quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Dia mundial de combate à corrupção vem lembrar que na Câmara Municipal de Cornélio Procópio ética é uma palavra que ofende

INSTITUTO AME CIDADE, 9 de dezembro de 2009

Hoje é o Dia Mundial do Combate à Corrupção. É uma data importante. É certo que em um país como o Brasil, onde a ética tem sido desrespeitada de forma tão abusada, temos que ter todos os dias como de combate à corrupção. Mas o dia vem lembrar que o Brasil assinou um importante documento que saiu da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção, de deu origem à comemoração.

A comemoração da data vem em um momento interessante de Cornélio Procópio. No momento tramita na Câmara Municipal um processo que pode levar à cassação da vereadora Aurora Fiume Doi (PMDB). Se isso vier de fato ocorrer, estará concretizada uma das situações mais absurdas da política brasileira: a cassação de alguém que levantou em uma sessão plenária um tema ético, cobrando de seus pares uma ação efetiva para esclarecer a questão das diárias dos vereadores, objeto de representação do Instituto Ame Cidade junto ao Ministério Público pedindo investigações.

O documento da ONU, como relatamos mais abaixo, contradiz totalmente os argumentos deste processo contra a ética e que veio agredir uma respeitada vereadora e a independência do Legislativo.

O processo é movido pelo Partido Progressista, o conhecido PP, do escândalo do mensalão e de tantas denúncias de corrupção pelo país afora. Para pedir a cassação, o PP baseia-se em um artigo do Código de Ética e Decoro da Câmara que contraria totalmente a liberdade de opinião do parlamentar. Dependendo da interpretação do tal artigo o vereador fica impedido de fazer qualquer denúncia de corrupção e nem sequer opinar sobre questões levantadas pela opinião pública.

O que se pretende evidentemente é por meio da pressão sobre a vereadora atingir a própria instituição do Legislativo procopense, sujeitando ainda mais os vereadores ao poder do Executivo municipal. O partido que entrou com o processo contra Aurora é chefiado no Paraná pelo ex-deputado mensaleiro José Janene, que tem uma clara ascendência política sobre o prefeito Amin Hannouche, também do PP.

A única base do processo do PP é um pronunciamento de Aurora, no qual ela pede a seus pares que a Casa investigue as denúncias apresentadas ao MP. Em um trecho de sua fala a vereadora, bastante conhecida na região tanto por sua integridade quanto pela extrema educação com os outros, diz o seguinte: "Eu sigo o Regimento, eu sigo a legislação, nada mais do que isso. Então não vem dizer que a gente está atrapalhando não: nós queremos a coisa certa. Queremos sim coisa certa, coisa dentro da legislação".

Aurora tem trabalhado intensamente pela independência do Legislativo municipal. A agressão ao seu mandato parece ter também como objetivo também avançar sobre a Câmara de Vereadores e fazer da casa um simples departamento da Prefeitura.

O Dia Mundial da Corrupção nasceu da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção, que aconteceu no México em 9 de dezembro de 2003. Na ocasião, mais de 100 países assinaram um tratado sobre o tema que está em vigor internacionalmente.

No Brasil, o texto foi aprovado pelo Congresso Nacional em maio de 2005. Trata-se de um instrumento jurídico internacional que permite a recuperação de dinheiro desviado dos cofres públicos e prevê a criminalização do suborno, lavagem de dinheiro e outros atos criminosos ligados a corrupção. Aliás, pelo menos quatro personalidades do PP, o partido que processa a vereadora Aurora, respondem a vários desses crimes no Supremo Tribunal Federal. O ex-deputado Janene, por exemplo, é réu nos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Convenção da ONU contra a corrupção dá razão ao Instituto Ame Cidade e ao trabalho parlamentar da vereadora Aurora

INSTITUTO AME CIDADE, 9 de dezembro de 2009

Mas voltando à Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção, este documento assinado pelo Brasil contém medidas que demonstram como é contrário à razão o processo iniciado contra a Aurora. A Convenção afirma que a sociedade civil e o setor privado desempenham um papel importante na exigência de que “a administração pública seja mais transparente e aberta a mecanismos de fiscalização e controle”.

Noutro ponto, o documento determina que sejam adotadas medidas "para fomentar a participação ativa de pessoas e grupos que não pertençam ao setor público, como a sociedade civil, as organizações não-governamentais e as organizações com base na comunidade, na prevenção e na luta contra a corrupção, e para sensibilizar a opinião pública a respeito à existência, às causas e à gravidade da corrupção, assim como a ameaça que esta representa".

Mais ainda, nele está expressa a determinação de “respeitar, promover e proteger a liberdade de buscar, receber, publicar e difundir informação relativa à corrupção”.

E para provar que certos vereadores de Cornélio Procópio e também seu prefeito estão totalmente na contramão quanto ao tratamento que se deve dar à este assunto, ainda está dito que os Poder Público deve adotar “medidas apropriadas para garantir que o público tenha conhecimento dos órgão pertinentes de luta contra a corrupção”, além de “facilitar o acesso a tais órgãos, quando proceder, para a denúncia, inclusive anônima, de quaisquer incidentes que possam ser considerados constitutivos de um delito”.

Isto é exatamente o que o Instituo Ame Cidade vem fazendo não só na questão das diárias dos vereadores, mas em todos os assuntos relativos à ética. E os termos da Convenção da ONU também dão total sustentação ao modo íntegro que a vereadora Aurora vem exercendo o seu mandato.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ataque à vereadora Aurora é também uma agressão tramada contra a democracia

INSTITUTO AME CIDADE, 8 de dezembro de 2009

O processo pedindo a cassação da vereadora Aurora Fumie Doi encaminhado pelo Partido Progressista (PP) à Câmara de Vereadores de Cornélio Procópio e aceito por unanimidade pelos vereadores deve ser visto como um dos ataques mais graves à ética e à transparência na vida pública brasileira. Aurora, que tem uma carreira política e vida profissional inatacáveis, é agora o alvo direto da ação do PP, mas certamente o partido está mirando em objetivos mais amplos.

Felizmente a população de Cornélio procópio já percebeu a conspiração contra a ética. A indignação do procopense vê no ataque à Aurora uma agressão à democracia.

A pressão que o PP está fazendo sobre o Legislativo procopense provavelmente está inserido em um plano mais amplo do partido. Se der certo em Cornélio procópio, é grande a chance do partido tentar colocar em prática em outros municípios paranaenses esta forma autoritária de calar a oposição e implantar o domínio do Executivo sobre o Legislativo.

O PP já vem executando este plano para tentar constranger e subjugar o Legislativo por meio de discursos e entrevistas de vários vereadores da base aliada que buscam desqualificar as divergências e anular qualquer voz crítica. Estas manifestações autoritárias atingem inclusive a sociedade civil procopense.

Na cidade, o prefeito Amin Hannouche é vinculado ao PP, sendo um de seus chefes na região. Sob o comando do PP a Prefeitura também não respeito algum pela transparência administrativa e tampouco pela independência entre os poderes. A maioria dos vereadores é da base aliada do prefeito. Em vez de representar o Legislativo, o presidente da Câmara age e fala como se fosse do Executivo.

Aurora é voz discordante deste processo de domínio do Lesgislativo, entretanto tem tido negados pelo Executivo até pedidos básicos de informações sobre os atos da Prefeitura.

É preciso que a sociedade civil se levante contra a agressão ao mandato da vereadora Aurora, pois se uma investida deste peso contra a ética tiver sucesso, com certeza todos os procopenses acabarão sendo atingidos posteriormente pelo clima autoritário que pode ser instaurado na cidade.

E o partido que hoje agride os direitos políticos da Aurora tem uma notória história de ligação com o obscurantismo e a destruição da democracia. Em relação à ética na história brasileira, o PP sempre tem militado do lado contrário.

Partido é do lado oculto do poder e historicamente contra a ética

INSTITUTO AME CIDADE, 8 de dezembro de 2009

O PP tornou-se no Brasil um partido que simboliza o atropelo da ética, tantas são as denúncias de corrupção contra seus integrantes. Seu expoente máximo é o deputado Paulo Maluf, cuja carreira é dominada por denúncias de corrupção e processos na Justiça. Maluf ocupou cargo executivo por diversas vezes, sempre nomeado pela Ditadura Militar.

O político que responde pela simbologia moral do PP começou a carreira na antiga Arena, partido da Ditadura, depois transformada no PDS, para finalmente fundar o PP. Esta cronologia é também a do Partido Progressista, partido que historicamente descende do regime autoritário.

Até 1982 não havia no país eleições diretas para governador. E somente após 1985 as capitais passaram a ter eleições diretas. Maluf se beneficiou disso, construindo uma carreira com indicações para cargos executivos como prefeito de São Paulo e governador do Estado.

Em todos os cargos que ocupou aconteceram muitas denúncias de corrupção e processos que enfrenta até hoje.

Maluf ganhou apenas uma eleição para o executivo, a de 1992 para prefeito de São Paulo. Em 2008 disputou a prefeitura de São Paulo e ficou em quarto lugar, com uma votação bem pequena para a capital paulista: 376.734 votos.

Com o advento das eleições diretas, Maluf perdeu eleições para governador do Estado e prefeito da capital. Em 1986 perdeu a aeleição para governador para Orestes Quércia, ficando em terceiro lugar. Em 1988 perdeu a eleição para prefeito de São Paulo. O PP também tentou a presidência da República em 1989 com Maluf e ficou em quinto lugar. No segundo turno, o partido apoiou Fernando Collor, a quem se aliou até sua queda por corrupção.

Na campanha contra os candidatos com “ficha suja” organizada pelo Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) em 2008, Maluf aparecia como o político que mais responde a processos na Justiça, totalizando sete.

O PP atua no lado encoberto do poder. Hoje essencialmente é um partido do baixo clero, com deputados inexpressivos e que atuam como meros instrumentos do Governo Federal, na base da troca por nomeações políticas no governo e em empresas estatais. Também participa dessa forma do apoio a governos estaduais e municipais, mas sempre é visto como um risco político, já que em todo o país vive envolvido em escândalos políticos.

Janene, chefe do PP no Paraná e amigo pessoal do prefeito Amin Hannouche, é réu no mensalão

INSTITUTO AME CIDADE, 8 de dezembro de 2009

O partido que entrou com o processo contra a vereadora Aurora está também implicado no escândalo do mensalão, o esquema de pagamento a parlamentares em troca de apoio ao governo. Tem quatro importantes nomes na condição de réus, no processo da Procuradoria Geral da República que corre no Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os denunciados por corrupção está o ex-deputado e então presidente do partido, Pedro Corrêa, cassado por falta de decoro. Ele responde pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Atualmente está na executiva nacional do PP no cargo de vice-presidente.

É desse modo que o MP define o partido que está processando a vereadora Aurora: “Os denunciados José Janene, Pedro Corrêa, Pedro Henry, João Cláudio Genú, Enivaldo Quadrado, Breno Fischberg e Carlos Alberto Quaglia montaram uma estrutura criminosa voltada para a prática dos crimes de corrupção passiva e branqueamento de capitais. O recebimento de vantagem indevida, motivada pela condição de Parlamentar Federal dos denunciados José Janene, Pedro Corrêa e Pedro Henry, tinha como contraprestação o apoio político do Partido Progressista (PP) ao Governo Federal. Nessa linha, ao longo dos anos de 2003 e 2004, José Janene, Pedro Corrêa, Pedro Henry e João Cláudio Genú receberam aproximadamente quatro milhões e cem mil reais a título de propina”.

Outro pepista que está sendo processado no STF é o ex-deputado José Janene, manda-chuva da sigla no Paraná e um dos chefões da executiva nacional. Genú, citado acima, era na época seu chefe de gabinete. Conhecido pelo estilo prepotente, depois que foi denunciado o então deputado fez-se de vítima, alegando problemas de saúde. Janene quase teve seu mandato cassado: 210 deputados votaram pela cassação, 128 pela absolvição. Seriam necessários 257 votos para cassá-lo.

No STF, o pepista é acusado de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A procuradoria Geral da República define assim sua atuação: “O Deputado Federal José Janene sempre integrou a Executiva Nacional do PP, tendo fechado o acordo financeiro com o PT e assumido postura ativa no recebimento da propina”.

No Paraná, Janene age sempre nos bastidores, atuando politicamente em prefeituras do interior. Na última administração em Londrina de Antonio Belinati ele detinha grande poder. Belinati acabou sendo cassado por corrupção depois de um movimento da sociedade civil londrinense liderado pelo movimento “Pé Vermelho! Mãos Limpas!”.

Em Cornélio Procópio, Janene não só tem influência na Prefeitura como também é amigo pessoal do prefeito Amin Hannouche, o líder político do PP na cidade.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Poder, dinheiro, corrupção e...

O governador de Brasília estrela um dos mais repugnantes espetáculos de corrupção já vistos na história. Sem nenhum pudor, políticos foram filmados recebendo dinheiro de propina em meias, cuecas, bolsas e até via Correios. Depois, ainda rezam, agradecendo a Deus a graça alcançada





REVISTA VEJA, semana de 9 de dezembro de 2009


No dia 4 de setembro de 2006, no auge da eleição para o governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda encaminha-se até o escritório do delegado aposentado Durval Barbosa, então secretário do governo e seu coordenador de campanha. Ele aperta a mão de Durval e lhe dá um tapinha nas costas: "Meu presidente!". Arruda acomoda-se gostosamente no sofá, dá um profundo suspiro e pede um chazinho à secretária. Tira do bolso um papelzinho e diz a Durval: "Queria ver quatro coisinhas com você. Só posso pedir para você porque é algo pessoal". Arruda começa pela corrupção miúda, pedindo a Durval que consiga emprego para o filho dele numa das empresas que mantêm contratos com o governo. Depois abusa um pouquinho mais e recomenda que o delegado "ajude" a empresa de um amigo. Finalmente pergunta sobre o financiamento para a campanha. "Estou medroso com esse troço", diz Arruda. Durval tenta tranquilizá-lo: "A gente só não pode internalizar o dinheiro". Ato contínuo, Durval abre o armário, pega um pacote com 50 000 reais e o entrega a Arruda. "Ah, ótimo", agradece o candidato. Num lapso de 23 minutos e 45 segundos, com o equipamento do ladino Durval e a desfaçatez de Arruda, produziu-se o primeiro capítulo da mais devastadora peça de corrupção já registrada na história do país.

Talvez encantado com o espírito do Natal que se aproxima, Arruda veio a público na semana passada para dizer que, sim, ele recebeu o pacotão de dinheiro que aparece no vídeo - mas que, por nobreza de coração, usou os recursos na compra de panetones para os pobres que habitam a periferia de Brasília. Nem Papai Noel acreditou. A burlesca cena protagonizada por Arruda está num dos trinta vídeos entregues por Durval aos promotores do Ministério Público do Distrito Federal, aos quais VEJA teve acesso na íntegra (assista no site a uma seleção dos vídeos exclusivos). Ele também forneceu documentos e prestou um minucioso depoimento, expondo as vísceras do esquema de corrupção chefiado por Arruda e pelo empresário Paulo Octávio, vice-governador de Brasília. Até o início da crise, o ex-delegado era secretário de Relações Institucionais - uma espécie de embaixador da corrupção do governo de Brasília. Cabia à turma dele coordenar as fraudes nas licitações do governo, achacar os fornecedores e repassar o butim a Arruda e Paulo Octávio, distribuindo o restante da propina aos deputados da base aliada na Câmara Legislativa do DF. Ou seja, uma versão brasiliense e democrata do mensalão petista.

LEIA MAIS AQUI.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Comentando, Marília Santana - CP disse...

Então, vamos fazer uma corrente, participem deste blog e mandem e-mails a todos os conhecidos. Que tal fazermos uma manifestação em prol da vereadora, ao mesmo tempo que cobramos explicações quanto as diárias?

Tá lançada a idéia, basta os procopenses aderirem. Precisamos resgatar a participação popular, se já afastamos um Presidente corrupto, não podemos deixar que o caos se instale em nossa cidade, afinal é aqui que vivemos.

Não podemos deixar que esta lama se espalhe e afogue toda a população, se não nos manifestarmos contra esta barbárie, é isto que irá acontecer.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Tentando cassar a ética

O processo contra a vereadora Aurora Fumie Doi (PMDB), feito pelo Partido Progressista (PP) e que pode levar à cassação de seu mandato na Câmara Municipal de Cornélio Procópio, deve ficar na história política do Paraná como um de seus casos mais absurdos. E se os vereadores da base aliada do prefeito Amin Hannouche, chefe municipal do partido que pretende a cassação, chegarem a tanto, cassando de fato o mais honesto membro da casa e um dos poucos que cumpre verdadeiramente sua função, aí então o caso certamente vai tornar-se um fato federal.

Então, seguindo o exemplo da Câmara Municipal de Cornélio Procópio caso os vereadores cassem Aurora Fumie Doi, parlamentares que ficam incomodando com essa conversa de ética também devem ser eliminados no plano federal.

Para começar a limpa, devem ser cassados os seguintes senadores: Pedro Simon (PMDB-RS), Cristovam Buarque (PT-DF) e Marina Silva (PT-AC).

Comentando, Edvaldo Santos disse...

Cadê a população? Tem que se manifestar minha gente! Isso já é brincar com o povo. Vamos as ruas mostrar pra esse povo que exigimos respeito com a coisa pública. Se uma situação dessas ficar sem reação da comunidade, muito provavelmente se instalará o caos no município.

Para ver o material publicado sobre o caso das diárias de vereadores de Cornélio Procópio

Para ler sobre o caso das diárias de vereadores da Câmara Municipal de Cornélio Procópio, assunto que o Instituto Ame Cidade levou ao Ministério Público com um pedido de investigação, clique aqui.

Para comentar no blog

INSTITUTO AME CIDADE, 4 de dezembro de 2009

Clique em Selecionar perfil; depois clique em Nome/URL; escreva o nome e coloque URL apenas se tiver blog na internet; Escreva o comentário; Faça a verificação de palavras e então envie.

O leitor pode comentar também como "Anônimo". Neste caso evidentemente é só clicar em "Anônimo". E que ninguém se avexe de postar seu comentário dessa forma. Isso é uma prática corrente na internet e foi estabelecida pelo simples fato de que é a opinião em si que vale, a informação a mais que o leitor traz aos blogs.

É claro que sempre é melhor assinar com o próprio nome o comentário. Mas se o leitor entender que não quer fazer isso em alguma comentário, não há problema.

Os comentários são livres, evidentemente obedecendo normas básicas de bom senso

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

No caso das diárias, Câmara Municipal de Cornélio Procópio aceita processo contra vereadora que zela por transparência

INSTITUTO AME CIDADE, 3 de dezembro de 2009


Os procopenses estavam à espera de providências da Câmara Municipal de Cornélio Procópio em relação ao pedido de investigação sobre possíveis irregularidades em diárias de vereadores feito pelo Instituto Ame Cidade ao Ministério Público, quando todos foram supreendidos pelo anúncio da única medida prática: por unanimidade os vereadores aceitaram denúncia do Partido Progressista, que dá início a um processo contra a vereadora Aurora Fumie Doi e que pode levar a sua cassação.

O bom senso político exigiria que os vereadores se antecipassem ao MP e instaurassem eles mesmos procedimentos investigativos para esclarecer de vez o caso das diárias. As contradições apresentadas em documentos da própria Câmara são bastante evidentes, exigindo portanto explicações muito claras de uma instituição que entre seus deveres básicos está a defesa e o respeito pela ética.

Mas ocorreu exatamente o contrário, por unanimidade a Câmara decidiu pelo início de um processo que pode punir o único membro da Casa que alertou para a necessidade da transparência e da lisura.

A denúncia do PP foi apresentada nesta terça-feira e recebida por unanimidade pelos vereadores. Os procedimentos até a votação final que pode decidir pela cassação de Aurora Fumie Doi levarão cerca de 90 dias.

Com o recebimento da denúncia, instaurou-se um processo disciplinar para o qual a Mesa já escolheu um relator, o vereador Ricardo Leite. Ele fará uma apuração preliminar para dentro de cinco dias apresentar um relatório prévio a ser analisado pelo Mesa, que deverá decidir sobre a procedência da acusação. Caso seja aceita, o acusado tem cinco dias para a apresentação da defesa, inclusive com testemunhas. Com a conclusão de toda essa parte o parecer é encaminhado para votação.Com a Mesa entendendo que há procedência é feita uma votação na primeira sessão ordinária.

A partir disso, se a Mesa considerar que o fato é grave, é feito um parecer em forma de projeto de resolução que deve ser aprovado por maioria absoluta. Isso acontecendo, instaura-se a Comissão Especial de Ética e Decoro, com prerrogativas de uma comissão processante e um prazo de quarenta dias para a emissão de um parecer. O parecer é feito também na forma de projeto de resolução e segue para votação em plenário, com decisão final sobre a cassação.

A vereadora Aurora está em seu segundo mandato e jamais recebeu diária alguma. Inclusive na votação para o aumento das diárias, ocorrido em fevereiro, ela foi a única que votou contra.

Isso já bastaria para demonstrar o absurdo do pedido de cassação, mas as coisas não param por aí. Aurora, que é profissional da área da saúde, é de tamanha respeitabilidade na cidade e na região que o fato chocou a todos. A decisão é tão fora de propósito que até adversários políticos de Aurora criticam o posicionamento dos vereadores.

A alegação do PP em seu pedido de cassação por falta de decoro também não procede. O partido acusa Aurora de “denunciar fatos que sabia serem inverídicos, apenas para denegrir a imagem de seus adversários”, quando, na verdade, a vereadora apenas levou aos colegas suas preocupações quanto ao tema levantado pelo Instituto Ame Cidade, sem nenhuma acusação pessoal, até porque o assunto está em investigação pelo MP.

Para quem não é de Cornélio Procópio, a situação criada com o recebimento pela Câmara do pedido de cassação do PP contra Aurora Fumie Dói equivaleria ao Senado de José Sarney, Renan Calheiros e outros notórios entrar com um pedido de cassação de um político como o senador Pedro Simon.

E os brasileiros ficariam tão escandalizados quanto os procopenses estão com o pedido de cassação da vereadora Aurora. Na Rádio Cornélio, emissora mais ouvida da cidade, é recorde o número de internautas que expressam solidariedade com Aurora e sua revolta em relação a esta atitude absurda dos vereadores.

Nas ruas de Cornélio Procópio a solidariedade à vereadora é imensa, até porque ela adquiriu grande respeitabilidade não só por sua firmeza de caráter − comprovada nos quatro anos do primeiro mandato e mantido neste segundo − mas também pelo extremo respeito que mostra no dia-a-dia na relação com as pessoas.

Como Aurora atua profissionalmente e faz política tratando a todos de forma educada e respeitando divergências, até mesmo quem tem alguma discordância política com ela acaba por ver na atitude assumida pela Câmara uma tentativa de atemorizar uma vereadora que cumpre com um dever básico do Legislativo, que é o de zelar pela transparência.

Prefeito acusa vereador de tentativa de favorecimento pessoal em licitação

O prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), acusou um vereador que já foi de sua base política de pedir vantagens pessoais em uma licitação da Prefeitura. Barbosa acusou o vereador Joel Garcia (PDT), que já foi seu líder de governo na Câmara, de ter assediado secretários para conseguir vantagens em compra de alimentos para merenda escolar. O vereador é empresário do ramo de hortifrutigranjeiros.

Um secretário da Prefeitura afirmou que foi abordado por Garcia com o pedido para que desclassificasse duas concorrentes que ficaram na frente da empresa da família dele. O prefeito garante que tem comprovação da denúncia, que foi levada ao Ministério Público.

Leia aqui e aqui.

Visita fora de pauta

Surgem mais fatos estranhos nos gastos em diárias de vereadores da Câmara Municipal de Cornélio Procópio, que foi objeto de pedido de investigação do Instituto Ame Cidade junto ao Ministério Público.

Os documentos que estão em posse do MP apresentam claras contradições entre datas das justificativas de viagem e registros de presença em sessões da Câmara. Tem vereador que garante em documento assinado que estava em Curitiba em dia de sessão, com sua presença assinalada, o que seria possível apenas se ele fosse onipresente, um dom que até o momento só a Deus se permite.

Existem outras incongruências de que já falamos, como o fato de algumas diárias terem sido pagas para vereador se reunir com o deputado Luiz Romanelli (PMDB) em Curitiba, sendo que o deputado sempre está presente em Cornélio Procópio. Mas eis que aparece outra situação curiosa relativa à viagens.

No dia 6de julho deste ano alguns vereadores estiveram em Curitiba em visita ao prefeito Beto Richa. A notícia está publicada no site da Câmara Municipal. Os vereadores Helvécio Alves Badaró (PTB), Sebastião Angelino Ramos (PTB), Sebastião Cristóvão da Silva (PP) e Edimar Gomes Filho (PPS) aparecem inclusive numa foto com Richa e o prefeito Amin Hannouche (PP). A imagem pode ser vista ao lado, em foto da própria Câmara.

Entre as justificativas de diárias obtidas pelo Instituto Ame Cidade há diárias para viagens à capital no período de 5 a 7 de julho, assinados pelos vereadores Helvécio Alves Badaró, Sebastião Angelino Ramos e Sebastião Cristóvão da Silva. Os motivos alegados são: visita ao DENIT, ao Tribunal de Justiça, Cohapar e à Provopar.

Sobre a reunião com Richa não há nenhuma menção, mas a cidade acompanhou no último sábado o que pode ser resultado de visitas como esta. Uma festa de recepção com banda de música, carreata e muitos fogos de artifício para Richa, que esteve em Cornélio Procópio na condição de pré-candidato ao governo do Estado e inclusive recebeu o apoio explícito do prefeito licenciado Amin Hannouche.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Na data de sua entrega, o Calçadão ainda está inacabado e com problemas no piso

INSTITUTO AME CIDADE, 1 de dezembro de 2009

No dia de ontem terminou o prazo em que o prefeito licenciado de Cornélio Procópio, Amin Hannouche (PP), garantiu que seria entregue o Calçadão da cidade para o uso da população. É claro que qualquer um com um pouco de bom senso sabia que uma promessa como esta não teria condições de ser cumprida, por questões práticas e bem evidentes na complexidade e extensão do projeto, sem contar na incapacidade técnica demonstrada pela empresa e pela Prefeitura no decorrer da obra.

O resultado foi que a construção praticamente se arrastou nesses três meses, atrapalhando o cotidiano da população e até causando prejuízos econômicos aos comerciantes da região. E pelo que se vê hoje, tudo indica que aquela região da cidade terá que conviver com o clima de obra inconclusa até o final do ano.

O Calçadão tem atrapalhado bastante a vida do procopense na entrada das festas de Natal e de Ano Novo e vai acabar sendo visto como uma marca de incapacidade administrativa, mas é apenas uma das obras encalacradas da Prefeitura. Também estão atrasadas as obras do Frigorífico do Peixe, o Clube do Povo e da praça Brasil, todas iniciadas apressadamente e depois tocadas com lentidão, sendo que algumas, como o próprio Calçadão ou a Praça Brasil, passaram dias praticamente abandonadas.

Talvez não só por coincidência, todas fazem parte de um rico lote a cargo de apenas uma empreiteira, a ILB Construções, que conquistou um conjunto de obras pelas quais receberá mais de 3 milhões de reais. No entanto, mesmo com este alto volume de ganhos, a empreiteira vem atrasando todas as obras, sendo o Calçadão o exemplo mais visível desta incapacidade de cumprir prazos.

Em agosto passado ano o engenheiro da construtora havia dito que no final de novembro a obra estaria finalizada e se faltasse algo, seria apenas “um detalhe ou outro, como um retoque ou alguma pintura”.

Na mesma época, o prefeito Amin Hannouche garantia que a obra tinha “prazos pré-estabelecidos de conclusão”, afirmando que tudo estaria pronto “até o final de novembro devido às festividades alusivas ao Natal”.

Não é o que aconteceu. Ontem o Calçadão tinha pronto apenas a pavimentação e mesmo assim feita às pressas, de modo que podem ser vistas imperfeições graves como falta de nivelamento no piso e pedras soltas.

Além desses problemas visíveis, que antecipam a necessidade de intermináveis reformas em uma obra que sequer foi inaugurada, ainda há muito para ser feito até que construção esteja de fato concluída. Nenhuma das edificações está pronta, sendo que está previsto que elas terão inclusive sanitários. Ontem no Calçadão faltava muito mais que “um retoque ou pintura”.

Por incapacidade de gestão o prefeito está entregando uma obra incompleta e que já apresenta problemas antes da finalização. Ainda falta muito para que a população possa de fato utilizar plenamente este bem público. E o procopense até já faz piadas dizendo que, quando cortar a fita, o prefeito estará apenas inaugurando os problemas que surgirão inevitavelmente já que nunca se viu algo feito às pressas terminar bem.

Obra que nasce mal planejada tem sempre um desenvolvimento com dificuldades, mesmo depois de terminada. E como essa ainda foi feita com muita pressa, por razões políticas ou de qualquer outro tipo, tudo indica que ainda vai exigir muito reajuste técnico e até reformas num futuro muito breve, o que deve esticar bastante o orçamento previsto, que já é bem alto.