segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Questões de São Paulo dominam debate entre candidatos

O ESTADO DE S. PAULO, 18 de outubro de 2010

No segundo debate entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), os presidenciáveis deixaram de lado temas como aborto e religião, mas tiveram que se explicar sobre as suas relações com Erenice Guerra e Paulo Preto, suspeitos de irregularidades

No segundo debate entre os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) desde o primeiro turno, os candidatos deixaram de lado temas como aborto e religião e colocaram São Paulo no centro das discussões.
A petista e o tucano debateram a educação no Estado, políticas para o tratamento de drogados e até iniciativas do governo paulista relacionadas à compra de uma distribuidora de gás pela Petrobrás.
Os dois também tiveram de dar explicações sobre pessoas próximas suspeitas de irregularidades - Erenice Guerra, no caso de Dilma, e Paulo Vieira de Souza, no caso de Serra.

A empresa que provocou controvérsia é a Gas Brasiliano, que distribui gás no interior de São Paulo. Dilma acusou o governo paulista de tentar impedir que a Petrobrás compre a distribuidora da multinacional italiana ENI.
Segundo a candidata do PT, que atribui ao adversário a intenção de privatizar a Petrobrás e o pré-sal, o governo de São Paulo tem feito gestões para impedir que o Cade, órgão regulador do Ministério da Justiça, dê aval ao acordo fechado em maio entre a estatal brasileira e a ENI. Isso, de acordo com Dilma, favoreceria uma empresa japonesa concorrente da Petrobrás.

"A campanha da Dilma mente o tempo todo sobre minha posição em relação à Petrobrás", disse Serra. "Nas vésperas da eleição sempre vem o PT e coloca a privatização no centro das questões por uma questão puramente eleitoral." O tucano afirmou que pretende "estatizar" empresas públicas que, hoje, estariam servindo a "fins privados, de um partido ou de uma turma".

Serra acusou o governo federal de ter promovido um loteamento político na Petrobrás e em empresas ligadas a ela. Insinuou que até o ex-presidente Fernando Collor teria influência na estatal. O tucano também citou os Correios como exemplo de empresa em que vigora a lógica do rateio político. "Os correios são constantemente degradados pelo fisiologismo pela roubalheira e pela corrupção."

O candidato do PSDB disse ainda que as ações da Petrobrás subiram por causa de sua boa colocação nas pesquisas eleitorais no segundo turno. Desde o primeiro turno, porém, as ações ordinárias e preferenciais da estatal caíram 4% e 6%, respectivamente.

São Paulo voltou ao centro do debate quando Dilma questionou Serra por supostos resultados fracos da rede pública estadual de ensino. O tucano afirmou que exames de avaliação feitos pelo próprio governo federal mostram que o Estado foi um dos que mais avançaram na educação pública. Na tréplica, a petista disse que as boas notas de São Paulo se deviam à metodologia do exame, que dá peso alto à aprovação dos alunos. "Aqui há aprovação automática", observou.

Ao falar sobre a questão das drogas, a candidata petista afirmou que, com as 300 vagas abertas pelo governo paulista para o tratamento de viciados, levaria "um século" para atender os 300 mil drogados no Estado.

Serra acusou a adversária de "falar mal de São Paulo", repetindo uma estratégia que, segundo ele, teria provocado seguidas derrotas do PT em disputas pelo governo contra o PSDB.

Em resposta, Dilma chamou o tucano de "pretensioso" por buscar equipar críticas ao governo estadual a ataques ao "povo paulista". Serra ironizou a insistência da adversária em abordar temas locais. "Parece até candidata ao governo de São Paulo."

Verde. Além do aborto - um dos principais motivos de confronto no debate anterior, realizado uma semana antes -, o tema ambiental esteve ausente nas discussões.

Marina Silva (PV), que ontem declarou neutralidade no segundo turno, acusou os dois candidatos de ignorar "o tema da sustentabilidade". "Ao fim, Serra nem tangenciou a questão ambiental. Dilma, ao menos, reafirmou o compromisso firmado pelo governo com as metas de Copenhague", disse ela, pelo Twitter, ao se referir ao combate ao aquecimento global.

Questionada sobre o fato de ter convivido com Erenice Guerra e alegar desconhecimento sobre irregularidades que ela teria cometido na Casa Civil, Dilma afirmou que sua ex-auxiliar "errou". "As pessoas erram e a Erenice errou. Quero deixar claro que considero a situação com muita indignação. "Não concordo com a contratação de parentes e amigos, combato o nepotismo e tráfico de influência."

Serra foi questionado sobre Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que teria sido acusado por tucanos de desviar recursos de doações para a campanha do PSDB. Em um primeiro momento, o tucano negou conhecê-lo, mas depois saiu em sua defesa. "Não o conhecia como Paulo Preto, um apelido preconceituoso e racista. Nunca soube desse problema, nunca soube disso (do suposto desvio de recursos da campanha)", afirmou o candidato.


Confronto

DILMA ROUSSEFF
CANDIDATA DO PT

"As pessoas erram e Erenice errou. Tenho um compromisso em combater o nepotismo e todo o tráfico de influência"

"Considero que o grande desafio é a educação. Por que em 16 anos de governo em São Paulo vocês acumularam recordes negativos?"

"Nós recuperamos as estradas que recebemos sucateadas do governo FHC"


JOSÉ SERRA
CANDIDATO DO PSDB

"Eu não disse que o conhecia. Uma jornalista me perguntou se eu conhecia Paulo Preto e eu não o conhecia por esse nome"

"Eu não vou acabar com o Enem. O Enem morreu no seu governo. Em São Paulo, nós criamos nossos exames para provar a melhora na qualidade"

"Eu tenho o apoio de dois ex-presidentes. Ela tem o apoio de Collor e Sarney"


ALTOS
O debate foi menos agressivo que o do domingo anterior. Os candidatos evitaram ataques pessoais e buscaram explorar temas de campanha

Dilma estava mais segura e Serra, mais tranquilo

As perguntas de jornalistas expuseram pontos fracos de cada candidato, obrigando Dilma e Serra a apresentar explicações
E BAIXOS
Os dois candidatos recorreram às mesmas frases de efeito e expressões usadas no debate anterior, o que soou repetitivo e forçado

Dilma teve dificuldade de se expressar ao formular algumas perguntas

Serra evitou responder algumas questões espinhosas, usando o tempo para falar genericamente ou voltando a tema discutido no bloco anterior

Dilma e Serra participam de debate eleitoral em São Paulo

G1, 18 de outubro de 2010

Encontro foi promovido pela Rede TV e pelo jornal Folha de São Paulo.
Entre os temas debatidos estiveram privatização, drogas e educação.


Os candidatos à Presidência da República Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) participaram na noite deste domingo (10), em São Paulo, de mais um debate eleitoral. O encontro foi promovido pela Rede TV e pelo jornal Folha de São Paulo.

O debate foi dividido em cinco blocos. No primeiro, os candidatos responderam a uma pergunta feita pelo mediador sobre as qualidades e os defeitos de seu adversário. Ainda no primeiro bloco, cada candidato fez uma pergunta para o outro, tendo o que fez a pergunta o direito a réplica e o que respondeu o direito a tréplica.

No segundo bloco, cada um fez duas perguntas ao outro. No terceiro bloco, os candidatos responderam a uma pergunta cada feita por jornalistas da Folha de São Paulo e da Rede TV. No quarto bloco, os candidatos novamente fizeram duas perguntas cada para o adversário. No último bloco, os presidenciáveis tiveram três minutos cada para suas considerações finais.

Temas - O encontro, que durou cerca de duas horas, abordou os seguintes temas: qualificação profissional, escolas técnicas, privatizações, segurança nas fronteiras, combate às drogas, infraestrutura, denúncias de corrupção, saúde, educação, políticas para deficientes físicos e emprego.

Um dos temas que teve destaque nos debates novamente foi a privatização de empresas públicas. Dilma iniciou o tema ainda no primeiro bloco questionando sobre um veto que teria acontecido por uma agência paulista à venda de uma empresa de distribuição de gás que atua no estado à Petrobras.

Serra afirmou que este assunto não dependeria do governo de São Paulo e que a agência tinha liberdade e autonomia para questionar a compra. Dilma voltou ao tema dizendo que os problemas para a compra mostravam que o adversário poderia desejar privatizar outras empresas ou riquezas, como o petróleo do pré-sal.

O tucano partiu então ao ataque. Ele acusou o governo federal de fazer loteamento em empresas públicas e destacou a privatização da telefonia feita no governo Fernando Henrique Cardoso. Serra afirmou ainda que com sua subida nas pesquisas as ações da Petrobras teriam se valorizado.

O combate às drogas e o tratamento de dependentes químicos foi outro tema que opôs os candidatos. Serra afirmou que o governo brasileiro era conivente com a Bolívia e que não pressionava o presidente Evo Morales a combater o tráfico de drogas. O tucano afirmou que não há combate ao tráfico de drogas e armas nas fronteiras.

Dilma afirmou que foi investido mais em segurança no governo Lula do que no anterior. Ela destacou investimentos na Polícia Federal e a criação da Força Nacional de Segurança Pública.

Serra falou também sobre o tratamento de dependentes e afirmou que o governo federal não investiu nessa área. Ele destacou a realização de clínicas em São Paulo e o apoio às comunidades terapêuticas. Dilma ironizou o trabalho de Serra na área das clínicas, que atendem a 300 pacientes. Segundo ela, levaria um século para tratar os dependentes de São Paulo com o que já foi feito em São Paulo.

No terceiro bloco, as perguntas das jornalistas trouxeram as denúncias de corrupção para o debate. O tucano foi questionado sobre o ex-diretor de engenharia Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que é suspeito de desviar recursos que seriam de caixa dois da campanha de Serra. O ex-diretor nega as acusações.

Serra afirmou que não houve o problema de desvio de recursos de sua campanha. Ele afirmou que quando se divulgou que ele tinha dito não conhecer o ex-diretor é porque perguntaram pelo apelido, que ele não conhecia.

No caso de Dilma, a pergunta foi sobre o escândalo de tráfico de influência na Casa Civil que levou Erenice Guerra a deixar o cargo de ministra. A repórter perguntou como a candidata seria capaz de escolher ministros.

Dilma afirmou que Erenice errou e que ela não concordava com a contratação de amigos e parentes para cargos públicos. A petista destacou que o caso está sendo investigado pela Polícia Federal.

No quarto bloco, a educação foi um dos temas abordados. Dilma questionou o tucano sobre os índices da educação no estado de São Paulo, onde ele foi governador.

Serra respondeu dizendo que São Paulo teve o maior avanço no Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb), que é aplicado pelo Ministério da Educação. O tucano afirmou ainda que a gestão federal na área estava ruim e que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estava desmoralizado, fazendo referência ao vazamento de provas em 2009.

Dilma, em sua réplica, afirmou que os números de São Paulo no Ideb não refletem a realidade porque um dos critérios é a aprovação dos alunos e no estado há a “progressão automática” dos alunos mesmo que eles não tenham aprendido. A candidata destacou ainda que o DEM, partido da coligação de Serra, entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o Prouni, que dá bolsa em universidades privadas.

Serra retomou o tema destacando sua ação de colocar duas professoras no primeiro ano para melhorar a alfabetização das crianças. Ele também enfatizou a premiação por mérito que é paga aos funcionários de escolas bem avaliadas. Dilma rebateu criticando a situação dos professores no estado de São Paulo. Um dos ataques da petista foi ao fato de quase metade dos professores do estado não tem escola fixa e ficam mudando de local de trabalho.

Considerações finais - Dilma foi a primeira a fazer suas considerações finais. Ela destacou sua participação no governo Luiz Inácio Lula da Silva. “Tenho a honra de ser apoiada e representar o governo do maior presidente que este pais já teve, que é o presidente Lula”. A candidata falou também de suas prioridades no governo e se disse preparada para ser presidente.

Serra começou suas considerações finais destacando sua origem. “Vim de família pobre, gente trabalhadora, graças à escola publica cheguei aonde cheguei, foi dentro minha família que eu aprendi valores”. O tucano disse ainda que em toda sua vida pública procurou agir como servidor e afirmou que deseja fazer um governo de união nacional.

Indecisos preferiram Serra em medição da Rede TV!

VEJA ONLINE, 18 de outubro de 2010


A RedeTV! distribuiu a 27 eleitores indecisos, convidados a acompanhar o debate presidencial nos estúdios da emissora neste domingo, um aparelho que lhes permitia registrar sua reação a cada manifestação dos candidatos. Como todos eram paulistanos, e o número de participantes muito pequeno, não é possível dar valor estatístico a essa medição.

A cada final bloco, eles podiam votar em quem consideravam melhor, pior, mais ou menos confuso. Numa escala de 0 a 100, podiam também a cada instante apontar o que lhes agradava ou desagradava.

Os eleitores consideraram que o tucano José Serra saiu vencedor no primeiro, quarto e quinto blocos do programa. Avaliaram que houve empate no segundo bloco e que a petista Dilma Roussef foi melhor no terceiro.

Os temas que causaram reações mais fortes foram saúde, segurança e educação.Os termos que despertaram “comoção” foram crack, ensino profissionalizante e diminuição na fila de hospitais. De maneira geral, no entanto, os eleitores consideraram o debate morno. Numa escala de 0 a 100, nenhuma resposta mereceu deles nota menor que 40, nem maior do que 75.

Itamar quer oposição 'autêntica' contra o PT

O ESTADO DE S. PAULO, 18 de outubro de 2010

Ex-presidente e senador eleito fala sobre o governo Lula e analisa disputa Serra-Dilma


O ex-presidente Itamar Franco parece mais sereno com a idade. "Eu me eduquei a não ter mágoas", diz o recém-eleito senador pelo PPS de Minas Gerais a reboque da popularidade do ex-governador Aécio Neves (PSDB).

As rusgas - ou "algumas tristezas", como ele diz - com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o PSDB foram deixadas para trás, talvez com base no ensinamento do velho senador Teotônio Vilela, que lhe recomendou a "não deixar a mágoa passar da garganta para baixo porque faz mal ao coração". Hoje, aos 80 anos, Itamar Franco é um dos principais cabos eleitorais do presidenciável José Serra (PSDB) em Minas.

"Minas pode indicar a virada necessária para o Serra ganhar as eleições. Agora, ele precisa tocar os corações mineiros. Aí vem o problema político", afirma o ex-presidente. Apesar de mais suave, Itamar continua direto e franco. O problema político, analisa, é a necessidade de Serra se assumir como oposição e de adaptar o discurso para diferentes estratos sociais. Ao lado de Aécio, Itamar acha que a oposição precisa ser mais autêntica e se contrapor ao governo Lula, mostrando as transformações sociais obtidas graças ao Plano Real, implantado na transição entre o seu governo e o de FHC.

"Quando a dona Dilma (Rousseff, presidenciável do PT) diz que todos melhoraram de vida, por que eles não rebatem dizendo o seguinte: o pãozinho custava de manhã um preço, de tarde outro, de noite outro. E, além do pãozinho, o salário do trabalhador à noite estava totalmente corroído. A inflação era de 4% ao dia. Hoje é de 5% ao ano."

Enquanto rabisca um papel e diagnostica o resultado das eleições em Minas, Itamar Franco manda recados aos tucanos, a Serra e a Fernando Henrique. "Sei que eles vão jogar tudo no lixo, mas eu falo assim mesmo. Eles não gostam que eu fale." Logo em seguida, deixa claro que as advertências ao presidenciável são feitas com extrema cautela e consideração: "Eu estou fazendo uma crítica positiva. Serra terá meu voto, meu apoio cívico".

"Leio que o ex-presidente Fernando vai querer uma conversa cara a cara quando o petista puser o pijama. Ora, o que assistimos a todos os dias na televisão? Ataques ao presidente Fernando. E por que ele vai esperar o homem por pijama? Por que não já vem agora, com um minuto ou 45 segundos no programa do Serra, e diz assim: olha presidente Lula, eu estou aqui, e me chame para o debate na hora que quiser. Faça isso antes de terminar o horário eleitoral. Porque não adianta ele querer esconder a face. Toda hora eles (o PT) mostram a face dele. O que vai adiantar ele dizer que quer debater com o Lula depois que ele sair do governo? Nada", irrita-se Itamar.

O senador eleito repudia estratégias baixas de campanha, atribuídas por ele a parte do PT. Reconhece, porém, que também os tucanos cometem seus excessos, como o vídeo que comparou petistas a cães rottweilers. E os reprova. "Empobrece muito a política brasileira e é por isso que começa a haver essa descrença. Agora também o PSDB faz isso porque a agressão parte primeiro deles. Eles ficam toda hora atacando o ex-presidente. Cada um usa a arma que quer usar. Eu condeno. Acho que a campanha deve se dar em alto nível."

O debate religioso e de valores terá seu espaço em Minas Gerais, com seu lado conservador, reconhece Itamar Franco. Porém, mais uma vez, o ex-presidente faz advertências a seus aliados e adversários: "Tem horas que você tem que buscar os valores sim. Temos que mostrar aos moços e às moças que o Brasil não surgiu com o presidente Lula. Mas, de repente, todo mundo volta a ser religioso. Uma hora fala de aborto, outra hora fala dos gays. São temas muito sensíveis. Por que não falou logo de uma vez: eu defendo a legislação atual em relação ao aborto. O Serra, pelo que sei, defende a legislação atual", afirma. Minas, segundo ele, "é fundamentalmente religiosa". "Acho errado é usar a religião para ganhar votos."

O discurso duro de Itamar reserva momentos de bom humor, coisa rara de se ver em suas atuações políticas no passado. "O governo do pão de queijo foi tão bom que eu poderia ter cobrado royalties", brinca, relembrando a maneira pejorativa a que muitos se referiam a seu mandato.

Segundo ele, Serra não tinha campanha em Minas. "Por mais que falássemos do nome de Serra, tinha cidade em que não havia nenhuma propaganda dele. Ele descuidou de Minas. Mas para eles não perderem muito tempo, é só chamar Aécio. É colocar Aécio na campanha'', prega. Serra, segundo ele, deve ter a humildade de deixar Aécio ''ensiná-lo'' a fazer campanha em Minas.

Ex-presidente critica salto alto de Dilma e ataca soberba de Lula
Para o engenheiro Itamar Franco, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, certamente seria reprovada em cálculo. "Porque ela só faz um discurso decorado. Artificial e pedante", justifica. O excesso de confiança petista no primeiro turno fez Dilma perder, afirma Itamar.

Ao presidente Lula, ele também reserva uma boa dose de críticas e reprovações, inclusive a constatação de que o petista deixou de ser um democrata e um homem simples. "Em 2005 eu apoiei o presidente. Mas ele não tem mais postura democrática. Um sujeito que fala "nunca antes". Será que ninguém antes dele fez alguma coisa por esse País? Isso é uma ofensa. Ele não respeita a Justiça Eleitoral, não respeita a imprensa. Em 2005 ele era um homem simples. Hoje ele é um homem soberbo, que gosta do poder. E a gente sabe que o poder é fugaz, é passageiro. O ego dele está muito inchado. Só que a gente aprende que o poder é passageiro", ataca Itamar.

Para o ex-presidente, Lula tem vulnerabilidades e pontos fracos, tanto que perdeu a eleição em Minas Gerais, Estado onde quis interferir diretamente, e é obrigado a enfrentar agora um segundo turno difícil entre a candidata que escolheu e Serra. Escândalos de corrupção do atual governo precisam ser explicados e mencionados constantemente pela oposição, reivindica Itamar. "Esse caso da Dona Erenice. Tocam de levezinho. Cadê a dona Erenice? Tem que explicar ao eleitor quem é."

Obras prontas usaram só 1% do PAC no Paraná

GAZETA DO POVO, 18 de outubro de 2010

Metade dos projetos está em andamento, mas só os de pequeno porte e baixo impacto foram concluídos. Dos 67 prontos, 59 estão em reservas indígenas


Em quase quatro anos, o Paraná concluiu o equivalente a 1,1% dos recursos previstos pelo Programa de Ace­­leração do Crescimento (PAC) para a área de saneamento básico. Do montante programado, de R$ 1,49 bilhão, apenas R$ 16,6 milhões foram investidos, a maior parte em projetos de pequeno porte, já finalizados. Reservas indígenas foram as principais beneficiadas pelas obras no Paraná. Das 67 obras concluídas desde o lançamento do pro­­grama até abril desse ano, 59 são de melhorias na distribuição de água e na coleta de esgoto em al­­deias paranaenses. Os dados são do 10.º relatório quadrimestral do Comitê Gestor do PAC, realizado de janeiro a abril e divulgado em junho.

Dos 454 projetos previstos para o Paraná, 208 estavam em andamento e quase metade ainda não havia sido iniciada. O índice co­­loca o estado em 4.º lugar no ran­king nacional dos empreendimentos em execução (acima da média nacional, de 35,2%), atrás de Rorai­ma, Mato Grosso do Sul e Distri­to Federal. Apesar da boa colocação, as obras concluídas são de bai­xo impacto. Em relação às en­­tregues, o volume geral posiciona o estado em 8.º lugar, com 15%, contra 12% da média do país. Das 8.509 ações planejadas para o Bra­sil no período 2007-2010 e pós 2010, foram concluídas 1.058 (12%).

Para o engenheiro químico industrial Édison Carlos, conselheiro do Instituto Trata Brasil, ONG que monitora as condições de saneamento básico no país, essas melhorias, mesmo simples, são importantes, mas não dão conta das principais necessidades e apenas mascaram o real andamento dos projetos. “Mais do que os problemas técnicos que atrasam o trabalho falta interesse político, porque as obras de saneamento são demoradas e os retornos como o benefício na saúde só aparecem a longo prazo. Politicamente, não é vantajoso”, analisa.

Ritmo lento - O total de investimentos programados para o Paraná chega a R$ 1,49 bilhão, incluindo a contrapartida dos governos estadual e municipal e das empresas de saneamento que gerenciam os serviços. A maior parte, R$ 1,26 bilhão, deve vir dos cofres federais. Segundo a assessoria de imprensa da Casa Civil da União, o Ministério das Cidades e a Funda­ção Nacional de Saúde (Funasa), esta responsável pelo financiamento das obras nos municípios com até 50 mil habitantes, repassaram ao Paraná até agosto R$ 286,8 milhões, 23% dos recursos federais previstos para o PAC do saneamento no estado.

O ritmo lento dos repasses e das obras não se deve à falta de dinheiro, segundo o governo federal (“já que é proporcional à realização das intervenções”), mas à qualidade dos projetos de engenharia, problemas na liberação dos terrenos e à demora na emissão das licenças ambientais, além de dificuldades na prestação de contas.

Em muitos casos, os projetos precisam de revisão por problemas técnicos ou adequação para garantir a qualidade e funcionalidade do empreendimento. Além das diversas etapas de execução que as obras de grande porte e complexidade exigem (licenciamento ambiental, titularidade dos terrenos e licitações), às vezes também é preciso reassentar parte da população da área beneficiada. No Paraná, a dificuldade estaria na demora pa­­ra apresentação dos projetos de engenharia. “Essas dificuldades têm sido superadas e quase 80% das obras já foram iniciadas.”

Como o PAC contempla apenas obras enquadradas nos planos plurianuais dos estados (com conclusão para médio e longo prazo), ne­­nhum dos projetos financiados é tido como emergencial. Nessa relação, destacam-se três grandes projetos: ampliação do sistema de esgotamento sanitário e de abastecimento de água da região metro­politana de Curitiba e obras de dre­nagem para o controle de enchentes e prevenção de inundações em São José dos Pinhais.

Dentro desse pacote, entre ou­­tras, as obras do PAC em Piraquara (com o maior projeto de urbanização em áreas de mananciais do país) e Campo Magro somam R$ 113 milhões em recursos federais, municipais e estaduais. Além de acesso ao abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e drenagem, o projeto prevê a remoção e construção de casas populares para pelo menos 1,3 mil famílias e integração à rede de energia elétrica, tudo dentro de um modelo de ação integrada.

Problema grave em várias regiões do país, mesmo quando todas as obras estiverem prontas, o saneamento básico ainda estará longe de ter sido resolvido. Segundo o Instituto Tra­ta Brasil, para que os serviços sejam universalizados seriam necessários R$ 270 bilhões. Considerando-se a previsão de repasses de R$ 35,5 bilhões até agora, “seriam necessários pelo menos sete PACs, ou quase 30 anos, para se alcançar a meta”, calcula o conselheiro da ONG, Édison Carlos.

Em 2009, apenas a metade da população urbana brasileira tinha acesso à rede de esgoto. Para chegar a 55% ainda neste ano, o governo pretende repassar aos estados e municípios cerca de R$ 8 bilhões até dezembro.

Maior obra concluída consumiu mais da metade dos recursos
A análise dos dados que compõem os 27 relatórios esta­duais elaborados pelo Comitê Gestor do PAC, divulgados em junho, mostra que no Paraná a obra de maior impacto entregue até abril foi a de ampliação do Sis­­te­­ma de Abastecimento de Água (SSA) com a entrada em ope­­ração da Estação de Trata­men­­to de Água (ETA) Pitangui/Alagados, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Executada pela Sanepar, a obra recebeu do governo federal cerca de R$ 9 milhões, mais da metade do que foi aplicado em todo o estado.

De acordo com a Sanepar, a obra aumentou a capacidade de produção de água tratada de 800 litros por segundo para 1.150 litros por segundo, volume suficiente para garantir o abastecimento da cidade pelos próximos 10 anos. O sistema de distribuição de água tratada de Ponta Grossa também está recebendo mais R$ 1,7 milhão do PAC. Desde abril do ano passado, foram instalados 6,6 quilômetros de rede de distribuição. A segunda etapa da obra, que contempla interligação e travessias, está programada para iniciar no primeiro semestre de 2011.

As obras de ampliação do SSA estavam sendo esperadas pela população há mais de 20 anos. Apesar dos avanços, ainda há localidades urbanas que sofrem com a falta de abastecimento. “Na Zona Leste da cidade, no Bairro de Uvaranas, te­­mos localidades como o Borsa­to e o Jardim Cachoeira que ainda sofrem com a falta de água. Agora está bem melhor que antes, mas ainda há bastante o que melhorar”, avalia o presidente da Associação Pon­ta-grossense de Lideranças Co­­munitárias e Entidades Filan­tró­­pi­­cas (Aplicef), Gerson de Paula.

Poços artesianos - Segundo o líder comunitário, além dos problemas na área urbana, o serviço prestado nas localidades rurais é deficiente. “Existem bairros que estão distantes 20 quilômetros do centro e que têm muitos pro­­blemas de abastecimento. Eles recebem água de poços artesianos e por isso os problemas com o sistema de bombeamento são comuns”, relata.

Já para o presidente da Sane­par, Hudson Calefe, a falta de água em algumas localidades é um problema esporádico. “São muitas variantes que podem fazer com que um bairro ou uma localidade fique sem abas­­tecimento. Ponta Grossa está 100% coberta pela rede, mas quando há casos de falta de água procuramos solucionar de forma rápida. Por exemplo, às vezes há queda de energia e temos de fazer reparos nas bombas, isso não quer dizer que houve falta de abastecimento, houve um problema localizado”, explica.

Água imprópria

JORNAL DE LONDRINA, 17 de outubro de 2010

Condomínios e sítios são os que mais têm água imprópria para consumo, em razão do uso de poços e minas


Os condomínios (horizontais e verticais) e a zona rural (sítios e chácaras) de Londrina são os locais onde há a maior quantidade de água imprópria para o consumo. O motivo é a utilização de poços e minas sem a instalação de bombas de cloro, que evitam a contaminação de bactérias. O monitoramento é feito mensalmente por técnicos da Vigilância Sanitária, através do programa federal Vigiágua. De acordo com dados trimestrais da análise, nos meses de julho, agosto e setembro foram coletadas 168 amostras, das quais 31, ou 18,5%, em desacordo com o padrão de potabilidade estabelecido pelo Ministério da Saúde. No trimestre anterior (abril, maio e junho), o índice foi um pouco maior: 49, ou 22% das 223 amostras coletadas, estavam em desacordo com o padrão.

Pelo padrão, níveis de flúor e turbidez da água devem estar em um mínimo aceitável, e não pode haver resquícios de coliformes fecais ou totais. Além disso, é preciso que a água receba tratamento com cloro. De todas as análises realizadas nas diversas regiões de Londrina, alguns condomínios (horizontais ou verticais) que utilizam poços e propriedades rurais que captam água de minas, ambos sem bomba de cloração, apresentaram bactérias que indicam contaminação por coliformes totais ou fecais. Outras amostras apresentaram ainda níveis altos de flúor ou turbidez.

“O problema são as pessoas que moram em sítio, nos distritos ou em condomínios que estão perfurando poços artesianos. Tem que colocar a bomba de cloro para a água ser tratada e evitar contaminação. É uma segurança”, afirmou a professora do departamento de Microbiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jacinta Sanchez Pelayo. De acordo com ela, a água controlada pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) não apresenta problemas de contaminação ou falta de potabilidade, sendo considerada uma das melhores do País.

O coordenador do programa Vigiágua em Londrina, Moacir Gimenez Teodoro, explicou que o programa tem como objetivo monitorar a qualidade da água consumida na cidade, seja de minas, poços ou água encanada. Além dos condomínios e zona rural, amostras são coletadas em hospitais, creches, postos de saúde, entre outros locais de grande concentração de pessoas. Teodoro citou o exemplo de um supermercado da cidade que, quando foi inaugurado, apresentou índices altos de contaminação por coliformes totais.

Neste caso, o estabelecimento – que já regularizou a situação - foi notificado e teve de providenciar a cloração da água. Foi assim, segundo ele, com diversos condomínios que são abastecidos por poços artesianos: todos os que não tinham bombas de cloro tiveram de regularizar a situação.

Análise verifica coliformes - O problema maior de falta de potabilidade na água está na presença de coliformes totais ou fecais. Essa é a avaliação da professora do departamento de Microbiologia da UEL, Jacinta Sanchez Pelayo. De acordo com ela, para saber se uma amostra de água está contaminada, os técnicos verificam a presença da bactéria Escherichia coli, encontrada no intestino humano. “Se houver presença, significa que a água já entrou em contato com fezes”, afirmou a professora. Ela explicou que a água contaminada pode ser agente transmissor de doenças. As mais comuns são diarreia e hepatite, entre outras.

O programa Vigiágua, determinado pelo Ministério da Saúde, é executado por meio de parceria entre o município, o estado e a UEL. É dever do executivo estadual fazer análises para medir a qualidade da água do município. Em Londrina, são 2.360 imóveis cadastrados na zona rural, sem contar o Distrito da Warta, na zona norte. Nesses domicílios estão 1.025 fontes de água, entre poços e minas. No espaço chamado Londrina urbana, que compreende áreas intermediárias entre a zona rural e a cidade, como o Patrimônio Três Bocas, a Estrada do Limoeiro, entre outras, há 155 poços artesianos, 225 poços rasos e 96 minas.

De acordo com o coordenador do Vigiágua, Moacir Gimenez Teodoro , são as minas as principais fontes de ausência de potabilidade da água.

Saneamento público ainda sofre com ingerência política ao destinar recursos

Funcionário da Organização Mundial da Saúde (OMS), o engenheiro Sérgio Rolim Mendonça já viu de tudo na América Latina em relação à falta de tratamento de água e esgoto. “Ao redor do mundo, verminoses matam mais que fatores de risco por abuso de drogas, poluição do ar, fumo, inatividade física, desnutrição, consumo de álcool”, afirma.

Sobre o Brasil, Mendonça diz que a marca do saneamento básico público ainda é a da interferência política na hora de planejar e até de destinar recursos. O engenheiro aponta a má gestão de serviços – como o desperdício de mais de 50% da água tratada em grandes cidades (em Londrina, as perdas da Sanepar, já mostradas no JL, são de 34,6% da água tratada) - como um dos fatores críticos para a oferta de preços mais acessíveis. “As companhias não investem o que deveriam para eliminar essas perdas e quem paga é sempre o consumidor”.

O técnico cobra, ainda, que companhias de saneamento como a Sanepar estudem e apliquem o reuso do esgoto tratado como forma de evitar a contaminação dos rios com o despejo de efluentes - e como fator de economia para irrigação de plantações. O engenheiro participa do 7º Seminário de Responsabilidade Sócio-Ambiental, que começa nesta semana em Londrina, promovido pela Unimed. Leia abaixo, a entrevista que ele concedeu ao JL.

A indústria nacional é perdedora em duas guerras

VALOR ECONÔMICO, 18 de outubro de 2010


O setor industrial, no Brasil, já era vítima do que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, denunciou como "guerra cambial", na qual países como Estados Unidos e China adotam as estratégias a seu alcance para impulsionar suas economias, desvalorizando as próprias moedas e anabolizando as exportações. Agora, as empresas brasileiras enfrentam um traiçoeiro inimigo interno. As importações, que crescem em ritmo preocupante, ganham impulso graças a políticas tributárias de estímulo à compra de máquinas e até insumos de fornecedores externos. Outra guerra, a fiscal, põe o exportador brasileiro entre fogos cruzados.

Grave o suficiente, essa guerra é, também, desmoralizante e desleal, travada por Estados que atropelaram o Conselho de Política Fazendária (Confaz), organismo de articulação das Fazendas estaduais. É, ainda, generalizada: apenas seis, das 21 unidades da Federação não recorrem a algum tipo de incentivo a importações por meio de reduções do ICMS.

Levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, apontou 18 Estados com programas do tipo, alguns restritos a máquinas e equipamentos para indústria; mas há também incentivos à importação de insumos. Outro estudo, do Instituto Aço Brasil, aponta 13 Estados onde se concede adiamento do tributo até financiamento parcial do pagamento do imposto para importadores de produtos siderúrgicos. Enquanto favorecem a criação de empregos no exterior, os mesmos Estados retêm a devolução, aos exportadores, do ICMS recolhido indevidamente, sob o argumento de que, para isso, precisam receber compensação federal.

Os Estados reduzem o tributo para estimular o uso de seus portos e, em alguns casos, atrair entrepostos comerciais e instalações industriais - e nem necessitam estar no litoral para usar o artifício: Tocantins e Mato Grosso do Sul estão entre os maiores usuários do sistema, aproveitando seus "portos secos" para trazer mercadorias importadas ao país. Uma distorção adicional é concedida pelo sistema de compensação entre Estados para evitar cobrança em cascata do ICMS: o comprador da mercadoria importada recebe 12% de crédito tributário, ao fazê-la passar pela divisa de um Estado, como São Paulo, por exemplo. Como só paga 3%, 3,5% ou 5%, embolsa o restante, uma espécie de subsídio à importação.

Com vantagens assim para a compra de máquinas, insumos e até embalagens, não é surpresa o aumento colossal da importação pelos portos dos Estados que recorrem a esse ardil. Entre 2003 e 2009, as importações de Tocantins cresceram 560%, para US$ 127,5 milhões. As de Santa Catarina aumentaram ainda mais, 633%, e no Mato Grosso do Sul o aumento foi de 445%.

Para evitar a cobrança indevida de impostos na exportação, os governos estaduais, como o de Santa Catarina, exigem apoio da União; mas, para beneficiar fábricas estrangeiras, a benesse é bancada alegremente pelos cofres estaduais, sem nem um aceno para Brasília - que, de resto, repudia a prática, danosa ao mercado de trabalho nacional. Como alertou, neste jornal, o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, essa estratégia nociva põe em risco a indústria nacional, impedida de se beneficiar dos esquemas favoráveis aos importados.

As importações podem ter efeitos benéficos, quando resultam da escolha de produtos com maior avanço tecnológico, ou de custo inferior de produção, capaz de ser transferido ao consumidor. Mas quando a opção pelo concorrente importado se deve a espertezas de uma guerra tributária, o país perde e, em futuro próximo, os espertos serão punidos pela própria esperteza.

Essa aberração praticada por Estados é mais uma distorção flagrante a chamar a atenção para a inadiável necessidade de uma reforma tributária. É inconcebível que um país com ambições e vocação de potência mundial tenha um tal emaranhado de legislações tributárias e sistemas de arrecadação conflitantes e em competição entre si, contra o setor produtivo. A campanha eleitoral, que não hesitou em abraçar tabus religiosos na busca de votos calcados em preconceitos retrógrados, daria um salto de qualidade se encarasse esse outro tabu, de importância real para o futuro bem-estar dos eleitores e do país.

O envelhecimento da população

O ESTADO DE S. PAULO, 18 de outubro de 2010


Um dos problemas mais sérios que o próximo governo deve, pelo menos, começar a enfrentar é o do envelhecimento da população e suas consequências sociais e sobre as contas públicas. Um oportuno estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), coordenado pela pesquisadora Ana Amélia Camarano, toca em um tema que até agora tem sido quase um tabu: o Brasil precisa discutir a elevação da idade mínima para a aposentadoria.

Em primeiro lugar, é preciso levar em conta que, como revelou a Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE, a expectativa de vida do brasileiro em 2009 atingiu 73,1 anos, mais 3,1 anos em relação a 1999. Esse ganho tem preço: mesmo com o aumento do número de assalariados com carteira assinada, a Previdência Social apresentou déficit acumulado de R$ 30,7 bilhões no período janeiro-agosto, devendo superar a previsão de um rombo de R$ 45 bilhões este ano. Há outras razões a considerar. Como afirmou a coordenadora do estudo, a aposentadoria com idade mais avançada "é importante não só para a questão fiscal, como para o próprio indivíduo não sair do mercado de trabalho".

O descompasso da legislação em relação a essa realidade é evidente. A legislação exige, para aposentadoria integral por tempo de serviço, 35 anos de contribuição para os homens e 30 anos para as mulheres, sem consideração da idade. Esse fator só é considerado para a aposentadoria proporcional, para a qual são requeridos 30 anos de trabalho, com um mínimo de 53 anos de idade para os homens e 48 anos para as mulheres. Existe também a aposentadoria por idade para os trabalhadores urbanos aos 65 anos para os homens e 60 para as mulheres, desde que tenham contribuído durante 180 meses para a Previdência. Os trabalhadores rurais podem se aposentar por idade com cinco anos a menos, para os dois sexos, desde que comprovados 180 meses de atividade no campo.

A legislação também permite que, mesmo após aposentar-se, o trabalhador continue prestando serviço à mesma empresa, embora o mais comum seja que, depois de reconhecido seu direito à inatividade remunerada, ele se desligue da empresa ou torne-se autônomo.

É flagrante o contraste com outros países. Como ressaltou o estudo, o debate na França é sobre a elevação da idade mínima para aposentadoria de 60 anos para 62 anos. Ele foi aprovado pelo Parlamento. No Japão, a idade mínima será elevada de 60 para 65 anos, a partir de 2013. No Brasil, a população idosa em atividade está em expansão, representando 11,4% da força de trabalho em 2009 em comparação com 7,9% em 1992. O fato inescapável é que, como o número de contribuintes para a Previdência Social não deve crescer no mesmo ritmo que a concessão de aposentadorias, o sistema, se não for alterado, entrará em colapso.

Isso no que se refere às relações de trabalho regidas pela CLT. Quanto aos servidores públicos, a situação é mais grave, pois a eles é garantida a aposentadoria depois de 35 anos de trabalho, com vencimentos integrais, não tendo sido criado, em âmbito federal, nenhum fundo de pensão para complemento das aposentadorias. O impacto do déficit previdenciário sobre as contas públicas pode se tornar insuportável.

Com a queda das taxas de natalidade e de mortalidade, o Ipea prevê que a população brasileira deve parar de crescer por volta de 2030, quando atingirá o pico de 206,8 milhões de pessoas. Como não é politicamente viável alterar o sistema previdenciário de uma hora para outra, mudanças graduais devem ser introduzidas de forma a prolongar o tempo de serviço ativo.

A revisão da idade de aposentadoria deve ser simultânea a uma maior valorização dos mais velhos no mercado de trabalho. Como assinala o estudo, daqui a duas décadas, a maioria dos novos empregos deverá se concentrar na faixa etária de 45 anos de idade, que será responsável por 56,3% da população ativa. Para Ana Amélia Camarano, a aposentadoria compulsória aos 70 anos, que prevalece no setor público e em algumas empresas privadas, é fruto de preconceito que a sociedade e os empregadores terão de rever.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

FHC desafia Lula a debater 'cara a cara'

O ESTADO DE S. PAULO, 15 de outubro de 2010

Em discurso inflamado para tucanos, ex-presidente Fernando Henrique Cardoso classifica sucessor de 'mesquinho' e de mentir 'sem cessar' sobre o País que encontrou ao assumir mandato


Em sua mais contundente incursão na campanha tucana até agora, que incluiu a defesa de seu legado à frente do Palácio do Planalto, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, desafiou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um debate "cara a cara" após o fim das eleições.

Diante de centenas de militantes do PSDB, em um hotel na zona norte da capital paulista, FHC pediu a Lula que, quando "perder o monopólio da verdade", vá ao instituto que leva seu nome, em São Paulo, para debater. "Presidente Lula, quando acabar as eleições, quando você puser o pijama, será bem recebido. Venha ao meu instituto, vamos conversar, cara a cara", bradou, em discurso inflamado.

O ex-presidente, dizendo-se alvo de mentiras, passou a defender suas gestões na Presidência (1994–2002). As cenas, gravadas por uma equipe da campanha do presidenciável tucano José Serra – que não esteve no evento –, devem ir ao horário eleitoral.

"Estou calado há muitos anos ouvindo. Agora quando o presidente Lula vier, como deve vir, como todo presidente democrata eleito, perder a pompa toda, perder o monopólio da verdade, está desafiado a conversar comigo em qualquer lugar do Brasil", disse FHC.

"Não é para conversar para dizer o que eu fiz, o que ele fez. Isso o povo vai julgar. É para ter firmeza, olhando cara a cara, um ao outro, e ver se um é capaz de dizer ao outro as coisas que diz", continuou o ex-presidente.

Como exemplo dos pontos que abordaria no debate com Lula, FHC citou o Plano Real, principal bandeira tucana, e disse que questionaria o petista sobre as responsabilidades pela estabilização econômica do País.

"Quero ver o presidente Lula, que votou contra o Real, que fez o PT votar contra o Real, dizer que estabilizou o Brasil. Ele não precisa disso. Ele fez coisas boas que eu reconheço. Ele agiu bem na crise atual, financeira. Para que, meu Deus, ser tão mesquinho? É isso que quero perguntar a ele: ‘Lula, por que isso, rapaz?’", bradou.

Aos militantes tucanos, o ex-presidente apostou na veemência para que seu nome, antes escondido nas campanhas, passe a ser defendido abertamente.

"Eu não tenho do que me arrepender. Eu mudei o Brasil. Eu nunca disse isso. Agora, oito anos depois do governo Lula (digo que) eu mudei o Brasil. Não mudei sozinho, mas com o povo brasileiro, com uma equipe de gente competente, com outros partidos. Tudo o que foi inovador foi plantado naquele período. Chega de ficar calado", afirmou FHC.

Privatizações. O ex-presidente elevou o tom e pediu "respeito" ao rebater nota divulgada ontem pelo presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, que o acusou de preparar a estatal para a privatização.

"Quem é esse Gabrielli pra falar isso pra mim, meu Deus? Eu mandei uma carta ao Senado para dizer que não privatizaria a Petrobrás. Eu perdi uma cátedra porque eu defendi a Petrobrás e fui processado", anotou FHC.

De acordo com FHC, a "politicalha" voltou avançar sobre a estatal após sua saída do governo. "Por isso, perdeu já 20% do valor de mercado sob a batuta dessa gente. O mercado, assim chamado, percebeu agora – custou – que tem ingerência política", anotou.

Ao final do discurso, o ex-presidente lembrou ainda a queda da ex-ministra chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, acuada por denúncias de lobby no Planalto. "Não queremos um Brasil de preguiçosos, não queremos um Brasil de amigos do rei. nós não queremos um brasil de companheiras tipo Erenice", anotou FHC, que pediu "apoio total" à candidatura de Serra.

MST entra na campanha e pede 'luta' para eleger Dilma

O ESTADO DE S. PAULO, 15 de outubro de 2010

Movimento divulgou apoio em nota intitulada 'Vamos eleger Dilma Rousseff presidenta do Brasil'


O Movimento dos Sem-Terra (MST) decidiu assumir sua simpatia ao atual governo e entrar na campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Em nota divulgada nesta sexta-feira, 15, o movimento conclama a militância para "se engajar nessa luta, que é importantíssima para a classe trabalhadora". Com o título "Vamos eleger Dilma Rousseff presidenta do Brasil", o comunicado assinado também pela Via Campesina - braço internacional do MST -, e por outros 13 movimentos sociais diz que é preciso "derrotar a candidatura Serra (José Serra, candidato do PSDB), que representa as forças direitistas e fascistas do país".

Crítico do governo Lula, apesar de ter suas bases abastecidas com recursos federais, o movimento decidiu sair dos bastidores da disputa eleitoral depois de avaliar a possibilidade de derrota da candidata petista. A cúpula do MST vinha negociando com outros movimentos a forma de exteriorizar o apoio sem o risco de piorar ainda mais o quadro eleitoral. Embora as invasões de terra tenham sido praticamente suspensas desde o último "abril vermelho" - a jornada de lutas do movimento -, em função do calendário eleitoral, a maioria da população não aprova as ações do MST como indicam pesquisas recentes. O texto do "comunicado ao povo brasileiro" foi definido quinta-feira à noite, depois de uma série de reuniões em Brasília, São Paulo e outras capitais, mas só divulgado na sexta.

Os signatários consideram que os avanços do governo Lula na reforma agrária foram insuficientes. Manifestam, ainda, preocupação com o arco de alianças da candidatura de Dilma Rousseff, pois "há forças políticas que se contrapõem a essas demanda sociais", masveem no candidato tucano um "inimigo" de suas bandeiras de luta. "Pelo caráter antidemocrático e antipopular dos partidos que compõem sua aliança (de Serra), estamos convictos de que uma possível vitória sua significará um retrocesso paras os movimentos sociais e populares." No primeiro turno, o MST liberou os simpatizantes para votarem em candidatos identificados com os partidos de esquerda que, segundo a nota, "infelizmente tiveram votação inexpressiva".

Nesta sexta, no interior de São Paulo, coordenadores regionais reuniram-se com as bases em assentamentos e acampamentos para definir estratégias de ação. "Estamos conclamando a militância para que saia às ruas e peça votos para a Dilma", disse Clédson Mendes, da coordenação estadual. Segundo ele, além da ligação histórica do PT com os movimentos sociais, o candidato tucano José Serra tomou posição contra a reforma agrária. "Quando governador, o Serra fez um projeto de lei repassando as terras públicas do Pontal do Paranapanema para os grileiros", disse Mendes, numa referência ao projeto do governo estadual para a regularização fundiária da região.

De acordo com o líder dos sem-terra, as lutas do movimento vão continuar seja quem for o novo presidente. "Nesse momento não se fala em ocupação, não devido às eleições, mas porque não estava planejado em nosso calendário de lutas." Entre as entidades que assinam o documento de apoio à Dilma estão o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), Movimento Camponês Popular (MCP), União de Estudantes Afrodescendentes (Uneafro) e Rede Brasileira de Integração dos Povos (Rebrip).

Serra aposta em Aécio para se eleger

O ESTADO DE S. PAULO, 15 de outubro de 2010

Presidenciável tucano diz que colega mineiro é uma das figuras mais importantes da política e que será 'presidente do Brasil um dia'


Amparado pela liderança política do ex-governador Aécio Neves, o presidenciável José Serra (PSDB) deu demonstrações, ontem, de que aposta numa virada em Minas Gerais no segundo turno para eleger-se presidente da República. Aécio reuniu 398 prefeitos do Estado - de um total de 853 - em ato que em nada lembrava a apatia do primeiro turno.

Eleito senador por larga margem de votos, e tendo feito seu sucessor no Estado, Antonio Anastasia, Aécio comandou um encontro onde o engajamento pró-Serra e a farta distribuição de materiais de campanha deixavam evidente que a adrenalina era outra. Além de exibir a força política do ex-governador, a reunião revela a nova estratégia tucana: combater o chamado voto "dilmasia", que juntava Dilma Rousseff (PT) e Anastasia.

Orientado por Aécio, Serra assumiu um compromisso em relação ao Fundo de Participação de Municípios (FPM), sem mencionar aumento do porcentual de repasses a prefeitos. Ele também se autoproclamou um municipalista. "Minha proposta é que não seja dado mais nenhum incentivo (fiscal) sem que haja automaticamente a reposição aos municípios", disse Serra. A coordenação de campanha considera que os prefeitos, assim como foram fundamentais na virada de Anastasia, serão protagonistas numa eventual reversão do quadro em Minas no segundo turno.

No Estado, segundo colégio eleitoral do País, Dilma Rousseff teve uma vantagem de quase 17 pontos porcentuais sobre Serra (46,98% a 34,18%). Agora, os tucanos mineiros estão com os olhos voltados para os 21,25% dos votos válidos que Marina Silva (PV) teve no Estado. O PV é aliado de Aécio em Minas.

Novos painéis fotográficos em que Aécio e Serra se abraçam, sob o slogan "Minas é Serra, pelo Brasil", foram criados exclusivamente para o segundo turno. Prefeitos levaram ainda sacolas de adesivos, panfletos e outras peças para seus municípios.

"O mais mineiro". Bandeira de Minas nas costas, Serra disse à plateia, formada por prefeitos, vice-prefeitos, deputados e lideranças regionais: "Quero ser o mais paulista dos mineiros e o mais mineiro dos paulistas." Ao final do evento, o presidenciável assumiu a importância de Aécio para sua eleição: "Trata-se de uma das figuras mais importantes da política brasileira. É o homem que vai ser presidente do Brasil um dia. É o homem que vai me ajudar muito neste segundo turno em Minas e no Brasil." Aécio fez o ataque mais direto ao PT e ao governo federal. "O PT, sempre que teve que optar entre o interesse do Brasil e o interesse partidário, ficou com o interesse partidário", atacou o senador eleito, citando a posição petista contra o colégio eleitoral em 1985, contra o Plano Real e contra o governo de Itamar Franco. "A vitória completa da boa prática política, da seriedade e da eficiência na gestão pública, só existirá com a vitória de José Serra", prosseguiu.

"Como presidente eu vou estar ligado às prioridades do Estado. Os meus parceiros vão ser o governador Anastasia, os nossos queridos senadores eleitos Aécio Neves e Itamar Franco", discursou o tucano paulista, que desfiou inúmeros elogios a seus cabos eleitorais mineiros. Itamar, por exemplo, foi chamado de "exemplo de decoro".

"Falar para Minas". Em sua fala, Anastasia destacou: "Vamos dar o nosso sangue para ver José Serra presidente do Brasil." Depois, coube a Itamar Franco dar os mais diretos conselhos eleitorais a Serra: "É preciso falar para Minas, porque, se não falar para Minas, Vossa Excelência não ganhará essa eleição." E acrescentou: "Aqui foi o front da resistência. Aqui se resistiu porque o mineiro, acima de tudo, é ética e não é corrupto" - relembrando a vitória política do projeto de Aécio em Minas, derrotando os aliados do presidente Lula.

Num ato simbólico, o presidenciável tucano recebeu o título de "amigo de JK" e o apoio formal da família do ex-presidente Juscelino Kubitscheck. "José é o santo protetor da família. O senhor vai ser o santo protetor da família brasileira", afirmou Maristela, filha de JK.

Serra evitou fazer comentários sobre a ação petista de investigar, em São Paulo, contratos da Dersa com o governo do Estado feitos quando Paulo Vieira Souza, o Paulo Preto, era diretor da entidade. Os tucanos negam que Paulo Preto tenha atuado na arrecadação de recursos ou que tenha havido desvio de doações. "Estou agora evitando um bombardeio cerrado de comerciais negativos. Tudo coisa sem pé nem cabeça. Tem cada mentira que a gente deve dar um prêmio pela imaginação da mentira."

Dilma divulga carta para 'pôr um fim definitivo à campanha de calúnias'

G1, 15 de outubro de 2010

Religiosos assinam outro documento pró-candidata com a mesma finalidade.
MST lança manifesto em que pede apoio à eleição de Dilma no segundo turno.


A campanha da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, divulgou nesta sexta-feira (15) carta intitulada "Mensagem da Dilma", na qual ela reafirma posições sobre aborto, liberdades religiosas, garantias constitucionais e preceitos que não afrontem a família.
saiba mais

No documento, Dilma manifesta o desejo de pôr “um fim definitivo” aos boatos que envolvem sua campanha, “para não permitir que prevaleça a mentira com arma em busca de votos”

A exemplo de Dilma, um grupo de 168 pessoas, na maioria religiosos, além de professores, intelectuais e artistas, também divulgou nesta sexta manifesto contra boatos e a favor da candidatura da petista [veja mais abaixo].

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra também distribuiu nesta sexta (15) manifesto de apoio à candidata intitulado "Vamos eleger Dilma Rousseff presidenta do Brasil". [leia ao final deste texto].

Na carta, Dilma aponta "adversários eleitorais" como responsáveis pela difusão de "calúnias e boatos". “Dirijo-me mais uma vez a vocês, com o carinho e o respeito que merecem os que sonham com um Brasil cada vez mais perto da premissa do Evangelho de desejar ao próximo o que queremos para nós mesmos. É com esta convicção que resolvi pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários eleitorais”, diz Dilma na carta.

Em seis pontos abordados na carta, a candidata do PT defende a liberdade religiosa, afirma ser “pessoalmente contra o aborto” e se compromete, se eleita, “não propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto”.

Dilma também afirma que não irá adotar, em um eventual governo, medidas que venham a alterar ‘temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no país”. A candidata petista faz referência ao Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) e afirma que, se eleita, não irá promover iniciativas que “afrontem a família”.

Sobre o Projeto de Lei Complementar 122, em tramitação no Senado, que torna crime a discriminação contra idosos, deficientes e homossexuais, Dilma afirma que "será sancionado no meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil.”

A petista se compromete a fazer um governo “que tenha a família como foco principal”. “Se Deus quiser e o povo brasileiro me der, a oportunidade de presidir o país, pretendo editar leis e desenvolver programas que tenham a família como foco principal, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e tantos outros que resgatam a cidadania e a dignidade humana”, afirma Dilma.

Ao final do documento, Dilma pede apoio dos eleitores para “deter a sórdida campanha de calúnias".

"Com estes esclarecimentos, espero contar com vocês para deter a sórdida campanha de calúnias contra mim orquestrada. Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós. Minha campanha é pela vida, pela paz, pela justiça social, pelo respeito, pela propriedade e pela convivência entre todas as pessoas.”

“Londrina tem o maior cargo no governo: o de governador”, afirma Richa

JORNAL DE LONDRINA, 15 de outubro de 2010

Na terra natal para fazer campanha para José Serra à presidência da República, Richa não descartou que nomes de londrinenses integrem a nova equipe de governo


O governador eleito do Paraná, Beto Richa (PSDB), está em Londrina nesta sexta-feira (15) com dois objetivos: fortalecer a campanha tucana à presidência da República e agradecer os londrinenses pela expressiva votação na disputa estadual. Na cidade, o novo governador conquistou 71,8% dos votos. Em porcentagem, a votação de Richa em Londrina foi maior do que em Curitiba. Na capital, onde foi prefeito em duas ocasiões, o tucano obteve 66,94% dos votos.

No final da manhã, ele concedeu uma entrevista ao ParanáTV e a primeira questão respondida foi sobre a possibilidade de Londrina ter algum representante na equipe de governo, uma vez que Richa nasceu no município e o pai dele, José Richa, foi prefeito da cidade.

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O governador eleito informou que ainda não fechou a equipe, mas não descartou a possibilidade de nomes de Londrina a integrarem. “Os londrinenses podem ficar muito tranquilos, porque eles têm o maior cargo no governo, que é o governador que é londrinense”, disse.

Richa destacou que “pagará uma dívida” que o Paraná tem com Londrina, pela falta de investimentos realizados pelo governo do estado. Para ele, a cidade tem que ser um polo industrial paranaense. “Nos últimos anos, Londrina não recebeu a atenção devida. Vou investir em serviços públicos de qualidade, trazendo indústrias e gerando empregos para a cidade. Também precisamos investir na infraestrutura, por exemplo, do aeroporto, que qualquer chuva mais forte fecha. Isso é um prejuízo muito grande para a cidade e para a região.”

Em relação à questão da segurança, o novo governador afirmou que aumentará o efetivo das policiais militar e civil, que não acompanhou o crescimento da população. “Vamos investir no setor inteligência e buscar parceria com o governo federal, visto que o Paraná é a principal entrada de armamento e drogas do Brasil. Vamos fazer isso o mais rápido possível.”

À tarde, Richa acompanha o tucano José Serra que fará campanha em Londrina.

Controle acionário da Milenia pode passar para grupo chinês

JORNAL DE LONDRINA, 15 de outubro de 2010


Multinacional chinesa está negociando a compra de 70% das ações da israelense Maktshim Agan, que tem entre as suas empresas a londrinense Milenia. Valor da transação ainda não foi definido, mas acordo pode ser finalizado ainda neste mês
15/10/2010 | 11:26 Daniel Costa

O grupo chinês Chem Chemical está negociando a compra de 70% das ações da multinacional israelense Maktshim Agan. Se a venda se concretizar, a empresa londrinense Milenia Agrociências será envolvida na negociação. As negociações devem ser encerradas até o final deste mês.

Segundo a assessoria de imprensa da Milenia, ainda há não muitas informações sobre como estão sendo realizadas as negociações, que estão sendo feitas pela Koor Industries, proprietária da Maktshim Agan, e a multinacional chinesa. Nem o valor da transação foi definido.

De acordo com a empresa, as negociações não se referem exclusivamente à Milenia, e sim às ações da Maktshim, acionária majoritária da indústria londrinense.

No entanto, a assessoria da Milenia informou que, mesmo com a confirmação da venda das ações, o controle e o gerenciamento continuariam sob responsabilidade da multinacional israelense.

A empresa - A Milenia é uma empresa de defensivos químicos que, além da unidade de Londrina, tem um parque industrial em Taquari, Rio Grande do Sul. A multinacional conta com aproximadamente 750 colaboradores.

Auditoria confirma irregularidades na Secretaria de Educação do Paraná

FOLHA DE LONDRINA, 15 de outubro de 2010


A auditoria desenvolvida pelo grupo de quatro técnicos da Secretaria Especial de Corregedoria e Ouvidoria Geral do Estado confirmou irregularidades na utilização de diárias, em 2007 e 2008, Superintendência de Desenvolvimento de Educação -Sude (a antiga Fundepar), órgão vinculado à Secretaria Estadual da Educação. O valor é de R$ 562.035,15 – R$ 85.158,00 em 2007, e R$ 476.877,15 em 2008.

O secretário especial de Corregedoria e Ouvidoria Geral do Estado, Antonio Comparsi de Mello, já enviou o relatório final dos auditores, com 39 páginas, à Secretaria da Educação, onde tramita processo administrativo sobre o caso, que já resultou na punição de seis funcionários.

Os auditores constataram problemas com diárias de 96 servidores, cujos nomes serão mantidos em sigilo. Eles fizeram análises relacionadas a 2.648 viagens – 977, em 2007, e 1.671, em 2008. Esses números correspondem a praticamente 100% das viagens desenvolvidas naquele período, com exceção dos deslocamentos de curtíssimo trajeto. O trabalho foi prejudicado pelo furto de documentos, anteriores a 2009, no depósito que a Secretaria da Educação, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.

Rigor – De acordo com o secretário Comparsi de Mello, a Corregedoria do Estado seguiu a determinação do governador Orlando Pessuti, de investigar as denúncias com rigor. "Os dados que tínhamos não nos permitiram afirmar que estes 96 funcionários foram culpados pelos desvios de recursos. Eles podem ter sido usados para esse fim. Caberá à Secretaria da Educação apurar o que aconteceu e tomar as providências cabíveis para punir os envolvidos", explicou.

Os auditores também investigaram denúncias de irregularidades no uso das diárias na Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, mas não identificaram nenhum problema que caracterizasse abusos na utilização do benefício. Agora, eles vão se concentrar nas auditorias em outras duas pastas que utilizam diárias com frequência: a Secretaria do Meio Ambiente e a do Trabalho, Emprego e Promoção Social. O relatório final dos auditores encerra o trabalho que começou no início de agosto, quando a auditoria foi instalada.