sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Tentando cassar a ética

O processo contra a vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB), feito pelo Partido Progressista (PP) e que pode levar à cassação de seu mandato na Câmara Municipal de Cornélio Procópio, deve ficar na história política do Paraná como um de seus casos mais absurdos. E se os vereadores da base aliada do prefeito Amin Hannouche, chefe municipal do partido que pretende a cassação, chegarem a tanto, cassando de fato o mais honesto membro da casa e um dos poucos que cumpre verdadeiramente sua função, aí então o caso certamente vai tornar-se um fato federal.

Então, seguindo o exemplo da Câmara Municipal de Cornélio Procópio caso os vereadores cassem Aurora Fumie Doi, parlamentares que ficam incomodando com essa conversa de ética também devem ser eliminados no plano federal.

Para começar a limpa, devem ser cassados os seguintes senadores: Pedro Simon (PMDB-RS), Cristovam Buarque (PT-DF) e Marina Silva (PT-AC).

Comentando, Edvaldo Santos disse...

Cadê a população? Tem que se manifestar minha gente! Isso já é brincar com o povo. Vamos as ruas mostrar pra esse povo que exigimos respeito com a coisa pública. Se uma situação dessas ficar sem reação da comunidade, muito provavelmente se instalará o caos no município.

Para ver o material publicado sobre o caso das diárias de vereadores de Cornélio Procópio

Para ler sobre o caso das diárias de vereadores da Câmara Municipal de Cornélio Procópio, assunto que o Instituto Ame Cidade levou ao Ministério Público com um pedido de investigação, clique aqui.

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INSTITUTO AME CIDADE, 4 de dezembro de 2009

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

No caso das diárias, Câmara Municipal de Cornélio Procópio aceita processo contra vereadora que zela por transparência

INSTITUTO AME CIDADE, 3 de dezembro de 2009


Os procopenses estavam à espera de providências da Câmara Municipal de Cornélio Procópio em relação ao pedido de investigação sobre possíveis irregularidades em diárias de vereadores feito pelo Instituto Ame Cidade ao Ministério Público, quando todos foram supreendidos pelo anúncio da única medida prática: por unanimidade os vereadores aceitaram denúncia do Partido Progressista, que dá início a um processo contra a vereadora Aurora Fumie Doi e que pode levar a sua cassação.

O bom senso político exigiria que os vereadores se antecipassem ao MP e instaurassem eles mesmos procedimentos investigativos para esclarecer de vez o caso das diárias. As contradições apresentadas em documentos da própria Câmara são bastante evidentes, exigindo portanto explicações muito claras de uma instituição que entre seus deveres básicos está a defesa e o respeito pela ética.

Mas ocorreu exatamente o contrário, por unanimidade a Câmara decidiu pelo início de um processo que pode punir o único membro da Casa que alertou para a necessidade da transparência e da lisura.

A denúncia do PP foi apresentada nesta terça-feira e recebida por unanimidade pelos vereadores. Os procedimentos até a votação final que pode decidir pela cassação de Aurora Fumie Doi levarão cerca de 90 dias.

Com o recebimento da denúncia, instaurou-se um processo disciplinar para o qual a Mesa já escolheu um relator, o vereador Ricardo Leite. Ele fará uma apuração preliminar para dentro de cinco dias apresentar um relatório prévio a ser analisado pelo Mesa, que deverá decidir sobre a procedência da acusação. Caso seja aceita, o acusado tem cinco dias para a apresentação da defesa, inclusive com testemunhas. Com a conclusão de toda essa parte o parecer é encaminhado para votação.Com a Mesa entendendo que há procedência é feita uma votação na primeira sessão ordinária.

A partir disso, se a Mesa considerar que o fato é grave, é feito um parecer em forma de projeto de resolução que deve ser aprovado por maioria absoluta. Isso acontecendo, instaura-se a Comissão Especial de Ética e Decoro, com prerrogativas de uma comissão processante e um prazo de quarenta dias para a emissão de um parecer. O parecer é feito também na forma de projeto de resolução e segue para votação em plenário, com decisão final sobre a cassação.

A vereadora Aurora está em seu segundo mandato e jamais recebeu diária alguma. Inclusive na votação para o aumento das diárias, ocorrido em fevereiro, ela foi a única que votou contra.

Isso já bastaria para demonstrar o absurdo do pedido de cassação, mas as coisas não param por aí. Aurora, que é profissional da área da saúde, é de tamanha respeitabilidade na cidade e na região que o fato chocou a todos. A decisão é tão fora de propósito que até adversários políticos de Aurora criticam o posicionamento dos vereadores.

A alegação do PP em seu pedido de cassação por falta de decoro também não procede. O partido acusa Aurora de “denunciar fatos que sabia serem inverídicos, apenas para denegrir a imagem de seus adversários”, quando, na verdade, a vereadora apenas levou aos colegas suas preocupações quanto ao tema levantado pelo Instituto Ame Cidade, sem nenhuma acusação pessoal, até porque o assunto está em investigação pelo MP.

Para quem não é de Cornélio Procópio, a situação criada com o recebimento pela Câmara do pedido de cassação do PP contra Aurora Fumie Dói equivaleria ao Senado de José Sarney, Renan Calheiros e outros notórios entrar com um pedido de cassação de um político como o senador Pedro Simon.

E os brasileiros ficariam tão escandalizados quanto os procopenses estão com o pedido de cassação da vereadora Aurora. Na Rádio Cornélio, emissora mais ouvida da cidade, é recorde o número de internautas que expressam solidariedade com Aurora e sua revolta em relação a esta atitude absurda dos vereadores.

Nas ruas de Cornélio Procópio a solidariedade à vereadora é imensa, até porque ela adquiriu grande respeitabilidade não só por sua firmeza de caráter − comprovada nos quatro anos do primeiro mandato e mantido neste segundo − mas também pelo extremo respeito que mostra no dia-a-dia na relação com as pessoas.

Como Aurora atua profissionalmente e faz política tratando a todos de forma educada e respeitando divergências, até mesmo quem tem alguma discordância política com ela acaba por ver na atitude assumida pela Câmara uma tentativa de atemorizar uma vereadora que cumpre com um dever básico do Legislativo, que é o de zelar pela transparência.

Prefeito acusa vereador de tentativa de favorecimento pessoal em licitação

O prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), acusou um vereador que já foi de sua base política de pedir vantagens pessoais em uma licitação da Prefeitura. Barbosa acusou o vereador Joel Garcia (PDT), que já foi seu líder de governo na Câmara, de ter assediado secretários para conseguir vantagens em compra de alimentos para merenda escolar. O vereador é empresário do ramo de hortifrutigranjeiros.

Um secretário da Prefeitura afirmou que foi abordado por Garcia com o pedido para que desclassificasse duas concorrentes que ficaram na frente da empresa da família dele. O prefeito garante que tem comprovação da denúncia, que foi levada ao Ministério Público.

Leia aqui e aqui.

Visita fora de pauta

Surgem mais fatos estranhos nos gastos em diárias de vereadores da Câmara Municipal de Cornélio Procópio, que foi objeto de pedido de investigação do Instituto Ame Cidade junto ao Ministério Público.

Os documentos que estão em posse do MP apresentam claras contradições entre datas das justificativas de viagem e registros de presença em sessões da Câmara. Tem vereador que garante em documento assinado que estava em Curitiba em dia de sessão, com sua presença assinalada, o que seria possível apenas se ele fosse onipresente, um dom que até o momento só a Deus se permite.

Existem outras incongruências de que já falamos, como o fato de algumas diárias terem sido pagas para vereador se reunir com o deputado Luiz Romanelli (PMDB) em Curitiba, sendo que o deputado sempre está presente em Cornélio Procópio. Mas eis que aparece outra situação curiosa relativa à viagens.

No dia 6de julho deste ano alguns vereadores estiveram em Curitiba em visita ao prefeito Beto Richa. A notícia está publicada no site da Câmara Municipal. Os vereadores Helvécio Alves Badaró (PTB), Sebastião Angelino Ramos (PTB), Sebastião Cristóvão da Silva (PP) e Edimar Gomes Filho (PPS) aparecem inclusive numa foto com Richa e o prefeito Amin Hannouche (PP). A imagem pode ser vista ao lado, em foto da própria Câmara.

Entre as justificativas de diárias obtidas pelo Instituto Ame Cidade há diárias para viagens à capital no período de 5 a 7 de julho, assinados pelos vereadores Helvécio Alves Badaró, Sebastião Angelino Ramos e Sebastião Cristóvão da Silva. Os motivos alegados são: visita ao DENIT, ao Tribunal de Justiça, Cohapar e à Provopar.

Sobre a reunião com Richa não há nenhuma menção, mas a cidade acompanhou no último sábado o que pode ser resultado de visitas como esta. Uma festa de recepção com banda de música, carreata e muitos fogos de artifício para Richa, que esteve em Cornélio Procópio na condição de pré-candidato ao governo do Estado e inclusive recebeu o apoio explícito do prefeito licenciado Amin Hannouche.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Na data de sua entrega, o Calçadão ainda está inacabado e com problemas no piso

INSTITUTO AME CIDADE, 1 de dezembro de 2009

No dia de ontem terminou o prazo em que o prefeito licenciado de Cornélio Procópio, Amin Hannouche (PP), garantiu que seria entregue o Calçadão da cidade para o uso da população. É claro que qualquer um com um pouco de bom senso sabia que uma promessa como esta não teria condições de ser cumprida, por questões práticas e bem evidentes na complexidade e extensão do projeto, sem contar na incapacidade técnica demonstrada pela empresa e pela Prefeitura no decorrer da obra.

O resultado foi que a construção praticamente se arrastou nesses três meses, atrapalhando o cotidiano da população e até causando prejuízos econômicos aos comerciantes da região. E pelo que se vê hoje, tudo indica que aquela região da cidade terá que conviver com o clima de obra inconclusa até o final do ano.

O Calçadão tem atrapalhado bastante a vida do procopense na entrada das festas de Natal e de Ano Novo e vai acabar sendo visto como uma marca de incapacidade administrativa, mas é apenas uma das obras encalacradas da Prefeitura. Também estão atrasadas as obras do Frigorífico do Peixe, o Clube do Povo e da praça Brasil, todas iniciadas apressadamente e depois tocadas com lentidão, sendo que algumas, como o próprio Calçadão ou a Praça Brasil, passaram dias praticamente abandonadas.

Talvez não só por coincidência, todas fazem parte de um rico lote a cargo de apenas uma empreiteira, a ILB Construções, que conquistou um conjunto de obras pelas quais receberá mais de 3 milhões de reais. No entanto, mesmo com este alto volume de ganhos, a empreiteira vem atrasando todas as obras, sendo o Calçadão o exemplo mais visível desta incapacidade de cumprir prazos.

Em agosto passado ano o engenheiro da construtora havia dito que no final de novembro a obra estaria finalizada e se faltasse algo, seria apenas “um detalhe ou outro, como um retoque ou alguma pintura”.

Na mesma época, o prefeito Amin Hannouche garantia que a obra tinha “prazos pré-estabelecidos de conclusão”, afirmando que tudo estaria pronto “até o final de novembro devido às festividades alusivas ao Natal”.

Não é o que aconteceu. Ontem o Calçadão tinha pronto apenas a pavimentação e mesmo assim feita às pressas, de modo que podem ser vistas imperfeições graves como falta de nivelamento no piso e pedras soltas.

Além desses problemas visíveis, que antecipam a necessidade de intermináveis reformas em uma obra que sequer foi inaugurada, ainda há muito para ser feito até que construção esteja de fato concluída. Nenhuma das edificações está pronta, sendo que está previsto que elas terão inclusive sanitários. Ontem no Calçadão faltava muito mais que “um retoque ou pintura”.

Por incapacidade de gestão o prefeito está entregando uma obra incompleta e que já apresenta problemas antes da finalização. Ainda falta muito para que a população possa de fato utilizar plenamente este bem público. E o procopense até já faz piadas dizendo que, quando cortar a fita, o prefeito estará apenas inaugurando os problemas que surgirão inevitavelmente já que nunca se viu algo feito às pressas terminar bem.

Obra que nasce mal planejada tem sempre um desenvolvimento com dificuldades, mesmo depois de terminada. E como essa ainda foi feita com muita pressa, por razões políticas ou de qualquer outro tipo, tudo indica que ainda vai exigir muito reajuste técnico e até reformas num futuro muito breve, o que deve esticar bastante o orçamento previsto, que já é bem alto.

Incapacidade de gestão e dificuldade em ouvir a população acaba dando em obra malfeita

INSTITUTO AME CIDADE, 1 de dezembro de 2009

Um piso de obra que na entrega já apresenta pedras soltas parece piada pronta. Este tipo de problema até tem a probabilidade de acontecer em construções como este Calçadão, mas apenas depois de uns bons anos de uso.

Esta questão apresenta sérias dificuldades de gestão, sem dúvida, mas se também não houvesse junto uma certa prepotência política os problemas até que poderiam ser menores. A incapacidade de ouvir de forma democrática a população foi que levou à desastrada pressa em iniciar a obra no período inadequado e também no erro do tempo para a conclusão.

Não foram poucas as pessoas que alertaram o prefeito e seus técnicos de que não haveria condição da obra ficar pronta no prazo anunciado, ainda mais levando em conta que o tempo estava chuvoso em todo o Paraná.

Alguns comerciantes também alertaram que esta época de festas de final de ano não é propícia para obras como o Calçadão, pois o comércio geralmente acaba sendo afetado negativamente.

O resultado foi que as lojas da região tiveram dificuldades terríveis durante um período importante para o equilíbrio anual de suas vendas. E foram problemas que o prefeito nem chegou a ver, pois no momento crucial das dificuldades na realização, quando a região sofria com o pó ou a lama, Amin Hannouche viajava pelo Oriente Médio em companhia do prefeito curitibano Beto Richa.

A entrega do Calçadão do modo que está sendo feito pela Prefeitura se assemelha a uma casa para onde o morador pode até se mudar, mas desde que não use o banheiro, a cozinha e alguns quartos. E que também tenha cuidado com o chão que, na pressa, não foi possível ajustar bem.

Vocabulário político

SUPRAPARTIDÁRIO: Este adjetivo recebe uma definição concisa em qualquer dicionário: é o que está acima dos partidos. É assim que se define uma atividade política que não está relacionada e muito menos se subordina à ideologia de qualquer partido.

Não é correto, portanto, tentar definir como “suprapartidário” um evento com carreata, rojões, banda de música e que reúne vereadores, ocupantes de cargos políticos e dirigentes partidários, além de outros políticos, organizado para festejar a presença de um pré-candidato ao governo do Estado metido numa disputa partidária interna para a conquista da candidatura.

Visita eleitoral de Beto Richa faz uso do setor de comunicação e do site da Prefeitura de Cornélio Procópio

A esquizofrenia política no comando da Prefeitura de Cornélio Procópio chegou às alturas na recepção que o prefeito licenciado Amin Hannouche deu ao prefeito de Curitiba, Beto Richa, neste sábado em sua visita flagrantemente eleitoral à cidade.

O prefeito em exercício, João Carlos Lima (PT), fica numa situação cada vez mais vexatória com o prefeito licenciado passando por cima de sua autoridade. João Carlos Lima hoje é um político notado por sua ausência.

A recepção a Beto Richa teve ares eleitorais, com banda de música, escolta de motociclistas e carreta e lançamento de fogos em tal profusão que fez vários procopenses questionarem qual foi a origem do dinheiro que bancou um gasto tão excessivo.

Mesmo se não for ilegal, com certeza há algo de imoral neste tipo de exibicionismo político, ainda mais levando em conta que ao divulgar publicamente seu apoio à possível candidatura de Richa ao governo do Estado, o prefeito licenciado Amin Hannouche (PP) apresenta-se como presidente da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (AMUNOP), uma entidade que congrega municípios que estão passando por séria crise econômica.

Além disso, por ser uma entidade que agrega prefeitos de variadas posições políticas e que lida com o interesse dos municípios e não de partidos políticos a AMUNOP tem que ser necessariamente suprapartidária, qualidade essencial para suas atividades. Não é correta de forma alguma a associação de seu nome a um evento com fins partidários e eleitorais, com inserção até mesmo numa disputa partidária interna.

Hoje saiu a notícia da recepção no site da Prefeitura. Em um texto em formato claramente promocional e de marketing político, na abertura inclusive Amin Hannouche é apresentado como “prefeito” da cidade. A publicação traz fotos com teor publicitário e citações de Beto Richa como pré-candidato ao governo do Paraná.

Há poucos dias o site publicou também o anúncio da visita de Richa — de forma totalmente fora do contexto até porque a visita de qualquer aspirante a candidato ao governo do Estado nada tem a ver institucionalmente com a Prefeitura.

Isso se configura como o uso da estrutura de comunicação da Prefeitura de Cornélio Procópio para a publicidade de um evento que nada tem a ver com administração pública. Ao contrário, a visita de Beto Richa à cidade é claramente de conteúdo partidário e eleitoral, expressados de forma evidente nas palavras do prefeito licenciado e de políticos presentes, inclusive do presidente do PSDB paranaense, o deputado Luiz Carlos Hauly.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um prefeito licenciado que não dá licença para o prefeito em exercício exercitar o poder

Está instalada na Prefeitura de Cornélio Procópio algo que pode-se chamar de esquizofrenia política e que está fazendo o procopense perguntar quem afinal é o prefeito da cidade. Como o prefeito Amin Hannouche (PP) está licenciado do cargo, pela lógica quem deveria estar atuando como prefeito, no caso um prefeito em exercício, é o vice João Carlos Lima (PT).

Mas não é o que acontece. João Carlos Lima recebeu oficialmente o cargo de prefeito, mas de fato não o exerce. Politicamente e até de forma administrativa o que se vê é Amin Hannouche passando por cima da autoridade de seu vice, o que aparenta até mesmo um desrespeito pessoal para o colega.

Amin Hannouche é quem opina e dá as ordens sobre as obras atrasadas na cidade ou qualquer outro assunto referente à administração do município. Quem abre o site da Prefeitura de Cornélio Procópio hoje pode observar a situação constrangedora criada para o prefeito em exercício João Carlos Lima.

Com uma foto imensa do prefeito licenciado e do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), o site divulga a visita de Richa a Cornélio Procópio no sábado passado. O prefeito em exercício sequer é citado na notícia oficial.

À propósito, Amin Hannouche está licenciado desde meados de outubro, quando pegou carona na comitiva de Beto Richa em viagem para o Oriente Médio. Ele voltou há alguns dias e licenciou-se novamente, mas age de forma autocrática e pouco republicana, como se não tivesse passado o cargo para o vice.

Noutra notícia recente do site, Amin Hannouche aparece ao lado de um empresário libanês que esteve na comitiva de Richa. Em notícia evidentemente feita para justificar a viagem, o prefeito licenciado diz que convenceu o empresário a trazer para Cornélio Procópio “uma fábrica de zíperes que seria instalada nas arábias (sic)”.

O empresário citado reside no Brasil e já foi presidente da Câmara Paraguaia. É bem estranho alguém precisar de uma viagem para o Oriente Médio para estabelecer negociação com um empresário que vive no Brasil. Também não aparenta normalidade uma mudança tão grande de plano empresarial, deslocando-se a preferência para Cornélio Procópio de uma fábrica antes prevista para “as arábias” (seja já o que for que eles queiram dizer com esta denominação, já que o existe é Arábia Saudita, país que inclusive não fez parte do roteiro de viagem do prefeito licenciado).

Mas entre tanta bizarrice nota-se também a ausência daquele que deveria ter por direito o poder no município, o prefeito em exercício João Carlos Lima. Novamente não há qualquer citação a seu nome. E para maior embaraço de João Carlos Lima, na foto que ilustra a notícia o prefeito aparece acompanhado apenas de dois vereadores procopenses. E do prefeito em exercício, nem sombra.

O que a cidade já pergunta é se o prefeito em exercício pelo menos está sendo informado oficialmente sobre o que se faz na prefeitura ou toma conhecimento apenas através da imprensa.

Cidade paranaense é recordista em inquéritos do Ministério Público

O trabalho do Ministério Público de Sarandi fez da prefeitura daquela cidade vizinha de Maringá uma recordista em ações na Justiça. Nos 11 meses da administração do prefeito Milton Martini (PP) o MP já instaurou 46 inquéritos, o que dá uma média de um por semana.

As ações vão de improbidade administrativa a desvio de recursos, todas correndo em segredo de justiça. Uma irregularidade que veio a público foi a da falta de controle sobre os valores pagos pelo lixo à empreiteira Pajoan.

Depois que os promotores apontaram o problema nos pagamentos, o secretário de Meio Ambiente de Sarandi, José Luiz de Almeida afirmou que a prefeitura “não tem como fazer o controle”. Ele também confirmou que a Pajoan foi contratada com dispensa de licitação.

Outra irregularidade em Sarandi refere-se à compra de materiais, que foram adquiridos na loja da esposa de Aison Carvalho, chefe de Gabinete da Prefeitura, que acabou sendo demitido do cargo.

A compra foi feita sem licitação, como o permitido por lei quando o valor é abaixo de R$ 8 mil, mas como Ailson Carvalho era servidor público em cargo de confiança, foi infringido o Artigo 78 da Lei Orgânica do Município (LOM). A lei diz que “o prefeito, o vice, os vereadores e os servidores municipais, bem como pessoas ligadas a qualquer deles por matrimônio, não poderão contratar com o município, subsistindo a proibição a até seis meses após finda as respectivas funções”.

É claro que o recorde de Sarandi nada tem extraordinário em relação ao tipo de irregularidades detectadas. É a corrupção de sempre, infelizmente presente em muitos municípios do Paraná. A surpresa positiva é a atuação regular do MP, daí o alto número de inquéritos.

Não há dúvida que se isso for feito em outros municípios, bem depressa Sarandi deixa de ser a recordista isolada em ações contra irregularidades.

Com corrupção não dá para ter tolerância

O que acontece em Sarandi, com as ações do Ministério Público, leva a uma reflexão sobre o quanto seria saudável uma atuação com rigor contra irregularidades em todos os níveis nos municípios do Brasil. Uma ação efetiva de todos os organismos da Justiça traria uma qualidade excepcional às nossas cidades.

Com a degradação moral no nível em que está, além da descoberta e punição de altas corrupções é preciso coibir toda irregularidade do dia-a-dia, mesmo as supostamente pequenas e que também supostamente atendem à lei. Estabelecer um respeito geral pela ética pode fazer muito bem à nossa vida político-administrativa.

Seria uma espécie de Tolerância Zero com irregularidades e com a corrupção, algo espelhado nas famosas medidas de tolerância zero tomadas pelo prefeito de Nova York, Rudy Giuliani na década de 90. Na época, foi estabelecido na cidade norte-americana um rigor com qualquer irregularidade, de jogar um papel no chão aos crimes mais graves, como homícidios e roubos. O que se viu foi uma queda na criminalidade em todos os níveis. E Nova York ficou melhor para se viver.

Os políticos brasileiros adoram lembrar da Tolerância Zero quando isso se refere ao crime comum. Mas quanto à ética, sempre estão arrumando uma desculpa para evitar a lei ou mesmo um respeito aos padrões básicos de moralidade.

E hoje no país a falta de ética já está pedindo uma Tolerância Zero. Taí uma proposta que poderia melhorar bastante a administração-pública no Brasil.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sobre enganações que não devem durar

Falemos mais de Abraham Lincoln, o presidente que dirigiu os Estados Unidos no período em que aquele país se definiu como Nação. Lincoln foi um estadista respeitável e deveria ser lembrado mais vezes, especialmente nestes tempos em que qualidades como as dele — inteligência, retidão de caráter, capacidade de trabalho, sobriedade, senso de democracia — andam em falta em nossa política.

Ele simboliza a política feita com objetividade e que traz resultados de qualidade, a política sem a lorota e a enganação que acabam por afastar as pessoas de bem dos assuntos públicos e atrasar a História de qualquer país.

Lincoln foi um grande criador de expressões definidoras de um caminho de qualidade para a política. O já citado "governo do povo, pelo povo e para o povo" vem de um importante discurso seu, proferido na inauguração do Cemitério Nacional de Gettysburg, em novembro de 1863, onde quatro meses antes se deu uma batalha decisiva, no combate com o maior numero de vítimas na Guerra Civil e com resultado favorável à unificação dos Estados Unidos.

É um discurso curto e tornou-se o mais famoso da história daquele país. Em menos de três minutos, Lincoln definiu a igualdade e a importância da unidade para a preservação da democracia e do bem comum.

O que Lincoln fez foi eliminar a pomposidade dos discursos políticos e investir em uma linguagem direta. Ele tem outros escritos políticos, todos de alto valor literário. E com isso transformou não só a política ocidental. Ele ocupa um papel destacado na modernização da língua inglesa, que levou a escritores como Mark Twain e Ernest Hemingway e, por influência dessa literatura no mundo, transformou também outras línguas.

Com já dissemos, Lincoln é um criador de ótimas expressões. E sobre o que vem acontecendo em Cornélio Procópio, tem uma frase dele que explica bem uma situação que com certeza não há de perdurar: "Pode-se enganar todas as pessoas durante algum tempo; pode-se até enganar algumas pessoas durante o tempo todo; mas não é possível enganar todas as pessoas durante o tempo todo".