fundamental na campanha de Dilma.

No mês que vem, Berzoini será substituído por Dutra na presidência do PT. Não deve integrar a coordenação central da campanha, mas será um dos articuladores em São Paulo, por onde tentará se reeleger deputado federal. Além disso, deve conseguir emplacar Vaccari como novo tesoureiro do PT.

Dutra e Berzoini ressaltam que Vaccari não necessariamente será o responsável pelas finanças da campanha. "Ele vai administrar o dinheiro do partido e aplicá-lo de acordo com as orientações. E estará em contato com o comitê financeiro de campanha", disse Dutra.

Hoje, é quase impossível separar a conta eleitoral dos recursos do partido, pois os empresários priorizam as contribuições às siglas, o que impede a identificação de beneficiários.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Comentando, Anônimo disse...

Muito feliz o comentário anterior que mostra claramente que o Instituto Ame Cidade não possui vínculo politico com pessoas ligadas a política local (embora possua pessoas ligadas a grupo politico como filiados ), como afirmam as pessoas a quem o Instituto causa incômodo no momento por denunciar atos corruptos na administração publica.

Os membros do Instituto Ame Cidade são chamados de derrotados politicos, enquanto na verdade são defensores dos direitos dos cidadãos, principalmente aqueles mais carentes, os quais são enganados diariamente com falsas promessas e mentiras, pelos atuais administradores do patrimônio publíco.

E com certeza o Instituto continuará fazendo seu trabalho em prol da comunidade no futuro, independentemente de quem for o próxímo prefeito e vereadores.

O que queremos para o nosso povo é dignidade e respeito, coisa que há muito tempo está em falta no nosso municipio.

Uma pena o Instituto Ame Cidade não existir há pelo menos vinte anos, assim teríamos uma cidade bem melhor com certeza.

E não se esqueçam que os senhores José Leite e Luiz Carlos Amâncio [presidente do PP, partido conhecido pelo envolvimento no mensalão, e que assina o pedido de cassação da vereadora Aurora Fumie Doi, sempre foram e ainda são, os verdadeiros cabos eleitorais do ex-deputado José Janene.