segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dilma precisa economizar R$ 60 bilhões para conseguir superávit de 3,1% do PIB

O ESTADO DE S. PAULO, 24 de janeiro de 2011

Cálculo de economistas foi feito com base na receita prevista pelo Executivo para este ano e embute projeções para PIB e outros indicadores


Para cumprir a promessa de fazer um superávit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o governo Dilma vai precisar economizar cerca de R$ 60 bilhões, avaliam economistas ouvidos pelo "Estado". O valor é superior às apostas do mercado financeiro, que variam de R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões. O governo ainda não anunciou o contingenciamento deste ano.

No orçamento público, o superávit primário é obtido quando o governo gasta menos que arrecada, descontado o pagamento dos juros da dívida. Um superávit "cheio e limpo" - como prometido por Dilma Rousseff - significa cumprir a meta estabelecida integralmente, sem descontar os investimentos ou utilizar "manobras criativas".

O mercado aguarda com ansiedade a divulgação de quanto Dilma pretende contingenciar do Orçamento em 2011. O valor será uma indicação importante do compromisso da nova presidente com a redução dos gastos públicos. Com uma política fiscal menos expansionista, o governo ajudaria a esfriar a economia e permitia que o Banco Central (BC) subisse menos os juros básicos (taxa Selic).

A Corretora Convenção estima que o contingenciamento necessário para cumprir a meta de superávit de 3,1% do PIB chega a R$ 64 bilhões. Pelas contas da LCA Consultores, o corte de gastos teria de atingir R$ 54 bilhões. A Tendências Consultoria Integrada também avalia que seria necessário um corte de mais de R$ 50 bilhões.

Todas essas contas foram feitas com base na receita prevista pelo próprio Executivo para 2011. Se surgirem receitas extraordinárias, a conta muda. Os cálculos também embutem projeções para PIB, saldo líquido de geração de empregos, resultado fiscal de Estados e municípios, entre outras variáveis.

Para chegar a mais de R$ 60 bilhões de contingenciamento, é preciso somar os investimentos que deixariam de ser abatidos (R$ 32 bilhões), as despesas que foram acrescentadas pelo Congresso ao aprovar o Orçamento (R$ 20 bilhões) e o corte de gastos que o Executivo pediu aos deputados, sem ser atendido (R$ 8 bilhões). Ainda seria preciso economia adicional de R$ 4 bilhões para completar a meta de superávit de 3,1% do PIB.

"Não acredito que seja factível um contingenciamento de R$ 60 bilhões. É um terço dos R$ 200 bilhões que são passíveis de corte no Orçamento. Daí se conclui que a meta de superávit também não é factível", disse Fernando Montero, economista-chefe da Convenção. O Orçamento de 2011 é de R$ 1,94 trilhão, mas boa parte é usada para pagar o funcionalismo e a Previdência.

Corte histórico. Um contingenciamento acima de R$ 40 bilhões já seria o mais alto da história do País. A média dos anos anteriores foi de R$ 20 bilhões e atingiu R$ 30 bilhões em 2010, embora a maior parte tenha sido liberada durante o ano. Se o governo decidir cumprir a "meta abatida", o que significa descontar os gastos com investimentos, o esforço seria menor. Sem os investimentos, a meta de superávit cai para 2,18% do PIB, possível de ser atingida com um corte de R$ 35 bilhões de despesas.

Para a LCA Consultores, um contingenciamento de R$ 40 bilhões já seria suficiente para o governo atingir o seu principal objetivo, que é contribuir para desaquecer o consumo e evitar uma alta forte dos juros pelo BC.

"Antes, o objetivo de fazer um superávit primário era garantir que o Brasil não daria calote. Essa preocupação foi superada desde que o País foi considerado grau de investimento", disse Fernando Sampaio, sócio-diretor da LCA Consultores. "Um corte de R$ 40 bilhões representa uma desaceleração significativa do gasto público", completou.

Com um contingenciamento de R$ 40 bilhões, a LCA Consultores calcula que a despesa primária real (antes do pagamento dos juros e descontada a inflação) do governo central cresceria 3% em 2011. Em 2010, um ano de eleições e de gastos desenfreados, a despesa subiu 10%. Se forem contingenciados R$ 54 bilhões, o crescimento das despesas seria de apenas 1%.

Longo prazo. A avaliação de boa parte do mercado, no entanto, é que não basta o governo anunciar um contingenciamento recorde. "É necessário indicar desde já qual vai ser a conduta fiscal dos próximos quatro anos", disse Felipe Salto, economista da Tendências. Ele afirma que uma excelente sinalização seria o governo se comprometer com um ritmo de aumento do gasto corrente (para o pagamento do funcionalismo) inferior ao avanço do PIB. Ao longo do tempo, isso significaria gastar menos com funcionários públicos e investir mais em infraestrutura.


Fazendo as contas

R$ 64 bilhões
é a projeção de contingenciamento da Corretora Convenção

R$ 54 bilhões
é a expectativa feita pela LCA Consultores

R$ 50 bilhões
é o previsto pela Tendências Consultoria


Mercado eleva previsão de inflação para 2011 e 2012
O mercado financeiro elevou a previsão da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011, conforme a pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira, 24, pelo Banco Central (BC). A expectativa para a inflação neste ano subiu de 5,42% para 5,53%, em um patamar ainda mais distante do centro da meta de inflação, que é de 4,50% para o ano. A meta tem margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.

Os analistas também aumentaram a projeção para a inflação em 2012, de 4,50% para 4,54%. No caso da inflação de curto prazo, o mercado elevou de 0,66% para 0,72% a previsão para o IPCA de janeiro de 2011. Para a inflação de fevereiro, a taxa prevista passou de 0,72% para 0,77%, de acordo com a Focus.

A previsão para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 foi mantida em 4,50%. Para 2012, a expansão projetada também é de 4,50%. A estimativa para o crescimento da produção industrial em 2011 permaneceu em 5,02%. Para 2012, a projeção para a expansão da indústria seguiu em 5,00%.

Juros e dólar - De acordo com a pesquisa Focus, os analistas mantiveram a previsão para a Selic (a taxa básica de juros da economia) para o fim de 2011 em 12,25% ao ano. Hoje a taxa está em 11,25% ao ano. A projeção para a Selic no fim de 2012 permaneceu em 11,00% ao ano.

Para o mercado de câmbio, os analistas preveem que o dólar encerre 2011 em R$ 1,75, mesmo patamar da pesquisa anterior. A projeção do câmbio médio no decorrer de 2011 segue em R$ 1,72. Para o fim de 2012, a previsão para o câmbio permanece em R$ 1,80.

Contas externas - O mercado financeiro alterou a previsão para o déficit nas contas externas em 2011. A previsão para o déficit em conta corrente neste ano passou de US$ 67,49 bilhões para US$ 67,00 bilhões. Para 2012, o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos estimado passou de US$ 69,00 bilhões para US$ 68,76 bilhões.

Já a previsão de superávit comercial em 2011 subiu de US$ 9,00 bilhões para US$ 9,27 bilhões. Para 2012, a estimativa para o saldo da balança comercial subiu de US$ 5,10 bilhões para US$ 5,20 bilhões. Analistas mantiveram a estimativa de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2011 em US$ 40,00 bilhões. Para 2012, a previsão seguiu em US$ 41,00 bilhões.


Será difícil reduzir o déficit comercial da indústria

O ESTADO DE S. PAULO, 23 de janeiro de 2011


O déficit comercial da indústria (diferença entre importações e exportações) aumentou de US$ 14,3 bilhões, em 2008, para US$ 16,4 bilhões, em 2009, chegando a US$ 36,9 bilhões em 2010 - 125% a mais num único ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A perda de competitividade dos manufaturados brasileiros foi rápida e não há, a curto e médio prazos, perspectivas de reversão da tendência.

Não faltam explicações para a deterioração da balança comercial da indústria: no segmento siderúrgico, por exemplo, as importações aumentaram 84% entre 2008 e 2010 por causa da alta dos investimentos, segundo o jornal Valor. No setor químico, petroquímico e farmacêutico, a evolução das compras externas foi de 29,8%, por causa da alta dos preços do petróleo e à demanda de matérias-primas e medicações não produzidas no País. As importações de eletroeletrônicos e informática avançaram 15,7% em decorrência da mudança de comportamento do consumidor, que demanda bens tecnologicamente sofisticados.

Até a indústria de média e baixa tecnologia apresentou déficit no comércio, mostrou matéria de Raquel Landim, no Estado.

A valorização do real é a causa principal da tendência, pois estimula a aquisição de bens importados, como veículos. Nesse segmento, incluídas máquinas agrícolas e motos, a importação foi 10% maior e o câmbio foi um fator decisivo para o consumidor.

Novas empresas ascenderam ao ranking das maiores importadoras, como a petroquímica Braskem (que ocupava a 27.ª posição, em 2008, e passou à segunda posição, no ano passado); as siderúrgicas Arcelormittal, do 127.º para o 17.º lugar; a Thyssenkrupp CSA, do 106.º para o 15.º posto; e a Fiat, da 28.ª para a 13.ª posição.

"O Brasil começou a importar todo o espectro de produtos", notou a pesquisadora do Ibre Lia Valls. E o receituário para aumentar a competitividade das exportações é conhecido, incluindo investimentos em infraestrutura para reduzir o custo de logística, desoneração tributária da produção e acerto de contas com exportadores beneficiados por incentivos fiscais, mas que não receberam a compensação, além de juros compatíveis com os praticados no exterior. O governo sabe o que fazer - por exemplo, o ministro Fernando Pimentel estuda criar incentivos para enfrentar a concorrência chinesa. Mas, até agora, pouco foi feito: a infraestrutura é ruim e predominou o temor de desonerar a exportação e perder receita. A melhor notícia é o reconhecimento da gravidade do problema.



Filha de governador do século 19 recebe pensão em Santa Catarina

FOLHA DE S. PAULO, 24 de janeiro de 2011


Hercília Catharina da Luz, 89, filha de Hercílio Luz, que governou Santa Catarina por três mandatos na República Velha (1889-1930), recebe atualmente R$ 15 mil por mês dos cofres públicos.

Desde 1992, ela é beneficiada por uma lei complementar do Estado que garante a pensão para viúvas e filhos de ex-governadores. Hercília é a última filha de Hercílio Luz ainda viva. O governador, que morreu em 1924, teve 19 filhos. Até 2010 ela foi dona de um cartório em Florianópolis.

A lei complementar que garante os pagamentos prevê uma pensão para filhos de ex-governadores com menos de 18 anos de idade ou que sejam inválidos. O governo de Santa Catarina não informou se Hercília recebe a pensão por se enquadrar no último caso.

A reportagem procurou Hercília para falar sobre o benefício, mas uma funcionária sua afirmou que a filha do governador não falaria por estar bastante debilitada devido à idade avançada.

Viúvas - Também são beneficiadas por pensões três viúvas de ex-governadores. Uma delas é Despina Boabaid, viúva de José Boabaid, presidente da Assembleia Legislativa que assumiu o governo de Aderbal Ramos da Silva (1947-1951) em ocasiões em que o governador se afastou por problemas de saúde.

As outras são Kirana Atherino Lacerda, viúva de Jorge Lacerda (governador de 1956 a 1958), e Vera Maria Karam Kleinübing, viúva de Vilson Kleinübing (1991-1994). Em 2008, um projeto aprovado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina aumentou em mais de 300% o valor das pensões. Juntas, as viúvas consomem R$ 45 mil por mês dos cofres públicos.

Ex-governadores - Também há na Constituição estadual um artigo que garante pensão de R$ 22 mil para ex-governadores. Oito antigos ocupantes do cargo recebem atualmente o benefício. O mais recente é Leonel Pavan (PSDB), que governou Santa Catarina por nove meses no ano passado.

Também são beneficiados os ex-governadores Colombo Salles, Antônio Carlos Konder Reis, Henrique Córdova, Esperidião Amin, Casildo Maldaner, Paulo Afonso Vieira e Jorge Bornhausen. No total, os pagamentos de ex-governadores e viúvas em Santa Catarina consomem quase R$ 237 mil por mês --ou R$ 3,1 milhão por ano, contando o 13º.

Além do pagamento de aposentadorias a ex-governadores, Santa Catarina dá o benefício para ex-deputados estaduais. O Ministério Público questiona a legalidade destas remunerações.

Escola de Circo de Londrina está a um passo de fechar as portas

JORNAL DE LONDRINA, 24 de janeiro de 2011


Fecharam-se as cortinas. A Escola de Circo de Londrina (ECL) pode encerrar as atividades. Instalada em um terreno na Avenida Higienópolis, cedido pela Sercomtel desde 2004, a ECL terá de devolver o espaço, a pedido da própria empresa de telecomunicação da cidade, que quer vender o terreno para investir em expansão. A escola alega não ter local para a mudança. Já a empresa afirma que a ECL não aceitou a alternativa oferecida.

Na última quinta-feira, a luz da ECL foi cortada sem nenhum aviso prévio, segundo a diretora, Jerusa Rocha. “Estávamos tendo aula e, de repente, acabou a luz. Fomos ver e a Copel estava cortando. Desligaram e tiraram o relógio. Havia pessoas treinando, fazendo exercícios aéreos, gente pendurada. Ficamos todos no escuro”, conta. Mas o impasse vem de longa data.

O terreno da Sercomtel foi cedido à ECL, que firmou parceria com o município. “Fizemos convênio com a prefeitura para utilizar o espaço que estava abandonado.” Entretanto, a prefeitura quer de volta o terreno, para vender e aplicar o recurso na expansão da Sercomtel. “Eles querem forçar a nossa saída de lá. Fomos conversar com o prefeito na terça-feira de manhã e ele nos disse que a Copel está pressionando para vender o terreno”, afirma Jerusa.

Segundo a diretora, a Sercomtel havia se comprometido a construir um barracão na zona norte para abrigar a ECL. “Nós sugerimos um local na zona leste, mas dissemos que iríamos para a zona norte em último caso”, ressalta Jerusa. De acordo com ela, o grupo só não se mudou dali porque não houve a construção do barracão, em vista de o terreno escolhido ser uma rua e não ter sido desapropriado. “Estávamos em ano de eleição e depois eles não entraram mais em contato.”

Já para a Sercomtel, a ECL não quis o espaço oferecido. “Nós oferecemos e eles não aceitaram”, disse, em entrevista gravada por telefone, o presidente da empresa, Fernando Kireeff. Segundo ele, a Sercomtel pediu o terreno quando o acordo venceu. “No curto prazo, vamos precisar do espaço. No médio, queremos colocar a área à venda.” Kireeff não quis comentar valores do terreno.

O presidente da Sercomtel também negou que o recurso seria utilizado para pagar dívidas da Ask, empresa de call center (Veja abaixo). “Com o recurso, queremos acelerar a expansão da Sercomtel” justificou. Kireeff descartou ainda que a Companhia de Energia do Paraná (Copel) tenha pressionado pela venda. “É nosso interesse”, declarou.

Os professores e integrantes da Escola de Circo de Londrina (ECL) se dizem “desolados” com o corte de luz do local. Além disso, eles reclamam da falta de patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), negado neste ano. Um parecer da secretaria de Cultura informa que o projeto foi negado por ser realizado no terreno da Sercomtel.

“Não tivemos o projeto aprovado porque a escola está num terreno pedido para desocuparem”, afirma Jerusa Rocha, diretora da ECL. O secretário municipal de Cultura, Leonardo Ramos, confirma. “Eles acabaram tendo um projeto não selecionado porque colocavam o espaço como sendo ali. Nós não podíamos aprovar um projeto onde sabemos que há em andamento uma ordem de despejo”, afirmou, em entrevista gravada, por telefone.

Segundo Ramos, há a possibilidade que o município entre com uma ordem de despejo. O presidente da Sercomtel, Fernando Kireeff negou. “Nosso departamento jurídico está analisando as possibilidades e desdobramentos. Não posso adiantar nada”, disse.


Sercomtel assume dívida de R$ 23 milhões da Ask!

O ESTADO DE S. PAULO, 17 de janeiro de 2011

Valor resulta do acúmulo de prejuízos desde a criação da companhia de call center em 1999. Dívida será transformada em capital para reverter em ações. A medida faz parte do plano de reestruturação da Sercomtel e está regularizando uma situação de fato, uma vez que a Sercomtel já possuía a maioria das ações integralizadas da empresa, mas ainda não detinha a maioria das ações subscritas. A telefônica travava uma luta judicial com o sócio Atende Bem.

O presidente da Sercomtel, Fernando Kireeff, explicou que no passado a telefônica já havia realizado uma série de medidas que culminou na estabilização da operação da Ask!, como a redução de despesas, concentração das operações em Londrina (com o fechamento do site de São Leopoldo/RS) e reestruturação interna.

Um estudo interno avaliou a viabilidade da Ask! a longo prazo e chegou à conclusão, do ponto de vista estratégico e econômico-financeiro, que seria vantajoso manter a Ask! aberta e operando, apesar dos prejuízos acumulados em outros anos. Desde a sua criação, em 1999, a Ask! acumulou prejuízos na ordem de R$ 23 milhões.

A Sercomtel é a maior credora da Ask! – a operadora já aportou R$ 11, 7 milhões em empréstimos para a companhia nos últimos anos. Fechando a Ask!, a Sercomtel não teria chance de recuperar seus créditos e teria de assumir de imediato todas as dívidas da companhia.

Kireef explica que a Sercomtel vai transformar a dívida da Ask! para com a operadora (R$ 11, 7 milhões) em capital, revertendo esse capital em ações.

A companhia de call center ainda ganhará um fôlego extra para fazer seu saneamento financeiro, que inclui o pagamento de dívidas com outros credores, de cerca de R$ 7 milhões, que serão negociadas ao longo do tempo.

Jornal O Estado do Paraná deixa de circular na versão impressa

TRIBUNA DO NORTE, 24 de janeiro de 2011

Um dos jornais paranaenses mais importantes, O Estado do Paraná deixará de ser impresso em breve, e ficará apenas com a sua versão on-line, publicada no portal do jornal . A informação foi dada ontem pelo empresário Paulo Pimentel em entrevista à rádio CBN Curitiba. A notícia confirma os rumores que já existiam no mercado havia algum tempo.

Pimentel não confirmou a data em que o periódico deixará de ser impresso (segundo algumas fontes, a última edição impressa seria a deste domingo), mas garantiu que nenhum dos jornalistas será mandado embora. “Eles vão se adaptar, assim como eu estou me adaptando”, disse. O dono do Grupo Paulo Pimentel (GPP) não descartou, no entanto, demissões em outras áreas, em especial no departamento de impressão. O empresário não retornou aos pedidos de entrevista da Gazeta do Povo. Ainda em entrevista à rádio, Pimentel garantiu que A Tribuna do Paraná, outro jornal do grupo, continuará sendo impresso. Com foco no noticiário esportivo e policial, o jornal já há algum tempo tinha maior circulação que o Estadinho – como é chamado O Estado do Paraná.

Pimentel disse ainda que espera que os anunciantes migrem para a Tribuna e que, para o Estadinho, a linha impressa está superada. “Em vez de ser entregue em casa, o jornal vai ser entregue on-line”, afirmou. Pimentel já havia vendido suas televisões – as emissoras, afiliadas ao SBT, foram repassadas a Ratinho, do Grupo Massa.

Demitido há poucos meses, o ex-editor do caderno de Economia João Alceu Ribeiro disse que, nos corredores do jornal, já se ouvia há muito tempo os rumores de que a versão impressa deixaria de existir. “Havia um certo desconforto. Não tínhamos certeza de que continuaríamos empregados ao voltar das férias. E foi justamente o que aconteceu comigo”, relata. Segundo Ribeiro, há cerca de três anos o jornal passava por um desmantelamento. “O número de funcionários da redação foi reduzido à metade”, lembra. O jornal tem atualmente cerca de 15 jornalistas trabalhando na redação.

Este é o terceiro jornal impresso do estado a deixar de circular em pouco mais de seis meses. O jornal Diário Popular publicou sua última edição em agosto passado. Com problemas financeiros, o períodico demitiu seus 30 funcionários e deixou de circular depois de 47 anos. De caráter popular e linha editoral focada no noticiário esportivo e policial, ele tinha, na época, uma tiragem de 12 mil exemplares de segunda a sexta-feira, e 15 mil na edição de fim de semana. Mais recentemente, o Hora H News também passou a ser publicado apenas na internet.

Guardas Municipais de Londrina respondem por abuso de autoridade

O ESTADO DE S. PAULO, 224de janeiro de 2011

Pelo menos quatro guardas são alvos de processos disciplinares; uma agente está afastadas das funções operacionais


Três processos disciplinares foram instaurados para investigar suposto abuso de autoridade praticado por guardas municipais de Londrina, segundo o procurador-geral do município, Fidélis Canguçu, que acumula o cargo de Corregedor-Geral da Guarda.

Canguçu não quis dizer quantos agentes estão envolvidos e afirmou que pode haver mais denúncias contra guardas municipais, mas estas não chegaram ao seu conhecimento. O procurador não quis comentar sobre as denúncias que geraram processo disciplinar, já que será ele a julgar eventual punição aos agentes.

Já o secretário de Defesa Social, Joaquim Antonio de Melo, disse que tem conhecimento de apenas dois casos.

Um ocorreu no ano passado, em setembro, quando uma dupla de guardas teria agredido um rapaz no estacionamento da Câmara Municipal com uma arma de choque, equipamento que não faz parte do armamento dos agentes. A dupla, segundo Joaquim de Melo, está afastada das atividades normais, tendo ficado designada para fazer vigilância de prédios públicos.

O outro caso foi na primeira semana deste ano. Uma dupla de guardas, sendo um homem e uma mulher, teria agredido fisicamente dois adolescentes no módulo do Bosque Municipal, utilizado como base da Guarda na região central.

A agente foi afastada das funções operacionais e estaria exercendo atividades administrativas, segundo o secretário Joaquim de Melo. "Ela está em funções internas até que se apure sua responsabilidade", disse.

Os guardas municipais estão em estágio probatório e por isso, caso fique comprovado o abuso de autoridade, podem não ser efetivados no cargo. Dependendo da gravidade do caso, podem ser exonerados tão logo o processo chegue ao final.

A Guarda Municipal de Londrina, que tem 250 agentes, foi criada em junho do ano passado.

Governo diz que vai retomar imóveis do Minha Casa vendidos ilegalmente

O ESTADO DE S. PAULO, 21 de janeiro de 2011

Em nota conjunta, Ministérios do Planejamento e de Cidades e a Caixa Econômica Federal ressaltaram que os contratos firmados com os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida proíbem a venda de unidades até que estejam efetivamente pagas


A presidente Dilma Rousseff orientou o governo a retomar os apartamentos do Programa Minha Casa, Minha Vida que foram vendidos irregularmente no Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana (BA), conforme revelou reportagem do Estado divulgada ontem. A Controladoria Geral da União (CGU) vai analisar a necessidade de mudanças nas regras do programa para coibir a inadimplência nos contratos e, principalmente, o repasse indevido dos imóveis.

Em nota conjunta, os ministérios do Planejamento, Cidades e a Caixa Econômica Federal - responsáveis pelo acompanhamento, execução e fiscalização do programa - afirmaram que os contratos firmados com os beneficiários proíbe a venda do imóvel até que ele seja quitado.

No caso das famílias com renda de até R$ 1.395, o prazo de pagamento é de 10 anos e a parcela mínima equivale a R$ 50 ou 10% da renda mensal da família. "Todos os apartamentos irregularmente vendidos serão retomados, como prevê o contrato", informa a nota. O governo enfatiza ainda que a venda irregular do imóvel pode acarretar em rescisão de contrato de parcelamento, resultando na cobrança integral e à vista do valor de venda, abatidos pagamentos já feitos.

Ainda segundo a nota, todos os moradores do condomínio serão notificados sobre a ilegalidade da venda. Além disso, os moradores do residencial estão sendo informados pela Caixa sobre as possibilidades de renegociação de seus débitos, caso haja dificuldades de pagamentos."Os índices de inadimplência verificados nesse tipo de carteira de crédito estão compatíveis com os padrões de faixa de renda de até R$ 1.395", reforçou a nota.

O Residencial Nova Conceição foi o primeiro empreendimento do Minha Casa, Minha Vida entregue para famílias com renda mensal de até R$ 1.395. Apesar de os beneficiários estarem morando no condomínio há apenas seis meses, já existem problemas com inadimplência e venda irregular de imóveis, segundo revelou o Estado.

Boa parte dos moradores é beneficiário do Bolsa Família e não tem condições financeiras de pagar a parcela mínima de R$ 50. "A Caixa está realizando o levantamento social de cada morador e a situação de cada imóvel, neste momento", destacou a nota.

Problemas. O próprio governo já havia identificado irregularidades semelhantes às reveladas pelo Estado no quarto trimestre de 2010 ao fazer o monitoramento do programa habitacional.Medidas para enfrentar a situação foram inseridas na Medida Provisória 514, que aguarda aprovação do Congresso. A MP obriga as prefeituras a assumir compromissos de trabalho social, equipamentos e serviços públicos. Além disso, previa a implementação, neste ano, de um sistema de monitoramento e avaliação.

A CGU informou que analisará a necessidade de mudanças nas regras do Minha Casa, Minha Vida de forma a coibir a inadimplência e, principalmente, o repasse indevido dos imóveis.

Desde o final do ano passado , o Minha Casa, Minha Vida é objeto de uma auditoria na CGU. O objetivo do trabalho, no entanto, é checar se as casas e apartamentos do programa estão sendo vendidos. A auditoria sobre o Minha Casa, Minha Vida deve ser concluída no final de março, segundo a assessoria da CGU. Ainda há equipes em campo em todo o País.

Uma avaliação preliminar não identificou erros no foco do programa. Não há prazo para a análise das irregularidades reveladas anteontem pelo Estado.


No Minha Casa, Minha Vida, calote e venda irregular
O ESTADO DE S. PAULO, 21 de janeiro de 2011

Seis meses depois de entregues as chaves, o primeiro empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida para famílias de baixa renda sofre com comércio ilegal de apartamentos e abandono por inadimplência, relatam Edna Simão e Tiago Décimo. O Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana (BA), foi apresentado no programa de TV da campanha presidencial de Dilma Rousseff como exemplo de política para os mais pobres. Das 440 unidades, 50 já foram ilegalmente negociadas pelos ocupantes de direito. “Houve quem vendesse por R$ 500", disse representante dos moradores. Desde 2009, a Caixa assinou 1 milhão de contratos do Minha Casa, Minha Vida, mas o total de imóveis entregues não chegou a 300 mil.


No Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana, comércio ilegal de apartamentos e abandono das unidades por falta de pagamento das prestações de R$ 50 põem em xeque o programa xodó da presidente Dilma Rousseff


Apenas seis meses depois de entregues as chaves, o primeiro empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida para famílias de baixa renda tornou-se uma espécie de assentamento urbano com comércio ilegal de apartamentos e abandono dos imóveis por falta de pagamento das prestações de R$ 50, colocando em xeque o programa xodó da presidente Dilma Rousseff.

O Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana (BA), foi o primeiro empreendimento para famílias com renda de até R$ 1.395 entregue no País e recebeu duas visitas do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na campanha presidencial, Dilma levou ao ar no horário eleitoral gratuito o condomínio como exemplo bem-sucedido de política pública para os mais pobres.

De lá para cá, desligadas as câmeras da campanha, o "condomínio" apresenta personagens com dramas reais. O presidente da Associação de Moradores do Residencial Nova Conceição, Edson dos Santos Marques, 27 anos, diz que o calote tem aumentado no empreendimento porque boa parte dos moradores tem como renda apenas o benefício do Bolsa Família.

De acordo com ele e com entrevistas realizadas pelo Estado, das 440 unidades do residencial distribuídas em 22 blocos, 50 já foram ilegalmente negociadas pelos ocupantes de direito, escolhidos pela Prefeitura de Feira de Santana em parceria com a Caixa Econômica Federal. Eram pessoas que tiveram as casas condenadas depois da enchente que atingiu o bairro periférico de Feira X, a cerca de dez quilômetros dali, em 2007.

"Houve quem vendesse a unidade a R$ 500, antes de receber as chaves", conta Marques. Em média, cada apartamento tem 37 m², dois quartos, cozinha e banheiro. "Hoje, os valores estão por volta de R$ 15 mil." Como rege a lei da oferta e da procura e há demanda para as unidades, os preços dos apartamentos estão subindo.

Contas

Para Anália Barbosa dos Santos, de 62 anos, a entrega das chaves do apartamento 2, do bloco 16, depois da visita presidencial e da então candidata parecia encerrar uma vida de necessidades. Agora, ela pensa em se mudar. "Tenho dificuldades para pagar todas as contas que chegam", conta a idosa, que sonha comprar uma casa no bairro de origem com o dinheiro da venda.

A inadimplência já preocupa a Caixa. Isso porque, a entrega do empreendimento é recente e há o temor de que essa situação se repita em outros locais.

Com a "expulsão" dos beneficiários originais, o residencial que era para ser destinado, principalmente, aos inscritos no Bolsa Família que moravam em áreas de risco está sendo "colonizado" por famílias com renda familiar superior.

Mãe solteira de três crianças, Cristiane Lopes, 30 anos, deixou de pagar, há quatro meses, as parcelas da casa própria à Caixa. Desempregada, ela conta apenas com a renda de R$ 134 do Bolsa Família para manter a casa. "Paguei as duas primeiras parcelas com R$ 100 que ganhei da minha tia. Depois não consegui pagar mais", lamentou Cristiane. Ela já recebeu cartas da Caixa cobrando o débito e teme perder o imóvel por inadimplência.

Lançado por Lula em 2009, o Minha Casa, Minha Vida foi um dos principais trunfos de Dilma na campanha. Na ocasião, ela prometeu entregar 2 milhões de moradias para famílias com renda de até R$ 4.650 até 2014.

O objetivo do programa é reduzir o déficit habitacional no País, que é de quase 6 milhões de moradias - concentrado entre as famílias que recebem até um salário mínimo. Mas quando foi lançado, o Minha Casa, Minha Vida também serviu de estímulo econômico em momento em que o País sentia os efeitos da maior crise financeira dos últimos 80 anos.

De abril de 2009 a dezembro de 2010, a Caixa assinou 1 milhão de contratos, como era esperado. O número de imóveis entregues, no entanto, não chegou a 300 mil unidades. A expectativa é de que as entregas se acelerassem no decorrer de 2010. Isso porque, um empreendimento demora, em média, 18 meses para ser construído.





quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ex-superintendente do Porto de Paranaguá é preso com R$ 65 mil

GAZETA DO POVO, 20 de janeiro de 2011


O ex-superintendente dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) Daniel Lúcio de Oliveira é o único dos oito detidos ontem na operação Dallas que ainda não prestou depoimento. Ele foi preso na manhã de ontem no Rio de Janeiro, quando estava hospedado em um hotel na área portuária da cidade. Com ele foram apreendidos R$ 65 mil em dinheiro, que estavam guardados em um fundo falso do guarda-roupa, além de uma duplicata no valor de R$ 800 mil, emitida por um terminal portuário de Paranaguá. Daniel deve chegar ainda hoje ao Paraná para prestar depoimento. As prisões são temporárias, válidas por cinco dias.

Duas pessoas não foram encontradas em casa ontem pelos policiais e estão foragidas. Uma delas é Fabricio Slaviero Fumagalli, sócio da Companhia Brasileira de Logística (CBL), um terminal portuário em Paranaguá acusado de apropriação indevida de cargas de grãos como soja e açúcar. O segundo foragido é um funcionário da CBL. Segundo a PF, o advogado de Fumagalli informou que o cliente deverá se apresentar hoje.

Limpeza - A empresa Petroil também teria sido beneficiada pelo esquema, segundo a PF. Em abril de 2010, Daniel Lúcio assinou uma portaria que declarava a Petroil como a única empresa autorizada a executar a limpeza dos terminais na área portuária. A Petroil arrecadava sozinha a chamada “varrição”, ou seja, o recolhimento das sobras de grãos movimentados pelo porto que poderiam ser vendidos depois. “Por coincidência, era (também de propriedade) do superintendente”, afirmou Fayad.

A Gazeta do Povo apurou que a investigação da PF flagrou Souza usando um carro e um celular da Petroil. Além disso, ela seria responsável por pagar a faculdade de um dos filhos do ex-superintendente. Uma fonte informou que na busca e apreensão na empresa foram recolhidos uma pasta com “despesas de Daniel”, em que estavam contas a pagar do ex-comandante do porto paranaense.

O governador Beto Richa determinou ontem auditoria nos contratos do Porto de Paranaguá investigados pela Polícia Federal.

Desvio no Porto de Paranaguá iria para caixa 2, diz Polícia Federal

GAZETA DO POVO, 20 de janeiro de 2011

Oito pessoas são presas acusadas de fraude no porto. Eduardo Requião tem casa vasculhada e polícia diz que recursos seriam usados em campanha eleitoral


A compra de uma draga pelo Porto de Paranaguá, em 2009, por cerca de US$ 45,6 milhões, foi utilizada para o desvio de aproximadamente US$ 5 milhões que foram utilizados em campanhas eleitorais no Paraná. Esse é uma das conclusões da operação Dallas, da Polícia Federal (PF), que prendeu oito pessoas ontem acusadas de desviar entre R$ 3,5 milhões e R$ 8,5 milhões, entre elas o ex-superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Daniel Lúcio de Oliveira. Ele é suspeito de ter recebido indevidamente R$ 640 mil e um apartamento. Os oito são acusados de formação de quadrilha, fraude em licitação, estelionato, corrupção ativa e passiva, desvio de dinheiro público e superfaturamento.

Foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão. Entre os locais em que os policiais apreenderam documentos em Curitiba estão o apartamento de Eduardo Requião, ex-superintendente da Appa e irmão do ex-governador Roberto Requião; e a casa do em­­presário Luís Mussi, ex-secretário especial no governo Requião e se­­gundo suplente do senador. Se­­gundo a PF, os dois estariam envolvidos, junto com Daniel Lúcio, no esquema de fraude na concorrência pública para a compra da draga.

A PF e o Ministério Público Fe­­deral (MPF) teriam solicitado a prisão de Eduardo Requião, mas o pedido teria sido negado pela Justiça, que autorizou apenas a busca e apreensão.

Investigação - O delegado-chefe da PF em Pa­­ranaguá, Jorge Luiz Fayad Nazário, disse ontem, em entrevista coletiva, que, a partir de escutas telefônicas e da inteceptação de e-mails feitas durante seis meses, os investigadores entenderam que a licitação de compra da draga foi direcionada e que os envolvidos pretendiam desviar parte do dinheiro. “20% seria desviado e repassado para essas pessoas da APPA e influentes no governo do estado, que iriam se apoderar dessa importância”, disse o delegado.

Segundo Nazário, os monitoramentos mostram que parte desse montante seria usado como caixa dois em uma campanha eleitoral. “Uma parte iria para campanha política e uma parte iria para as pessoas”, disse. O delegado não divulgou os aúdios nem esclareceu quem seriam os diretores da APPA nem os “influentes no governo” que receberiam o dinheiro.

A tentativa de compra da draga foi conduzida durante a gestão de Daniel Lúcio à frente da Appa, entre outubro de 2008 e abril de 2010. Em 2009, uma licitação foi aberta e a vencedora foi a Inter­­fabric Indústria e Comércio, que depois foi desclassificada. A vencedora passou a ser a Global Connec­­tion Comercial, de Londrina. A Interfabric conseguiu anular a compra na Justiça, no ano passado.

Desvio de grãos - A investigação começou em de­­zem­bro de 2009, para apurar o desvio de grãos, e foi ampliada depois que as escutas telefônicas mostraram indícios de outros crimes. Além de participar da possível fraude na licitação, Daniel Lúcio de Oliveira estaria por trás de outras duas fraudes: o favorecimento da em­­presa Petroil para prestar serviços de limpeza de silos no porto e a contratação de empresas ligadas a ele para prestar serviços de estudos ambientais a Appa.

Após o porto assinar um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ibama, a APPA contratou três empresas para fazer estudos de adequação às normas am­­bientais: Fundação Terra, Aqua­­plan e Eco­­porte. Elas seriam administradas por “laranjas”, de acordo com a PF, e pertenciam a Daniel Lúcio.

A contratação das empresas teria sido intermediada por José Maria Veiga, ex-funcionário da Appa que também foi preso, e uma advogada que chefiava a área am­­biental do porto. Ela foi detida, mas não teve o nome divulgado.

Segundo a PF, recursos eram desviados a partir das contratação das empresas. Em um dos casos, a Appa pa­­gou R$ 270 mil por um estudo, mas somente R$ 30 mil foram gastos com o trabalho. “Houve um pagamento de propina de R$ 440 mil, utilizados na compra de um veleiro, e um empréstimo de R$ 130 mil”, disse o delegado. A reportagem apurou que o veleiro é da filha de Souza e que o em­­préstimo beneficiaria a mulher dele.

A investigação de um segundo contrato levou a PF a suspeitar da participação de um inspetor controlador do Tribunal de Contas do Estado (TCE) no esquema. Ele também foi preso, mas não teve o nome divulgado.


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Acuado, Requião diz que irmão denunciou sumiço de soja no Porto

BEM PARANÁ, 20 de janeiro de 2011


Depois de “furar” a entrevista na rádio Globo, o ex-governador Roberto Requião (PMDB) voltou a se manifestar pelo twitter para defender o irmão, Eduardo Requião, envolvido na Operação Dallas da Polícia Federal que investiga desvio de cargas, pagamento de propina e outras irregularidades no Porto de Paranaguá. Segundo Requião, Eduardo é quem teria denunciado o sumiço de soja no Porto. Sobre a cobrança de propina de US$ 5 milhões na compra da draga apontada pela PF, porém, o peemedebista não se pronunciou. “O setor privado impede o porto de comprar draga. Os desvios de soja foram denunciados pelo Eduardo”, disse. “Já fizeram busca e apreensão na casa do irmão do Lula. Depois pediram desculpas”, argumentou, sobre o fato de agentes da PF terem vasculhado e apreendido documentos no apartamento de seu irmão.

Como é do seu estilo, Requião – acuado – tenta se defender partindo para o ataque. “Não perdôo nem o pecador nem o pecado, confio no meu irmão. Dentro da lei tudo deve ser apurado”, afirmou. A frase é uma referência clara às declarações do governador Beto Richa (PSDB), que defendeu a nomeação de Ezequias Moreira como diretor da Sanepar afirmando que ele já teria pago por seus erros. “Nesses casos, sempre me refiro a uma citação bíblica que fala de ‘perdoar o pecador e não o pecado”, disse Richa. Ex-chefe de gabinete do tucano na prefeitura, Ezequias é acusado de manter a sogra, Verônica Durau, como funcionária “fantasma” da Assembleia, recebendo durante onze anos mais de R$ 500 mil em salários. Após a divulgação do caso, ele devolveu o dinheiro aos cofres públicos.

Suplente de Requião é investigado

GAZETA DO POVO, 20 de janeiro de 2011


Um dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF) ontem, em busca de documentos, foi na residência do suplente do senador Roberto Requião, o empresário Luís Guilherme Gomes Mussi. A PF não revelou se o empresário está envolvido no esquema de desvio de cargas, mas sabe-se que Mussi era um dos intermediários entre a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e o governo estadual na compra de uma draga vinda da China, abortada após indícios de fraude na licitação.

Não é a primeira vez que o suplente do ex-governador se envolve em escândalos. Em dezembro de 2010, Mussi foi preso em flagrante no aeroporto de Londrina, após tentar embarcar com 25 projéteis de uso restrito, sendo liberado horas depois. Em entrevista à Gazeta do Povo, o empresário negou ter conhecimento da visita da PF ao seu apartamento. “Estou na minha empresa e não tenho essa informação. Tudo que sei sobre a operação foi o que li nos jornais, e não estou envolvido.”

Aposentado, Alvaro pede R$ 1,6 milhão de “retroativos”

GAZETA DO POVO, 20 de janeiro de 2011


O senador paranaense Alvaro Dias (PSDB), que recebe aposentadoria como ex-governador desde outubro do ano passado, solicitou à Secretaria de Estado da Administração o pagamento retroativo de cinco anos do benefício. Se o pedido for aceito pelo governo estadual, o senador poderá receber R$ 1,6 milhão dos cofres públicos.

Pela legislação vigente no Paraná, Alvaro teria direito à pensão vitalícia desde que deixou o governo do estado, em 1991. Como só fez o pedido no ano passado, decidiu solicitar os valores retroativos. A reportagem tentou contato com o senador para que ele comentasse o pedido e explicasse porque solicitou os pagamentos apenas dos últimos cinco anos. Mas ele não atendeu as ligações.

De acordo com o governo do estado, a solicitação de Alvaro foi encaminhada para a Procurado­­­ria-Geral do Estado na última sexta-feira para análise jurídica. Só depois do parecer vai ser anunciado se o pagamento ocorrerá e como será feito.

A aposentadoria dos ex-governadores no Paraná hoje é de R$ 24,8 mil, com direito a 13 pagamentos por ano. Caso o senador conseguisse receber as 65 mensalidades que solicitou pelo valor atual, receberia R$ 1,6 milhão. Isso seria suficiente para quase dobrar o seu patrimônio pessoal. Na última eleição que disputou, em 2006, Alvaro afirmou, à Jus­­­tiça Eleitoral, possuir um patrimônio de R$ 1,9 milhão.

Em dezembro passado, Alvaro concedeu entrevista à Gazeta sobre a aposentadoria especial de ex-governador que solicitou. Afirmou que, durante 20 anos, havia se recusado a fazer a solicitação. Dizia, porém, que agora estava “pagando para trabalhar” como senador. “Não recebo verba de indenização nem auxílio-moradia no Senado. E o que eu recebo, tirados os descontos, não paga os custos da função”, afirmou.

A aposentadoria dos ex-governadores causou polêmica nesta semana depois que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou que pretende ir à Justiça contra o pagamento dos benefícios, que existe em vários estados. Segundo o presidente da OAB nacional, Ophir Cavalcante, trata-se de um privilégio inconstitucional.

No Paraná, nove ex-governadores recebem o benefício: Paulo Pimentel, João Mansur, Emílio Gomes, Jayme Canet, João Elísio Ferraz de Campos, Alvaro Dias, Mario Pereira, Jaime Lerner e Roberto Requião. O ex-governador Orlando Pessuti, que deixou o cargo em 1.° de janeiro, também já fez a solicitação do benefício, mas ainda não teve o pedido aprovado pela Secretaria da Administração.


Rio Grande do Sul: Após 20 anos, Simon passa a ter pensão
Vinte anos depois de deixar o governo gaúcho, o senador Pedro Simon (PMDB) passou a receber aposentadoria pela função. “Minha situação estava ficando difícil”, afirmou Simon, que saiu do cargo em abril de 1990. “No Senado, eu recebo cerca de R$ 11 mil”, relata, referindo-se ao valor líquido dos vencimentos.

Simon segue abrindo mão da verba de representação mas, como seus pares, a partir de fevereiro receberá R$ 26,7 mil brutos. Outros sete ex-governadores gaúchos e três viúvas de ex-governadores também recebem aposentadorias de R$ 24,1 mil. Yeda Crusius (PSDB) entrou na lista neste mês.



Prefeito de Londrina diz que secretário saiu por reprovar mudanças na Secretaria de Saúde

JORNAL DE LONDRINA, 20 de janeiro de 2011


Em entrevista coletiva à imprensa, na manhã desta quinta-feira (20), o prefeito Barbosa Neto (PDT) falou sobre a saída de Agajan Der Bedrossian da Secretaria de Saúde, que, segundo ele, foi uma mudança natural.

“Infelizmente, o secretário nos deixou, mas foi um gesto de grandeza dele. Ele espera que, com sua saída, haja melhoria na gestão interna da Saúde”, explicou.

Barbosa acredita que alterações feitas no segundo escalão da secretaria durante as férias não tenham agradado a Bredossian. “Nós não podíamos aguardar a chegada do secretario. Acredito que essas mudanças são prerrogativas do prefeito, que é quem comanda a cidade. Fizemos alterações e faríamos novamente”, acrescentou Barbosa.

Segundo ele, a secretária Ana Olympia Dornellas continua no cargo e não haverá interrupção nos projetos que estão sendo desenvolvidos.

O prefeito garantiu que não está satisfeito com a saúde pública. De acordo com ele, o segundo escalão da Secretaria de Saúde foi modificado por causa de condutas incorretas. “Nós sabemos, por exemplo, que tem médico que pega atestado na sexta-feira, que apresenta atestado para o Município, mas continua trabalhando para o Estado”, revelou.

A reportagem tentou contato com Agajan Der Bedrossian, mas o celular dele está desligado.


Nova secretária de Saúde trabalhava no Ciap
BONDE, 20 de janeiro de 2011

A nova secretária de Saúde de Londrina, Ana Olympia Velloso Marcondes Dornellas, trabalhava como gerente de licitações no Centro Integrado de Apoio Profissional (CIAP). A enfermeira foi nomeada interinamente para o cargo municipal em substituição ao médico Agajan Der Bedrossian.

O CIAP foi alvo de investigação da Polícia Federal. A Oscip teria desviado R$ 300 milhões de verbas federais ligadas a área da saúde. O presidente, diretores e funcionários da entidade foram presos. Ao todo, 21 foram denunciados criminalmente por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. Em Londrina, o CIAP gerenciava quatro contratos: Samu, Programa Saúde da Família, Policlínicas e Agentes de Endemias.

Ana Dornellas é servidora municipal. No final de 2009, deixou a Secretaria de Saúde e assumiu cargo de gerente de licitações do CIAP. Na Oscip, ela substituiu Marcia Bonassar, atual diretora do Instituto Atlântico, que presta serviços para a prefeitura. Na época, Ana Dornellas pediu afastamento do município sem antes pedir licença remunerada e foi transferida para Curitiba.

Na Oscip, ela tinha como obrigação inscrever projetos em editais públicos. Ana ocupou o cargo de janeiro a julho e pediu demissão após os escândalos de corrupção.

Durante entrevista coletiva, o prefeito Barbosa Neto (PDT) demonstrou irritação ao ser questionado sobre a nomeação de uma mulher que prestou serviços para o CIAP. "Você tem alguma denúncia?", rebateu. Mais calmo, ele complementou dizendo que "tem centenas de pessoas que trabalharam no CIAP, que tem direito de seguir sua vida profissional", disse.

De volta ao município, Ana Dornellas havia sido convidada por Agajan der Bedrossian para ocupar a diretoria executiva na Secretaria de Saúde. Ela ficou no cargo até o início da semana. A reportagem do Portal Bonde tentou falar com a interina, mas ela estava em reunião.


Milenia é vendida para estatal chinesa

BONDE, 20 de janeiro de 2011


A Milenia Agrociência foi vendida pela acionista majoritária Makhteshim Agan Industries LTD. O acordo foi fechado na semana passada com a China National Chemical Corporations (ChemChina). A estatal chinesa teria pago pouco mais de R$ 350 milhões para ter o controle de 60% da Koor Industries LTD, como é chamada a Milênia Agrociência no exterior.

As empresas estavam em negociação desde outubro. Inicialmente, a ChemChina queria adquirir 70% da Milenia. A intenção da estatal chinesa era ampliar as ações no setor químico e agroquímico.

Durante as negociações, a Milenia Agrociência passou por reestruturação. Em Londrina houve corte de pessoal com a demissão de 150 operários. O mesmo vai acontecer no pólo industrial de Taquari, no Rio Grande do Sul. As dispensas começam em fevereiro.

A confirmação da negociação envolvendo a Makhteshim Agan e ChemChina será analisada pela Justiça de Israel.

Empresários e trabalhadores criticam alta da Selic para 11,25% ao ano

O GLOBO, 19 de janeiro de 2011


A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar em 0,5 ponto percentual a taxa Selic,0 para 11,25% ao ano , foi alvo de críticas por parte das principais associações que representam a indústria e os trabalhadores.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manteve o tom de forte crítica às reuniões do Copom, afirmando que a decisão da primeira reunião realizada no governo de Dilma Rousseff foi "um mau começo".

"Com decisões como essa, em 2011, o governo federal vai gastar R$ 200 bilhões de juros. Para a Saúde teremos apenas R$ 72 bilhões, para Educação teremos R$ 60 bilhões."A Fiesp alerta que cada meio ponto percentual a mais na taxa Selic representa despesa pública anual adicional de R$ 9 bilhões.

Para a Força Sindical, a alta dos juros foi "desnecessária". Para a entidade, "parece que o governo que se inicia quer implantar a agenda econômica que foi derrotada nas últimas eleições por privilegiar o capital especulativo". "Infelizmente, a decisão do Copom fortalece os obstáculos ao desenvolvimento do País com distribuição de renda", acrescenta.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) considerou "um grande equívoco" a decisão do BC. O aumento da Selic, de 10,75% para 11,25%, "é nefasto para a economia brasileira, pois inibe o crescimento, a geração de empregos e o desenvolvimento econômico e social", afirma o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro. "As taxas de juros brasileiras estão entre as mais altas do mundo, o que diminui a competitividade das exportações, encarece o crédito ao consumidor e às empresas e prejudica as contas do próprio governo. Só os bancos e o mercado financeiro ganham", analisa o dirigente sindical, que coordena o Comando Nacional dos Bancários.
Atividade econômica e emprego podem ser afetados, diz CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou o aumento da Selic uma medida "precipitada" e que "compromete a capacidade de crescimento de longo prazo da economia". "A elevação dos juros é o caminho mais fácil de controle de preços, porém o mais prejudicial. O impacto recai unicamente no setor produtivo, afetando negativamente a atividade e o emprego", disse a CNI.

A Fecomercio-SP afirmou que "a medida é negativa e atrapalha o bom ritmo da atividade econômica do país". Segundo cálculos da entidade, a alta de 0,5 ponto na Selic "extrai do consumo das famílias e dos investimentos das empresas brasileiras, no mínimo, cerca de R$ 3 bilhões este ano".

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) salientou que o "aumento dos juros preocupa porque pode ajudar a valorizar o real". "O Brasil continua sendo um porto seguro para os investimentos estrangeiros. E com essa alta dos juros vamos atrair mais dólares, que podem aumentar a valorização do real, causando mais prejuízos para a nossa indústria e nossa agricultura", disse Alencar Burti, presidente da ACSP.

O presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, entretanto, disse que a decisão do Copom já era esperada, após a escalada da inflação."A alta dos juros já eram favas contadas. O Banco Central não tinha saída a não ser aumentar a Selic para conter a inflação, pressionada pela expansão dos gastos correntes do setor público", disse, em nota.

Segundo ele, é preciso que o novo governo tenha prudência no campo fiscal e reduza as despesas correntes, abrindo espaço para ampliação dos investimentos. "Ingressar neste novo ciclo permitirá manter aquecido o comércio, aumentar nossa produtividade, conduzir os juros ao patamar internacional e equilibrar as contas com o exterior", finaliza.