sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Serra acusa governo Lula de fazer uso político do Enem

O ESTADO DE S. PAULO, 15 de outubro de 2010

Em ato com educadores, tucano citou vazamentos e disse que Enem virou 'problema para os jovens'

O candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra, defendeu nesta sexta-feira, 15, em evento com educadores das redes de ensino municipal e estadual em São Paulo, que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) precisa ser remodelado. O tucano acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fazer uso político do sistema de avaliação. A crítica foi feita em referência ao episódio do vazamento de dados pessoais de estudantes inscritos no exame. O site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) disponibilizou de maneira indevida essas informações, em agosto deste ano.

"A utilização política propagandista acabou arruinando o Enem, acabou fazendo com que o Enem vire um problema para os jovens que tiveram os seus dados devassados. Já não se fala nem no uso eleitoral disso, de correspondência enviada com os dados cadastrais do Enem", acusou.

Na opinião de Serra, o Ministério da Educação (MEC) teria sido negligente em relação ao sigilo do cadastro dos estudantes. "O governo foi frouxo nesse trabalho", criticou. Durante o evento, o candidato do PSDB defendeu a manutenção do Programa Universidade para Todos (ProUni) e a criação do ProTec, bolsas de estudos para estudantes do ensino técnico.

O candidato criticou também a suposta queda do número de estudantes formados pelas escolas públicas federais. "Tem que ter um planejamento nessa área", defendeu. Serra pregou ainda a educação como prioridade de seu governo e disse que é preciso fazer uma união nacional pela educação, "acima dos interesses partidários". "Temos de fazer um grande mutirão pela melhoria da qualidade da educação no Brasil".

Questionado sobre se já havia escolhido o seu ministro da Educação, já que Paulo Renato Souza - ex-ministro da pasta e atual secretário da Educação em São Paulo - estava presente no evento, Serra desconversou. "Não está escolhido. O ministro da Educação vai ter de trabalhar muito", disse. "Primeiro, ganhar a eleição, nada de salto alto", completou.

Dos 30 deputados do Paraná, 18 são milionários

GAZETA DO POVO, Blog Caixa Zero, 15 de outubro de 2010


A bancada paranaense na Câmara dos Deputados a partir do ano que vem será formada por 60% de milionários. Dos 30 deputados federais eleitos em 3 de outubro, 18 declararam patrimônio superior a R$ 1 milhão. E mais de um terço da bancada (11 deputados) tem o dobro disso.

Isso mostra o quanto é difícil alguém se eleger para a Câmara: é quase que uma missão impossível para quem não tem farto patrimônio. O que não quer dizer, claro, que dinheiro seja suficiente para garantir a eleição.

O mais rico é Alfredo Kaefer (PSDB), com R$ 95 milhões. Ele fica em segundo lugar no país, atrás de João Lyra (PTB-AL), que declarou ter R$ 240 milhões.

A prova de que dinheiro não é tudo vem de Marcelo Almeida (PMDB) e Oldílio Balbinotti (PMDB). Os dois são multimilionários (Almeida tem mais de R$ 700 milhões) e não se elegeram.

Em média, o patrimônio dos nossos deputados é de R$ 5,2 milhões. Significa que é o dobro da média nacional, de R$ 2,4 milhões.

Curiosidade: se Marcelo Almeida tivesse sido eleito, a média iria imediatamente para mais de R$ 15 milhões...


Veja a lista dos deputados eleitos e o patrimônio que declararam, em milhares de reais:

Alfredo Kaefer (PSDB) 95.728
Edmar Arruda (PSC) 12.396
Nelson Padovani (PSC) 7.970
Dilceu Sperafico (PP) 7.680
Lupion (DEM) 5.898
Eduardo Sciarra (DEM) 2.677
Giacobo (PR) 2.632
Leopoldo Meyer (PSB) 2.161
Osmar Serraglio (PMDB) 2.101
João Arruda (PMDB) 2.091
Cesar Silvestri (PPS) 2.026
Ratinho Junior (PSC) 1.939
Alex Canziani (PTB) 1.580
Nelson Meurer (PP) 1.516
Moacir Micheletto (PMDB) 1.238
Takayama (PSC) 1.198
Rubens Bueno (PPS) 1.131
Reinhold Stephanes (PMDB) 1.081
Luiz Carlos Hauly (PSDB) 777
André Zacharow (PMDB) 758
Cida Borghetti (PP) 610
Angelo Vanhoni (PT) 573
André Vargas (PT) 572
Hermes Parcianello (PMDB) 348
Zeca Dirceu (PT) 325
Sandro Alex (PPS) 318
Dr. Rosinha (PT) 258
Delegado Francischini (PSDB) 205
Assis do Couto (PT) 202
Rosane Ferreira (PV) 74

Prefeito terá que devolver R$ 85 mil por compra irregular

BONDE, 15 de outubro de 2010


A Primeira Câmara do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) determinou que o ex-prefeito de Paranaguá Mario Manoel das Dores Roque devolva aos cofres estaduais os R$ 85 mil pagos na compra de um terreno que estava penhorado na Justiça.

O dono do imóvel, Francisco Carlos Machado, foi responsabilizado solidariamente pelo ressarcimento do valor, que deverá ser atualizado, com juros e correção monetária, desde a data do negócio (14 de novembro de 1997) até o recolhimento.

A verba foi repassada pelo Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp) para construção de um centro de recuperação de adolescentes usuários de drogas.

Como o imóvel estava penhorado na Justiça, o TCE anulou a venda do imóvel. Ainda cabe recurso à decisão.

Não é só o aborto, a vida está em volta

O ESTADO DE S. PAULO, Washington Novaes, 15 de outubro de 2010


Parece pouco realista a discussão que corre em boa parte da comunicação e na internet baseada no pressuposto de que as posições dos dois candidatos à Presidência da República a respeito do aborto - e suas repercussões nas áreas de eleitores evangélicos e católicos - serão o fator determinante para a transferência, no segundo turno, de votos dos que escolheram a terceira candidata, Marina Silva, no primeiro turno. Também parece pouco fundamentada a visão dos que se surpreenderam com o volume de votos obtido no primeiro turno por uma candidatura "ambientalista".

São visões que minimizam a importância que boa parte do eleitorado e da sociedade já confere às questões vistas por esse ângulo. E que já estavam patentes há algum tempo, pelo menos desde a reunião da Convenção do Clima em Copenhague, em dezembro. Importância que levou à capital dinamarquesa, para mostrar sua fidelidade às soluções ambientais, os três candidatos à Presidência, que ali fizeram pronunciamentos enfáticos sobre a gravidade dos eventos e as posições assumidas pelo governo brasileiro. Tudo tão claro que levou o autor destas linhas a escrever neste espaço, em 18 de dezembro: "O Brasil não será o mesmo após esta reunião, qualquer que seja o desfecho. Mudanças climáticas e meio ambiente tenderão a deslocar-se para o centro do palco, principalmente na campanha eleitoral."

Quem acompanhava o noticiário de Copenhague não tinha como fugir a essa conclusão. Anunciava-se ali que em 2008 as mudanças climáticas haviam deixado 200 milhões de vítimas no mundo e mais de 200 mil mortos. Dizia a Agência Internacional de Energia (AIE) que seriam necessários investimentos de US$ 10,5 trilhões para substituir combustíveis fósseis e mais US$ 26,5 trilhões em novas tecnologias de energias renováveis. Mas qualquer acordo continuava difícil, com a Índia, que já emitia 4 bilhões de toneladas anuais de carbono, lembrando que precisava prover de energia mais 400 milhões de pessoas e praticamente só dispunha de carvão para isso. Além do mais, suas emissões de poluentes, de 1,27 tonelada média anual por habitante, correspondiam a pouco mais de 25% da emissão média por habitante no mundo (4,82 toneladas; no Brasil, entre 10 e 11 toneladas/ano). A China fazia coro: precisava urbanizar mais 100 milhões de pessoas sem energia; não podia prescindir do carvão; suas emissões, já as mais volumosas do mundo, poderiam duplicar até 2050. Contra-argumentava a AIE que no ritmo e nos formatos de então (que ainda não mudaram) as emissões aumentariam mais de 40% até 2030, já que o aumento da demanda por energia no período seria de 76%."A criação está ameaçada", proclamava o papa Bento XVI.

Quem leu a edição de terça-feira (12/10) deste jornal - quando estas linhas estavam sendo escritas - terá visto o quanto essas questões são importantes neste momento no País e exigem, de governantes e candidatos, visões e atos consequentes com esse panorama. As expectativas da safra agrícola de 2010-2011 estão ameaçadas de séria redução em consequência de problemas climáticos, que se traduzirão em secas intensas na Região Sul e chuvas excepcionais no Nordeste e Norte - diz o editorial econômico do dia (B2). Às vésperas do início da reunião da Convenção da Diversidade Biológica, no Japão, a biodiversidade brasileira, a mais rica do planeta, continua a ser uma "desconhecida" para nossa administração pública - quando deveria ser uma das bases do futuro, já que dela poderão vir novos medicamentos, novos alimentos, novos materiais para substituir os que se esgotarem.

Caso muito grave apontado é o dos recursos marinhos, em que os próprios documentos oficiais (Revizee) mostram que 80% das espécies pescadas comercialmente estão sobrexploradas ou no limite - no momento em que o Ministério da Pesca anuncia que vai multiplicar por dez o volume pescado. "A gestão pesqueira no Brasil está um caos", disse o pesquisador José Angel Perez, da Universidade do Vale do Itajaí. E não há perspectiva próxima de que o quadro se altere, seja nas condições de clima e sobreúso de recursos, seja na capacidade de o Brasil investir adequadamente em ciência e tecnologia voltadas para essa área, principalmente da biodiversidade.

É evidente que diante de um quadro de tal gravidade - com os relatórios internacionais ainda dizendo que as emissões de poluentes nos próximos dez anos ultrapassarão em mais de 30% os limites máximos recomendados - a sociedade brasileira, em sua maioria, está preocupada, desejosa de saber o que os candidatos à Presidência propõem para essas e muitas outras questões. Como a de nossa matriz energética: vamos seguir o que dizem os cientistas, implantando programas de conservação e eficiência energética e impedindo perdas brutais nas linhas de transmissão? Ou vamos insistir em projetos "vergonhosos" (com têm dito especialistas) de mega-hidrelétricas na Amazônia e na instalação de usinas termoelétricas, altamente poluidoras? Vamos levar a sério o complicado problema das emissões de metano por nosso rebanho bovino? Vamos encarar o dramático problema do transporte nas grandes cidades, de sua poluição, do desperdício de horas de vida e de trabalho?

Tudo isso tem de vir à mesa - juntamente com as questões da "guerra fiscal" e da reforma tributária, de uma reforma de Previdência que olhe de frente a questão (sem tentar pôr a culpa onde ela não está); e também com as aflitivas questões do trabalho e da distribuição da renda -, ainda mais agora, com o estudo do Ipea (Estado, 12/10) a mostrar que a taxa de desemprego dos 20% mais pobres da população subiu de 20,7% para 26,27%, enquanto o desemprego total caiu de 11,4% para 6,7% (e isso tudo tem que ver com os problemas da educação e qualificação da mão de obra).

É preciso mudar a visão eleitoral: as preocupações do País são muito mais amplas e complexas do que querem fazer crer muitos diagnósticos.

Acertando contas

O GLOBO, Merval Pereira, 15 de outubro de 2010


Já escrevi aqui diversas vezes que considero que o governo Lula promoveu um retrocesso institucional no país que talvez seja a verdadeira herança maldita que legará a seu sucessor.
A esterilização da política, com a cooptação dos partidos políticos para formar uma base parlamentar à custa de troca de favores e empregos; o mesmo processo de neutralização dos movimentos sociais e sindicais com financiamentos generosos.

Em consequência, o aparelhamento da máquina estatal, dominada pelo PT e alguns partidos aliados; a leniência com os companheiros que transgrediram a lei em diversas ocasiões, todos perdoados e devidamente protegidos.

Por fim, a própria postura do presidente Lula durante a campanha eleitoral, desprezando a legislação e menosprezando as advertências e multas do Tribunal Superior Eleitoral como se elas não tivessem significado.

Tudo isso levou o país a ficar anestesiado durante esses oito anos, num processo de centralização da liderança carismática de Lula que continua predominando na campanha eleitoral.

O quadro estava montado para que a campanha transcorresse de maneira anódina e sem debates, com a automática transferência de votos de Lula para a homologação da vitória no primeiro turno de sua "laranja" eleitoral, a candidata Dilma Rousseff que, segundo definição do próprio Lula, aparece na máquina de votar porque ele está impossibilitado de concorrer à Presidência da República pela terceira vez consecutiva.

Nas últimas semanas, dando a fatura por liquidada, o presidente Lula resolveu "acertar umas contas" com adversários escolhidos, segundo revelou a assessores próximos.

E lá se foi ele pelo país a falar mal da imprensa e fazendo campanha contra candidatos específicos: alguns, como os senadores Marco Maciel, do DEM de Pernambuco, Heráclito Fortes, do DEM do Piauí, ou Arthur Virgílio, do PSDB do Amazonas, conseguiu derrotar.

Outros, não. Exortou o eleitorado a "extirpar" o Democratas em Santa Catarina e o partido elegeu o governador e os dois senadores da oposição.

Tentou evitar a reeleição de Agripino Maia para o Senado no Rio Grande do Norte, e o DEM não apenas o elegeu como também a governadora Rosalba Ciarlini.

Deve-se a esse "acerto de contas" do presidente boa parte do clima que levou inesperadamente a eleição para o segundo turno.

A figura do presidente raivoso e rancoroso, a buscar vingança de inimigos que deveriam ser meros adversários políticos, politizou uma campanha morna e fez surgir a dúvida entre parcela de eleitores, juntamente com questões específicas como as recorrentes denúncias de corrupção no governo, com o caso de Erenice Guerra no Gabinete Civil se destacando, e o debate religioso sobre o aborto.

Mas Lula parece que não aprendeu com a lição das urnas. Ontem, em meio a uma campanha que periga transformar-se em uma guerra religiosa, teve a ousadia de dizer em cima de um palanque que foi Deus quem derrotou os políticos que acabaram com a CPMF. Nomeou-se, assim, um intermediário divino no seu "acerto de contas".

O fato é que a 15 dias da eleição o resultado é imprevisível, e a média das pesquisas, embora mantenha uma ligeira vantagem para Dilma Rousseff, mostra que as curvas estão se aproximando e o empate técnico é o resultado que melhor reflete a situação atual.

Com uma desvantagem para a candidata oficial: ela vem perdendo posições em praticamente todas as regiões do país, e só ganha no Nordeste, que representa 29% do eleitorado brasileiro, por uma boa diferença, de cerca de 30 pontos (60,1% a 31,1%).

Mas o resultado do primeiro turno foi melhor para ela: 61,63% contra 21,48% de Serra e 16,14% de Marina. Isso quer dizer que Serra cresceu 10 pontos na região, e ainda existem cerca de 6 pontos de Marina sendo disputados.

Soberania popular - o fenômeno Tiririca

O ESTADO DE S. PAULO, Almir Pazzianotto Pinto, 15 de outubro de 2010


"Nação de analfabetos, governo de analfabetos"

Rui Barbosa


O primeiro turno das eleições deste ano deu sequência à construção do arcabouço democrático, que não se materializa apenas na eloquência da Constituição da República. Mais de 130 milhões compareceram às urnas para exercerem o direito de escolha entre os candidatos. As ocorrências policiais estiveram dentro de limites razoáveis, indicando que compra aberta de votos, brutalidade e intolerância estão em via de pertencer ao passado, graças, sobretudo, à vigilância da Justiça.

A Lei Maior prescreve, no artigo 14, que a "soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com igual valor para todos, e nos termos da lei..." São eleitores obrigatórios, conforme o dispositivo seguinte, os maiores de 18 anos e facultativos os analfabetos, as pessoas acima de 70 anos e de 16 até completarem os 18. O dispositivo encerra regra áurea do Estado democrático, que se assenta na autoridade suprema do povo para designar aqueles que, no Executivo e no Legislativo, tomarão decisões em seu nome.

Duas questões controvertidas permanecem em pauta: o debate judicial sobre os chamados fichas-sujas e o caso do humorista Tiririca. Aqueles que têm vida pública manchada por condenação criminal, mas se viram reprovados pelos eleitores, deixaram de ser problema. Quanto aos eleitos, há que aguardar o julgamento do Supremo Tribunal Federal. Espera-se que o Supremo decida logo, e em benefício da ética, com o expurgo de candidatos cujo passado está comprometido por delitos contra o erário ou abuso de poder econômico. É vício antigo a compra e venda de votos. Não bastassem os demagogos e populistas, temos a desgraça de sofrer com os corruptos, que se elegem para transformar os Poderes Executivo e Legislativo em casas de comércio - ou, para ser mais exato, em antros de prostituição.

Nesse cenário, o caso Tiririca mostra-se irrelevante. Afinal, o capital político representado por 1.353.331 votos não pode ser subestimado, ou subtraído, sem grave injúria à soberania popular, tal como se encontra garantida no artigo 14. A prerrogativa da escolha, entre nomes listados pelos partidos políticos, deve permanecer acima de secundária questão ligada à alfabetização de representante da última das camadas sociais.

Ademais, não lhe bastasse a caudalosa votação, em nome da isonomia de tratamento, vereadores, prefeitos, deputados estaduais, deputados federais, senadores e suplentes, governadores e vices e presidente da República deveriam ser submetidos a prova semelhante àquela que se pretende impor ao cidadão Francisco Everardo Oliveira Silva. Desconfiou-se de que ele talvez não saiba ler e escrever corretamente, mas só depois de concluída a apuração.

Alguém duvida de que numerosos políticos espalhados por 5.564 municípios, 27 Assembleias Legislativas, Câmara Distrital de Brasília, Câmara dos Deputados e Senado sejam analfabetos, semianalfabetos ou, o que me parece mais grave, venais e corruptos?

Nas remotas localidades do interior exige-se o bacharelado para representação da comunidade? Os Tiriricas são fruto da desigualdade econômica, da falência do sistema de educação e do baixo nível de determinados programas de televisão. Como existem, e em considerável número, creio ser justo que alguns integrem o Congresso Nacional, para darem testemunho juramentado da crise que assola o Legislativo e do fracasso da Lei Eleitoral, vulnerável às manobras de partidos inescrupulosos que se valem de baixos expedientes para a conquista de votos que lhes garantam cadeiras no Parlamento. Afinal, indago, se o caso Tiririca desperta tanto interesse, o que dizer dos suplentes em exercício no Senado, sem haverem recebido um único e solitário voto?

O artigo 17 da Constituição, desacompanhado da cláusula de barreira, estimula a criação de minúsculas legendas que tentarão sobreviver à custa de candidatos iletrados, mas capazes de atrair a atenção das massas.

A enganosa propaganda eleitoral gratuita demonstrou que Tiririca não é caso único de abestalhado, ou abestado. Como em eleições anteriores, apresentaram-se candidatos e candidatas de todos os tipos e gostos. Desde os reconhecidamente sérios até os confessadamente avacalhados. As mensagens divulgadas pela televisão e pelo rádio atropelavam-se, mais para confundir do que para esclarecer. Partidos de direita e centro-esquerda tentavam seduzir com promessas idênticas. As legendas extremistas imaginavam que angariariam votos propondo o fim da democracia, a extinção da propriedade privada, a eliminação da classe empresarial e a implantação da ditadura. Foram fragorosamente derrotadas.

A cada eleição, nova lição. Ensinou este pleito que a legislação eleitoral é indispensável, mas não suficiente. O exercício da soberania popular por meio do sufrágio universal, e pelo voto direto e secreto, de igual valor para todos, como está na Lei Constitucional, exige que o eleitorado tenha consciência da responsabilidade que sobre ele recai na designação daqueles que vão decidir em matérias de relevante interesse para a Nação.

A partir da semana passada teve início nova eleição. De José Serra, que milagrosamente foi beneficiado com a derradeira chance de se eleger presidente, espera-se definição convincente de projeto de governo. De Dilma Rousseff, a demonstração de que não é teleguiada ou terceirizada, mas está apta a caminhar com as próprias pernas. Ao povo, no exercício da soberania política, cabe a responsabilidade da melhor escolha, pois, afinal, nova oportunidade só dentro de quatro anos.

Almir Pazzianotto Pinto é advogado, foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST)

Brasil tem tarifa de celular mais alta entre emergentes

O ESTADO DE S. PAULO, 15 de outubro de 2010

Apesar de ter caído 25% entre 2008 e 2009, custo absoluto é três vezes maior; além disso, País enfrenta disparidades entre as regiões


O brasileiro é o que paga mais caro para usar o celular entre os países emergentes, o que está transformando o mercado interno do Brasil no espelho perfeito das disparidades mundiais no acesso às novas tecnologias.

O Estado do Maranhão, por exemplo, tem taxa de penetração do celular equivalente à do Butão. O Piauí tem índices similares aos do Congo e Suazilândia. Já São Paulo e Rio têm taxas de penetração superiores à de alguns dos principais países europeus e mesmo à média nos Estados Unidos. Brasília bate todos os recordes e tem uma das taxas mais elevadas. A avaliação foi publicada ontem pela ONU, com base em dados da Nokia.

Nos últimos anos, o custo da telefonia e da internet no Brasil foi alvo de questionamento nas entidades internacionais. Em seu novo levantamento, a ONU aponta que os custos no Brasil caíram 25% entre 2008 e 2009. Mas o País continua a ter um dos celulares mais caros do planeta.

A disparidade é explicada pelo custo. No Brasil, o custo absoluto do celular no Brasil é três vezes superior à média dos países emergentes. Por um pacote de 165 minutos de conversas, 174 sms, um download e de 2,1 megabytes de dados, um brasileiro paga pouco mais de US$ 120. O valor equivale ao mesmo pacote no Zimbábue e é superior aos custos na Venezuela, Turquia, Nicarágua, Angola, Gabão ou México.

Na Argentina, o mesmo pacote sai por menos da metade. Na Índia, Paquistão, Bangladesh e China, a população paga apenas um sexto do que é cobrado de um brasileiro para usar o celular.

Em relação à renda per capita, o Brasil não tem o custo mais elevado. No Níger, por exemplo, o pacote que serve de base para calcular os custos do celular sai US$ 15 por pessoa, 15% do valor no Brasil. Mas isso equivale a 56% do salário médio de um cidadão, o que o faz um dos mais pesados do mundo no bolso da população. Em Mianmar, o custo equivale a 70% da renda do cidadão.

Em média, o custo do celular no mundo é de 5,7% da renda da população. Nos países ricos, é de 1,2%. Nos emergentes, chega a 7,5%. No Brasil, a taxa conseguiu cair de 7,5% da renda em 2008 para 5,66% em 2009.

Já a União Internacional de Telecomunicações (UIT), em outro estudo, admite que o preço da internet de banda larga no Brasil também caiu pela metade, o serviço de telefone fixo teve desconto de 63% e o do celular de 25% em um ano. Mas, ainda assim, o País tem um dos custos mais altos e o acesso ao celular ainda está uma década atrasado em comparação com países líderes no uso da tecnologia.

No geral, um brasileiro gasta 4,1% de sua renda para pagar por tecnologias de comunicação, taxa superior a 86 outras economias. Proporcionalmente, um brasileiro gasta mais de dez vezes o que paga um europeu ou canadense para se comunicar.

No que se refere apenas ao celular, a taxa é mais de cinco vezes o que operadoras cobram na Europa e apenas 40 países, de um total de 161 economias analisadas, têm celulares mais caros que o Brasil. Macau, Hong Kong, Dinamarca e Cingapura são os locais mais baratos para o celular, onde o serviço é responsável por 0,1% da renda média.

Diferenças - No Brasil, outra constatação da ONU é de que as disparidades regionais acompanham as diferenças entre países ricos e pobres, em parte graças aos custos elevados da telefonia. Entre 2008 e 2009, a taxa de penetração do celular no Brasil passou de 78% para quase 90%. Mas, no Maranhão, apenas 44% da população tem acesso a celulares. Isso é bem inferior à média mundial, de 68%, e abaixo da média na África. No Piauí, a taxa é de menos de 60% e no Pará não chega à média mundial.

Uma situação bem diferente vivem Estados mais ricos. Em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, a taxa supera os 100%, média superior a países como França os Estados Unidos. Já o Distrito Federal tem taxa de 159%, acima da média na Alemanha, Itália, Holanda e Noruega.

Brasil é país que paga mais caro por internet móvel entre países emergentes

FOLHA DE S. PAULO, 15 de outubro de 2010


O custo de dados para celular no Brasil é o mais alto entre os países em desenvolvimento, segundo mostra um estudo da Organização das Nações Unidas divulgado nesta sexta-feira (15), com informações compiladas pela Nokia Siemens.

De acordo com o levantamento, que cita dados de 2009, apenas no Brasil e no Zimbábue o preço médio do pacote de dados mensal passa dos US$ 120, o que deixa o país atrás de nações como Congo, Haiti e Bangladesh, país que tem o menor custo entre 78 listados no relatório. A média do preço mundial é de US$ 46,54 por mês.

O relatório da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) chegou ao preço médio considerando o custo total de propriedade de um pacote de tráfego de 2,1 Mbytes de dados por mês.

"Existe uma grande variação, com alguns países oferecendo por menos de US$ 20 por mês e outros por mais de US$ 100", afirma o documento.

Os números fazem parte de um estudo global sobre como o uso de tecnologia da informação pode contribuir no combate a pobreza no mundo. Segundo a UNCTAD, as autoridades nos países em desenvolvimento deveriam dar mais importância ao setor de tecnologia da informação e comunicação na estratégia de redução da pobreza.

A entidade aponta que mais benefícios podem ser colhidos se for estimulada a criação de empresas de pequena escala com ajuda do governo.

"Microempresas estão crescendo rapidamente em países de baixa renda e podem oferecer emprego de valor real à população com menos recursos e educação. Essas atividades incluem uso de aparelhos e reparos, manutenção de computadores pessoais e gerenciamento de LAN houses", explica o estudo.

Contudo, a organização lembra que poucos países em desenvolvimento estão envolvidos na fabricação e criação de serviços para a área.

"As exportações de bens de tecnologia estão geograficamente muito concentradas. Na China, de longe o maior exportador do ramo, houve contribuição significativa da produção para a renda dos mais pobres."

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

“Creio que podemos enxugar a máquina”, diz Beto Richa

GAZETA DO POVO, 11 de outubro de 2010


Com a posse de Beto Richa (PSDB) em 1.º de janeiro, a máquina pú­­­blica estadual vai passar por uma grande reformulação. Essa é a intenção do tucano que, em entrevista à Gazeta do Povo, diz que gostaria de contar com os serviços da consultoria INDG, uma das responsáveis pelo choque de gestão implantado pelo ex-governador Aécio Neves (PSDB) em Minas Gerais. A empresa é especializada em planejamento fiscal – entre outras coisas, identifica e sugere maneiras de tapar os “ralos” por onde escoa o dinheiro público –, um serviço cada vez mais procurado por órgãos públicos.

As modificações na gestão também ocorrerão em função do estilo pessoal. Richa afirma que é radicalmente diferente do ex-governador Roberto Requião (PMDB). Mesmo assim, o tucano espera con­­­tar com o apoio dele, eleito senador, e com os outros dois representantes do Paraná no Senado – Gleisi Hoffmann (PT) e Alvaro Dias (PSDB).



Como será a gestão de pessoal no seu governo? De acordo com o Tesouro Nacional, o Paraná gasta 45,11% da receita corrente líquida com pagamento de funcionários, e o limite prudencial é de 46,55%. O senhor pretende aumentar ou diminuir esse porcentual? Pensa na possibilidade de um Plano de Demissão Voluntária (PDV), de reduzir os quadros do governo?
Quero o estado do tamanho suficiente para as transformações que queremos fazer. Acredito que há áreas que podem ser reduzidas; creio que podemos enxugar a máquina, priorizando [diminuir] os cargos em comissão. Acho que não irá precisar de um PDV. Os dados mais precisos para traçar uma estratégia serão tirados a partir do trabalho dessa equipe de transição [a primeira reunião será na próxima quarta-feira]. Com todos os dados em mão poderemos saber o que é necessário fazer. Não dá para antecipar nada agora.

Seguindo o mesmo raciocínio, não dá para saber se será possível conceder reajustes logo no 1.º ano de governo. O senhor tem ao menos uma previsão de quando isso pode acontecer? Há alguma categoria que terá prioridade?
Não, por enquanto não. Assumi­­­mos o compromisso da equiparação salarial com os professores, uma coisa justa. E a ideia é fazer [dar o aumento] o mais rápido possível. Mas tudo passa por esse diagnóstico. Sei que a situação financeira do estado não é boa. É o 18.º em volume de recursos para investimento [os dados do Tesouro Nacional são diferentes: o Paraná ficou em 12.º lugar em volume de investimento em 2009]. A ideia é dar um choque de gestão, melhorar o gasto público, eliminar os desperdícios. Fazer como o Aécio Neves [ex-governador e senador eleito por Minas Gerais]. Contratar o Instituto INDG para fazer esse trabalho. Eles já atuam em vários estados e municípios. Por onde passaram conseguiram aumentar a arrecadação de forma inimaginável, fazendo um pente-fino na administração. No volume geral, sobra um orçamento inteiro para investimento. Em alguns estados conseguiram até dois orçamentos.

Qual o trâmite necessário para contratar o instituto? Precisa de licitação?
Não sei como é. Não estou dizendo que vou contratá-los, apenas que é uma possibilidade. O trabalho deles é muito bom.

O senhor cita o governo Aécio e Minas Gerais como exemplo. O estado reduziu o déficit, mas ainda tem um endividamento muito alto e os gastos com folha de pagamento são maiores do que no Paraná, chegando a 46,16%, o que mostra um inchaço no governo. O senhor também vai se espelhar nas gestões tucanas para saber o que não fazer?
Vou citar um exemplo prático: Minas foi dos poucos ou o único estado que adotou o contrato de gestão. Nós usamos aqui [na prefeitura de Curitiba] o acompanhamento do mesmo avaliador, Caio Marini [professor da Fundação Dom Cabral e consultor em Gestão Pública]. Vimos o que eles fizeram e aprimoramos ainda mais. O próprio Marini disse que o contrato de gestão implantado na prefeitura é muito melhor do que o Aécio fez em Minas. Podemos aproveitar o que temos de bom e também aprimorar. O Aécio tem boas receitas de uma gestão pública eficiente. Pegamos essa receita e avançamos.

O senhor prometeu cumprir seu plano de governo, registrado em cartório. Mas, ao longo da campanha, fez promessas pontuais que não constam do documento, como aumentar a abrangência do Luz Fraterna para um consumo de até 120 kW, ou garantir o reajuste de 26% para professores. Cumprirá também com o que propôs durante a campanha ou seguirá estritamente o plano de governo?
Tudo, tudo. A ideia do Luz Fraterna, por exemplo, surgiu depois, com o decorrer da campanha, conforme as pessoas solicitaram e a nossa equipe técnica detectou ser viável. Vai incluir mais 30 mil famílias; não é nada penoso para o estado. Ao longo do mandato muitas coisas vão aparecer que não estavam incluídas no plano de governo – e nós vamos fazer.

O pedido para impugnar as pesquisas durante a campanha foi uma decisão do seu partido, mas repercutiu mal na sua imagem...
[Richa interrompe a pergunta]. No início. Hoje repercute muito bem porque viram que eu tinha razão.

Mas isso levantou uma série de questionamentos sobre o seu papel de liderança e expoente político na imprensa nacional. Pessoalmente, o senhor teria feito o mesmo?
Teria. Veja bem, não sou contra pesquisas. Nunca fui censor. Atuo sempre com democracia, transparência. Mas todo cidadão, quando se sente prejudicado, tem o direito de recorrer à Justiça. E não fui eu quem proibi a divulgação de pesquisas; não tenho esse poder. Quem tem é a Justiça Eleitoral. E no Tribunal Regional Eleitoral impediram [a publicação delas] por 7 votos a 0. O único instituto [Ibope] que conseguiu [a liberação da pesquisa], via liminar concedida pelo STF, mostrou um dia antes da eleição – e a pesquisa de boca de urna insistiu – que a eleição seria rigorosamente empatada. Erraram além da margem de erro, que era de 2 pontos. A minha diferença para o Osmar Dias chegou quase a 7. Erraram três vezes. Será que eu estou errado? Erraram em relação ao Gustavo Fruet [candidato ao Senado pelo PSDB]. Deram a ele 20 pontos a menos, e ele perdeu por apenas 1. Sou a favor das pesquisas, mas tem que repensar a metodologia. O que ajuda na democracia? Ajudou ao Gustavo Fruet mostrar que ele estava 20 pontos atrás?

Será que influencia tanto assim? Em São Paulo, o candidato ao Senado pelo PSDB, Aloysio Nunes, aparecia em 3.º nas pesquisas, mas acabou sendo eleito em 1.º.
A pesquisa estava errada. Te devolvo a pergunta: o que ajuda uma pesquisa errada? Graças a Deus que não influencia o eleitor. Mas eu me senti prejudicado. Com uma pesquisa que começa a apontar o outro candidato na frente, você perde apoio de prefeitos, de lideranças do interior. Alguns querem estar ao lado de quem vai ganhar. Não sei se a pesquisa não mudou o resultado da eleição passada estadual. O Requião aparecia bem na frente, mas só venceu [Osmar] por 0,1% [cerca de 10 mil votos]. Dois prefeitos que mudaram de posição por causa da pesquisa, mudou o resultado. Eu sei como funciona isso.

Mas, em relação aos dados mais sensíveis da administração pública, como as estatísticas sobre a violência, o senhor pretende torná-las pública ou vai depender do resultado que elas mostrarem?
Transparência total, em todo o governo, em todos os setores. Se o número é bom ou ruim, tudo será mostrado. Não tenho nada a esconder. É um dever do gestor público prestar contas dos seus atos.

E como será o seu relacionamento com a imprensa?
Uma relação boa, respeitosa, aberta. Sou um político democrático, atendi a todos, todos os veículos de comunicação. Quero mudar o comportamento, o estilo, a forma da TV Educativa. Não vai servir para divulgar as ações pessoais do governador e muito menos as opiniões ideológicas ou políticas do governador. Vai ser uma tevê para divulgar cultura, informação de qualidade. Para educar a população, não ser instrumento para atacar adversários.

Uma mudança radical, então.
Radical. A diferença entre mim e o Requião é radical.

Onde o senhor se vê daqui a quatro anos?
Não tenho esse poder. Pretendo fazer um bom governo, que seja bem avaliado como foi na prefeitura. Uma gestão que atenda aos interesses dos paranaenses, que seja reconhecida por essa razão.

E daqui a oito anos? Onde estará?
Aí eu não sei. Talvez em casa.

Mas o senhor é bastante novo, pode ter uma trajetória longa na política.
No dia da eleição perguntaram da minha ansiedade. Eu fui para casa descansar, não acompanhei a apuração. Fui para o quarto descansar. É lógico que um pouquinho se ansiedade existia – afinal lutei igual a um doido. Garanto que não teve um candidato que cumpriu um terço da agenda que eu cumpri. Dediquei-me muito para vencer a eleição. Tinha a proposta de ajudar os paranaenses. Se essa oportunidade fosse negada, eu iria para casa. Tenho muito o que fazer fora a política. Cuidar dos meus filhos, o tempo que perdi de convívio com eles, com a minha mulher, os negócios da família. Minha vida não acaba se eu perder a eleição.

Mas a eleição nacional continua e o PSDB, pelo contrário, não está nada tranquilo, e quer eleger o José Serra presidente da República. O senhor se vê como uma figura importante dentro da estratégia do partido de voltar ao Palácio do Planalto?
Sou um soldado do partido. Não escolho posto ou hierarquia. Estou aqui para ajudar. Mas, pela minha lealdade [ao PSDB], sempre sou consultado. Vou entrar de corpo e alma nessa campanha. E pode escrever aí: fatalmente a vantagem do Serra vai aumentar no Paraná. Agora é dedicação exclusiva.

O senhor se arrepende de não ter utilizado mais o Serra durante o horário eleitoral, visto que ele foi bem votado no estado?
Foi o que deu para fazer. Foi uma estratégia de marketing, de comunicação. Garanto que entre os candidatos em todo o Brasil talvez quem mais mostrou o Serra fui eu. Quando não tinha depoimento, ele aparecia em imagens comigo; apareceu várias vezes no Paraná. E ele sempre saiu daqui agradecendo. Temos uma relação de amizade. Ele declarou que o Geraldo Alckmin [governador eleito de São Paulo] e eu fomos os mais leais. O porcentual dele aqui foi maior do que em São Paulo [43,94% a 40,66%], o estado dele, com o governo na mão.

Como o senhor pretende se relacionar com o governo federal em caso de vitória do PT?
Como sempre tive, uma boa relação. Trouxe muito mais recursos federais per capita do que o Requião, amigo íntimo do Lula. Não basta ser amigo, tem de ter competência, projeto. Curitiba estabeleceu a maior parceria com a Caixa Econômica. Fiz na cidade uma revolução habitacional. Vou fazer no estado também. O governo anterior prometeu 200 mil casas, mas não fez 30 mil.

O mesmo vale para o Senado, que será composto pelo Alvaro Dias – que apesar de ser do seu partido declarou apoio ao irmão Osmar Dias durante a campanha –, pelo Requião e pela Gleisi, os dois últimos de oposição?
Estou muito tranquilo. Falei com a Gleisi [na última terça-feira]. Tranquila, ela quer ajudar o Paraná. O Requião talvez queira. Mas, se não quiser, não tem problema nenhum. Tenho uma grande amizade com muitos senadores que estão lá, até do PT como o Delcídio Amaral (MS). Isso não me assusta. Mas é claro que prioritariamente eu conto com os do Paraná, até porque é obrigação deles ajudar o estado.

No primeiro debate do segundo turno, Dilma e Serra fazem duelo aberto

ESTADÃO ONLINE, 11 de outubro de 2010


No primeiro debate direto do segundo turno, promovido pela TV Bandeirantes, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) partiram para o confronto aberto. Antes do debate, esperava-se que os candidatos adotassem uma postura “paz e amor”. Mas a candidata petista sepultou essa possibilidade já no primeiro bloco, partindo para o ataque e abordando de imediato o tema que vem sendo apontado como responsável por a campanha ter ido ao segundo turno, a polêmica sobre o aborto.

Em suas primeiras falas, Dilma afirmou que foi Serra quem regulamentou a prática do aborto em casos específicos quando era ministro da Saúde. Disse ainda que concorda com a regulamentação, porque “não pode deixar de atender a mulher” que aborta. E reclamou também de declarações da mulher de José Serra, Monica Serra, que declarou ainda no primeiro turno, que Dilma era a favor de “matar criancinhas”. Serra rebateu dizendo nunca ter defendido a legalização do aborto. “Você defendeu e de repente passa e dizer outra coisa”, acusou.

A petista ainda acusou o tucano de realizar sua campanha fazendo calúnias contra Dilma. “Essa forma de fazer campanha, que usa o submundo, é correta?” Serra respondeu que se solidariza com quem recebe ataques pessoais. “Eu tenho recebido muitos ataques por toda a campanha, como nos blogs que levam o seu nome. Nós somos responsáveis por aquilo que pensamos. A população quer saber o que a pessoa fez na vida pública. Vocês confundem matérias de jornais com ataques”, declarou, citando o escândalo da Casa Civil e a polêmica sobre o aborto.

A troca de acusações permeou todo o debate. Enquanto Serra acusava Dilma de ser “duas caras”, a petista respondia afirmando que o tucano “realmente não é o cara, é o mil caras”.

A segurança foi outro tema bastante abordado no debate. Serra exibiu números de redução de homicídios, prometeu criar o Ministério da Segurança e acusou o governo federal de se omitir na questão. Já Dilma respondeu citando a criação da Força Nacional de Segurança Pública e o aumento da integração entre as polícias que, segundo ela, o governo vem promovendo.

O tema das privatizações também voltou ao centro do debate, com Dilma tentando repetir tática que deu certo no segundo turno eleição de 2006, quando o então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva passou a acusar o tucano Geraldo Alckmin, seu oponente, de planejar retomar as privatizações. A petista citou um assessor de Serra que, de acordo com ela, defendeu a privatização do pré-sal. O tucano rebateu afirmando que a acusação de privatizante aparece sempre no período eleitoral mas, segundo ele, o PT também fez privatizações. Ele diz ainda que vai “reestatizar” empresas públicas loteadas politicamente.


Debate Band marca 4 pontos de audiência
O primeiro debate do segundo turno da eleição presidencial fez a Band marcar 4 pontos na noite do domingo (10). Cada ponto equivale a 65 mil residências na Grande São Paulo.

A média é considerada ótima para emissora neste horário. O debate anterior da emissora marcou 2 pontos. O confronto entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) se estendeu até depois da meia-noite.

O último debate antes do primeiro turno, na Globo, registrou 23 pontos. O debate aconteceu em 30 de setembro e reuniu Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Esse debate da Globo teve o maior ibope desta eleição até agora.

Debate na televisão renasceu neste domingo

VEJA ONLINE, 11 de outubro de 2010


Com apenas dois candidatos no palco, o debate presidencial na televisão renasceu neste domingo. José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) se confrontaram de fato na Bandeirantes – com ideias e projetos, mas também procurando, cada um deles, minar a credibilidade do adversário.

Dilma entrou no segundo turno com um flanco aberto. No passado, manifestou-se claramente em defesa da descriminalização do aborto, em diversas ocasiões. Ao constatar que isso lhe tirou os votos de um bom número de católicos e evangélicos, ela inverteu o seu discurso sobre o tama. No debate, Dilma retomou esse tipo de declaração, mas pautou-se, sobretudo, pela máxima de que o ataque é a melhor defesa. Sua estratégia para livrar-se da polêmica foi dizer-se vítima de “calúnia e difamação”, ao mesmo tempo em que adotava um tom mais agressivo em sua fala. Difícil saber qual será o efeito dessa tática que mistura agressividade e vitimização. Além disso, quem assistiu ao debate procurando esclarecer de uma vez por todas qual a opinião de Dilma sobre o aborto provavelmente encerrou a noite como havia começado – sem uma resposta clara.

A candidata petista também partiu para o ataque ao retomar uma estratégia que o PT usou com sucesso nas eleições de 2006, quando Lula disputou o segundo turno com o tucano Geraldo Alckmin. Dilma insistiu na tese de que o PSDB é o partido das privatizações e pretenderia entregar à iniciativa privada um patrimônio que é da população. Disse que num governo tucano as riquezas do pré-sal poderiam ser entregues a empresas estrangeiras.

Serra enfrentou bem as duas investidas – e soube contra-atacar. No tema do aborto, destacou a incongruência das declarações de Dilma no passado e agora. No tema das privatizações, não hesitou. Lembrou que sem a privatização do setor de telefonia, no governo Fernando Henrique Cardoso, os celulares não seriam um item de uso universal com o são hoje no Brasil: “O PT não queria essa privatização. O Brasil do PT falaria de orelhão”.

O tucano aproveitou a deixa para falar dos escândalos de corrupção em torno de Erenice Guerra, braço-direito de Dilma Rousseff quando ela ocupava o Ministério da Casa Civil, e sua sucessora na pasta. Esses escândalos, segundo Serra, mostram qual o tipo de privatização que precisa, de fato, ser combatido: aquele em que os interesses do grupo político que ocupa o poder se sobrepõem ao interesse público. “Eu vou reestatizar empresas como a Petrobras e o Banco do Brasil, porque vou acabar com o seu loteamento político”, disse ele. É improvável que o tema da privatização tenha sobre a candidatura de Serra o mesmo efeito demolidor que teve sobre a de Alckmin, em 2006.

Aborto e privatização foram os temas dominantes da noite. Mas os candidatos também falaram sobre saúde, segurança e infraestrutura de maneira mais profunda e proveitosa do que em qualquer dos debates do primeiro turno. Resta saber qual o impacto do debate sobre a massa dos eleitores – uma vez que o público do programa na TV tende a ser limitado. Para quem viu, não houve tédio desta vez.

Especialistas aprovam tom mais incisivo dos dois no debate, mas têm dúvidas se isso renderá votos

O GLOBO, 11 de outubro de 2010


Especialistas ouvidos pelo GLOBO viram no debate de domingo um corte em relação à campanha do primeiro turno, em que a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e o candidato do PSDB, José Serra, evitavam o confronto direto. Para eles, houve uma atmosfera de ataque e de contra-ataques, em que temas polêmicos antes evitados - como o escândalo envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, ex-braço-direito de Dilma - foram abordados. Mas, mesmo tornando o debate mais emocionante, esse clima de confronto pode não se traduzir em votos para nenhum dos dois candidatos, opinam.

Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o grande ausente no debate de ontem, na análise dos especialistas ouvidos pelo GLOBO. Se nos enfrentamentos anteriores ele era citado tanto pela candidata do PT quanto pelo do PSDB, desta vez as menções ao seu nome foram poucas de lado a lado.
Dilma já demonstra mais experiência

Para Eurico Figueiredo, professor do curso de pós-graduação de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, o debate de ontem foi mais emocional que os anteriores, e o candidato do PSDB, José Serra, mostrou-se mais agressivo do que vinha sendo.

- Serra fez duas coisas que lhe cobravam muito: mostrar sua trajetória como político profissional e tocar em pontos polêmicos, como o caso Erenice. Ele se mostrou mais agressivo e isso lhe dá uma vantagem, ao meu ver - disse Figueiredo.

Para Figueiredo, Dilma foi assertiva, mas teve menos fluência do que Serra.

O professor de História Contemporânea Daniel Aarão Reis, por sua vez, acha que Dilma parecia insegura a princípio, "atingida pelos ataques que vem sofrendo, e exprimiu isso com franqueza e sinceridade". No segundo bloco, no entanto, ela recuperou o autocontrole e mostrou conhecimento dos temas discutidos. Sobre Serra, Reis destaca que, embora atacado no debate sobre privatizações, teve como ponto forte a articulação e o autocontrole.

O debate mostrou também uma Dilma Rousseff já um pouco mais habituada à política. Se não respondeu a todas as perguntas, na opinião de Figueiredo, ela demonstrou certa sagacidade política ao trazer temas que não dominava para áreas que conhecia melhor.

- Foi o primeiro debate frente a frente dela, e ela já se mostrou mais experiente. Também foi autêntica, o que permitiu conhecê-la um pouco melhor - disse Figueiredo. - Serra também foi ele mesmo. Nesse sentido, o debate foi bom. Acho que ela foi bem, mas ele foi melhor.
"Lula não se materializou no debate"

Sobre uma certa ausência do presidente Lula no debate, Figueiredo acredita que isso foi uma decisão acertada do lado de Serra, que desta vez se mostrou mais como um opositor, mas errada do lado de Dilma, que tem no presidente seu principal aliado.

- Desta vez, Lula foi praticamente um fantasma, não se materializou no debate.

Reis, por seu lado, destaca que o clima de ataques e contra-ataques pode não contribuir "para a elucidação das propostas dos candidatos".

- Talvez eu esteja exagerando, mas acho que os dois candidatos estão perdendo. Talvez Serra esteja perdendo menos, pela sua maior capacidade de articulação e por aparentar maior autocontrole - disse Reis, para quem Serra se saiu melhor ao discutir a segurança e a saúde; enquanto Dilma foi melhor na discussão sobre privatizações.

Figueiredo também concorda com os resultados dúbios dos ataques de ontem:

- Isso pode levar a um resultado negativo para os dois - afirmou.

Na TV, Serra busca votos de Marina; Dilma exibe ataques feitos em debate

FOLHA DE S. PAULO, 11 de outubro de 2010


O programa eleitoral de TV do presidenciável José Serra (PSDB) pediu declaradamente o apoio de Marina Silva (PV) e ressaltou o ensino técnico, enquanto Dilma Rousseff (PT) usou inserções do debate realizado ontem na Band para atacar o adversário.

De olho no eleitorado de Marina, que conquistou quase 20% dos votos válidos no primeiro turno e ajudou a empurrar a corrida presidencial para um segundo turno, Serra falou sobre consciência ecológica e disse que a luta pelo pelo meio ambiente agora é do Partido Verde e da Marina, pedindo o apoio da candidata ao afirmar que é preciso união acima dos partidos.

Sem mencionar Fernando Henrique Cardoso, Serra exalta a criação do Plano Real como um mérito seu.

O candidato ainda defende o ensino técnico como a melhor forma de educar, prometendo implementar o Protec --que seria o Prouni do ensino técnico.

O discurso do tucano fala diretamente de manter os "valores da família" e do "nascimento do Brasil".

A propaganda do candidato finaliza com o depoimento de uma mulher criticando Dilma e dizendo que a petista fez um "papelão" no primeiro turno, ironizando a sua estratégia de pedir votos para o eleitorado feminino ao afirmar que "qualquer coisinha" Dilma chamava um homem --o presidente Lula. Como programa de Serra já levantou dúvidas sobre a religiosidade e a capacidade de gestora da petista, o depoimento finaliza com ironia.

"Se o seu governo arrumou alguma coisa, não fez mais que o dever, pensa nisso e fica com deus, tá?"

Debate - A propaganda de Dilma mudou de tom e dedicou cinco minutos --metade do programa-- para mostrar inserções da petista no debate realizado ontem na Band onde ela critica José Serra.

O programa inicia sustentando que Serra tem a intenção de privatizar o pré-sal e a Petrobras.

Além de outras acusações, a petista afirma que a esposa do adversário, Mônica Serra, teria dito que Dilma é "a favor da morte de criancinhas" --na saída do debate o candidato respondeu que não sabia do que a candidata estava falando.

Nos cinco minutos finais, Dilma reafirma propostas já citadas como redução de impostos e ampliação da Samu 192, dos programas Saúde da Família, Brasil Sorridente e farmácias populares.

A propaganda da petista continua a exibir depoimentos de governadores eleitos da base aliada que tiveram votações expressivas no dia 4 de outubro, como Eduardo Campos (PE), Jaques Wagner (BA), Sérgio Cabral (RJ) e Tarso Genro (RS).

Serra reclama de ataques de Dilma à sua família

FOLHA DE S. PAULO, 11 de outubro de 2010


O candidato José Serra (PSDB) reclamou nesta segunda-feira dos ataques da adversária Dilma Roussef (PT) à sua família no debate da Band, realizado ontem.

Em entrevista após uma carreata em Goiânia, o candidato afirmou que ficou surpreso com a atitude agressiva de sua adversária no encontro e lamentou os ataques à sua esposa, Monica Serra.

"É uma estratégia dela [ser agressiva] que foi uma surpresa para mim. Ataque à família não é bom na campanha. Campanha é para discutir propostas, comparar candidatos, o que eles fizeram, o que vão fazer", afirmou Serra.

No debate, Dilma citou a mulher do tucano que, segundo a candidata, teria dito que a petista "era a favor de matar criancinha".

"Acho gravíssima a fala da sua senhora", disse Dilma. Serra não respondeu no debate e ontem não falou se sua mulher de fato disse a frase.

O candidato usou fortemente de palavras e símbolos religiosos durante sua caminhada pela capital de Goiás. Serra caminhou por cerca de 15 minutos. Mas o tumulto era grande e, tenso, preferiu subir num carro de som.

Serra foi acompanhado o tempo todo pelo padre Genésio Ramos, da Paróquia de São Francisco de Goiás, em Anápolis. O padre afirmou que tem feito campanha entre os fiéis para que votem consciente e não votem pela ideologia, mas sim pela consciência. Ao receber um terço, o candidato beijou-o na frente da multidão.

"Nós estamos movidos pela fé. A fé de dentro da gente, a fé que vai construir o Brasil", afirmou o candidato durante seu discurso para as cerca de 5.000 pessoas que, segundo a PM goiana, acompanharam a carreata que durou cerca de uma hora.

Acompanhado do candidato à governador pelo PSDB no Estado, Marconi Perillo, Serra fez promessas como a construção de um aeroporto, metrô e anel viário em Goiânia, a duplicação da BR-060 (que liga o Estado ao Mato Grosso) e a extensão da ferrovia Norte-Sul até São Paulo.

O candidato também voltou a falar sobre privatizações. Afirmou que as perguntas sobre o pré-sal feitas pela adversária no debate eram ininteligíveis e que vai reforçar as estatais como Correios, Petrobras, Caixa, Banco do Brasil e BNDES acabando com o que ele chama de privatização partidária das empresas:

"Vou fortalecer as estatais que estão consumidas pela corrupção e o empreguismo. Estatizar porque hoje elas funcionam como se fossem de donos privados", afirmou Serra.

Dilma dá a entender que câncer a reaproximou de Deus

FOLHA DE S. PAULO, 11 de outubro de 2010


Em visita hoje ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) deu a entender que a doença que enfrentou no ano passado foi o fator que a reaproximou de Deus.

Dilma tem sofrido ataques por ter mudado suas posições religiosas desde que se tornou candidata. Em sabatina à Folha, em 2007, quando era ministra da Casa Civil, afirmou que se "equilibrava nesta questão [existência ou não em Deus]".

"Eu tive um processo recente e este processo me fez retomar várias coisas que estavam já dentro de mim. Essas questões dizem respeito a mim e eu não autorizo, não legitimo ninguém a julgar minha crença. Acho que isso é o cúmulo do preconceito", afirmou.

Sobre as insinuações de que não é cristã, afirmou: "ninguém tem o direito de dizer qual é a minha crença, ninguém tem direito de fazer isso. Quem pode julgar sobre crença religiosa é Deus".

Dilma participou da missa das 9h, mas não comungou. Mais tarde explicou que prefere uma posição "mais recatada". "A minha religião diz respeito à minha convicção, é uma questão muito pessoal".

Esta foi a primeira visita de Dilma ao Santuário. Depois da missa, ela deu entrevista à TV Aparecida. Prometeu levar o trem-bala para a região, para que mais romeiros possam ir ao santuário.

Sobre os motivos para ir ao local, Dilma afirmou que desenvolveu "devoção especial por Nossa Senhora Aparecida, por circunstâncias recentes em minha vida".

Perguntada se tinha sido o câncer linfático que enfrentou no ano passado, ela afirmou que "preferia não falar sobre isso, é uma questão pessoal, privada".

Ela voltou a falar sobre os rumores de que tem sido vítima e citou diretamente a mulher de seu adversário, José Serra, Mônica Serra, e o vice de Serra, Índio da Costa. "Eu passei muito tempo calada sobre essas acusações. Quando eu vi o tamanho que tinha tomado essa central organizada de boatos, eu resolvi tornar isso algo público e compartilhar com a população", disse.

Ela atacou Serra falando da Guerra do Vietnã. "Havia uma subestimação total da capacidade do Vietnã reagir à maior potência. Da parte do meu adversário, não sei porque ele tem a mania de subestimar as pessoas e se achar superior a elas".

Durante a visita, Dilma foi muito aplaudida, mas foi também criticada por fiéis que disseram que a visita dela era uma tentativa de "transformar o santuário em palanque".

Ela defendeu ainda um retorno aos "valores éticos e morais", falou da família e disse que pretende estimular adoções de crianças no país, caso eleita.