segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Novo ano em Cornélio Procópio começa com obras atrasadas ou totalmente paradas


INSTITUTO AME CIDADE, 4 de janeiro de 2010

O prefeito Amin Hannouche (PP) adentra o ano de 2010 com bastante serviço atrasado. São várias obras iniciadas no ano passado e que estão sendo tocadas de forma muito lenta e atrapalhada, causando bastante preocupação entre a população não só pelos prazos que não se cumprem, mas também pelo estado em que essas construções serão entregues.

Os procopenses temem que a necessidade de acelerar o serviço acabe prejudicando a qualidade e a segurança desses bens públicos. As dificuldades de execução mostram falhas graves de planejamento e por isso um dos temores da população é que mesmo depois de concluídas essas obras apresentem falhas que exijam mais investimento.

O novo Calçadão, situado em um setor comercial da cidade, simboliza bem a dificuldade demonstrada pela prefeitura na concepção e administração de suas obras. Os trabalhos começaram em agosto, tomando quase metade do ano e tornando difícil para comerciantes e pedestres principalmente o último trimestre de 2009. Em alguns dias as obras ficaram totalmente paradas.

O comércio da região chegou a sofrer prejuízo, com alguns comerciantes avaliando as perdas em até 30%. Quando as obras ainda não haviam sido iniciadas, algumas pessoas já alertavam o prefeito Amin Hannouche sobre o risco em iniciar obras em data tão próxima do Natal, época vital para o comércio. Mas é claro que ele não deu atenção.

Mais adiante, em outubro, com a morosidade das obras já causando queda nas vendas e temendo que os problemas não terminassem antes do Natal, comerciantes e o Sindicato do Comércio Varejista procuraram a Prefeitura, onde foram recebidos pelo secretário municipal da Indústria e Comércio, Iran de Resende. Mas também nada foi resolvido.

Enquanto a cidade vivia este clima de dificuldades e preocupações, o prefeito Amin Hannouche estava em viagem ao Oriente Médio, de carona na caravana do prefeito curitibano Beto Richa (PSDB).

Na origem dos transtornos com tantas obras atrasadas evidentemente estão graves dificuldades de gestão, incapacidade que é ainda mais estranha em um prefeito reeleito. Mas boa parte dessas adversidades vem também do perfil autoritário e centralizador do prefeito. E o pior é que este traço parece ter contaminado seus colaboradores, como funcionários nomeados e secretários, que demonstram uma grande dificuldade de diálogo com a sociedade civil. Mesmo quando recebem os cidadãos, como no encontro entre os comerciantes e Iran de Resende, as sugestões não são encaminhadas de forma prática.

O drama da questão do calçadão até obrigou comerciantes a fazerem uma manifestação pública de protesto contra a demora nas obras e a falta de diálogo das autoridades municipais. Foi aí que se viu com mais clareza o caráter impositivo de uma administração que parece não admitir a convivência democrática com a divergência de opinião.

O protesto aconteceu de forma pacífica no dia 12 de novembro. Comerciantes e funcionários estenderam faixas próximo às obras que prejudicavam seu trabalho. O secretário municipal da Indústria e Comércio, Iran de Resende, esteve no local durante a manifestação e em vez de dialogar fez críticas agressivas e exigiu a retirada das faixas. A faixa da imagem acima foi a que mais irritou o secretário.

Os manifestantes reclamavam principalmente do período inoportuno das obras e pediam mais empenho na conclusão. Além de não serem ouvidos novamente, desta vez ainda foram tratados com agressividade por um secretário de Amin Hannouche.

O caso do Calçadão é a marca simbólica de uma administração que termina seu primeiro ano de forma atrapalhada e mostrando graves dificuldades de gestão.

Várias outras obras estão bem atrasadas ou totalmente paradas, como é o caso da revitalização da Praça Brasil, um dos locais mais importantes da cidade e que passou este período de festas toda quebrada para o início de reformas que não avançaram até agora.

Outras obras, como o Frigorífico do Peixe e o Clube do Povo, também sofrem da mesma dificuldade de execução. Por coincidência, todas elas estão a cargo da mesma empreiteira, a ILB Construções, que deve receber cerca de 3 milhões de reais pelo pacote.

A data de entrega dessas obras veem sendo mudada várias vezes. Para o Calçadão, a última promessa de Amin Hannouche foi de que tudo seria concluído no final de novembro “devido às festividades alusivas ao Natal”. Mas as obras se arrastaram por dezembro todo, prejudicando a população e comerciantes, e entram neste ano ainda sem a conclusão. Nesta primeira semana de 2010 provavelmente já deve vir da prefeitura novas datas para a inauguração.

Mas pelo visto a população não tem mais confiança alguma. Na última enquete de 2009 feita pela Rádio Cornélio — emissora mais ouvida em Cornélio Procópio e a de maior credibilidade —, em resposta à pergunta “O Novo Calçadão da Massud Amin fica pronto ainda em 2009?”, apenas 15,69% disseram sim. 84,31% responderam que o Calçadão não ficaria pronto. E o tempo mostrou que eles estavam certos.

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Caso das diárias e ameaça à vereadora que pediu transparência são marcas da Câmara Municipal de Cornélio Procópio em 2009

INSTITUTO AME CIDADE, 31 de dezembro de 2009

Processo que pede a cassação da vereadora Aurora Fumie Doi causou revolta entre os procopenses e marcou a falta de transparência na Câmara e a submissão a interessescontrários ao exercício da cidadania. Publicamos na íntegra a fala da vereadora que motivou a agressão a seu mandato


A Câmara Municipal de Cornélio termina o ano com a imagem bastante abalada, principalmente por uma questão que fica pendente e terá continuidade no ano que se inicia: o processo que pode resultar na cassação do mandato da vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB).

A cassação foi pedida pelo Partido Progressista, o PP que ficou conhecido nacionalmente pelo envolvimento no mensalão. O partido é o mesmo do prefeito da cidade, Amin Hannouche, e liderado na região pelo ex-deputado federal José Janene, que faz parte da executiva nacional e responde por vários crimes no Supremo Tribunal Federal (STF).

Este fato acabou sendo o que melhor define a submissão do Legislativo municipal não só ao Executivo, mas também à interesses totalmente estranhos ao papel da Câmara Municipal. A escolha do PP para promover esta ação contra a liberdade de expressão e a independência entre os poderes também traz, talvez até de forma involuntária, um fator simbólico à agressão ao mandato de uma vereadora que apenas cumpre bem seus deveres.

A Câmara Municipal de Cornélio Procópio precisa reformular sua visão e perceber que já no final da primeira década do Século 21 vai pegar muito mal em todo o Paraná e até na esfera federal esta tentativa de trazer de volta a República Velha.

A Câmara procopense não tem qualquer independência em relação ao Executivo. O prefeito tem o apoio de quase a totalidade dos vereadores, sendo as únicas vozes discordantes as da vereadora Aurora e do vereador Emerson Carazzai Fonseca. Os dois parlamentares assumem com seriedade os deveres básicos do vereador, mas até pedidos básicos de informações recebem votação contrária e acabam anulados pela bancada da situação que o prefeito controla com mão de ferro.

O processo contra Aurora começou com a denúncia que o Instituto Ame Cidade levou ao Ministério Público sobre supostas irregularidades em diárias de vereadores. Em documentos obtidos junto à própria Câmara foram detectadas contradições entre datas de viagens de alguns vereadores e sua presença em sessões plenárias. Para receber o pagamento pela viagens, estes vereadores asseguravam estar em Curitiba em dias em que seus nomes constavam em atas oficiais como estando presentes em Cornélio Procópio.

O processo contra a vereadora Aurora baseia-se no fato dela ter levado o assunto à Câmara, quando em sessão do dia 17 de novembro ela mostrou que esperava uma manifestação da própria Casa, talvez até com a instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), demonstrando transparência para a população.

O pedido de cassação do PP já seria um contrassenso mesmo que a vereadora tivesse usado a tribuna para fazer uma denúncia, pois este é um direito inalienável em qualquer parlamento. Mas o fato é que ela não fez denúncia alguma. A apuração das contradições entre pedidos de recebimento de diárias e a presença em sessões da Câmara foi feita pelo Instituto Ame Cidade, assim como a representação pedindo ao Ministério Público investigação sobre as suspeitas de irregularidades.

Não é surpresa que venha do PP um pedido de cassação acusando de falta de decoro um pedido de transparência. Mas é absurdo que por unanimidade a Câmara Municipal de Cornélio tenha aberto um processo cuja existência em si já é uma agressão ao direito básico de todo parlamentar ao direito de opinião no exercício de seu mandato, do debate franco e, até, de exigir apuração de qualquer denúncia que atinja qualquer poder público.

Publicamos hoje na íntegra tudo o que a vereadora Aurora falou na sessão plenária que o PP tem como base para o pedido de cassação. No texto, transcrito de forma praticamente literal, há também explanações sobre exigência de concurso público e a doação indiscriminada de terrenos públicos em Cornélio Procópio, que mantivemos para que a população tome conhecimento da totalidade do que foi dito por Aurora nesta sessão.

É uma boa oportunidade para apreciar o trabalho correto da vereadora e sua forma sincera de expressar seu respeito pela ética, que é bem marcante nesta fala: “Eu sigo o Regimento, eu sigo a legislação, nada mais do que isso, né? Então não vem dizer que a gente está atrapalhando não. Nós queremos a coisa certa. Não é jogar veneno pra ninguém, não. Queremos sim coisa certa, coisa dentro da legislação”.

Observem que em determinado ponto Aurora diz “Então não vem alterando a voz” e noutro trecho fala “Pode rir a vontade”. São duas observações suas sobre as pressões que sofre em plenário na tentativa de desestabilizá-la, o que felizmente é praticamente impossível em razão de sua firme serenidade.

PARA LER A ÍNTEGRA DA FALA DE AURORA, CLIQUE AQUI

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Sobre ditaduras e os que se colocam na defesa da democracia

INSTITUTO AME CIDADE, 30 de dezembro de 2009

Quando noticiamos o episódio acontecido no dia 9 deste mês em que a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cornélio Procópio chamou a polícia quando procopenses se manifestavam pacificamente contra o pedido de cassação do mandato da vereadora Aurora Fumie Doi, lembramos a famosa de Ulysses Guimarães (1916-1992), na ocasião em ele disse que "baioneta não é urna e cachorro não é voto".

O político que ficou conhecido em nossa história como "Senhor Diretas" por seu importante papel na luta por eleições diretas no país, disse a frase durante a ditadura militar.

O fato da presidência de uma instituição que é chamada de "Casa do Povo" apelar para a polícia, num gesto que pareceu tentativa de intimidação, é ainda mais absurdo porque os cidadãos ali estavam para protestar de forma ordeira contra uma situação que é até grotesca: o pedido de cassação da vereadora que pediu aos colegas respeito à transparência.

Além de meterem a polícia no meio de uma discussão democrática, a situação guarda outras semelhanças: na época em que Ulysses e seus companheiros combatiam o arbítrio vivia-se sob uma ditadura, que é o que o pedido do Partido Progressista, o PP do mensalão, pode instalar em Cornélio Procópio caso tenha sucesso em seu ataque ao mandato da vereadora Aurora.

Após a citação da fala de Ulysses Guimarães recebemos vários pedidos para publicarmos mais informações sobre este importante episódio da nossa história. A frase é parte de um discurso que felizmente foi preservado e que hoje publicamos na íntegra.

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Amizades que falam por si

INSTITUTO AME CIDADE, 28 de dezembro de 2009


Diga-me com quem andas e eu te direi quem és. Chega a ser impressionante a reação causada nos setores da situação em relação a associação histórica entre o prefeito Amin Hannouche (PP) e seu grupo com o ex-deputado José Janene, processado no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no notório escândalo do mensalão.

A ascendência de Janene sobre Amin Hannouche já bem conhecida em toda a região. A novidade para a população é a entrada em cena do deputado estadual Luiz Romanelli (PMDB). Romanelli é líder do governo Requião na Assembléia paranaense, o que fazia crer que, caso ele fosse visto abraçado com Janene a providência mais sensata seria apartar.

Mas não é o que os fatos mostram. Romanelli tem uma ligação fraternal com Janene. Tivemos informação de que o deputado peemedebista até ficou muito bravo com esta informação que agora corre por Cornélio Procópio e região, mas nos baseamos apenas em fatos.

Vamos a eles. Parece coisa de inimigo político, mas foi o próprio deputado Romanelli quem disse que se orgulha de ser comparado a José Janene. E Romanelli fez a afirmação carinhosa em um reduto pepista das comunicações no Paraná, o programa do radialista José Leite, na rádio Graúna.

Vamos à fala do radialista em um programa de junho deste ano, transcrita literalmente: “O Romanelli, ontem dando uma entrevista pra nós aqui, o Romanelli disse o seguinte, que um dos orgulhos que ele tem, é quando ele chega nas cidades e o comparam ao Janene: olha, ser comparado como o Janene, Zé Leite, pra mim é uma honra”.

O mais interessante é que a revelação de José Leite foi feita no meio de uma conversa amigável entre ele, o próprio Janene e o prefeito Amin Hannouche. Estavam tão em casa que chegaram a dizer até que Janene estava "mais bonito". Para falar bem do ex-deputado federal, o radialista usou como exemplo a suposta visita de um suposto candidato a deputado, sem dar o nome, que teria buscado seu apoio. José Leite garantiu que não deu o apoio porque o candidato disse que não faria assistencialismo − que o radialista chama erradamente de “área social”, mas que consistiria, segundo ele mesmo, em dar cadeiras de roda para necessitados em seu programa de rádio.

No mesmo programa de rádio, Janene fez questão de retribuir os elogios feitos por Romanelli. Vamos transcrever novamente de forma literal: “Quero aproveitar aqui também para deixar um abraço muito forte ao Romanelli, porque o Romanelli é um grande amigo. Ele faz as coisas do fundo do coração. Sempre me dei muito bem com o Romanelli. O Romanelli sempre foi uma pessoa muito prestativa. Tanto quanto (sic) foi deputado, que é deputado hoje, tanto quanto (sic) exerceu cargo público, especialmente na área da Habitação”.

Fatos que também falam por si

INSTITUTO AME CIDADE, 28 de dezembro de 2009


O Instituto Ame Cidade vem lembrando esta parceria histórica do prefeito e seu grupo com Janene até porque seu partido, o Partido Progressista, o PP de Paulo Maluf, assina a autoria de um ataque à transparência e ao Legislativo procopense na forma do pedido de cassação do mandato da vereadora Aurora Fumie Doi, apenas porque ela pediu transparência política aos colegas vereadores.

O PP tem uma boa porção de seus dirigentes nacionais acusados de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, envolvidos no caso de mensalão. São políticos acusados de receber dinheiro para votar a favor do governo. Na época do escândalo, o presidente nacional do PP, Pedro Corrêa, foi cassado por falta de decoro.

O chefe pepista José Janene também é um dos processados no STF. Responde pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Sua ascendência política sobre o prefeito Amin Hannouche é bem conhecida. São fatos políticos sobre os quais o Instituto Ame Cidade não coloca nenhum adjetivo, sendo esta, aliás, uma condição política essencial do nosso trabalho e que os procopenses conhecem bem: acreditamos que, como acontece na vida, na política também a realidade fala por cima si, sem a necessidade a manipulação ou a desqualificação de quem quer que seja.

Agimos exatamente de forma contrária ao que fazem certos políticos que imprimiram e fizeram distribuir nos últimos dias por toda Cornélio Procópio jornais com cara de apócrifos atacando pessoas da oposição e também este Instituto Ame Cidade. De cunho eleitoreiro bem agressivo, felizmente acabaram sendo repudiados por toda a população. São tentativas de desqualificação que obviamente não foram assumidas, mas cujo estilo grosseiro não disfarça a assinatura oculta.

As companhias permitem mesmo identificar o caráter de uma pessoa. O que fazemos é cumprir nosso papel ético de informar a população sobre as influências que a cidade pode sofrer com certo tipo de aliança política pouco transparente e que, pelas reações surgidas, parecm causar certa vergonha.

Mas fatos são fatos. Ainda mais quando eles esclarecem seu próprio funcionamento e objetivo.

Governabilidade que dá em prejuízo

INSTITUTO AME CIDADE, 28 de dezembro de 2009

Ainda sobre a frase “Diga-me com quem anda e te direi quem és”, o antigo ditado ajuda bastante a entender o que acontece atualmente na política brasileira. Basta dar uma olhada na Europa e nos Estados Unidos, para notar que o que se faz no Brasil é bem diferente. E uma diferença pra pior. Não se viu o Partido Republicano aderir de imediato ao governo depois do democrata Barack Obama ser eleito. Da mesma forma, na França ou em qualquer outro país europeu não se vê os partidos fazendo alianças apoiadas em interesses pessoais de suas lideranças.

Neste lugares, depois das eleições os partidos mantêm a fidelidade a seus programas e respeitam a posição de seus eleitores depositada nas urnas.

No Brasil, o comportamento político é outro e começa até antes da abertura final das urnas. Aqui, as regras permitem aderir ao mais forte ainda durante o segundo turno. E depois de definido o vencedor, a maioria dos políticos junta-se ao vitorioso. É claro que esta política agrega em primeiro lugar o que há de pior na política e depois cria uma cultura que desmobiliza a sociedade civil e combate qualquer idéia que não sirva expressamente aos interesses em torno do poder.

A desculpa esfarrapadíssima, tanto do lado do poder quantos dos que grudam no governo é a de garantir a “governabilidade”.

Esta “governabilidade”, no entanto, se dá em prejuízo dos compromissos com o eleitor. E quase sempre também a transparência e a ética acabam sendo atropeladas, pois o método elimina as funções básicas do Legislativo: fiscalizar e fazer leis.

Neste caso, observar o que ocorre nos países desenvolvidos também ajuda a entender nossos problemas. Os Estados Unidos e os países modernos da Europa sempre tiveram partidos com posições políticas bem definidas. São países onde oposição e governo não abolem idéias próprias apenas para garantir poder.

E é claro que não há dúvida de que isso é um elemento forte para que estes países estejam sempre na frente do Brasil em todos os índices sociais. É uma verdade científica de que sem o conflito de idéias não existe criação. E que sem discussão clara e democrática não se chega à qualidade técnica.

Isto se dá em qualquer situação e não é uma questão apenas pública, pois atinge também a iniciativa privada. Imaginem uma empresa onde é feito apenas o que o chefe manda, sem respeito aos empregados e sem dar importância à opinião do cliente. O resultado será, sem dúvida, a falta de empenho dos funcionários e a falta de idéias novas. Com isso a tendência é de sempre piorar a qualidade do serviço. Não precisa ser economista para saber que esta empresa irá sempre mal, podendo até falir. Tanto na iniciativa privada quando na gestão pública é importante saber ouvir e atender também as críticas, pois muitas vezes só com os problemas devidamente apontados é que se pode avançar.

E nas cidades a situação pode até ficar pior quando o personalismo se coloca acima da opinião pública. Cornélio Procópio sofre hoje com este problema, pois convive nos últimos meses com obras que não andam e que podem ainda dar muitos problemas mesmo depois de concluídas, pois começaram de forma errada e sem um bom planejamento, o que força a Prefeitura a tocar as obras com pressa e descuidando da qualidade. O estado geral da cidade é o de demolição, com praças quebradas à espera da reforma e um calçadão central que já apresenta defeitos antes de ser inaugurado.

A qualidade técnica nasce da transparência, do conflito de idéias, da discussão democrática. Um governo que passa por cima da opinião pública e desrespeita a sociedade civil acaba fazendo uma administração de má-qualidade.

Esta é uma forma de fazer política que afasta os melhores cidadãos e beneficia somente quem nada tem a ver com o respeito às coisas públicas e ao bem comum.

Na verdade, o objetivo destas atitudes que forçam a cidade às más companhias não é de governabilidade alguma, pois o melhor governo se faz é com transparência e abertura à população. A verdadeira intenção desta politica é desmontar outro velho adágio, que está na raiz da democracia ocidental. É a frase de Abraham Lincoln, a que consagra o governo “do povo, pelo povo e para o povo”. Com a lorota de ampliar alianças para garantir governabilidade, na verdade destrói-se a transparência, a ética e a discussão crítica, sem os quais a administração pública no Brasil piora cada vez mais.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Antonio Belinati condenado por improbidade administrativa

INSTITUTO AME CIDADE, 23 de setembro de 2009


O ex-prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PP), foi condenado por improbidade administrativa pelo juiz da 10ª Vara Cível de Londrina, Álvaro Rodrigues Junior. A decisão é referente a uma ação do Ministério Público em que Belinati é acusado de licitação fraudulenta para o fornecimento de transporte coletivo no ano de 1998, quando foi prefeito. Junto com Belinati, foram condenadas outras seis pessoas e uma empresa.

A decisão é referente uma ação do Ministério Público sobre licitação fraudulenta na Prefeitura londrinense no ano de 1988. Belinati não chegou a terminar este mandato em que cometeu o ato de improbidade que resulta hoje em sua condenação. Em junho de 2000 ele teve o mandato cassado pela Câmara Municipal, acusado de utilizar recursos do município em gastos com publicidade para promoção pessoal.

Belinati atualmente é deputado estadual e um dos chefes regionais do Partido Progressista, o notório PP, conhecido pelo envolvimento no mensalão e que em Cornélio Procópio entrou com pedido de cassação do mandato da vereadora Aurora Fumie Doi pelo fato de ela ter pedido transparência na Câmara.

O prefeito cassado de Londrina também é bastante ligado ao prefeito de Cornélio Procópio, Amin Hannouche, outro cacique regional do PP. Um elo político importante que une os dois políticos é o ex-deputado José Janene, dirigente da executiva nacional do PP com muita influência nas administrações de Belinati, tido como um ídolo por Amin Hannouche e com forte ascendência sobre o prefeito procopense. Janene responde no STF pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Pela decisão da 10ª Vara Cível de Londrina, o deputado deverá devolver aos cofres públicos R$ 135.790,25, corrigidos. A punição é em primeira instância e ele pode recorrer. Belinati é um recordista em processos na Justiça. Recentemente o Jornal de Londrina fez um levantamento e encontrou 96 processos contra ele. No ano passado o pepista também foi destaque na lista de políticos fichas-sujas feita pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB).

A decisão do juiz Álvaro Rodrigues Júnior usa termos duros para definir as ações praticadas pelo prefeito cassado. Segundo o magistrado, o então prefeito descumpriu a lei e não fez tomada de preços para a licitação. Em seu despacho ele afirma que “transporte licitado foi utilizado para transporte de eleitores para comícios e comitês, entre outras atividades ligadas com a ‘politicagem’ local”.

Rodrigues Júnior escreveu também que não se pode aceitar a tese da defesa de que o réu não tinha conhecimento dos fatos. Para o juiz, há prova documental de que Belinati "era o responsável direto pela solicitação do transporte ou que os transportes eram destinados à sua chácara ou saía de seu comitê eleitoral". A chácara a que se refere o documento judicial é uma famosa propriedade de Belinati no distrito de São Luiz, em Londrina, que na época do auge das acusações de corrupção contra o presidente Fernando Collor foi apelidada pelos londrinenses de “Chácara da Dinda”.

É nesta chácara que Belinati costuma fazer comemorações, como a de outubro do ano passado, quando venceu a disputa pela prefeitura de Londrina em segundo turno contra o tucano Luiz Carlos Hauly. Ele acabou não assumindo, pois teve a candidatura cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo testemunhas, o prefeito Amin Hannouche teria estado presente na festa de Belinati na chamada “Casa da Dinda”.

Em outro trecho da decisão, em depoimento de um dos réus, é revelado que “Belinati tinha domínio integral da situação de desvios ocorridos na Comurb e outros órgãos da Administração”. Este mesmo réu afirma que boa parte dos desvios foi empregado na campanha eleitoral de 1998.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Compra de votos em Londrina indica possibilidade do crime em toda a Região

INSTITUTO AME CIDADE, 21 de dezembro de 2009


A investigação do Ministério Público Eleitoral (MPE) sobre compra de votos em Londrina, que teria sido praticada nas últimas eleições pelo vereador Joel Garcia (PDT), traz para o noticiário um estratagema eleitoral que andava muito bem escondido. O crime é bem conhecido, mas de difícil comprovação, como tantos outros meios ilícitos e imorais que são usados para vencer eleições.

O MPE já dispõe de elementos que complicam bastante a situação do vereador Garcia. Foram encontradas duas listas com nomes de eleitores, nos quais constam seus endereços, número do título de eleitor e zona e seção eleitoral onde votaram. Vários desses eleitores já firmaram em depoimento que receberam quantias entre R$ 30 e R$ 40 para votar no pedetista.

Todos são pessoas simples e contaram nos depoimentos que a venda dos votos foi para eles uma forma de subsistência. A compra dos votos era feita por cabos eleitorais que teriam agido a mando do vereador.

No entanto, a entrevista de um desses cabos eleitorais concedida ao jornal Folha de Londrina neste final de semana mostra que outros candidatos a vereadores podem ter usado esquema semelhante ao descoberto pelo MPE na eleição de Garcia. O cabo eleitoral, que conversou com a Folha no anonimato, garante que outros vereadores da Câmara atual de Londrina também compraram votos.

Para Joel Garcia, conforme disse à Folha, ele comprou votos de eleitores com a promessa de que sua filha seria nomeada assessora de gabinete do vereador, trato que Garcia teria descumprido depois de eleito.

A oferta de emprego é outro crime eleitoral. O texto jurídico que trata do assunto é o seguinte: “É vedada a captação de compra de voto que constituiu em doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública”.

Também ouvido pelo jornal londrinense, o juiz Renato Cardoso de Almeida do TRE do Paraná disse que a compra de votos é uma prática frequente e que "a promessa de emprego público tem crescido extraordinariamente".

A investigação do MPE em Londrina vem revelar que a compra de votos, um crime que parece coisa da República Velha, está sendo usado ativamente neste Brasil moderno e numa cidade que é a segunda maior do estado do Paraná e onde existe imprensa e Justiça relativamente atuantes.

O que os paranaenses se perguntam então é o que pode estar ocorrendo em outras cidades da Região, onde esse tipo de crime acaba sendo acobertado pelo fato de elas terem os meios de comunicação e instituições fiscalizadoras menos atuantes ou atrelados ao interesse de grupos políticos.

Uso da máquina pública é imoral, além de ser um crime que destrói a administração pública

INSTITUTO AME CIDADE, 21 de dezembro de 2009


Existem também outros meios que mesmo não sejam vistos como ilegais, pela sua imoralidade devem sofrer o repúdio da população.

O uso da máquina pública é um dos mais costumeiros e também dos mais difíceis de serem punidos. São usados com toda a aparência de normalidade, quando na verdade caracterizam-se como uma deformação que faz uso político de serviços públicos que são um direito da população.

A instituição da reeleição para chefes do Poder Executivo em 1997 aumentou bastante este tipo de interferência, de forma que prefeitos usam o primeiro mandato para privilegiar seu grupo político, conquistando não só a própria reeleição mas também a montagem de uma base de sustentação forte na Câmara Municipal para facilitar politicamente o segundo mandato.

Nesta forma, o agente público faz a população crer que ele é o intermediário que traz os serviços que, sem a sua interferência, levariam muito tempo para serem executados ou jamais seriam feitos. O recurso malandro serve para a eleição do político e depois para sua manutenção no cargo, por meio de sucessivas eleições sustentadas em fazer do que seria um direito do cidadão uma moeda de troca eleitoral.

E o maior problema é que este artifício imoral até já se tornou prática comum para certos políticos, deformando inclusive o papel do vereador. O parlamentar deixa de cumprir sua tarefa básica, que é a de legislar e fiscalizar, para agir como se fosse um funcionário privilegiado da Prefeitura, com acesso direto ao prefeito e poder para executar serviços que dependem exclusivamente dele.

É claro que é tudo lorota. Mas infelizmente muita gente, principalmente pessoas mais simples, acabam sendo enganadas. Quase tudo que este tipo de vereador finge que faz poderia ser pleiteado pelo próprio cidadão junto aos órgãos competentes, que têm a obrigação de atender e executar os pedidos dentro das possibilidades do município.

Esta deformação de papéis serve a interesses pessoais dentro do Legislativo e do Executivo. Só não atendem, evidentemente, ao interesse público. Os aspectos destrutivos dessa forma de conduzir a administração pública já se fazem sentir na má-qualidade de serviços,obras ruíns e que nunca terminam e na falta de manutenção dos bens públicos.

A política acaba sendo usada apenas como um meio do prefeito conquistar uma maioria na Câmara, para administrar sem a necessidade de prestar contas do que faz, muitas vezes até fazendo só o que lhe dá lucro pessoal. E o vereador é reeleito sucessivamente, numa carreira política medíocre, porém muito lucrativa.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Vereador londrinense denunciado pelo Ministério Público por tentar favorecer família

JORNAL DE LONDRINA, 19 de dezembro de 2009

Segundo Ministério Público, vereador Joel garcia (PDT) teria tentado favorecer a empresa da família na licitação da merenda escolar e buscou emprego no Procon para uma estagiária. Vereador também é investigado em denúncia de compra de votos na última eleição


O vereador Joel Garcia (PDT) foi denunciado em duas ações criminais e uma civil pública acusado de tentar favorecer a empresa da família na licitação da merenda escolar e tentar conseguir emprego para uma estagiária que havia sido cabo eleitoral. As ações foram assinadas pelos promotores Renato de Lima Castro e Leila Voltarelli, da promotoria do Patrimônio Público, e pelos promotores Cláudio Esteves e Jorge da Costa, do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). As informações foram divulgadas nesta sexta-feira.

De acordo com os promotores, a ação criminal contra o Garcia, no caso em que ele tentou obter vantagem no processo de licitação da merenda escolar em Londrina, foi distribuída para a 3ª Vara Criminal. Em uma semana, o Gaeco tentou ouvir o depoimento do vereador, que o adiou por três vezes. Neste caso, foram ouvidos o prefeito Barbosa Neto (PDT), que acusou o colega de partido, e o secretário de Gestão Pública, Marco Cito.

Além disso, Garcia foi denunciado porque teria tentado empregar no Procon uma estagiária que havia trabalhado como cabo eleitoral durante a campanha no ano passado. Segundo a denúncia, ele teria ameaçado o Procon em dar um parecer contrário em um projeto que favorecia o órgão. A garota, segundo os promotores, é filha de um dos contadores que fez uma lista de compra de votos do vereador, que está sendo investigada pelo MP.

Procurado pela reportagem, o chefe do Procon, Carlos Neves Júnior, disse que não iria comentar o assunto. Ele pediu que a imprensa buscasse informações sobre o seu próprio depoimento junto ao Ministério Público. De acordo com Júnior, o MP o intimou a prestar esclarecimentos. O vereador Joel Garcia estava com o telefone celular desligado.

Compra de votos
O Ministério Público (MP) Eleitoral e a Polícia Federal (PF) investigam a denúncia de que o vereador Joel Garcia (PDT) teria comprado votos no distrito rural de São Luiz (região sul), na eleição do ano passado. No começo da noite de quarta-feira, foram apreendidas duas listas com nomes, números de títulos de eleitor e a seção na qual os eleitores votavam. Na frente de alguns nomes constava a inscrição “PG”, que seria referência a pagamento. De acordo com os depoimentos, os valores pagos variavam de R$ 20 a R$ 30.

Três responsáveis pela suposta arregimentação de eleitores para a compra de votos foram ouvidos: dois admitiram ter comprado votos em nome de Garcia e um negou. Um dos portadores das listas admitiu que se tratava de compra de votos; o outro negou. O terceiro cabo eleitoral disse ter comprado votos para o vereador, mas a lista dele não foi localizada. O MP não divulgou os nomes dos três cabos eleitorais.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O CASO AQUI E AQUI

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Justiça afasta prefeito e quatro servidores municipais por obstruirem investigações

O DIÁRIO DE MARINGÁ, 18 de dezembro de 2009

A pedido do Ministério Público, que tem 46 inquéritos em andamento para apurar possíveis irregularidades na administração municipal, juiz retira Martini do cargo e empossa o vice


O juiz Loril Leocádio Bueno Júnior, da Vara Cível de Sarandi, determinou nesta quinta-feira (17) a tarde o afastamento do prefeito de Sarandi, Milton Martini (PP), e a posse imediata do vice-prefeito, Carlos Alberto de Paula Júnior (PDT). O afastamento havia sido pedido segunda-feira pelo promotor de Justiça, Alexandre Misael Souza. Segundo o pedido do promotor, Milton Martini e quatro servidores municipais do primeiro escalão estavam obstruindo as investigações do Ministério Público (MP).

Segundo o despacho do juiz, o afastamento é por tempo indeterminado, até que o MP conclua as investigações. Loril Bueno Junior explica no documento que tomou a decisão acatando pedido do MP que propôs uma ação de improbidade administrativa contra o prefeito e os quatro funcionários por estarem usando os “cargos públicos municipais de uma forma que representa risco à instrução processual”.

O que determinou a decisão do juiz foi que na ação de improbidade, o promotor Misael Souza narra três “tentativas de direcionamento ilícito do resultado de licitação”, contratação irregular de funcionários e manipulação de documentos “visando a gerar aparência de legalidade”. Além disso, o promotor apurou que o prefeito havia determinado a todos os servidores que, antes de dar qualquer depoimento, comparecessem na Procuradoria Jurídica do Município para serem orientados sobre o que declarar. E, depois de depor, o servidor deveria providenciar uma cópia do depoimento.

Ainda de acordo com o despacho do juiz, o advogado Washington Luiz Knippelberg Martins, irmão de um dos servidores convocados a depor, denunciou na promotoria ter sido procurado pelo prefeito, que queria saber o que o irmão dele havia dito ao promotor. Milton Martini, segundo o advogado, “advertiu que ambos deveriam ponderar a respeito do assunto (depoimento), fazendo ameaças indiretas”, de que o funcionário poderia ser exonerado ou “sofrer outros tipos de reprimenda, caso alguma declaração fosse prejudicial ao prefeito”.

Apesar de frisar ter respeito pela figura de Milton Martini, que inclusive era advogado militante na comarca antes de ser prefeito, “o modo de administrar, autoritário, impositivo e centralizador, inclusive tentando orientar o depoimento de seus subordinados, coagi-los com ameaças e exigindo cópias das declarações”, justifica o afastamento para que as investigações não sejam prejudicadas. No despacho, Bueno Junior determinou a notificação e posse do vice-prefeito.


Populares ‘lavam’ a Prefeitura

Munidas de tambores de água, vassouras e sabão em pó, cerca de 40 pessoas — ainda sem saber que o prefeito havia sido afastado do cargo — lavaram a calçada e paredes da frente da prefeitura de Sarandi na manhã desta quinta-feira (17), o que, para elas, simbolizou “a limpeza da sujeira e da corrupção”.

O protesto foi organizado por entidades e uma comissão suprapartidária que pediram a cassação do mandato do prefeito Milton Martini (PP), alvo de 46 inquéritos no Ministério Publico e de uma Comissão Processante na Câmara de Vereadores.

“Nosso interesse não era reunir uma grande quantidade de pessoas, mas sim chamar a atenção para uma situação que se tornou insustentável”, disse o presidente da União das Associações de Moradores de Sarandi (Unisam), Alfredo Peres de Souza.

Segundo ele, com esse tipo de trabalho a população vai sendo informada sobre as possíveis irregularidades que resultaram em dezenas de inquéritos na Justiça. “A partir de janeiro vamos intensificar as manifestações de protesto, o que, além de informar ao povo, dará a sustentação popular para que os vereadores tenham coragem para cassar o mandato do prefeito”.

Um dos manifestantes, Adalto da Silva, militante do Partido dos Trabalhadores, compareceu vestindo traje de aplicador de defensivo em lavouras, afirmando que a roupa arremetia ao fato de a prefeitura ter adquirido 10 bombas costais para a aplicação de veneno, comercializadas por uma empresa de propriedade do então chefe de Gabinete da prefeitura.

De acordo com Silva, essa compra irregular — Sarandi tem uma lei que proíbe a aplicação de veneno na área do município – é um indício claro de corrupção na prefeitura e foi motivo de instauração de uma Comissão Processante pelos vereadores.

Os manifestantes pediram aos gritos que também o vice-prefeito Carlos Alberto de Paula Filho (PDT) deixe o cargo, mesmo que não seja cassado pela Câmara ou pela Justiça. “Embora não haja qualquer acusação contra ele, entendemos que De Paula faz parte dessa administração e de tudo o que ela representa”, diz o presidente da Unisam.

De Paula, que é ex-secretário de Planejamento, disse que estão tentando atingi-lo para forçar a realização de uma nova eleição. Ele bateu boca com alguns manifestantes e diz não existir qualquer sua pessoa na Justiça.

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SOBRE O CASO DE SARANDI

Vereador de Londrina é investigado pelo MP por suposta compra de votos em 2008

JORNAL DE LONDRINA, 17 de dezembro de 2009

Operação do MP, realizada na noite de quarta-feira, apreendeu duas listas com nomes de eleitores que teriam recebido dinheiro para votar no vereador


A Câmara Vereadores de Londrina está envolvida em mais um escândalo. O Ministério Público Eleitoral (MPE) está investigando o vereador Joel Garcia (PDT) sobre uma suposta compra de votos durante as eleições de 2008. Na noite de quarta-feira (16), o MP cumpriu mandados de busca e apreensão de duas listas com nomes de pessoas que teriam recebido para votar em Garcia no distrito de São Luiz. O vereador foi o 12º mais votado, recebendo 2.370 votos.

As listas foram encontradas em posse de três cabos eleitorais de Garcia, que assumiram o compromisso de “arregimentar” os eleitores. Cada voto no vereador valia entre R$ 20 e R$ 30. Segundo o promotor eleitoral Renato Lima Castro, duas pessoas confirmaram o esquema de compra de votos. O terceiro envolvido não cooperou com o MP, pois teria parentesco indireto com o pedetista.

De acordo com o promotor, em uma lista constatava o nome de 25 eleitores e na outra 23, uma terceira lista não foi encontrada. Nos papéis cada pessoa era registrada com o número do título de eleitor e um documento de identificação, além do valor a ser recebido. “Pelo que constatamos, o pagamento era efetuado depois que os eleitores votavam e a compra estava restrita ao distrito São Luiz”, explicou Castro.

Como as investigações ainda estão em curso, o promotor não quis adiantar quais serão os próximos passos a serem tomados. Contudo, ele disse que medidas judiciais serão analisadas. Um dos resultados da ação pode ser o pedido de cassação do mandato do vereador, uma vez que a compra de votos infringe o art. 299, do Código Eleitoral, pois é uma violação do processo de direito democrático.

Como ainda não teve acesso aos documentos do Ministério Público, Joel Garcia se limitou a dizer que as acusações são infundadas e se tratavam de uma “armação política”. “Essas acusações não políticas, tanto que a denúncia partiu de uma pessoa que tem parentesco com um assessor do vereador Roberto Fú”, disparou.

O vereador Roberto Fú (PDT) disse que a mulher com quem o assessor é casado tem uma relação de parentesco com um dos cabos eleitorais de Garcia. Contudo, ele negou que a denúncia tenha partido do seu gabinete. “É sempre assim, quando há uma denúncia tudo se transforma em questão política. Tenho certeza que meu assessor e sua mulher não têm envolvimento com o caso”, disse.

Tráfico de influência

O vereador Joel Garcia (PDT) deixou de prestar depoimento no Ministério Público (MP) de Londrina, na última terça-feira (15), pela terceira vez. Ele é acusado pelo prefeito Barbosa Neto de tentar direcionar o resultado da licitação para merenda escolar com o objetivo de beneficiar a empresa de propriedade de sua família. Os dois outros depoimentos cancelados estavam marcados para segunda-feira (14) e sexta-feira (11).

O promotor Cláudio Esteves, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), explicou que na sexta-feira um dos advogados cancelou o depoimento alegando ter uma audiência, embora a reunião havia sido marcada com anuência da defesa. Na segunda-feira, os advogados disseram que ainda havia documentos para serem apresentados e o vereador, que ficou reunido com o promotor durante mais de uma hora, saiu sem falar com a imprensa.

Desta vez, o depoimento foi desmarcado pela defesa, que justificou a ausência do vereador, que nem compareceu ao Ministério Público, apontando que os advogados não tiveram acesso à documentação do patrimônio público. O MP ainda não sabe se deve marcar outro encontro. “Agora vamos analisar as medidas pertinentes. Haverá prejuízo para a sequência da investigação”, declarou Esteves.

Garcia foi acusado pelo prefeito Barbosa Neto (PDT) e pelo secretário de Gestão Pública, Marco Cito, de tentar direcionar a licitação de um dos cinco lotes de fornecimento de alimentos para a merenda escolar, realizada em outubro. Prefeito e secretário já foram ouvidos no procedimento investigatório aberto pelo MP e confirmaram o que já tinha sido dito publicamente. Eles citaram testemunhas que teriam presenciado a conversa de Garcia com Cito, na qual o vereador teria pedido ajuda no processo licitatório. A empresa da família do pedetista contesta o resultado da licitação na Justiça.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A independência do Legislativo municipal sob ataque em Cornélio Procópio

INSTITUTO AME CIDADE, 16 de dezembro de 2009


A sociedade civil procopense já compreendeu muito bem que o ataque ao mandato da vereadora Aurora Fumie Doi tem uma relação direta com a tentativa de domínio total do Executivo municipal sobre a Câmara Municipal de Cornélio Procópio. O processo que pode levar à cassação de Aurora é de autoria do PP, o notório partido liderado por políticos que são réus do mensalão no Supremo Tribunal Federal. Pepista também é o prefeito Amin Hannouche, que tem um poder extremo sobre a maioria dos vereadores, afetando de forma negativa a independência do Legislativo.

Quando atacam um mandato autêntico como o da vereadora Aurora, miram também no Legislativo como um todo e, por conseqüência, podem atingir a própria liberdade de opinião na cidade. Porém, os procopenses já perceberam a armação e não permitirão tal violência.

A independência entre os poderes é um princípio tão importante para a democracia que está até expresso na Constituição Federal. E um Legislativo transformado em mero acessório pela pressão do Executivo tem como resultado inevitável em uma cidade a má-qualidade de suas obas e serviços, além de facilitar a corrupção.

Em Cornélio Procópio, a independência do Legislativo está sendo atacada. E a agressão ao mandato da vereadora Aurora pelo partido do prefeito é parte desta trama absurda contra a democracia.

A falta de independência entre os Poderes é um dos males que prejudica a administração pública no Brasil. E em Cornélio Procópio, dos próprios discursos feitos em plenário pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Helvécio Badaró (PTB), pode-se extrair impressionantes revelações de submissão ao Executivo. O presidente da Câmara se expressa como se fizesse parte da Prefeitura, esquecendo até de sua responsabilidade direta como presidente da Casa.

Na sessão de 15 de setembro deste ano, por exemplo, junto com as costumeiras ofensas ao Instituto Ame Cidade, o vereador passou a fazer uma explanação em defesa da Prefeitura, exaltando o prefeito Amin Hannouche. Badaró estava em um dia inspirado. Na mesma sessão, apresentou uma estranha definição da política e da democracia como meros processos de distribuição de cargos.

Badaró fala como se fosse líder do partido do prefeito, esquecendo por completo até da liturgia do cargo de presidente da Casa, o comportamento cerimonioso que o posto exige de seu ocupante. Em voz alta, o vereador usa o pronome no plural, como se fosse secretário do prefeito: “Só nós fizemos, só nós fizemos”.

Leiam um trecho da fala de Badaró, transcrito textualmente: “Vamos ajudar nós administrar. Eu duvido que tenha um prefeito que vai fazer o que o Amin vai fazer nesses quatro anos. Eu duvido que vai ter tanta verba, tanto dinheiro, que nós vamos fazer. Nós estamos reformando o Cristo, nós estamos reformando Praça Brasil, nós vamos reformar o Botafogo, estamos fazendo Calçadão, a entrada da cidade que é o Portal da Cidade, estamos fazendo as Três Bicas, é muita obra que nós vamos asfaltar. Gente, só nós fizemos.”

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A vereadora que o PP quer cassar evita um vexame para Cornélio Procópio

INSTITUTO AME CIDADE, 5 de dezembro de 2009


O processo que pretende levar à cassação da vereadora Aurora Fumie Doi tem recebido o repúdio da população de Cornélio Procópio de uma forma que mostra que aqueles que pretendiam calar a mais respeitada vereadora procopense conseguiram apenas somar sua voz independente à de milhares de cidadãos que vêem na tentativa de cassação também uma agressão ao Legislativo municipal.

O autor do processo — o Partido Progressista, o PP do mensalão — mostra que a tentativa de agressão à independência de Aurora tem uma origem clara: o prefeito Amin Hannouche, líder pepista da cidade. Evidentemente uma ação tão ousada não se iniciaria sem o consentimento do prefeito que conta com o apoio de sete dos nove vereadores da cidade. Os únicos que se opõem ao domínio do executivo sobre a Casa são os vereadores Emerson Carazzai Fonseca e Aurora.

A vereadora tem feito um mandato que pode ser chamado de autêntico, para lembrar os chamados políticos “autênticos” do antigo MDB que fizeram História em seu partido na década de 70. Certos vereadores, ao contrário, deixam de agir como representantes da população e assumem um caráter chapa-branca, submetendo o Legislativo ao Executivo de uma forma próxima à bajulação. O próprio presidente da Câmara, Helvécio Badaró (PTB), age e fala como se fosse mero representante da Prefeitura, deixando de honrar os deveres de presidente da Casa.

Já o trabalho de Aurora atende com rigor aos deveres básicos e de fato de um vereador, que é o de legislar e fiscalizar os atos do Executivo. É no acompanhamento, fiscalização e controle dos negócios públicos que está o melhor que um vereador pode fazer por sua cidade. E isso Aurora tem feito de forma correta. Daí o ataque do PP que, aliado ao prefeito, tenta atingir seu mandato autêntico.

Certos vereadores tentam tachar o trabalho de Aurora e até apelam para piadinhas em Plenário para tentar desestabilizá-la, mas o fato é que o que ela tem feito é um acompanhamento rigoroso desta gestão que tem até evitado vexames feios para a própria base aliada do prefeito.

Ela impede o Executivo até de cometer erros que poderiam fazer de Cornélio Procópio motivo de piada, como ocorreu na sessão passada, na reunião de discussão do Orçamento Público do município.

Após uma análise aprofundada, Aurora fez mais de 20 indicações de inconsistências, inclusive uma absurda previsão no Plano Plurianual (PPA) para ser aplicada no município de Londrina. Coisas como esta, por exemplo, os vereadores da base aliada do prefeito não vêem de maneira alguma, já que se ocupam apenas em aplaudir tudo o que vem do Executivo. É o que falamos sempre: a bajulação é companheira da má-qualidade.

Foi a vereadora da oposição que salvou a cidade de ser motivo de chacota no Estado, caso ela não tivesse evitado de Cornélio Procópio ter em seu PPA uma previsão para a cidade de Londrina.

A discussão em que Aurora apontou esse e outros erros, além de ter feito várias sugestões de melhoria do Orçamento, foi na mesma sessão em que mais de 50 pessoas compareceram para expressar solidariedade a ela em razão da agressão do PP, o partido do prefeito. Foi neste dia que a Mesa Diretora chamou a polícia para atemorizar os cidadãos que compareceram à chamada Casa do Povo.

Apoios à vereadora Aurora em programa de rádio lotam site de emissora de Cornélio Procópio

INSTITUTO AME CIDADE, 15 de dezembro de 2009


Um dos únicos meios de comunicação que tem se mantido aberto às vozes críticas dos procopenses tem sido a Rádio Cornélio, emissora AM de grande prestígio e a mais ouvida na cidade.

Hoje o prefeito Amin Hannouche (PP) tem total controle dos meios de comunicação de Cornélio Procópio, sendo as únicas exceções a Radio Cornélio e o jornal semanal O Popular. As demais rádios da cidade e da Região falam apenas bem de sua administração, evitando até assuntos mais corriqueiros como buracos de ruas e filas em postos de saúde.

Este domínio dos meios de comunicação locais leva certos apresentadores até se excederem na bajulação, o que resulta em menor audiência e credibilidade em níveis baixíssimos. Afinal quem é que desejaria ouvir um programa local de rádio que evita de falar até sobre os problemas de asfalto que todo mundo vê?

O caso da Rádio Cornélio é o contrário. Com a independência conquistou uma alta audiência e hoje tem a maior credibilidade da cidade. No site da emissora estão disponíveis mensagens eletrônicas enviadas pelos ouvintes do programa jornalístico matinal apresentado por Amauri Brevilheri.

Neste correio eletrônico de comentários sobre os temas apresentados no programa, destacam-se as mensagens de ouvintes em apoio à vereadora Aurora. Leiam algumas dessas declarações espontâneas que extraímos do site da Rádio Cornélio e vejam a revolta dos procopenses e também sua consciência de que, por detrás da agressão ao mandato autêntico de Aurora, está também uma trama contra a independência do Legislativo Municipal.

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