terça-feira, 18 de maio de 2010

Chegou a hora de abrir as contas na internet

O GLOBO, Gil Castelo Branco


Há quase 100 anos, o juiz Louis Brandeis disse que a luz do sol é o melhor dos desinfetantes, referindose ao opaco sistema financeiro dos Estados Unidos. Segundo o magistrado, os banqueiros costumavam se safar ilesos das crises financeiras, enquanto o ônus recaía sobre a classe média. Na verdade, nada muito diferente do que acontece hoje com gregos e americanos. Há mais de um século, sonha-se com a transparência.

No Brasil, existe uma luz no fim do túnel. A partir do próximo dia 28, começa a produzir efeitos a Lei Complementar 131, de autoria do ex-senador João Capiberibe. Com isso, os estados, o Distrito Federal e aproximadamente 275 prefeituras com mais de 100 mil habitantes, serão obrigados, neste primeiro momento, a informar pela internet o quanto arrecadam e como gastam o dinheiro dos contribuintes. Depois, todas as cidades deverão fazer o mesmo, em diferentes prazos, conforme o tamanho da população. A rigor, quem descumprir a legislação terá suspensas as transferências voluntárias do governo federal.

No Rio de Janeiro, por exemplo, 27 prefeituras terão que explicitar imediatamente as suas contas em seus sites. Desde a capital, com seis milhões de habitantes, a Japeri, que segundo o IBGE já possui 101 mil moradores.

Do PMDB, que administra dez dessas cidades, ao DEM, PR e PSC, com uma prefeitura cada. A implantação da lei mostrará quais são os administradores que realmente estão dispostos a prestar contas à sociedade. Embora o acesso à informação seja um direito essencial, os políticos, em geral, só o defendem quando estão na oposição.

Como a transparência é o principal antídoto contra a corrupção, esperase que a população, especialmente a sociedade civil organizada, acompanhe as informações divulgadas e passe a discutir sobre a alocação dos recursos e a qualidade das despesas governamentais.

O orçamento e a cidadania estão chegando pela via digital. É evidente que ninguém quer saber apenas o telefone do Corpo de Bombeiros ou o local onde obterá a carteira de identidade.

Os portais eletrônicos deverão conter, pelo menos, o orçamento previsto, a arrecadação dos impostos, os nomes de todos os fornecedores, o que foi comprado, os serviços prestados, as licitações, os contratos e os programas implementados.

Com a finalidade de aproveitar a ocasião e fomentar o acesso à informação, especialistas no tema das universidades de Brasília e de Campinas, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e da Fundação Getulio Vargas debatem com a Associação Contas Abertas sobre o conteúdo dos sites que estão sendo projetados.

Também contribuem nessa discussão experientes profissionais da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará. A proposta é criar parâmetros de transparência, que irão resultar em notas de zero a dez a serem atribuídas às administrações públicas, de acordo com o grau de transparência dos seus respectivos sites. Com base nas notas, será formado um ranking com os índices de transparência da União, dos estados e dos municípios.

Na prática, quanto mais os governos federal, estaduais e municipais forem transparentes, melhores notas terão. Desta forma, se um município divulgar quanto gasta com os seus funcionários receberá uma determinada pontuação, que aumentará se informar os nomes, cargos e salários dos servidores. Caso publique dados de um único exercício terá pontuação inferior àquela que obterá se oferecer uma série histórica dos cinco últimos anos. E assim por diante.

O objetivo é estabelecer competição saudável entre os gestores federais, estaduais e municipais para estimulálos a mostrar, centavo por centavo, como usam o dinheiro público. Afinal, a publicidade das contas públicas é um dos princípios do Art. 37 da Constituição Federal, juntamente com a legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência. O Estado deve dar conhecimento à população sobre como administra os seus recursos. Por meio desse ranking, a sociedade poderá avaliar a transparência do Estado.

Apesar de reconhecidos avanços, ainda vivemos nas trevas principalmente no que diz respeito à visibilidade das contas estaduais e municipais.

A escuridão impede uma boa faxina nos orçamentos, mas a Lei Complementar 131 pode trazer novos tempos. A administração pública brasileira precisa rapidamente de muito sol, o melhor dos desinfetantes, há mais de um século.

GIL CASTELO BRANCO é economista e fundador da organização não governamental Associação Contas Abertas.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Líderes tentam acordo para votação do 'Ficha Limpa'

ESTADÃO ONLINE, 17 de maio de 2010

Líderes do governo e da oposição no Senado reúnem-se amanhã e podem, com um só acordo, retirar a urgência dos projetos de lei do pré-sal e abrir caminho para a votação do projeto "Ficha Limpa", que barra a candidatura de políticos condenados na Justiça.


Os quatro projetos de lei do pré-sal têm prioridade na pauta de votação do Senado porque têm caráter de urgência constitucional decretado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo quer que os projetos sejam aprovados antes das eleições de outubro. Mas a oposição é contra a votação dos projetos com urgência que, se for mantida, será motivo para que os senadores do DEM e do PSDB obstruam todas as votações em plenário - o que atrasaria a votação de outras propostas, entre elas o "Ficha Limpa".

Caso haja acordo entre governo e oposição, os projetos do pré-sal perderão a urgência, e os líderes concordariam, nesta situação, em votar as quatro Medidas Provisórias que trancam a pauta ainda esta semana, abrindo espaço para o projeto "Ficha Limpa" ser analisado em plenário esta ou na próxima semana.

Os projetos do pré-sal, em contrapartida, seriam votados de acordo com um calendário. Referendado pela oposição, esta agenda de votação prevê que as propostas sejam colocadas em votação antes das eleições, como pede o governo.

O projeto "Ficha Limpa", aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados, está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O relator do projeto, senador Demóstenes Torres (DEM), disse que apresentará o parecer ainda nesta quarta-feira mantendo o projeto sem alterações. Se alterado, o projeto precisaria voltar para análise de Câmara.

"Não vale a pena mexer, senão não vai dar tempo de valer este ano", disse o senador. Demóstenes Torres avalia ainda que, mesmo que algum senador peça vista do relatório, este pode ser colocado em votação na próxima semana e ainda haveria tempo de aprovar o projeto para valer para o pleito de outubro. Isto, mais uma vez, ressalta o senador - se não houver alteração no projeto.

Mais cedo, em plenário, o senador Roberto Cavalcante (PRB-PB) defendeu que o projeto seja aprovado sem ressalvas, como propõe Demóstenes Torres. "Do contrário, estaremos diante de mais um engodo - um simulado onde os legisladores fingem concordar com seus representados, mas atuam nos bastidores no sentido de ganhar tempo e condições de se defenderem da lei", disse o senador.

Decretada a prisão de corretor acusado de ser “fantasma” na Assembleia Legislativa

GAZETA DO POVO, 17 de maio de 2010

Justiça decreta a prisão de Daor Oliveira, dono de uma imobiliária no Centro de Curitiba que recebeu vários depósitos da Assembleia em sua conta bancária


Foi decretada nesta segunda-feira (17) a prisão preventiva de Daor de Oliveira, acusado de participação em um esquema de desvio de dinheiro na Assembleia Legislativa do Paraná (AL-PR). O homem está foragido e é procurado pelas autoridades.

A série de reportagens “Diários Secretos” mostrou, em março, que o endereço da imobiliária que Oliveira administra – no Centro de Curitiba – é o mesmo de uma pedreira que tem como sócios dois ex-diretores da Assembléia que estão presos: Abib Miguel (diretoria geral) e José Ary Nassiff (diretoria administrativa).

Em depoimento ao Ministério Público do Paraná, a filha de Daor, Maureen de Oliveira, relatou que ela, o pai e outros dois irmãos nunca trabalharam no Legislativo. Apesar disso, eles receberam diversos depósitos nas contas bancárias deles. Maureen ainda confirmou ao MP que outros cinco parentes dela, que também receberam dinheiro público, não prestaram serviços na Casa.

O corretor de imóveis que teve a prisão decretada é tio do taxista Eduardo José Gbur, outro homem acusado de ser um funcionário fantasma na AL. Entre janeiro de 2004 e abril de 2009, Gbur recebeu 65 depósitos da Assembleia, num valor total de R$ 1,2 milhão.


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Gazeta do Povo
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Diários Secretos da
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Justiça decide manter presos suspeitos de comandar esquema de desvios a partir do Ciap

JORNAL DE LONDRINA, 17 de maio de 2010

Continuam presos quatro dos 12 suspeitos de participar do esquema, que teria desviado R$ 300 milhões de verbas públicas. Os outros oito suspeitos de envolvimento foram colocados em liberdade. Duas pessoas seguem foragidas


A Justiça determinou que os quatro suspeitos de comandar o esquema milionário de desvio de verbas públicas a partir do Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap) sigam presos. Entre eles estão o coordenador e o advogado da entidade, Dinocarme Aparecido Lima e Fernando Mesquita, respectivamente; além do contador e do auxiliar financeiro do grupo. Os quatro, além outras duas pessoas - que estão foragidas -, tiveram prisão preventiva decretada no fim de semana.

Na mesma decisão, a Justiça libertou as outras oito pessoas presas sob acusação de participar do esquema. O Ciap é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) com sede em Londrina acusada de desviar R$ 300 milhões nos últimos cinco anos – R$ 10 milhões somente em Londrina, onde a entidade mantém quatro convênios. Os supostos envolvidos no esquema foram presos em uma operação policial realizada na última terça-feira (11) .

Os quatro suspeitos de comandar o grupo estão presos em Curitiba. Entre as duas pessoas foragidas, estaria um dos filhos do coordenador do Ciap.

Investigação -
De acordo com o delegado da Polícia Federal de Londrina, Evaristo Kuceki, a primeira etapa das investigações deve ser concluída em dez dias. “Estamos desmontando o esquema do Ciap. Depois cada instituição investigará as particularidades. Por exemplo, a Receita Federal investigará empresas que podem ter sido abertas para a emissão de notas frias. Já a Controladoria [Geral] da União investigará todos os convênios assinados pelo Ciap e como estava sendo realizada a liberação desses recursos”, explicou.

Kuceki informou que o objetivo da PF é manter presos os comandantes do esquema. Segundo ele, a polícia está concentrada na análise dos documentos apreendidos para oferecer provas materiais do envolvimento dos suspeitos detidos.

Todos os detidos na operação podem respondem pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsificação de documentos.

O esquema - a
Uma operação da Polícia Federal realizada na terça-feira (11), em cinco estados, terminou na prisão de 11 pessoas acusadas de envolvimento em um esquema milionário de desvio de recursos federais. Suspeita-se que cerca de R$ 300 milhões foram desviados nos últimos cinco anos. No mesmo período, o Ciap teria faturado R$ 1 bilhão.

O número de detidos chegou a 12 com a prisão do advogado da Oscip, Fernando José Mesquita, considerado peça-chave na investigação e que se apresentou dois dias após a operação.

De acordo com a Receita Federal, aproximadamente 30% dos recursos recebidos pelo Ciap eram transferidos para uma conta bancária específica da entidade, sob a justificativa de cobrir despesas administrativas. A polícia calcula que a entidade tenha recebido mais de R$ 1 bilhão em verbas em cinco anos.

Desta conta, ainda conforme a Receita, a organização fazia retirada de grandes volumes, sempre em dinheiro em espécie e sem identificação, alegando se tratar de pagamento para empresas fornecedoras. Contudo, as investigações apontaram que as empresas pertenciam a parentes ou pessoas de confiança dos responsáveis pela Oscip.

Previdência e demografia criam "bomba relógio" no país

FOLHA DE S. PAULO, 17 de maio de 2010

Em novo livro, economista Fabio Giambiagi defende reforma para que envelhecimento da população não torne insustentáveis as contas públicas no futuro


O economista Fabio Giambiagi é um incansável defensor de mudanças nas regras da Previdência Social no Brasil. Seu mais novo livro, "Demografia - A Ameaça Invisível", escrito em parceria com Paulo Tafner, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), joga luz sobre o envelhecimento da população no Brasil e os desafios que isso impõe à sustentabilidade das contas públicas. A obra defende, entre outras coisas, que benefícios assistenciais sejam diferenciados dos previdenciários e que o salário mínimo deixe de indexar os pagamentos da Previdência -mudanças impopulares e que requerem alterações constitucionais. Giambiagi, ex-professor da UFRJ e da PUC-Rio, ex-membro do Ipea e hoje chefe do Departamento de Risco de Mercado do BNDES, é autor de mais de dez livros sobre economia. Leia entrevista à Folha.


FOLHA - "Demografia - A Ameaça Invisível" pressupõe a existência de uma bomba demográfica que vai estourar, deixando a conta para as futuras gerações. Qual o risco?
FÁBIO GIAMBIAGI - A essência do problema é essa progressiva mudança demográfica. No ano 2000, o número de pessoas com 60 anos ou mais era de 14 milhões de pessoas, enquanto o número de jovens, entre zero e 14 anos, era de 51 milhões. O perfil apontado pelo IBGE para 2050 é que a população jovem irá diminuir em termos absolutos de 51 para 28 milhões de pessoas. Já a população idosa de 60 anos ou mais vai aumentar de 14 para 64 milhões. Em 2050 teremos mais de três vezes o número de idosos, em termos absolutos, por população economicamente ativa do que hoje. Esse é o desafio. E é uma característica universal. O envelhecimento demográfico é algo que se repete em todos os países. No caso brasileiro ele é, de certa forma, mais acentuado, pois os outros países já estão no meio desse processo, ao passo que, no Brasil, ele está apenas se iniciando.

FOLHA - Mesmo assim, parece não haver um reconhecimento do problema, que exigiria reforma no sistema previdenciário. Qual a razão dessa inação?
GIAMBIAGI - Há um paralelo natural que se pode estabelecer entre a questão demográfica e a questão ambiental. Em ambos os casos, lidamos com um fenômeno de longo prazo, em que o país e o mundo são praticamente os mesmos de um dia para o outro. Mas são dramaticamente diferentes quando se coloca a questão em uma perspectiva de 50 anos. O segundo paralelo é que os custos de se dar uma guinada no leme, de mudar o rumo do país, são de curto prazo e muito evidentes. Ao passo que os benefícios são de longo prazo e, em geral, pouco palpáveis. Mas o custo da inação hoje vai aparecer lá na frente. Há uma frase do Al Gore (ex-vice-presidente dos EUA) no documentário "Uma Verdade Inconveniente (sobre o aquecimento global)": "Um dia nossos filhos olharão para nós e dirão: "Mas onde é que vocês estavam quando isso estava acontecendo? Será que ninguém percebeu o que estava ocorrendo bem na frente de todos?" Isso vale para a questão ambiental e para a demográfica.

FOLHA - Os grandes números de um país, e isso também vale para a Previdência, são calculados como proporção de seu PIB (Produto Interno Bruto). Se o Brasil crescer mais rapidamente daqui em diante, esses problemas não estarão atenuados?
GIAMBIAGI - O crescimento atenua tudo, obviamente. Se o país crescer 2,5% como crescemos durante duas décadas no passado, vai ser muito difícil equacionar o problema demográfico. Por outro lado, se o crescimento for de 5% ao ano, será, evidentemente, mais fácil. Mas não há garantias de que o país estará em condições de crescer 5% ao ano nos próximos 30 anos. A resposta a isso vamos saber daqui a 30 anos. A questão é que, com uma reforma na Previdência, haveria maiores condições de termos mais espaço no gasto público para um aumento do investimento estatal, que é um ingrediente fundamental para alavancar o crescimento futuro. Mas, se a população idosa crescer 4% ao ano, que é a estimativa para os próximos 15, 20 anos, e a economia crescer também 4% ao ano, ficam elas por elas. E o tamanho da conta vai ser similar ao atual. Se a economia crescer menos, como o número de idosos vai crescer em torno de 4%, a conta vai aumentar. Hoje, na verdade, há toda uma tendência de que a economia cresça mais de 4%. Mas estamos longe de ter segurança de que esse cenário será mantido por 20 ou 30 anos, especialmente em um contexto em que vamos mudar a composição da população economicamente ativa.

FOLHA - O sr. já escreveu outras obras sobre esse tema e publica textos em vários jornais. Mas parece que ninguém lhe dá ouvidos...
GIAMBIAGI - Já tenho 18 anos, com alguma intermitência, de participação nos debates ligados ao tema. Nos debates por aí, as pessoas entendem a natureza da questão. Podem não gostar do assunto, mas, em geral, concluem que há uma questão a ser enfrentada.
O maior elogio que eu já recebi foi, curiosamente, de um sindicalista da CUT. Depois de apresentar essas ideias, no Fórum da Previdência em 2007, um representante da CUT comentou, a respeito do que deveria ser feito para equacionar o problema: "Estou impressionado com a crueldade do professor Giambiagi. Mas o que me deixou mais preocupado é que ele foi convincente". Pensei: "Consegui o que queria".

Transparência: acesso à informação e o combate à corrupção no BrasiL

CORREIO BRAZILIENSE, Felipe Locke Cavalcanti, Conselheiro do Conselho Nacional de Justiça


Em 2007, por meio da Resolução nº 44, foi instituído pelo Conselho Nacional de Justiça o Cadastro Nacional dos Condenados por improbidade administrativa (Lei nº 8.429/92). Em funcionamento desde dezembro de 2008, o cadastro estava acessível apenas aos órgãos públicos, mas por decisão unânime do plenário do CNJ, em sua 98ª sessão, encontra-se disponível para a consulta pública desde o último 30 de abril.

A partir de agora é possível a pesquisa quanto a condenações de pessoas físicas e jurídicas impedidas de contratar com a administração pública e de receber incentivos fiscais ou creditícios que têm direitos políticos suspensos. Quanto a essa última condenação, a ferramenta é capaz de calcular, com fundamento na decisão definitiva do juiz, o período pelo qual será mantida a restrição que importa em inelegibilidade a cargos políticos.

Trata-se de novo passo para a concretização dos objetivos do cadastro. Com a consulta pública, espera-se contar com a fiscalização efetiva da sociedade quanto ao cumprimento das decisões do Poder Judiciário.

A Lei nº 8.429/92 prevê a condenação de agentes públicos e também de terceiros que concorram para a prática de atos de improbidade, tais como: fraude em licitações e concursos públicos, contratações superfaturadas, utilização ilegal de bens públicos, recebimento de vantagens indevidas ou aqueles que atentem contra os princípios da administração púbica.

O cadastro é alimentado pelo juiz responsável pela execução da sentença de condenação por improbidade. O registro só é feito quando transitada em julgado a decisão, ou seja, quando há sentença definitiva da qual não cabe mais recurso.

Após o primeiro ano de funcionamento, o cadastro já aponta mais de 2.514 condenações em todo o Brasil, nas esferas federal e estaduais. Quanto ao dano provocado por esses agentes ímprobos o valor ultrapassa R$ 145.461.397,10 .

Dados importantes, como o número de condenações por estado, também estão entre as informações disponíveis. Será possível verificar que, entre os estados da Federação, é São Paulo que possui o maior número de registros: 879, seguido de Minas Gerais, com 168 pessoas condenadas, o que contrasta com o Distrito Federal, Alagoas, Amazonas e Tocantins que até agora não cadastraram nenhuma ocorrência.

As informações incluídas no cadastro podem, em tempo relativamente curto, traçar um mapa quanto à questão da corrupção em todas as esferas da administração no país, já que, em análise superficial, é do que tratam as condenações cíveis da Lei nº 8.829/92.

O banco de dados também representa facilidade para a atuação dos membros do Ministério Público. Isso principalmente porque na interposição de novas ações já haverá a informação quanto à condenação pretérita do réu em ações já julgadas.

Importante também a abertura do cadastro para o poder público em geral, que terá a possibilidade de consultá-lo a fim de evitar a contratação de pessoas e empresas já condenadas, impedir a concessão equivocada de benefícios e, principalmente, para o acompanhamento do ressarcimento de verbas a seus cofres.

A transparência de informações como essas, até pouco tempo reservadas, pode incrementar a eficácia das condenações por improbidade administrativa, modificar o perfil das contratações de servidores e empresas e auxiliar nas ações de combate à corrupção no país.

A criação do cadastro foi catalogada pela Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA)como meta prioritária em 2008 e encontra-se efetivada graças ao esforço conjunto do CNJ, principalmente da Corregedoria Nacional de Justiça, representada pelo ministro Gilson Dipp e a presidência do Conselho.

A abertura do cadastro das condenações para consulta à sociedade é fruto de uma nova política do Poder Judiciário, que, ressentido de um isolamento secular, se aproxima do cidadão, adotando medidas que influenciarão diretamente seu cotidiano, auxiliando e dando suporte ao exercício da cidadania.

Confirmado primeiro caso da Gripe A em Curitiba em 2010

BEM PARANÁ, 17 de maio de 2010

Nova paciente foi internada em hospital privado, concluiu recuperação em casa e já retomou atividades normais


Foi confirmado em Curitiba primeiro caso autóctone, com confirmação laboratorial, da nova gripe deste ano. Trata-se de uma mulher de 28 anos que não saiu da cidade ou teve contato com pessoas infectadas mas começou a manifestar os sintomas no final de abril. Até então havia sido confirmado em laboratório apenas o caso importado de um rapaz que desenvolveu a doença em janeiro, no retorno de uma viagem aos Estados Unidos.

A nova paciente foi internada em um hospital privado, concluiu a recuperação em casa e já retomou suas atividades normais. Apesar de fazer parte de um os grupos priorizados pelo Ministério da Saúde para vacinação (20-29 anos), ela não estava imunizada. As informações são do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde.

"Esse episódio confirma que o vírus da gripe A / H1N1 está em circulação. Com isso, todos nós precisamos continuar observando as condutas de prevenção e, no caso de quem foi convocado para tomar a vacina, não deixar passar a oportunidade", afirma a diretora do órgão, médica Karin Luhm. O alerta é dirigido principalmente aos 63% dos curitibanos de 30 a 39 anos que ainda não tomaram a vacina.

Segundo o último boletim da Central de Vacinas, emitido na manhã desta segunda-feira (17), apenas 37% dos adultos na faixa etária estão protegidos contra a nova gripe. Das 317.472 pessoas aguardadas nas unidades municipais de saúde, apenas 67.719 tomaram a vacina. A dose será oferecida somente até a próxima sexta-feira (21), data marcada pelo Ministério da Saúde para o encerramento da campanha de vacinação em todo o país.

Cidades atingidas por enchentes já podem solicitar recursos ao Ministério

GAZETA DO POVO, 17 de maio de 2010

No Paraná, 62 municípios podem apresentar propostas. Prazo começa nesta segunda e vai até dia 24; resultado será divulgado em 9 de junho


Estados e cidades que foram atingidos por fenômenos naturais, como as fortes chuvas que caíram no país em abril, podem solicitar recursos para a reconstrução de moradias ao Ministério das Cidades a partir desta segunda-feira (17). No fim de abril, o ministro Marcio Fortes de Almeida anunciou a destinação de R$ 150 milhões para a melhoria e produção de moradias nos municípios que estiverem em situação de emergência ou estado de calamidade pública. No Paraná, 62 cidades estão autorizadas a enviar propostas.

As propostas devem ser enviadas para o Ministério das Cidades por meio de carta-consulta até 24 de maio. Os projetos devem se enquadrar nos parâmetros da Secretaria Nacional de Habitação, segundo os manuais de dois dos programas do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS): apoio à melhoria das condições de habitabilidade de assentamentos precários e apoio à provisão habitacional de interesse social. O resultado da seleção será divulgado até 9 de junho.

Balanço

As chuvas que caíram no Paraná entre os dias 21 e 27 de abril afetaram 286.342 pessoas, em 56 municípios. De acordo com o balanço da Defesa Civil, divulgado na quarta-feira (12), foram 5.499 residências afetadas, 4.761 pessoas ficaram desabrigadas (aquelas que vão para abrigos municipais) e 31.577 desalojadas (aquelas que vão para casa de parentes).

No estado, 16 municípios decretaram situação de emergência: Pinhais, Piraquara, Prudentópolis, Colombo, Manfrinópolis, Francisco Beltrão, Guaratuba, Rio Negro, General Carneiro, Salto do Itararé, Marmeleiro, Rebouças, Santa Tereza do Oeste, Coronel Vivida, Imbituva e Porto Amazonas.


Municípios
Confira quais são as 62 cidades que podem enviar proposta para o recebimento de recursos do Ministério das Cidades.

Almirante Tamandaré, Alto Paraná, Amaporã, Arapoti, Assis Chateaubriand, Atalaia, Bandeirantes, Barbosa Ferraz, Barracão, Bituruna, Braganey, Campina Grande do Sul, Campo Magro, Cascavel, Colorado, Diamante d'Oeste, General Carneiro, Ibaiti, Ibiporã, Icaraíma, Iguatu, Inácio Martins, Irati, Itapejara do Oeste, Jaboti, Jacarezinho, Jaguariaíva, Japira, Jataizinho, Lapa, Lindoeste, Loanda, Londrina, Manoel Ribas, Marmeleiro, Matelândia, Nova Tebas, Ortigueira, Pinhalão, Pranchita, Prudentópolis, Querência do Norte, Quitandinha, Renascença, Rio Azul, Rio Negro, Rosário do Ivaí, Santa Cruz de Monte Castelo, Santa Helena, São Jerônimo da Serra, São João, São João do Ivaí, São José da Boa Vista, São Miguel do Iguaçu, Sapopema, Sengés, Siqueira Campos, Teixeira Soares, Tomazina, Umuarama, União da Vitória e Wenceslau Braz.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Custo da corrupção no Brasil chega a R$ 69 bi por ano

AGÊNCIA INDUSNET FIESP, 14 de maio de 2010

Segundo levantamento da Fiesp, renda per capita do País poderia ser de US$ 9 mil, 15,5% mais elevada que o nível atual


Um estudo realizado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp revelou os prejuízos econômicos e sociais que a corrupção causa ao País.

Segundo dados de 2008, a pesquisa aponta que o custo médio anual da corrupção no Brasil representa de 1,38% a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, gira em torno de R$ R$ 41,5 bilhões a R$ 69,1 bilhões.

No período entre 1990 e 2008, a média do PIB per capita do País era de US$ 7.954. Contudo, o estudo constatou que se o Brasil estivesse entre os países menos corruptos este valor subiria para US$ 9.184, aumento de 15,5% na média do período, equivalente a 1,36% ao ano.

Entre 180 países, o Brasil está na 75ª colocação, no ranking da corrupção elaborado pela Transparência Internacional. Numa escala de zero a 10, sendo que números mais altos representam países menos corruptos, o Brasil tem nota 3,7. A média mundial é 4,03 pontos.

Nação prejudicada

Além disso, o levantamento também traz simulações de quanto a União poderia investir, em diversas áreas econômicas e sociais, caso a corrupção fosse menos elevada.

Educação – O número de matriculados na rede pública do ensino fundamental saltaria de 34,5 milhões para 51 milhões de alunos. Um aumento de 47,%, que incluiria mais de 16 milhões de jovens e crianças.

Saúde – Nos hospitais públicos do SUS, a quantidade de leitos para internação, que hoje é de 367.397, poderia crescer 89%, que significariam 327.012 leitos a mais para os pacientes.

Habitação – O número de moradias populares cresceria consideravelmente. A perspectiva do PAC é atender 3.960.000 de famílias; sem a corrupção, outras 2.940.371 poderiam entrar nessa meta, ou seja, aumentaria 74,3%.

Saneamento –
A quantidade de domicílios atendidos, segundo a estimativa atual do PAC, é de 22.500.00. O serviço poderia crescer em 103,8%, somando mais 23.347.547 casas com esgotos. Isso diminuiria os riscos de saúde na população e a mortalidade infantil.

Infraestrutura – Os 2.518 km de ferrovias, conforme as metas do PAC, seriam acrescidos de 13.230 km, aumento de 525% para escoamento de produção. Os portos também sentiriam a diferença, os 12 que o País possui poderiam saltar para 184, um incremento de 1537%. Além disso, o montante absorvido pela corrupação poderia ser utilizado para a construção de 277 novos aeroportos, um crescimento de 1383%.

Para ver o estudo completo, clique aqui.

Oposição reage a manobra do governo sobre Ficha Limpa

O GLOBO, 14 de maio de 2010

OAB e oposição reagiram à proposta governista de usar o Ficha Limpa como barganha para votar os projetos do pré-sal. A CCJ do Senado promete votar o Ficha Limpa semana que vem.


A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a oposição reagiram ontem à manobra governista de usar a proposta do Ficha Limpa - que veda a candidatura de pessoas condenadas pela Justiça - para votar os quatro projetos relativos ao pré-sal. Com urgência constitucional garantida pelo presidente Lula, os projetos do pré-sal estão trancando a pauta do Senado, assim como outras quatro medidas provisórias. A declaração do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-AP), de que a prioridade do Planalto é aprovar os projetos do pré-sal e não o Ficha Limpa, causou constrangimentos até entre integrantes da base aliada.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por exemplo, contestou a opinião de Jucá e reiterou que pretende entregar o projeto para sanção presidencial até o próximo dia 9. Mas Sarney disse que não pode inverter a pauta, para pôr o Ficha Limpa na frente dos projetos do pré-sal. Teria que ser acordado entre todos os líderes.

- O projeto Ficha Limpa é uma aspiração nacional, uma necessidade que amadureceu na consciência do país. Então, temos que fazer todo o esforço (para votar o projeto). Acho que isso não é uma questão partidária, mas de ponto de vista, da consciência de cada um. De maneira que, de minha parte, tenho outra visão - afirmou Sarney.

Jucá, porém, insistiu ontem que o Ficha Limpa não está entre as prioridades do governo.

- O Ficha Limpa é um projeto da sociedade, não do governo. Vamos obedecer à ordem de urgência na Casa - disse, confirmando que usará o interesse suscitado pelo projeto para acelerar as propostas do pré-sal.

Se depender do presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), o projeto do Ficha Limpa será o primeiro item da pauta da CCJ na próxima quarta-feira.

- Ao contrário do governo, que parece estar se lixando para a sociedade brasileira, que quer a aprovação do Ficha Limpa, vou colocar a matéria em votação já na próxima quarta-feira - prometeu Demóstenes.

O líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC), ironizou a falta de interesse do governo em votar uma proposta de iniciativa popular que recebeu 1,7 milhão de assinaturas.

- Jucá está certo: a sociedade nunca foi pauta do governo do PT - alfinetou Bornhausen.

O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, classificou de chantagem política do governo a vinculação da votação do Ficha Limpa à aprovação dos projetos do pré-sal:

- É uma chantagem política com a sociedade. Quando a sociedade elege alguém é para defender seus interesses e não os interesses privados ou os do governo. O senador está negando o voto que lhe foi outorgado.

Veja aqui a íntegra do projeto Ficha Limpa

CNBB cobra Ficha Limpa no Senado

CORREIO BRAZILIENSE, 14 de maio de 2010

CNBB pede que proposta no Senado tenha o mesmo tratamento que teve na Câmara e seja aprovada da maneira que foi apresentada. Bispo afirma que políticos que criam dificuldades para a aprovação são os que têm problemas com a Justiça


O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Lyrio Rocha, afirmou ontem que os políticos que criam dificuldades para a aprovação do projeto da Ficha Limpa — que prevê a inelegibilidade de candidatos com histórico criminal — são os que têm problemas com a Justiça. “Se alguém se coloca contra a proposta, está confessando que tem a ficha suja.” A declaração, dada logo após o encerramento da 48ª Assembleia Geral da CNBB, foi um recado ao Senado, onde a proposição aguarda votação. Para vigorar nas eleições deste ano, a proposta deve ser aprovada pela Casa até 9 de junho.

A Igreja Católica faz lobby para que os senadores não apresentem emendas ao Ficha Limpa. “Esperamos que a proposta no Senado tenha o mesmo tratamento, o mesmo destino que teve na Câmara: ser aprovada da maneira como foi apresentada. Os destaques foram todos derrubados. A Câmara fez isso em tempo bastante rápido e agora aguardamos que o Senado adote a mesma atitude”, disse dom Geraldo, que também é arcebispo de Mariana (MG).

Ao citar o amplo apoio da população ao projeto — protocolado com mais de 1,6 milhão de assinaturas —, o presidente da CNBB pediu sensibilidade aos senadores. “Deus queira que o Senado seja sensível à expressão da sociedade civil. Isso (o abaixo-assinado) deve levar os parlamentares a uma reflexão”, observou o bispo.

Otimista para a aprovação do Ficha Limpa no Senado, o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, acredita no aval dos senadores antes de 9 de junho. “Houve gente que dizia que era mais fácil boi voar do que o projeto ser aprovado na Câmara. Após a derrubada dos 11 destaques e a aprovação pela Câmara, o comentário é que já estão vendo boi voando”, ironizou.

O mau exemplo que vem de cima

BLOG REPÓRTER DO CRIME, 14 de maio de 2010


O mês de maio nem ultrapassou a segunda quinzena e já coleciona dois casos de impunidade envolvendo pessoas acima de qualquer suspeita. Na verdade surgiu mais um, o do procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, que pode ser investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público por suspeita de ligações com o mensalão do DEM. O procurador é suspeito de ter vazado informações de inquéritos em troca de...dinheiro. Está em reportagem do "Estado de São Paulo" de hoje.

Os outros dois casos são mais escandolosos ainda. Uma procuradora de Justiça aposentada e o secretário nacional de Justiça, do Ministério da Justiça, têm seus nomes manchados por acusações ainda não comprovadas, mas que a cada dia revelam indícios cada vez mais fortes de veracidade das denúncias. A procuradora aposentada foi indiciada por tortura de uma menina de dois anos, a quem tratava, além da violência física, por diminutivos de animais do campo ("vaquinha"), segundo atestou gravação feita por desafetos da procuradora. Só que a situação ficou ainda mais grave desde que a procuradora, em vez de colaborar com a Justiça - que ainda lhe paga o salário - preferiu fugir de prestar contas com a sociedade. Ela se entregou hoje e a Justiça negou que responda ao processo em liberdade. Saiba mais no site do GLOBO.

Ainda que não tenha havido violência física, o caso do secretário nacional de Justiça é igualmente grave, sobretudo pela posição dele. É um elemento do terceiro escalão do governo e no topo da pirâmide do Ministério da Justiça, órgão do governo federal que lida diretamente com a segurança pública e proteção dos cidadãos brasileiros. O governo Lula mais uma vez foi lento na punição de seu pessoal, mas finalmente o ministro Luiz Paulo Barreto decidiu afastar o secretário nacional de Justiça, que deixou o cargo dizendo estar de férias para ter mais tempo de fazer sua defesa.

O caso de Romeu Tuma Júnior é daqueles em que quanto mais o sujeito se explica mais se vê envolvido numa teia que tem como protagonista ninguém menos que um dos maiores contrabandistas do país, o chinês conhecido como Pau Li, Tuma Júnior viajou e posou para fotos com Paulo Li, na China. Segundo revela o Estadão de hoje, o objetivo da viagem era discutir a cooperação entre Brasil e China nas áreas de combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro. Hummm. Deixa eu ver se entendo¿ O secretário nacional de Justiça levou para uma reunião dessas o homem que conhece bem sobre crime organizado, só que seria ele próprio o beneficiado pela assessoria e com a possibilidade de fazer excelentes contatos com integrantes do governo chinês, se é que já não os tinha.

Seria mais ou menos como o diretor da delegacia de combate ao tráfico da Polícia Federal levar com ele um grande traficante de drogas para participar de uma reunião para definição de estratégias internacionais de combate ao tráfico, com especialistas da americana DEA (Agência de Repressão às Drogas), nos Estados Unidos. Nem que o traficante tivesse se confessado arrependido valeria à pena o risco de vazamento de informações.

O Caso Tuma Júnior veio à tona com reportagem do Estadão, que publicou relatório no qual investigação da Polícia Federal revelou que o secretário aparece como suspeito de ter usado o prestígio do cargo para liberar mercadorias apreendidas, que seriam do contrabandista Paulo Li. Escutas telefônicas mostraram o secretário e um assessor dele dizendo que relaxariam a apreensão de mercadorias no valor de 180 mil dólares, no Aeroporto de Guarulhos. Com uma amizade dessas, o contrabandista chinês não precisaria de mais nada para ter seu caminho livre para a prática de crimes como o contrabando e a pirataria, Apesar dos indícios, Tuma Júnior nega tudo, mas não deu entrevista ao jornal que levantou a lebre.

Outra característica que une os três casos – de VIPs da Justiça suspeitos de prática criminosas – é o silêncio diante da opinião pública. Tanto a procuradora aposentada, como o procurador-geral de Justiça do DF e o secretário nacional de Justiça afastado fogem da imprensa como morcegos da luz do dia. Como pessoas que excercem ou exerceram cargos públicos, nenhum deles deve renegar o dirieto do público à transparência que deve marcar a gestão pública.

Todos são inocentes até que se prove o contrário, mas ninguém – sobretudo no poder público – tem o direito de se negar a prestar esclarecimentos e a colaborar com a Justiça. E para que o processo transcorra sem qualquer sombra de dúvida o alvo da investigação deve ser afastado do serviço público.

REPÓRTER DO CRIME
Jorge Antonio Barros - Cobre criminalidade e segurança pública desde 1981. É editor-adjunto de Rio do GLOBO. Tem dois prêmios Esso e ganhou, em 2007, o Prêmio de Jornalismo do AfroReggae e a menção especial do Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo. É integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Pela primeira vez em mais de 25 anos, STF condena deputado criminalmente

ESTADÃO ONLINE, 14 de maio de 2010


O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou criminalmente ontem um deputado federal pela primeira vez desde a ditadura militar. Ex-prefeito de Caucaia, no Ceará, Zé Gerardo (PMDB-CE) foi condenado a 2 anos e 2 meses de detenção, mas não ficará preso, nem perderá o mandato. Ele é acusado de crime de responsabilidade por ter usado verba para construção de um açude (de um convênio de 1997 com o Ministério do Meio Ambiente) em outra obra.

Pela decisão do STF, a pena deverá ser convertida no pagamento de 50 salários mínimos e prestação de serviços à comunidade. Somente após decisão definitiva, sem possibilidade de recursos, Zé Gerardo ficará inabilitado para exercer função pública pelo prazo de cinco anos.

A condenação ocorreu um dia depois de o senador Pedro Simon (PMDB-RS) ter reclamado para o presidente do STF, Cezar Peluso, da impunidade que existe no País.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Estudo mostra que 81 maiores cidades do Brasil só tratam 36% do esgoto

ECO DEBATE, 12 de maio de 2010


Todos os dias, 5,9 bilhões de litros de esgotos sem qualquer tipo de tratamento são despejados em rios e praias brasileiras - e isso apenas nas cidades com mais de 300 mil habitantes (81 municípios em todo o país, onde vivem 72 milhões de habitantes). Essa quantidade de esgoto sem tratamento equivale a 2.360 piscinas olímpicas, todos os dias.

Os dados nacionais sobre saneamento estão em estudo, divulgado domingo, 9, do Instituto Trata Brasil, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), e foram reunidos com base no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), sob responsabilidade do Ministério das Cidades. Em março último, o órgão federal atualizou o sistema com as informações mais recentes disponíveis, fornecidos por concessionárias de água e esgoto em todo o País, referentes ao ano de 2008. Reportagem da Agência Estado, no Jornal Pequeno, MA.

Segundo o Instituto, que tem o apoio de órgãos como a Agencia Nacional de Águas (ANA), Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (Aesbe), Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon) e Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre outros órgãos, apenas cerca de 36% do esgoto gerado nas 81 maiores cidades brasileiras (o total é de 9,3 bilhões de litros por dia) recebem algum tipo de tratamento - um índice considerado longe do ideal.

“São dados públicos, que estão na internet, e que utilizamos para cobrar as prefeituras por mais investimentos e políticas públicas para a área”, disse Raul Pinho, conselheiro do Trata Brasil.

De acordo com ele, a situação da capital paulista e de cidades do Estado de São Paulo foi, em geral, de avanço nos últimos anos, com ganhos na questão do tratamento de esgotos. “Entre 2007 e 2008, a Sabesp fez muitos investimentos e melhorou o índice de tratamento na capital”, afirmou. Hoje, cerca de 68% do esgoto paulistano é tratado; e os municípios de Jundiaí, Franca, Santos, Ribeirão Preto e Sorocaba aparecem entre as 10 primeiras cidades no ranking nacional das que mais tratam esgotos.

Os destaques negativos, disse ele, vão para municípios do norte do país, como Belém (PA), Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO). A capital paraense trata 6% de seu esgoto, enquanto a acreana atinge 3% do volume tratado. Já a capital de Rondônia, com 379 mil habitantes, não trata esgotos - joga tudo em rios.

Cidades da Baixada Fluminense, como Nova Iguaçu e Duque de Caxias, também aparecem com índices baixíssimos de tratamento, não superiores a 5%. “O Rio de Janeiro também caminhou para trás: declarou tratar 60% de seu esgoto em 2007 e 48% em 2008″, disse. Todos esses municípios acabam lançando uma grande quantidade de esgoto in natura na Baía de Guanabara, que deve sediar as competições de iatismo nas Olimpíadas de 2016.

Segundo Pinho, os avanços no setor foram “evidentes” desde 2003, mas ainda muito lentos. Para assegurar a universalização dos serviços de tratamento de esgotos, seriam necessários, diz ele, investimentos anuais de no mínimo R$ 10 bilhões por ano. Com isso, 100% dos esgotos do país poderiam ser tratados, já em 2027.

Câmara conclui votação e projeto ficha limpa vai ao Senado

G1, 11 de maio de 2010

Destaques que faziam alterações no projeto foram rejeitados no plenário. Texto veta candidatura de condenados em decisão colegiada.


A Câmara dos Deputados concluiu nesta terça-feira (11) a votação do projeto ficha limpa. A proposição segue agora para análise do Senado Federal. O projeto surgiu da iniciativa popular do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). Foram reunidas mais de 1,6 milhões de assinaturas em favor da proposta, que chegou ao Congresso em setembro do ano passado. O texto segue agora para o Senado Federal.

O texto aprovado pela Câmara proíbe por oito anos a candidatura de políticos condenados na Justiça em decisão colegiada –tomada por vários juízes ou desembargadores–, mesmo que o trâmite do processo não tenha sido concluído no Judiciário. Este tipo de decisão acontece geralmente na segunda instância ou no caso de pessoas com foro privilegiado.

O parecer aprovado, de autoria de José Eduardo Cardozo (PT-SP), prevê ainda a possibilidade de um recurso para garantir a candidatura a um órgão colegiado superior. Caso seja concedida a permissão para a candidatura, o processo contra o político ganharia prioridade para tramitação.

O texto que sai da Câmara é mais flexível do que o proposto pelo MCCE. A idéia inicial era proibir a candidatura de todos os condenados em primeira instância. Atualmente, só políticos condenados em última instância, o chamado trânsito em julgado, são impedidos de disputar.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcanti, já afirmou que o projeto precisaria ser aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até 5 de junho para ter validade para as eleições de outubro. Outros, como o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), acreditam que pelo princípio da anualidade não seria possível fazer com que a mudança valha já para essas eleições. A aplicação ficará a cargo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), caso o projeto seja aprovado no prazo sugerido pelo presidente da OAB.

No Senado, no entanto, há empecilhos regimentais para a votação. A pauta da Casa está trancada por Medidas Provisórias e pelos projetos do pré-sal, que tem urgência constitucional. Diferente da Câmara, onde são permitidas algumas votações mesmo com o trancamento da pauta, no Senado nunca se realizou votações desta forma.

Veja aqui a íntegra do projeto Ficha Limpa